Todas as Rimas Brasileiras

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Primeira Postagem – 29/05/2011

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Creio que intitular um trabalho com o nome Todas as Rimas Brasileiras seja mais um desafio pretensioso do que uma realidade, diante da natural riqueza da Língua Portuguesa, submetida no Brasil a uma série de influências idiomáticas, tanto externas, como as africanas em maioria, quanto às internas dos indígenas, que acabaram por dar ao nosso vocabulário um leque muito maior de sonoridades do que as experimentadas pelo europeu Portugal durante o seu natural desenvolvimento linguístico.

Como se isso tudo não bastasse, o fato de termos milhares de verbos, conjugados regular e irregularmente, propicia o surgimento de palavras com idêntica forma escrita e sonoridade que, todavia, apresentam significados totalmente diferentes. Por exemplo:

Não defenda com o dedo em riste

Ao que outrora já riste com desdém

As conjugações das segundas pessoas, tanto do singular quanto do plural, aumentam consideravelmente o número de sonoridades possíveis, embora não tão presentes em nosso cotidiano verbal, que tende cada vez mais às primeira ou terceira pessoas do singular, com a crescente troca do pronome Nós por A Gente.

Pelas dimensões continentais, o Brasil apresenta uma grande variação nos sons das palavras de acordo com as regiões, com as pronúncias diferindo mais nos sons das vogais E e O, que em algumas regiões dão às sílabas os sons fechados e outras abertos. Portanto justifico aqui o fato de me limitar, na maioria das vezes, a apenas citar as palavras em sonoridades únicas determinadas pelas grafias, só me arriscando a separá-las com Ê, É, Ô e Ó nos casos mais alarmantes.

Além de o Brasil apresentar toda essa variação idiomática pela extensão territorial, com maior ou menor influência do linguajar dos povos africanos, tem a Tradição Oral, que ainda mantém vivos alguns estilos brasileiros, e não portugueses, na pronúncia das conjugações na primeira pessoa do plural, como as dos verbos com final AR, que em diversas ocasiões resulta em novas palavras idênticas nas escritas, mas com diferentes tempos nas conjugações.

Cito como exemplo o verbo Falar, que tanto no Presente do Indicativo quanto no Pretérito Perfeito, apresenta – Falamos.

A maioria de nós pronuncia em ambos os tempos a sílaba AM, com o A perdendo a autonomia sonora para o M, mas o estilo a que me referi acima, dos anos cinquenta pra trás, separava os sons da mesma palavra nas diferentes conjugações:

Se estivesse no Presente, seria pronunciado como ocorre hoje em dia, com o A tendendo ao som do M, mas se estivesse no Passado, o som do A predominaria, como se tivesse ganhado um acento agudo. Assim:

Presente -> Falâmos.

Passado -> Falámos.

Curiosamente, não é pequeno o número de jovens que ainda utiliza esse estilo de pronúncia, o que acaba fornecendo ao vocabulário uma sonoridade inexistente dentre as milhares delas por mim identificadas: Ámos.

Também há casos de diferentes pronúncias em mesma região, variando de um estado para outro vizinho, como ocorre com São Paulo e Rio de Janeiro com as palavras ou nomes com final Áima e Áime, pois enquanto os paulistas pronunciam, por exemplo, Rorâima, Jáime e Andâime, os cariocas pronunciam Roráima Jâime e Andâime, e no último caso há até quem pronuncie Andáime, sem se preocupar com Andái-me (de andar).

Não podemos confirmar quais pronúncias são as mais corretas no caso.

Também seria outra ousadia chamá-lo por Dicionário de Rimas Brasileiras, já que os significados das palavras, ainda ausentes, talvez não venham tratados com o merecido respeito e zelo, que um dicionarista competente costuma ter nas suas cumplicidades com as palavras em seus trabalhos próprios.

Este estudo será, inicialmente, apenas uma relação de palavras ordenadas alfabeticamente, de acordo com os seus sons a partir das respectivas Vogais Tônicas.

Uma vez postadas todas as palavras, pertencentes às aproximadas 3.580 sonoridades diferentes e comuns ao vocabulário brasileiro, me dedicarei a dar-lhes os significados breves, bastantes ao usuário saber do que está tratando nas confecções de seus poemas, textos ou oratórias.

O uso das Rimas nunca foi exclusivo dos poetas. Desde a antiguidade se apresenta em textos, religiosos ou não, bem sucedidos, a exemplo do que ocorreu nas oratórias, tanto de políticos como de advogados, igualmente bem sucedidos, em seus argumentos diante das massas populares ou jurados nos tribunais, respectivamente.

A Rima é uma poderosa estratégia subliminar do argumento, mas que, infelizmente, vem sendo cada vez menos usada com o requinte que mereça, o que talvez justifique, parcialmente, à crescente baixa qualidade na formação dos profissionais vistos acima.

Não existem regras definidas para o uso delas, mas sim um histórico de colocações e categorias que se mostraram com maior êxito. Não teria propósito repetir o que já foi escrito e postado com o nome de Ciência Poética, mas convém lembrar que a rima se mostra mais assimilável pelo ouvinte, quanto maior for a identidade nos sons das palavras envolvidas.

Partindo desse princípio, procurei dar a elas uma disposição alfabética, voltada inicialmente às identidades a partir das vogais tônicas, e posteriormente às letras que as antecedem, o que aumenta a qualidade nas semelhanças sonoras.

De fato, o nome Todas As Rimas Brasileiras é mais sonho do que realidade, sonho esse que pretendo diminuir com tempo e trabalho.

Se você, caro usuário, gostar do que leu, aproveite este aprendizado gratuito. Caso se sinta devedor de algo, procure lembrar-se destes dados – Cx. Econômica Federal- ag. – Conta Poupança- e ajude como puder para que trabalhos complementares possam vir mais rapidamente servi-lo.

Dalton – Editor e Administrador

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