Passaredo, Vanerão e Sapiens
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Comecei a responder a um leitor, mas quando percebi que a resposta estava ficando mais longa do que o meu já longo usual, resolvi transformá-la em postagem oficial, principalmente pelo resultado explícito do que me proponho por aqui com a MPB, que é o resgate do Poeta, pelo estudo da Versificação, furtado da Língua Portuguesa nas escolas, associado às várias possibilidades que se oferecem aos nossos compositores musicais, nas trajetórias progressivas de suas obras pela mídia.
a
O histórico do leitor no Sapiens é interessante. Um baterista de Rock, que por ter abandonado a vida artística por um tempo, já mais velho descobriu-se poeta. Das primeiras correspondências trocadas entre nós, há poucos dias, ao que será observado abaixo, o salto que aparenta ser imenso, em se tratando de Construção Poética, nada mais é do que o rápido aprendizado do poeta nato.
a
Também sei construir poemas, mas há uma grande diferença, pois o meu poema surge das Regras que vieram da natureza do Poeta. Uma vez estabelecidas as posições, tudo fica bem gratificante para ambos. Tanto para o poeta que se descobriu como tal, quanto para o Sapiens que o ajudou na descoberta. Não fizemos nada além do esperado, e quem se interessar pela história dos diálogos, o endereço é:
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Comentário último do Fábio Gaúcho:
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“Buenas amigo, Dalton
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Não me aguentei e tive que escrever alguma coisa, cara. Que loucura que me bate: do nada me vem uma agonia no peito e começam a surgir algumas idéias e depois vem uma vontade de escrever que depois de feito, é quase que um orgasmo, tamanho alívio…eheheh
a
Fiz uma brincadeira de um assunto que sou apaixonado: os animais selvagens!! Bichos que me fascinam, apaixonadamente, aqui no meu pampa!! Quem dera ter competência pra colocar todos nos versos, deixei uns clássicos de fora, como Quero-quero, Jaguatirica, Sabiá, Bem-te-vi…fazer o quê??
a
Abraços
a
Aí vai…
a
Grunhindo abaixo dos galhos
fugindo o Gato-do-mato
pulando do meio do rio
roncando o feio Bugio
a
A Lontra na água pescando
na sombra da mata, tentando
o Puma fitando a Cotia
Ratão-do-banhado roendo
Furão, esfomeado, comendo *1
na bruma, ciscando, a Rolinha
a
Se vê Graxaim que é do campo
correr no capim, saltitando
Zorrilho comendo a serpente *2
caminho, fedendo, se sente
a
Ouriço subindo no tronco
Preás assustadas sem jeito
os bichos sumindo bem loucos
voar melindrados de medo *3
a
Veado-mateiro se esconde
na rala da mata fechada
a Páca não pára deitada
calados no meio da noite
a
Gavião-Carcará elegante
cuidando dos ratos ligeiros
chegando o Gato-Palheiro
ladrão, a matar no instante
a
Meu Rio que é Grande do Sul *4
com brio, vai adiante no azul
do céu mais amado que viste
me traz lindos bichos gaudérios
em paz, vivo os nichos, bem sério
no mel mais melado que existe
a
Resposta:
a
Buenas Tchê!
a
Suponho que Fandango Animal seja um bom título, aliás, daria até uma boa música para um Gaúcho da Fronteira fazer valer todo o seu talento regionalista numa das suas “gauchescas”.
a
Coloque uma melodia nessa letra, registre a música na Biblioteca Nacional e o procure. Mas se assegure de fazê-la chegar às mãos Dele, já que entre nós e os famosos existe um bando de oportunistas doidinhos para se apropriarem da idéia.
a
Tem tudo pra dar certo, mas, antes, convém observar alguns lembretes que coloquei ao lado de certos versos:
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*1 – Gostou daquele exemplo do Charlie Brown Jr, né? É assim mesmo cara. Viu como Rão+Es coube num só tempo poético? Ficou legal, tirada de mestre.
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*2- Faça uma Anáclase na última sílaba da Serpente, colocando um O no princípio do verso seguinte, pois dará melhor compreensão ao texto.
