Prólogo

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 Nestes meus trinta anos de estudo da Música Popular Brasileira, me deparei com poetas de várias escolas e épocas. Aprendi a diferir os significados dos termos Poeta e Compositor Musical observando a obra de Chico Buarque de Hollanda, que considero o nosso maior compositor musical de todas as épocas.

 Um poeta é aquele que exprime as suas emoções na forma de poemas. Um compositor musical vai bem adiante, pois além de construir o simples poema, tem de fazê-lo sobre um outro tipo de poema conhecido pelo nome de Melodia.

 Usando a sua obra como referência fixa, coloquei as dos demais compositores, contemporâneos ou não, em sua órbita, qual constelação dotada de estrela e seus respectivos planetas.

Isso acabou resultando numa espécie de Planetário Artístico Celestial próprio, que só fez por enriquecer ainda mais o quadro artístico musical brasileiro, tão bem abordado pelo Mestre Zuza Homem de Mello, em sua documentação histórica, fundamental a qualquer estudioso da cultura musical brasileira.

Inicialmente me detive nas letras das composições, os ditos poemas, fundamentadas numa Ciência Poética, sedimentadas ao longo dos milênios nas civilizações e que encontrou suas bases científicas fundamentais na Grécia Clássica para, a partir de então, se desenvolver entre os povos dotada dos parâmetros próprios a cada um deles. Tal ciência deve ser encarada apenas como base analítica das construções poéticas.

Como toda ciência ela apresenta regras, que podem ser seguidas ou desprezadas pelos poetas, de acordo com as suas Reações, posto que um poema nada mais é do que uma reação do poeta aos estímulos momentâneos que o cercam na forma de ações, logo, a composição musical também obedece á consagrada Lei de Ação e Reação.          

Dentro da Poesia Latina, a MPB colaborou fortemente na renovação das bases científicas, e dentro da MPB, Chico foi o que mais elemento somou ás regras.

Ao longo do estudo os senhores se depararão com uma série de duelos nas conjugações, como um que ocorrerá entre Vinícius e Chico, disputando na Segunda Pessoa do Singular, ou diálogos entre os versos de Vinícius e a figura do parceiro Tom Jobim, ou mesmo outros de Chico com Fernando Pessoa, Gibran Kalil Gibran, Malba Tahan, os bíblicos Isaías e Enock.

Também encontrarão truques com as métricas dos versos, utilizadas por Geraldo Vandré e imitadas por Chico, para reforçar ou negar o sentido expresso em algum texto de verso. Os versos longos de Taiguara desafiando a construção poética dele a se manifestar igualmente; enfim, toda uma trama musical que resultou num Tecido Poético nacional dominante de décadas atrás.

Por outro lado, é fundamental ressaltar, observei vários textos, de composições ou livros, que apresentaram bases filosóficas semelhantes às vistas em diversos trabalhos de outros autores, cujas interpretações caberão somente à minha lógica de correlação, como bases de novos estudos que se proponham às concordâncias e discordâncias de idéias, buscando devolver à Educação Brasileira o debate franco, e mais verdadeiro possível; desprovido de qualquer ranço dos ditos veículos que se auto denominam “Formadores de Opinião”, pois Filosofia não se implanta num povo, apenas resulta dele.    

          

Bem-vindos ao indirigível Carro da Arte, no qual, sem exceção, somos meros passageiros.

    

Só os charlatões afirmam as coisas com certeza! O estado de dúvida já é pouco agradável, mas o da certeza é ridículo!”.   (Voltaire)

         

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  del.icio.us isto!

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