Sapiens Didático

 
Venho reparando que os senhores, navegadores do Sapiens, têm buscado
em muito maior quantidade nas visitas, tanto no Brasil quanto fora dele, às
noções básicas de Versificação pelos elementos da Ciência Poética.
 
Para um poema ser construído, basta um motivo para tal, o que apelidamos
com o termo Mote, que é uma abreviação de Motivo. Ele pode ser feito em
uma forma mais séria que essa abaixo, quando provido de uma carga 
sentimental própria como Mote, ou simplesmente como um exercício no
trato com as palavras, que busquei colocar em forma didática:
 
Sem
Saber
Se irei
Satisfazer
Somente-ao poema
 
Semeando a pena
Só com amenas palavras
Surrupiados sentimentos
Sapecados e cheios de travas
Saberei ser tão nobre no momento?
 
Supondo nas sílabas tonicidades
Será que posso-enfim saber constituir
Sabiamente nesses versos que não têm idades
Sementes para-à poesia poder reconstruir?
 
Sua-história abalada pelos tempos do-agora
Satisfeitos com as suas limitações fúteis
Soberbamente desprezando-ao que outrora
Serviu como bases poéticas úteis
 
Serenando-essa arte do poeta
Simplesmente munir qualquer verso
Saudável na forma completa
Sonhando com seu reverso
Supondo-o firmamento
 
Ser um carrossel
Só descrevendo-o
Seu corcel
Sorvendo-o
Séu (?)
 
Perceberão que a Construção Poética usou todos os comprimentos de verso.
Do Monossílabo ao Bárbaro e retornou ao primeiro findando o poema.
 
O Verso Bárbaro, que tem 14 sílabas, é considerado o Verso Limítrofe entre
a Poesia e a Prosa, posto que a Ciência Poética determina as 14 Sílabas 
Poéticas como o máximo de um poema.
 
Tanto é verdade que, quanto aos Pés de Verso, temos no máximo o dito
Verso Heptâmetro, que contém 7 Metros.
 
Estando o limite da poesia nas 14 Sílabas Poéticas, e tendo o menor Metro, 
ou Pé de Verso, dois tempos rítmicos, forte e fraco, o Hepta (7) Metro é o
máximo que um verso pode ter, e o Unímetro (1 Metro) o mínimo, mesmo 
tendo este último somente uma Sílaba Poética, pois o seu tempo fraco está na
pausa obrigatória que finda o verso.
 
Vejam a Geometria Poética da construção do poema:
 
1 2 3 4 5 6                  
Sem                            
Sa ber                          
Se i rei                        
Sa tis fa zer                      
So men te-ao po e ma                  
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10          
Se me an do a pe na                
com a me nas pa la vras              
Sur ru pi a dos sen ti men tos            
Sa pe ca dos e che ios de tra vas          
Sa ber rei ser tão no bre no mo men to        
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14  
Su pon do nas la bas to ni ci da des      
Se que-as sim pos so en fim cons ti tu ir      
Sa bia men te nes ses ver sos que não têm i da des  
Se men tes pa ra-à po e si a se re cons tru ir  
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14  
Su a-his ria a ba la da pe los tem pos do-a go ra
Sa tis fei tos com as su as li mi ta ções teis  
So ber ba men te des pre zan do-ao que ou tro ra    
Ser viu co mo ba ses po é ti cas ú teis      
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14  
Se re nan do-es sa ar te do po e ta        
Sim ples men te mu nir qual quer ver so          
Sau vel na for ma com ple ta            
So nhan do com seu re ver so              
Su pon do-o fir ma men to                
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10          
Ser um car ros sel                    
des cre ven do-o                    
Seu cor cel                        
Sor ven do-o                        
Céu                            
1 2 3 4 5                    
 
Esse conceito, da Poesia findar na décima quarta sílaba poética, caiu em
desuso à partir do que a Poesia Italiana fez com o desenvolvimento posterior
do Verso Bárbaro, surgindo novas configurações métricas e rítmicas. Aqui
pelo Brasil, vejam o que o Chico fez nos versos de Almanaque:
 
Ô/me/ni/na /vai/ver/nes/se-al/ma/na/que/co/mo-é/que-is/so tu/do/co/me/çou
 
A sílaba tônica de almaNAque é a décima, e no comeÇOU temos a vigésima.
Ocorre que tanto o VER, quanto o TU são a sexta e a décima sexta sílabas
do verso.
 
A Ciência Poética diz que o verso decassílabo, acentuado internamente na
na sexta sílaba, recebe o nome de Heróico; sendo portanto o verso acima
um par de Heróicos em seguida.
 
Aí é que entra a gozação do Chico. Basta ler os textos dos versos, que se
apresentaram com tal comprimento, para constatar:
 
 - Só um Super-Herói poderá responder às questões propostas nos versos.
 
Para se construir um poema, não basta um sentimento como Mote. Tem-se
que gostar do que está fazendo, e as palavras são um divertimento pra lá
de saudável diante do cotidiano atual. Basta desligar a televisão e esquecer
o noticiário, pois aí, ao invés das tristezas dele, se ganha a alegria do próprio
descobrimento verbal.
 
 - Pode crê!
 

      .

  del.icio.us isto!

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