Rock Brasileiro – Raízes III
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Os Iguais duraram pouco tempo, mas um deles voltaria posteriormente à Jovem Guarda já na carreira solo: Antonio Marcos:
http://www.youtube.com/watch?v=bbsNPb-A1Po&feature=related
Uma das coisas notáveis da música brasileira é o parentesco que certas canções apresentam, numa espécie de “lindo romance familiar”. Com a Jovem Guarda não foi diferente, vejam porque:
http://www.youtube.com/watch?v=gKkrZ2eo4l0
Ou, talvez exagerando um pouco:
http://www.youtube.com/watch?v=yAoYKqjfhNk&feature=related
Como a coisa toda pertencia à mesma Família Romântica da Jovem Guarda, Antonio Marcos ficou famoso por protagonizar um romance que acabou se transformando no “Casal da Jovem Guarda” com a chegada de Vanuza:
http://www.youtube.com/watch?v=RX1QGMFp9FE
Antonio Marcos e Vanuza formaram um lindo casal por bom tempo no ar, mas ocorreram desdobramentos que pouco cabem neste documentário. Houve um outro casal artístico, também formado na Jovem Guarda de forma interessante.
Ronnie Cord tinha firmado as suas raízes no rock pela rebeldia dos rachas paulistanos da Augusta. Erasmo Carlos tinha deixado a idéia de conquistador. Surgiu então, vindo direto dos pampas gaúchos, a mescla dos dois primeiros na forma de Eduardo Araújo, com um rock transbordante de energia, cuja interpretação vocal remetia o rock aos anos cinquenta, num estilo meio Chuck Berry. Ele É O Bom:
http://www.youtube.com/watch?v=Sv8XehRa-cg
http://www.youtube.com/watch?v=6ofD9t_sULM
Independente da gozação na letra debochada, a chegada de Eduardo Araújo foi uma tremenda Injeção de Rock, numa Jovem Guarda que tendia cada vez mais para o meloso romantismo de Roberto Carlos, pois, só a frieza analítica do agora permite avaliar que, além de buscar o rock essencial dos anos 50 com Chuck Berry, caso Eduardo Araújo tivesse um instrumental mais potente, nas mãos de um guitarrista mais valente, poderia muito bem estar associado a futuros rocks, surgidos fora do Brasil, e nesta forma:
http://www.youtube.com/watch?v=AlP-PXnwM3w
Eduardo Araújo não durou muito tempo na Jovem Guarda, mas ficou o bastante para ganhar um romance e depois sumir do mapa, já que o seu rock essencial não era muito “apropriado” às intenções do programa. Sua posterior dama foi Silvinha:
http://www.youtube.com/watch?v=a-3GU6r6zt0
Pra quem gostar de maiores explicações acerca dos romances entre Antonio Marcos-Vanuza, e Eduardo Araújo-Silvinha, sugiro procurar nas seguintes revistas: Manchete, ou Fatos & Fotos, ou mesmo O Cruzeiro; porque numa dessas, e daquela época, haverá um espaço chamado: Mexericos da Candinha; que fazia uma espécie de cobertura dos Bastidores da Jovem Guarda. Como não tinha o hábito de ler tal coluna, não me lembro de qual revista era, e tampouco o jornalista responsável, mas até isso foi cantado no programa pelo Rei:
http://www.youtube.com/watch?v=wLfjXeJBMxg
Voltando aos artistas que deram um valor mais artístico do que social à Jovem Guarda, começo citando a chegada das duplas. Uma das primeiras, e talvez a única composta por cantor e cantora, foi Leno e Lilian, também os primeiros da Jovem Guarda a cantar música mais voltada às diferenças observadas nas classes sociais:
http://www.youtube.com/watch?v=2hpL5d65bDw&feature=related
Mas Leno & Lilian também seguiam os protocolos do programa com isto:
http://www.youtube.com/watch?v=yQd334Z8sps&feature=related
As duas músicas de maior sucesso sucesso da dupla praticamente contavam as razões pelas quais havia nascido e inevitavelmente se separaria, como de fato ocorreu pouco tempo depois.