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*3- Sugiro que troque Voar por Num Vôo, porque além de substituir bem o correto Voando, que tá na cara ter você desistido de colocar porque quebraria Métrica e Ritmo, deixa o texto menos pesado, esvoaçante…
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*4- Não há qualquer erro, mas acho que se você colocasse Grande-e do Sul ficaria melhor.
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Embora você goste mais do Rock, tal letra, em Versificação Regular, está muito mais para a Gauchesca do que pra ele, e como tudo cresce de baixo para cima, comece a tentativa à partir dos costumes locais. Sugeri o Gaúcho da Fronteira porque o cara consegue enfiar a música dele em qualquer lugar, seja sobre um Trio Elétrico baiano, num forró de Genival Lacerda, ou mesmo num carro de Escola de Samba; pois conhece bem o que faz.
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Por uma série de circunstâncias histórico-jornalísticas, o Brasil teve as suas culturas regionais, à partir da segunda metade dos anos sessenta, massificadas de forma crescente num bloco único à partir do sudeste, mais propriamente São Paulo, que antes de tal massificação recebia normalmente informações de artistas gaúchos, tais como o Conjunto Farroupilha e Os Três Moraes, por exemplo.
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Toda vez que esses grupos gaúchos se apresentavam no Teatro Record, em São Paulo, sempre vinha junto com eles um bando de gaiteiros. Quando coincidia de se juntarem os gaúchos e o Luís Gonzaga a festa ficava total do lado de fora do teatro, pois se juntavam as duas tendências musicais de norte e sul do país, com numerosos Repentismos sem letras nas músicas, mas num puro diálogo de harmonias musicais nas Harmônicas.
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É muito triste de se observar a destruição de toda essa troca de informações culturais na manipulação do poder pelo papel-moeda, que resulta nesse vácuo histórico entre as raízes da árvore cultural e os novos brotos que nascem ignorantes da formação, qual flores falsas de organdi.
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Com a progressão da massificação, intensificada nos anos setenta pela globo, ocorreram inúmeras perdas em nossas raízes culturais regionais. O que, antes, era uma tradição regional, como Samba de Côco, Frevo, Chachado, Catimbó, Samba de Terreiro, Toada etc; virou folclore global, e assim perdeu-se quase toda a identidade cultural brasileira nas regiões.
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Todavia, as regiões mais afastadas de tal eixo cultural do sudeste, como o Sul, mais propriamente o Rio Grande, e o Norte, mais propriamente o Amazonas; conseguiram manter as suas tradições pouco alteradas, que felizmente ainda conseguem impedir a invasão das suas culturas por tal massificação, e mostro como pode-se perceber parte dessa idéia por um patrocinador comum à arte em ambas as regiões: A Coca-Cola.
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No sul, o Grêmio, mesmo diante de tal patrocínio, impediu a coca de colocar ao fundo a consagrada cor vermelha do produto, e você sabe porque, né?
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Lá no Amazonas houve a mesma coisa, pois duas são as cores rivais nos dois grupos de Boi-Bumbá: Caprichoso (azul) e Garantido (vermelho), e tendo sido o Caprichoso escolhido pela coca para patrocinar, também lá pra cima ela foi obrigada a virar azul nas propagandas associadas ao grupo. Fica agora a pergunta:
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Por qual razão a empresa não preferiu o Inter no sul e o Garantido no norte para patrocinar. Não seria tudo mais fácil? Óbvio que sim!
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Além de tentar usar-se de uma estratégia sórdida de interferir nas raízes mais puras das culturas populares, como a cor, o que a coca fez foi bem além, no firme propósito de avaliar o tanto de penetração do “americanismo” em tais regiões, mas levou no rabo dos dois jeitos.
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Mas não pense que a coisa irá parar por aí, que nem cachorro com o rabo entre as pernas, porque a força das novelas, associada à adequação das notícias nos telejornais insistirão por muito tempo, e o que a coca fez foi mostrar pra globo o quanto ela ainda dista de alcançar o objetivo massificante em tais regiões. Só isso.
