fevereiro 16, 2008
· Arquivado na categoria Texto
Embora já contasse com 20 anos, o máximo que o histórico de Chico nos mostra nas composições musicais é o de um paupérrimo conhecedor da Ciência Poética, pelo que veremos abaixo, quando é sabido que os poetas, normalmente, começam a dominar os poemas bem antes dessa idade.
A primeira composição o autor não se interessou em gravar e se chamava Marcha Para Um Dia de Sol:
Eu quero ver um dia
Nascer sorrindo
E toda gente
Sorrir com o dia
Com alegria
Do sol, do mar
Criança brincando
Mulher a cantar
Eu quero ver um dia
Numa só canção
O pobre e rico
Andando mão em mão
Que nada falte
Que nada sobre
O pão do rico
E o pão do pobre
Eu quero ver um dia
Todos trabalhar
E ao fim do dia
Ter onde voltar
E ter amor
Eu quero ver a paz
Tristeza nunca mais
Eu quero tanto um dia
O pobre ver sem frio
E o rico com coração
Repete tudo
Convenhamos que foi bem sensato em não gravá-la, embora tenha rimas ocasionais e uma filosofia arquétipo do futuro Pedro Pedreiro. Segundo a irmã Ana, ele compôs outra chamada Canção Dos Olhos, também não gravada, cuja letra não consegui. No mesmo ano houve outra, chamada Desencanto:
Leve então
O resto desta ilusão
E todos os cuidados meus
Brinquedos dos caprichos
É pena porque foi tão lindo amar
Sentir você sonhar tão junto a mim
Ouvir tanta promessa
Fazer tanta esperança
Pra hoje ver lembrança, tudo enfim
Não passou
De um dia triste, desencanto, amor
E desde então eu canto a dor
Que eu não soube chorar
Também não gravada, talvez pelos mesmos motivos da anterior, embora já apresente um texto mais encorpado: Uma dor que ele não soube chorar.
del.icio.us isto!
Fábio said,
janeiro 21, 2012 @ 10:48 am
Pois é. Que evolução que o cara teve….rsrs
Terríveis os primeiros versos, mesmo….
Imagina só tendo em sua volta o pai, o Vinícius e o Manuel Bandeira pra lhe ensinar as mágicas da escrita. Não tinha como não ficar bom.
Valeu
Abraço
Fábio
admin said,
janeiro 22, 2012 @ 6:55 am
Dá até pra perceber quando o Vinícius fazia junto ou não. É só comparar os versos de Tem Mais Samba com os de Malandro Quando Morre; feito pouco tempo depois do primeiro.
Escreve um poema denso em poesia e idéias e depois volta a ser infantil nos argumentos poético e filosófico.
Fábio said,
janeiro 23, 2012 @ 11:36 am
Bahh…mas isso me interessa demais. Vou comparar as duas situações, sim.
Obrigado.
Fábio
Fábio said,
janeiro 23, 2012 @ 4:45 pm
Dalton
Fui ler as letras. Em “tem mais samba” o Vinícius usou Anáforas, não é verdade????
E pelo pouco que vi de algumas letras e poemas do Vinícius ele gostava muito de usá-las.
Em “malandro quando morre” se entende bem a idéia que o Chico quis passar mas a gente sente que ele poderia ter dito de forma mais refinada, talvez, alguma coisa assim.
Será que existem outras comparações dessas que eu poderia ler??
Abraços
admin said,
janeiro 24, 2012 @ 8:22 am
Se você quiser entender melhor a coisa leia o livro desde o início e e compare as peças dos quebra-cabeças seu e dele. Abraços.
Fábio Marinho said,
janeiro 27, 2012 @ 5:36 pm
Dalton
Estou lendo e relendo O Livro e a Ciência Poética. Os dois são simplesmente sensacionais. Vão caindo as fichas no entendimento de construção dos poemas.
E o histórico do Chico, também, fascinante!!!
Abraço
admin said,
janeiro 27, 2012 @ 7:09 pm
Confesso que não tenho mais lido tais postagens, também feitas com igual alegria. O estudo da MPB é tão fascinante que sempre aprendo novas coisas. No momento, estou analisando a música Beatriz, do Chico com Edu Lobo, e a quantidade de novidades observadas é imensa.
Logo você verá do que estou tratando.
Abraço.