Depois vieram Os Vips:
http://www.youtube.com/watch?v=ETn1GB3jSGI&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=bAKIjDUsdsY&feature=related
Logo após o surgimento dos Vips, vieram Deny e Dino:
http://www.youtube.com/watch?v=xzZCwdmDziY&feature=fvsr
http://www.youtube.com/watch?v=QT1eRpFxOlo
À partir de Deny e Dino nota-se que, se por um lado a melodia do rock melhorara um pouco, por outro as letras tendiam ao empobrecimento. Esse aspecto último, o das letras pobres, começou a mostrar-se também nas músicas de certos conjuntos musicais.
Havia uma receita com os seguintes passos:
1- Tentava-se conseguir uma entrevista ao vivo em alguma Rádio com boa audiência, onde anunciava-se o compacto para breve lançamento. O bom era conseguir algo com Miguel Vacaro Neto.
2- Com um pouco de sorte, cavava-se uma participação na famosa “Vitrola Mágica”, um programa da Rádio Bandeirantes, feito direto nas ruas e comandado pelo radialista Enzo de Almeida Passos, autor da música Negue.
3- Se o texto fosse em outra língua, fatalmente o cantor teria de tentar enfiar a música numa Rádio, cujo nome creio ter sido Capital, que tinha um programa em que o radialista traduzia cada verso da música simultaneamente à execução.
4- Lançamento do disco. Não confundir com prova de Atletismo, embora muitos daqueles discos poderiam ser “arremessados” sem qualquer peso na consciência.
5- Apresentação do cantor na Jovem Guarda.
Para vender o sucesso nas lojas de disco, os títulos das músicas precisavam ter algo de bem chamativo.
Houve uma vez em que o nome de um rock chamou-me a atenção. Imaginava que o título, Muro de Berlim, associado ao nome Brazilian Bitles, pertencesse a um rock pesadíssimo. Como eu já conhecia e aprovara o conjunto nos bailes, pedi ao atendente para escutá-lo na loja de discos, antes de comprar.
Depois entendi porque o cara da loja me enrolou tanto antes de colocar o disco para eu ouvir. Claro que resultaria em produto não vendido. Vejam o que era o Brazilian Bitles naturais. Atentar para o detalhe da “pequena câmera” transitando pelo palco, que dava um certo ar de “Malvadeza Espacial”, pela semelhança com as naves:
http://www.youtube.com/watch?v=3wDELJQnsUA
Pensando melhor, e sem querer ofender, acho que aquela “Engronha Tanseunte” é alguma Máquina do Tempo filmando uma tentativa de releitura vesga do What I Say, do Ray Charles:
http://www.youtube.com/watch?v=65FOQpQpSwc
Como não achei um vídeo sequer daquela pobre música, com a letra ainda mais “carente” do que a melodia, cujos autores nem me dera o trabalho de na ocasião pesquisar, pude agora, décadas após, constatar o seguinte:
Num dos vídeos aparece o Roberto Carlos como autor. Noutro, aparece como sendo de Erasmo Carlos. Em nenhum dos dois casos o vídeo está disponível. Foram amigos até nisso. Assumiram isoladamente aquela coisa sofrível que tiveram a infelicidade de construir, e a venderam a um conjunto que buscava fama usando os nomes de ícones da Jovem Guarda.
Para não comprometer o amigo, cada qual assumiu a coisa como própria. Já não se fazem mais amigos como antigamente, embora letrinhas doentes, como essa, sim.
Como diria Bóris Casoy: “É uma (pausa) Vergonha”.
Muro de Berlim (Roberto Carlos e/ou Erasmo Carlos)
a Até o céu se rebelou Quando viu minha história de amor Feliz eu era um dia Tinha tudo o que queria De repente fiquei sozinho Sem carinho , sem ninguém a O muro de Berlim Entre eu e meu bem , Cortaram a alegria do meu coração Como se corta uma fatia de pão a Deus tenha pena E traga meu amor pra mim Em Berlim , em Berlim , Em Berlim , em Berlim aComo velhas águas sujas nunca moveram o Rock Essencial Brasileiro, finalizo esta segunda parte deixando-o descansar sobre águas turbulentas internacionais:
http://www.youtube.com/watch?v=DXF5lVpN1ys
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