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Portanto, saiba que os seus poemas devem ser escritos naturalmente, mas a você restará escolher o melhor destino para eles: - Adotar a cumplicidade com tal situação, nefasta para a cultura do seu amado Rio Grande, ou progredir honestamente com a sua terra natal? Me perdôe por lhe dar de presente esse gigantesco pepino filosófico.
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Concordo que as tradições gaúchas possam, e até devam ser melhoradas, mas pela consciência do próprio povo gaúcho, que ponderará sobre quais influências brasileiras podem ou não intervirem em sua cultura. e torço para que o “americanismo” da globo não faça parte delas. É uma forma mais saudável de se levar um rock regional para as famosas gauchescas daí. Ser orgulhoso com a terra natal não causa nenhum mal à essência poética, não engorda, não deixa feio e nem Papai do Céu castiga.
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Se você fosse dez anos mais novo, certamente eu me controlaria nessas informações todas para não prejudicar à sua essência poética, mas os seus textos me colocaram numa sinuca de bico, porque trouxeram-me a alegria de poder ver uma evolução natural da construção poética no artista promissor, mas também deixaram-me a preocupação de não deixá-lo incorrer num mesmo erro que assolou a maioria dos jovens compositores da MPB nos anos 60:
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A busca desmedida da fama, que nos custou o desaparecimento de Geraldo Vandré e o atual silêncio escravo de Chico Buarque, pois embora ambos já tivessem a idéia do poder de penetração das suas músicas na mente popular, para estendê-las ao resto do país dependiam de propaganda. Chico topou negociar e Vandré não, uma pena.
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Chico e Vandré não tinham como sair dessa, ou melhor, daquela, justamente por terem nascido sem as qualidades que costumam acompanhar os gaúchos. Concordo que, talvez, a maioria de vocês nada saiba disso tudo, mas sem que você imaginasse, os seus textos poéticos denunciaram que, se houve uma perda na Tradição Oral do cotidiano, ainda há embutido o Atavismo, que é o que explica tanto a essa mania constante do Gaúcho Colonizador no resto do país em tempos modernos, quanto esse inexplicável espírito de resistência que assola a maioria de vocês, cujos reflexos mais notados se acham na manutenção das tradições.
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Tradições tais adquiridas nos tempos idos das várias disputas territoriais na Península Cisplatina, ou sociais na Guerra dos Farrapos. Se, hoje, tais movimentos são tidos como folclóricos pela mídia, explicam muito bem a essas sinuosas trilhas do Atavismo, que os mantém resistentes sem saber porque, diante da perda na Tradição Oral.
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Não sei a quantas anda o conteúdo da disciplina História do Brasil nas escolas daí, porém nada me custa lembrar mais um pouco dela associada à Arte Brasileira.
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A chamada Semana Literária de 22, tida como marco Modernista no Brasil, no fundo, representou um confronto entre literatos com duas tendências bem definidas: Nacionalistas x Socialistas. Os primeiros, vindos da possessiva natureza humana para com o que lhe é próprio, e os segundos, alimentados por um movimento bem sucedido na União Soviética, nascida cinco ou seis anos antes.
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Dentre os nacionalistas surgiram grupos defensores, tanto do chamado Nacionalismo Espontâneo, quanto o das Manifestações Integrais. Parte dos integrantes de tais tendências nacionalistas de 1922 fundaram o Integralismo, que acabou se tornando uma base política para o posterior sucesso de Getúlio Vargas no poder. Como o Integralismo sabia muito bem aonde residiam os “Dominadores de Opinião” no mundo, acabaram sendo determinantes para que o Getúlio tivesse como meta principal a Independência Financeira do Brasil, mas para isso teria de pagar uma dívida externa contraída por D.Pedro I por ocasião do Reconhecimento da Independência um século antes.
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Confesso que nunca concordei com as estratégias primárias do Integralismo, de sair dando porrada em tudo o que fosse judeu pela frente, porque o problema não morava nesses muitos escudos, mas nos poucos que ficavam por detrás deles.
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Cada brasileiro é igual a cada farsante que habita o planalto? Nem todos de lá são farsantes assim como nem todos de cá se parecem com só um tipo planáltico.
