Primeiros Versos-Análise de Texto


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Embora já contasse com 20 anos, o máximo que o histórico de Chico nos mostra nas composições musicais é o de um paupérrimo conhecedor da Ciência Poética, pelo que veremos abaixo, quando é sabido que os poetas, normalmente, começam a dominar os poemas bem antes dessa idade.

A primeira composição o autor não se interessou em gravar e se chamava Marcha Para Um Dia de Sol:

Eu quero ver um dia
Nascer sorrindo
E toda gente
Sorrir com o dia
Com alegria
Do sol, do mar
Criança brincando
Mulher a cantar
Eu quero ver um dia
Numa só canção
O pobre e rico
Andando mão em mão
Que nada falte
Que nada sobre
O pão do rico
E o pão do pobre
Eu quero ver um dia
Todos trabalhar
E ao fim do dia
Ter onde voltar
E ter amor
Eu quero ver a paz
Tristeza nunca mais
Eu quero tanto um dia
O pobre ver sem frio
E o rico com coração
Repete tudo

Convenhamos que foi bem sensato em não gravá-la, embora tenha rimas ocasionais e uma filosofia arquétipo do futuro Pedro Pedreiro. Segundo a irmã Ana, ele compôs outra chamada Canção Dos Olhos, também não gravada, cuja letra não consegui. No mesmo ano houve outra, chamada Desencanto:

Leve então
O resto desta ilusão
E todos os cuidados meus
Brinquedos dos caprichos
É pena porque foi tão lindo amar
Sentir você sonhar tão junto a mim
Ouvir tanta promessa
Fazer tanta esperança
Pra hoje ver lembrança, tudo enfim
Não passou
De um dia triste, desencanto, amor
E desde então eu canto a dor
Que eu não soube chorar

Também não gravada, talvez pelos mesmos motivos da anterior, embora já apresente um texto mais encorpado: Uma dor que ele não soube chorar.

         


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  del.icio.us isto!

7 Respostas até o momento »

  1. 1

    Fábio said,

    janeiro 21, 2012 @ 10:48 am

    Pois é. Que evolução que o cara teve….rsrs

    Terríveis os primeiros versos, mesmo….

    Imagina só tendo em sua volta o pai, o Vinícius e o Manuel Bandeira pra lhe ensinar as mágicas da escrita. Não tinha como não ficar bom.

    Valeu
    Abraço

    Fábio

  2. 2

    admin said,

    janeiro 22, 2012 @ 6:55 am

    Dá até pra perceber quando o Vinícius fazia junto ou não. É só comparar os versos de Tem Mais Samba com os de Malandro Quando Morre; feito pouco tempo depois do primeiro.

    Escreve um poema denso em poesia e idéias e depois volta a ser infantil nos argumentos poético e filosófico.

  3. 3

    Fábio said,

    janeiro 23, 2012 @ 11:36 am

    Bahh…mas isso me interessa demais. Vou comparar as duas situações, sim.

    Obrigado.
    Fábio

  4. 4

    Fábio said,

    janeiro 23, 2012 @ 4:45 pm

    Dalton

    Fui ler as letras. Em “tem mais samba” o Vinícius usou Anáforas, não é verdade????
    E pelo pouco que vi de algumas letras e poemas do Vinícius ele gostava muito de usá-las.
    Em “malandro quando morre” se entende bem a idéia que o Chico quis passar mas a gente sente que ele poderia ter dito de forma mais refinada, talvez, alguma coisa assim.

    Será que existem outras comparações dessas que eu poderia ler??

    Abraços

  5. 5

    admin said,

    janeiro 24, 2012 @ 8:22 am

    Se você quiser entender melhor a coisa leia o livro desde o início e e compare as peças dos quebra-cabeças seu e dele. Abraços.

  6. 6

    Fábio Marinho said,

    janeiro 27, 2012 @ 5:36 pm

    Dalton

    Estou lendo e relendo O Livro e a Ciência Poética. Os dois são simplesmente sensacionais. Vão caindo as fichas no entendimento de construção dos poemas.

    E o histórico do Chico, também, fascinante!!!

    Abraço

  7. 7

    admin said,

    janeiro 27, 2012 @ 7:09 pm

    Confesso que não tenho mais lido tais postagens, também feitas com igual alegria. O estudo da MPB é tão fascinante que sempre aprendo novas coisas. No momento, estou analisando a música Beatriz, do Chico com Edu Lobo, e a quantidade de novidades observadas é imensa.

    Logo você verá do que estou tratando.
    Abraço.

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