fevereiro 18, 2008
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Continuando o enredo, imaginemos Penélope atendendo ao novo aceno e à nova jura fingida do outro moreno de Ela E Sua Janela e melhorado de vida. Certamente o Ulisses, sambista preterido e magoado poderia muito bem dizer:
Você era a mais bonita
Das cabrochas dessa ala
Você era a favorita
Onde eu era mestre-sala
Hoje a gente nem se fala
Mas a festa continua
Suas noites são de gala
Nosso samba ainda é na rua
Refrão
Hoje o samba saiu
Procurando você
Quem te viu
Quem te vê
Quem não a conhece
Não pode mais ver pra crer
Quem jamais a esquece
Não pode reconhecer
Quando o samba começava
Você era a mais brilhante
Se a gente se cansava
Você só seguia adiante
Hoje a gente anda distante
Do calor do seu gingado
Você só dá chá dançante
Onde eu não sou convidado
Refrão
O meu samba se marcava
Na cadência dos seus passos
O meu sono se embalava
No carinho dos seus braços
Hoje de teimoso eu passo
Bem em frente ao seu portão
Pra lembrar que sobra espaço
No barraco e no cordão
Refrão
Todo ano eu lhe fazia
Uma cabrocha de alta classe
De dourado lhe vestia
Pra que o povo admirasse
Eu não sei bem com certeza
Por que foi que um belo dia
Quem brincava de princesa
Acostumou na fantasia
Refrão
Hoje eu vou sambar na pista
Você vai de galeria
Quero que você assista
Na mais fina companhia
Se você sentir saudades
Por favor não dê na vista
Bate palmas com vontade
Faz de conta que é turista
Refrão
A partir de certa data o autor passou a omitir à terceira oitava normal (não refrão) nas apresentações. Talvez pelo fato do Ulisses embutido ter matado a Penélope de vez. Sabe-se lá.
Seja como for, o fato é que não deve tê-lo feito, pois foi cantada em shows nos anos 90, mas omitindo a estrofe, como que dizendo: – Você não marca mais!; mas ainda fazendo questão de dizer.
Lembremos, que no conto, a Princesa do Ulisses estava nas arquibancadas, num dos seus sonhos.
del.icio.us isto!