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Apesar de todos esses pesares, foi no Rio Grande que o Integralismo ganhou as maiores proporções que o Getúlio colhia. Presidiu de 1930 a 1945, foi deposto e voltou logo depois pelo voto direto, para finalmente no segundo mandato atingir a meta que assumira: Pagar a dívida externa. Dê uma olhada nas letras de Vai Passar e Dr.Getúlio, pois ambas, nascidas uma da outra, se dependem nos entendimentos históricos.
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Voltando a 1922, os veículos de imprensa brasileiros começavam a ganhar distintas posturas. A Globo original não foi criada por essa atual, fundada por Irineu Marinho com o jornal carioca o globo. Era gaúcha, que iniciou como simples gráfica para tornar-se repeitável editora de enciclopédias, dicionários e afins até virar uma das responsáveis pelo surgimento do jornal Zero Hora, famoso posteriormente pela tendência Integralista se contrapondo às de outros importantes estados, que adotavam duas posturas possíveis: Almofada no Muro ou Americanismo.
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Como o Getúlio atingira a meta proposta, e o Integralismo perdera a força nos demais estados, ficando resumido ao Rio Grande, o seu sucessor, JK, tratou de nos enfiar em nova dívida externa, que além de nos escravizar pelo bolso até hoje, tem como credores os mesmos proprietários das agências internacionais de notícias americanas que comandam a globo, que toca a música da notícia por aqui para as demais concorrentes dançarem igual.
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Quanto aos destinos do Integralismo aí por baixo, a última notícia que tive foi a de um processo movido contra um deputado, Castan, que além de político, comandava uma editora chamada Revisão, famosa por manter reedições de dois consagrados escritores intergralistas: Plinio Salgado e Gustavo Barroso.
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Como já disse antes, nunca concordei com distribuir porradas à lanço, assim como entendo que nada é feito de tudo errado ou de tudo certo. Como as porradas que seriam certas não conseguem enxergar os Alvos Invisíveis, ao invés de ficar dando porrada em Braille, só nos resta a sensatez nas interpretações ou nas condutas cotidianas para não virar um cúmplice deseducacional. Veja que exercício de dominação interessante ocorreu com a globo em relação ao Rio Grande, há décadas atrás.
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Lembro de uma ocasião em que o humorista Chico Anysio, que tinha uma personagem chamada Salomé e vivia brincando com o general Figueiredo ao telefone (- João Batista!), acabou de certa forma sendo meio ”deselegante” com o povo gaúcho, recebendo uma resposta pra lá de elegante e divertida, que na ocasião virou sucesso nacional, envolvendo uma famosa e antiga música, Na Cadência do Samba, também usada numa antiga chamada do locutor de rádio Osmar Santos ( Que bonito é/As bandeiras tremulando/ A torcida delirando/ Vendo a rede balançar).
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Conforme o vídeo mostra, essa era também a música de fundo usada por um certo Canal 100, que se apresentava nos intervalos dos filmes nos cinemas (naquela época os cinemas exibiam dois filmes), cujo narrador era o jovem Cid Moreira, muito antes de virar um global, numa emissora que ainda nem nascera no Brasil, e após descartado tornar-se o atual Galã Bíblico. Como você adora o futebol antigo, delicia-te tchê:
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Foi com essa marca registrada do futebol, que o Gaúcho da Fronteira, num golpe de mestre subliminar por quatro fortíssimos veículos: rádio, cinema, MPB e futebol; aproveitou até o texto como base de mistura da sua, e causou um imenso estrago na intenção global no Rio de Janeiro com Chico, e ficou lembrado com carinho pelos ouvintes cariocas.
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Não teria cabimento acusá-lo de plágio, porque gaiteiros como ele e Renato Borghetti tiram novas melodias a todo instante, pela variedade musical dessa espécie de Piano de Fole que usam para compor, com possibilidades muito maiores do que as do Violão, ou mesmo dos Oito Baixos de um Bandoneón argentino. Foi uso proposital mesmo.
