Umas e Outras – Análise de Texto

Anterior – http://mpbsapiens.com/cara-a-cara-analise-de-texto/
 
Vimos, em Cara A Cara, Chico, o Ser Poético, conversando com o escudo 
Francisco, do Parecer Artístico, num diálogo responsável pelo que chamei de
Auto Exílio Interior, iniciado ainda no Brasil e antes de se tornar oficial com a
viagem para a Itália.
http://mpbsapiens.com/retrato-em-branco-e-preto-analise-de-texto
 
Em Umas e Outras o papo não mudou muito. Apenas ganhou novas feições,
ao se referir a duas mulheres, que vejo como Consciências de Ser e Parecer; 
e não houve um Diálogo, mas uma Narrativa do Ser sobre as posturas de 
ambos em Cara A Cara.
 Vídeo de takinnn
Se uma nunca tem sorriso
É pra melhor se reservar
E diz que espera o paraíso
E a hora de desabafar
A vida é feita de um rosário
Que custa tanto a se acabar
Por isso às vezes ela para
E senta um pouco pra chorar
 
Que dia! Nossa, pra que tanta conta
Já perdi a conta de tanto rezar
 
Se a outra não tem paraíso
Não dá muita importância não
Pois já forjou o seu sorriso
E fez do mesmo profissão
A vida é sempre aquela dança
Aonde não se escolhe o par
Por isso às vezes ela cansa
E senta um pouco pra chorar
 
Que dia! Puxa, que vida danada
Tem tanta calçada pra se caminhar
 
Mas toda santa madrugada
Quando uma já sonhou com Deus
E a outra, triste namorada
Coitada, já deitou c´os seus
O acaso faz com que-essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se co´a mesma dor
 
Que dia! Cruzes, que vida comprida
Pra que tanta vida pra gente desanimar
 
Embora Umas e Outras tenha sido “uma” das “outras” aplicações que a RGE 
fizera no quarto disco, já da Philips, não dá para precisar a data da criação da
música, pela desconfiança que o cancioneiro oficial implica, o texto diz muito 
respeito ao momento da obra que tento traduzir. 
 
O texto sugere a Umas Santas e Outras Prostitutas, respectivamente Ser e
Parecer, onde o último diz não poder escolher o par na dança da vida. Troca 
de gravadoras e Anjos Gigolôs, com o Chico alternando as duas no interior. 
Como justificando o fato da primeira estar sob o escudo da última.
 
Chico é muito criterioso nos termos utilizados nas letras das composições. O
fato de eu qualificar a Outras como prostituta se deve ao uso do “Coitada”.
Pelo que observei na obra inteira, Chico só usou esse adjetivo em outras
duas ocasiões, além desta: Geni e o Zepelim e A Rosa.
 
Embora o termo – Coitada – seja mais usado para qualificar a alguém digno 
de pena ou dó; convém lembrar que o mesmo deriva de “Coito”, o que muda
o sentimento de dó por uma espécie de ofensa.
 
Temos de tomar muito cuidado, tanto em escutar quanto em nos referirmos a
alguém com tal adjetivo. Nunca se sabe né?
 
Há um consagrado pensamento do Fernando Pessoa descrevendo o poeta:
 
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente
 
Isso se aplica ao Chico que, por sinal, até se usou desse pensamento na futura
Fantasia, LP Vida.
 
Digo isso baseado na próxima composição, Samba e Amor, onde ele 
sugerirá que toda essa guerra interior de Ser e Parecer, mais as preocupações
com a condição social do Pedro Pedreiro, são meros elementos de um
contexto muito mais individual e próprio.
 
Talvez, o pensamento descrito no fragmento:
 
O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor
 
Basta trocar Olhar por Fingir que a coisa fica melhor explicada e deixa o
Fernando Pessoa mais contente no seu além-mar do além-aquém.
 
Próxima – >   http://mpbsapiens.com/samba-e-amor-analise-de-texto/

         .

  del.icio.us isto!

5 Respostas até o momento »

  1. 1

    Google-TCW said,

    setembro 9, 2009 @ 4:11 pm

    Hi from google Google-TCW

  2. 2

    admin said,

    setembro 10, 2009 @ 6:38 am

    Hi and Welcome!

  3. 3

    thiago said,

    novembro 11, 2010 @ 2:59 pm

    em que momento do dia ocorre o encontro das duas mulheres?

  4. 4

    admin said,

    novembro 11, 2010 @ 5:58 pm

    Thiago:

    Segundo o Chico, que conhece as mulheres:

    O acaso faz com que essas duas
    Que a sorte sempre separou
    Se cruzem pela mesma rua…

    Acho que só o Sr. Acaso poderá responder.

    Grato pela visita e volte sempre.
    Dalton.

  5. 5

    Fan Facebook said,

    dezembro 20, 2011 @ 8:18 pm

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