Teresinha e o Posseiro

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O terceiro me chegou
Como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada
Também nada perguntou
Não sei como ele se chama
Mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não
Se instalou feito um posseiro
Dentro do meu coração

Essa última parte da música Teresinha, integrante da Ópera do Malandro, trata do terceiro homem experimentado por ela na vida.

Se tal homem pertencia mais à fantasia feminina do que à vida cotidiana, pouco importa, todavia chamo a atenção para uma das virtudes dele: a de se instalar feito um posseiro dentro do coração do personagem.

O som, posseiro, não é único no nosso vocabulário, nem tampouco tem o significado exclusivo de posse, que, em tal aspecto, difere do de Propriedade pelo fato de um posseiro apenas se apossar de uma propriedade, cujo proprietário não a tenha assumido em fato, só em direito.

Mas o propósito aqui não é o de discutir validade ou ilegalidade do MST. Visa apenas questionar o quanto existe de prudência, ou sorte, nas letras que o Chico escreve.

Esse som também pode ser escrito desta forma: Poceiro, que abriga dois significados distintos, como simples verbetes, mas que sugerem todo um parentesco filosófico, quando relacionados à Teresinha:

Poceiro 1 – Aquele que usa carvar poços. Que opera nas “profundezas”.

Poceiro 2- Cesto onde se lava a lã.

Poceiro 3- Grande cesto de vime.

Será que o posseiro da Teresinha apenas tomou posse do coração dela?

Será que, como poceiro, operou nas suas profundezas com a intimidade de quem a guardou, purificou e aqueceu num enorme cesto particular?

Ou será que Chico usou, propositalmente, todos os significados do som para um só fim?

Convém sempre ler o que o Chico escreve antes de concluir qualquer coisa, pois assim como a palavra é sonora, ela, antes, é escrita e ele adora compor com um dicionário ao lado.

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  del.icio.us isto!

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