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É só prestar atenção na introdução e desenvolvimento instrumental entre as estrofes que ele deu à música: Idêntica à melodia inicial de Na Cadência do Samba, mas não tão usada no transcorrer restante do seu vanerão. Como que dizendo num deboche : – Olha, faltou isto aqui!
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Fiz um vanerão sambado
Que-é-este samba vaneirado
Que-até hoje ninguém viu
Só pra ver como-é que fica
Gaita Ponto com cuica
Olha só o que saiu
a
Cavaquinho com guitarra
Tá na cara que dá farra
E muito pano pra manga
Bombo legüero-e pandeiro
Vai ser aquele-entrevero
Na tua-escola de samba
a
Refrão
E com chimarrão e mé
Todos vão dizer no pé
No galpão ou na favela
E quem sabe-em fevereiro
Eu não saia de gaiteiro
Na Mangueira-ou na Portela
a
E quem sabe-em fevereiro
Eu não saia de gaiteiro
Na Mangueira-ou na Portela
a
Seu Chico-Anysio passista
Que-a chinoca vai pra pista
Vaneirar no meu sambão
Que-o ginete não se-afrouxa,
Tão esperando-as cabrochas
Pra sambar no vanerão
a
Este vanerão sambado
Pode crer que dá babado
Com dois roncos diferentes
A cuica com seu breque
E-a Gaita Ponto que-é-um leque
Não vai ter ninguém que-agüente
a
O som desse reco-reco
Chega até-a me dar um treco
Pois faz cócegas no fole
E-esse tal de repinique
Deixa-a gente com chilique
Boca seca-e corpo mole
a
Mas seu Chico não se zangue
Com esta cruza de sangue
Debaixo do céu de-anil
Meu Rio Grande-hospitaleiro
E-o teu Rio de Janeiro
Afinal, tudo-é Brasil
a
Por um lado, Chico Anysio, que por sinal não é carioca, estava apenas se mostrando obediente aos princípios da emissora, que era, e ainda é pelo futebol, o de acirrar as disputas bairristas para, se possível, deixar o brasileiro sem saber sequer de onde veio; mas o tiro saiu pela culatra, porque além de defender as tradições do seu Rio Grande, Gaúcho da Fronteira obteve uma propaganda nunca antes vista para uma banda gaúcha, ao mesmo tempo em que misturou de forma divertida os costumes das distintas regiões e, de quebra, reforçou o sentimento nacionalista brasileiro como único, embora distinto nas regiões, tanto pela bomba do Chimarrão quanto pelo Mé do balcão-Mussum Sambista.
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Para conseguir a proeza, Ele teve a manha de enfiar o instrumental do Samba na Tradição Gaúcha, ou mesmo enfiar um Bugio Gaudério no meio de Passistas do Carnaval; tanto na letra quanto no arranjo musical. Termos como Vanerão, Gaita-Ponto (harmônica), Gaiteiro (sanfoneiro), Bombo Leguero (tambor argentino), Fole da Gaita, Galpão Criolo (casa de dança), o casal cavaleiro Chinoca e Ginete…; bem desconhecidos para o restante do país, nesse vácuo histórico entre o Negrinho do Pastoreio dos Farroupilha de 60 e os 80 em que estávamos, passaram a conviver com outros comuns à realidade do samba, como Babado, Dizer no Pé, por exemplo.
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O cara é fera também na construção poética.
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Lembra lá das primeiras conversas, quando tratámos sobre a colocação das rimas nas estrofes, e sugeri que tentasse as estrofes Sextilhas, que eram as mais apropriadas para as Rimas Opostas?
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Pois é. Basta observar a obra acima para sentir o peso da sua nobreza nas construções poéticas.
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Continuando com o estudo das Rimas, observe o verso:
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Tá na cara que dá farra
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Foi um belo trabalho de Assonância com a vogal A. Às vezes, esses versos chegam ao poeta de forma natural, mas se isso não aconteceu com o compositor da música, me arrisco até a supor que o termo que chegou primeiro foi Farra, pela rima com Guitarra, e depois houve a lapidação da gema.
