Quanta (Gilberto Gil)- Análise de Texto

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O que chamei por Estrada do Tempo, como fragmento científico da obra
do Gil, iniciado em Expresso 2222, representou à tradução em versos do
muito que o poeta observou no final dos anos 60 e começo dos 70.
 
Embora Lunik-9 tenha ficado de fora desse bloco de composições, pois foi
muito mais um diálogo do poeta consigo mesmo diante da Lua, também 
serviu de base poética para a apoteose do tema, que virá na próxima
postagem.
 http://mpbsapiens.com/lunik-9-analise-de-texto/
A Ciência sempre foi mais usada pelo homem para explicar o que ele fazia,
o que acabou resultando em se basear nela para se fazer. No campo poético,
essa possibilidade se mostra carente, pois o verso não nasce da Ciência
Racionalista, mas do impulso sentimental do poeta, cuja obra será analisada
e comparada com os moldes científicos para ganhar maior compreensão.
 
Foi o que aconteceu com a composição Quanta, pois Gil, ao invés de
resultar a possíveis análises, como ocorreu nas composições anteriores,
tentou fazer o poema munido dos instrumentos de análise já à partir dos
dois primeiros versos da composição, como um dicionarista:
 
 Vídeo de moegiga
 
Quanta do latim
Plural de quantum
 
Quando quase não há
Quantidade que se medir
Qualidade que se expressar
Fragmento infinitésimo
Quase que apenas mental
Quantum granulado no mel
Quantum ondulado no sal
Mel de urânio, sal de rádio
Qualquer coisa quase ideal
 
Cântico dos cânticos
Quântico dos quânticos
 
Canto de louvor
De amor ao vento
Vento arte do ar
Balançando o corpo da flor
Levando o veleiro pro mar
Vento de calor
 
De pensamento em chamas
Inspiração
Arte de criar o saber
Arte, descoberta, invenção
Teoria em grego quer dizer
O ser em contemplação
 
Cântico dos cânticos
Quântico dos quânticos
 
Sei que a arte é irmã da ciência
Ambas filhas de um Deus fugaz
Que faz num momento
E no mesmo momento desfaz
Esse vago Deus por trás do mundo
Por detrás do detrás
 
Cântico dos cânticos
Quântico dos quânticos
 
Embora o Einstein tenha ganho a maior fama com a Teoria da Relatividade,
o pai da criança se chamava Max Planck, que observando o comportamento
do Elétron, concluiu que a sua movimentação implicava na geração de energia.
 
Desse estudo tivemos os cálculos das quantidades de Energia Nuclear
resultante do Átomo, cálculos esses só possíveis pelo que se chamou por
Constante de Planck (h); e os termos usados para nomear ao evento,
Quantum e o seu plural Quanta.
 
Quando quase não há
Quantidade que se medir
Qualidade que se expressar
Fragmento infinitésimo
Quase que apenas mental
 
Eu diria que a medição de energia nuclear é muito mais mental do que real.
O movimento do Elétron gera a Luz, que se propaga de duas maneiras:
 
Quando não energizado, o Elétron é uma invisível Onda, mas basta uma
energia mínima, talvez a de um simples pensamento, para que essa onda dele
o transforme em um Corpúsculo, que subirá um tanto e despencará 
subitamente gerando a Luz. Essa energia é o Quantum.
 
Isso é meio desconfortável, pois nos leva à seguinte pergunta:
 
 - Se não pensarmos na Coisa, a Coisa não é visível?
 
Esse pensamento acima foi melhor traduzido por um outro cientista que 
pesquisava o comportamento atômico: Werner Heisenberg, que deixou a
coisa mais fácil com o seu Princípio da Indeterminação, que muitos,
erronamente, chamam de Princípio da Incerteza de Heisenberg, que morreu
dizendo: – O Princípio da Indeterminação sempre foi a minha Certeza!
 
Heisenberg concluiu que as Precisões de Cálculo da Velocidade e da
Posição do elétron, numa Eletrosfera, eram grandezas inversamente 
proporcionais, ou seja:
 
Quanto maior for a precisão do cálculo da velocidade de um elétron, menos 
se sabe aonde ele está.
 
Embora a jogadinha do Refrão – Quântico dos Quânticos – tenha tido uma
boa rima com o já famoso Cântico dos Cânticos, no todo, a composição
pecou pela frieza, tanto textual quanto melódica, pois o inconclusivo texto
não repousou, sequer, sobre uma melodia tão agradável quanto as das
demais composições anteriores.
 
Agora, quanto a este pensamento:
 
Sei que a arte é irmã da ciência
Ambas filhas de um Deus fugaz
Que faz num momento
E no mesmo momento desfaz
Esse vago Deus por trás do mundo
Por detrás do detrás
 
Certamente será melhor explicado pela próxima composição, que escolhi
para finalizar o estudo, por ser muito mais parecida com as anteriores e,
nas entrelinhas das análises, dar maior compreensão do que nesta.
 
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          .

  del.icio.us isto!

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