Um Chorinho-Análise de Texto
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Vídeo de ljmoura
Chico Se Descobrindo Só
Embora a composição levasse todo um jeitão de protesto contra o governo, mais uma vez era voltada para os efeitos que a televisão e os veículos de imprensa exerciam sobre o povo. Chico tentou de várias formas retomar as suas originais trilhas do protesto.
Esperava encontrar continuidade do assunto nos seus colegas compositores, mas todos cuidavam apenas dos respectivos sucessos, logo, a imprensa nunca deixou que houvesse tal engajamento por parte deles, pois dependiam dela.
Então só restou a Chico “iluminar” o filme Garota de Ipanema (Leon Ritzman):
Ai, o meu amor A sua dor A nossa vida Já não cabem na batida Do meu pobre cavaquinho Quem me dera Pelo menos um momento Juntar todo o sofrimento Pra botar nesse chorinho Quem me dera Ter um choro de alto porte Pra cantar c´oa voz bem forte E anunciar a luz do dia Mas quem sou eu *** Pra cantar alto assim na praça Se vem dia, dia passa E a praça fica mais vazia Vem morena, Não me despreza mais não Meu choro é coisa pequena Mas roubado a duras penas Do coração Meu Chorinho Não é uma solução Enquanto eu cantar sozinho Quem cruzar o meu caminho Não para não Mas eu insisto *** E quem quiser que me compreenda Até que alguma luz acenda Este meu canto continua Bis Junto meu canto A cada pranto A cada choro Até que alguém me faça coro Pra cantar na rua*** Tais versos foram os únicos Brancos (sem rimas) da composição inteira. Chico mostrou com isso que, em se tratando dele, sempre sobrava só mesmo.
O tal choro de alto porte veio em 1976, numa parceria com Francis Hime: Meu Caro Amigo, mas infelizmente só anunciou “Que a coisa aqui tava preta”, embora já não mais estivesse só, pois aderira ao comportamento dos colegas juntando-se às forças.
Por outro lado, vejam este poema do Vinícius de Moraes, seu Mestre nas primeiras lições de Versificação, Ai, Quem Me Dera:
Ai, quem me dera terminasse a esperaRetornasse o canto simples e sem fim
E ouvindo o canto se chorasse tanto
Que do mundo o pranto se estancasse enfim Ai, quem me dera ver morrrer a fera
Ver nascer o anjo, ver brotar a flor
Ai, quem me dera uma manhã feliz
Ai, quem me dera uma estação de amor Ah, se as pessoas se tornassem boas
E cantassem loas e tivessem paz
E pelas ruas se abraçassem nuas
E duas a duas fossem casais Ai, quem me dera ao som de madrigais
Ver todo mundo para sempre afim
E a liberdade nunca ser demais
E não haver mais solidão ruim Ai, quem me dera ouvir o nunca-mais
Dizer que a vida vai ser sempre assim
E, finda a espera, ouvir na primavera
Alguém chamar por mim…
Ao longo dos estudos verão que uma das práticas mais usadas por Chico, nas letras das composições, é a de responder a uma proposta anterior de um outro poeta, como que continuando o assunto de uma carta, independente do quadro sócio visual em que a composição foi alojada, sem deixar de mostrar o motivo por Linguagem Cifrada, pois o filme, no qual Um Chorinho esteve presente, se chamava Garota de Ipanema, talvez a mais famosa composição do Mestre Vinícius de Moraes.
Obs. Esta Postagem contou com a colaboração de Marcia Bonesso, da Comunidade Chico Buarque Paratodos, do orkut.


































