Roda Viva – A Peça – Parte 1

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Um humilde e presunçoso cantor chamado Benedito Silva se apresenta ao público.

Em seguida, Anjo entra em cena mostrando a receita do sucesso, dando uma de protetor e rapidamente discute os percentuais das partes nos lucros, determinando que ficará com vinte por cento de tudo.

Benedito acha muito, mas Anjo passa uma receita inversa para mostrar-lhe a porcaria que era, diante do que iria ficar, e declamando a algo que exalta à moda, à propaganda e ao estrangeiro.                                  

Entra em cena Juliana, que se identifica como esposa de Benedito. Anjo não gosta e diz a ela que Benedito vai mudar completamente, inclusive de nome, enquanto tenda seduzí-la discretamente. Juliana lhe dá um chega pra lá e ele declama seus dotes de Anjo da Guarda.                                   

Benedito volta à cena todo brilhoso, Juliana estranha, reclama e o compara a uma bicha louca, no que Benedito diz: New Look.

Entra em cena o personagem Mané, debruçado numa mesa com copo e garrafa de cachaça.

Obs. Mané era um antigo amigo do Chico nos tempos da Consolação e do Sambafo.      

Benedito canta pra ele um chorinho que conta dos seus planos e mudanças, no que Mané responde: – Você nunca me enganou!                          

Em seguida, Anjo descobre um pseudônimo para Benedito Silva: Ben Silver, passa uma receita de sucesso baseada na obediência à televisão, fala da onipotência da câmera e da imensa platéia que ela dá e o artista não vê.                 

Juliana canta a primeira parte da composição Sem Fantasia:                 

Vem, meu menino vadio           
Vem, sem mentir pra você                    
Vem, mas vem sem fantasia                 
Que da noite pro dia                 
Você não vai crescer                
Vem, por favor, não evites                     
Meu amor, meus convites                     
Minha dor, meus apelos
Vou te-envolver nos cabelos
Vem perder-te-em meus braços
Pelo-amor de Deus
Vem que-eu te quero fraco
Vem que-eu te quero tolo
Vem que-eu te quero todo meu

 Em seguida, entram em cena Anjo e Capeta, juntos, cantando a marcha:

Nós somos velhos amigos                    
Nós somos os maiorais            
Quando nós tamos unidos                    
Ai dos mortais             
                                         
Eles se alegram com pouco                 
E depois ficam pra trás             
Nós tamos sempre na onda
E não passamos jamais
Não somos como o otário
Que nunca sabe o que faz
Depois de almoçar c´o vigário
Jantamos com Satanás

Capeta grita: - Extra! Extra!

Faz propaganda de Ben Silver, no que é interrompido por Anjo, que anuncia a chegada de Sua Eminência o IBOPE. Em seguida Anjo declama um poema que trata  dos poderes do Ibope entre a venerada televisão e o povo.

Depois, Benedito fala dos bens materiais, que ambiciona para si, sonha com um alambique pro Mané e pão para o povo. Se gaba da fama vindoura no que Mané diz ser uma merda. Fim do primeiro ato.

                      

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  del.icio.us isto!

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