fevereiro 17, 2008
· Arquivado na categoria Conto, Dalton
Extraído da Odisséia de Homero, o conto é uma versão nacional da passagem de Odisseus (Ulisses) na Grécia mitológica, cuja astúcia foi capaz de dar uma dificílima vitória a Atenas sobre os intransponíveis muros de Tróia, graças à construção do famoso cavalo.
A astúcia de Ulisses precedeu e sucedeu à Odisséia. Para evitar a viagem a Tróia tentou enganar a deusa Atenas fingindo-se de louco. Não conseguindo, foi procurar Aquiles, que informaram estar aposentado e disfarçado de mulher em certo botequim… Ulisses foi até lá, usou o mesmo disfarce e conseguiu localizá-lo com um truque de armas.
Em seguida roubou o Odre de Eólo (deus dos ventos) para viajar com segurança.
A obra de Homero trata da viagem de volta de Ulisses à terra natal, Ítaca, que registra uma série de disputas, dentre elas, uma com um Ciclope, que apresentava um só olho no centro da testa, filho de Posseidon e cujo nome era Polífemo.
Ulisses é aprisionado por Polífemo em sua caverna e este lhe pergunta o nome, no que Ulisses diz se chamar Ninguém. Em seguida, Polífemo se interessa pelos vinhos que Ulisses carregava em sua sacola. Experimenta, gosta, toma todos e dorme. No que o herói aproveita para furar seu olho único. Quando urra de dor, outros monstros comparsas perguntam quem estava lá dentro com ele, e escutam: Ninguém! Eles o deixam sem perguntar novamente.
Noutro episódio, os companheiros de Ulisses, suspeitando que o mesmo transportasse ouro naquele estranho e inseparável odre, resolveram xeretar e abriram. Os ventos saíram imediatamente e voltaram ao deus Eólo, que pôde sacanear um pouquinho as rotas da embarcação que voltava a Ítaca, tornando-a errante por 10 anos.
Até ai ele já havia enganado os deuses Atenas, Eólo e enfurecido Posseidon com a cegueira de Polífemo. Eólo também vingava por outros deuses sem esquecermos que Posseidon dominava os mares.
Para conseguir casar com Penélope, Ulisses já fora obrigado a usar toda uma sorte de estratagemas, ardis e fofocas na luta contra os pretendentes, com os quais pactuou antes da disputa, que o vencedor teria sempre a ajuda dos demais quando solicitada. Foi o que Ulisses fez para viajar a Tróia, pois ao mesmo tempo em que os tinha como tripulantes, não deixava rivais em Ítaca dando em cima da Penélope.
Durante a viagem de Ulisses, Penélope ficou tricoteando um manto que seria dado a ele em seu retorno. Quando o manto já tinha alcançado um tamanho bastante a envolver uma tripulação inteira, ela desistiu e submeteu sua mão a novo concurso, que consistia numa competição de arco e flecha usando um complicado arco que Ulisses ganhara anteriormente de Êurito.
Dos competidores, só um velho mendigo conseguiu curvar o arco e terminar a tarefa. Apesar da aparência, Penélope foi fiel às regras e aceitou casar com ele. Era o Ulisses em mais um de seus muitos disfarces.
Posteriormente, Ulisses e Penélope tiveram um filho chamado Telêmaco. A paz voltou a Ítaca, mas não a Penélope, pois o marido acabou fazendo muitas outras viagens, menos importantes, mas semelhantes.
Quando criança, o órfão Ulisses foi tutelado pelo velho sábio Mêntor, de quem adquiriu a Astúcia geral e aprendeu muitos ardis.
Dá pra perceber qual foi o herói grego no qual Chico baseou muito da sua conduta. Mêntor, por exemplo, era o Vinícius. Os truques e pseudônimos, que virão adiante, nada mais foram do que os mesmos do seu herói de então.
Suspeito que outra relação Ulisses-Mêntor deva ter ajudado a cabeça de Chico a se engajar no movimento das Diretas Já em 1983, cujo Mentor se chamava Ulisses Guimarães.
del.icio.us isto!