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Dias atrás estive fazendo uma análise poética de um samba do Chico, Sou Eu. Veja esta comparação no uso das Rimas:
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Na minha mão o coração balança
Quando ela se lança no salão
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Com:a
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Bombo legüero-e pandeiro
Vai ser aquele-entrevero (Entrevero, isso lá é termo de letra de música?)
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E quem sabe-em fevereiro
Eu não saia de gaiteiro
Na Mangueira-ou na Portela
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Quais as diferenças entre os dois poetas famosos? Muitas, mas todas resumidas aos tipos de música e aos regionalismos. Enquanto o Chico apresenta um leque mais variado de opções além do Samba, o Gaúcho é mais fiel tanto às tradições regionais quanto aos populares Redondilhas Maiores 1-3-5-7, mas nas rimas quase não se observa diferenças, pois os dois usaram Rima de Eco e Rima Cruzada de final com meio de verso. Como não poderia deixar de ser, a música do Chico é mais famosa pelo estilo diversificado, mas, e principalmente, por estar voltada ao eixo Rio-São Paulo, onde mora a propaganda do Brasil todo.
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São poucos os compositores da MPB que se preocupam dessa forma com a letra, usando as nobres Rimas Opostas nas estrofes e pondo Ecos nos versos, ainda que curtos, como esses de 7 sílabas. Minhas experiências, na ocasião em que me aventurei a tentar fazer um samba para a Mangueira em 97, que concorreu a ser o samba da escola no enredo Chico em 98, me mostraram que o próprio compositor de samba carioca estava, na época, muito abaixo desses requintes nas Rimas. Quando muito, algumas paupérrimas Paralelas, no meio de tantos Versos Brancos. Alguns colegas de então, logo perceberam o poder da Rima num Refrão Pegajoso, que todo mundo aprende fácil pra Sapucaí inteira cantar.
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Isso não diminui ou valoriza as músicas de um e de outro, pois ambos sabem muito bem os segredos poéticos que tornam suas músicas mais ou menos populares nas letras. Esse refrão do Gaúcho é tão pegajoso que custa a sair da cabeça.
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Creio que, por valorizar a cultura gaúcha como poucos, Ele se orgulharia de cantar a sua música. Você pode também dar-lhe algo novo, como um “VanerRock Ecológico” e deixá-lo fazer a festa nos palcos. Veja este exemplo:
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Creio até que o Da Fronteira esteja mesmo precisando de algo assim. Se conseguir encaixar bem essa primeira música, as demais virão aos montes e em qualquer tendência musical, porque a letra bem feita já é natural na sua cabeça poeta.
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Quanto ao assunto do texto, sugiro que preste atenção nesta música:
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Para o Chico Buarque e o Francis Hime foi fácil escrever o rascunho da música, ainda que sentados em algum banco da praia do Leblon, já que o primeiro, além de dominar a Ciência Poética como poucos, é amicíssimo do Dicionário; e o segundo já era um maestro na ocasião em que compuseram a música.
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Toda música de sucesso não depende somente da sua beleza própria, mas de uma série de atenções ao redor. A principal delas é o Encaixe do Assunto na cabeça do povo ouvinte, e o resto o pessoal da propaganda faz, para ganhar o leite Longa Vida A para as crianças.
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Quanto ao assunto do texto, tratar sobre o Meio Ambiente sempre dá Ibope, principalmente se for na forma de protesto, como é notado em Passaredo, e isso é fácil de entender. Como a maior parte da população vive mais à beira do mar, e está bem pouco disposta a ir para o interior, é bem mais cômodo protestar junto ao desenvolvimento consumista do que tentar pegar o bicho na unha, ou montar nele em pêlo.
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Como isso cria uma espécie de pêso na consciência da maioria da população, tais músicas de “protesto ambiental” sempre se encaixam na consciência devedora do povo, já que o Brasil, por não se resumir às famosas praias, metrópoles ou megalópoles, tem o seu lado bem pobre em outras regiões menos favorecidas do que o Leste. Veja um outro exemplo, mais voltado ao desequilíbrio social, vindo de uma região oposta ao Sul, onde tais diferenças se mostram gritantes a poucos quilômetros da metrópole praiana:
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Sabe de onde o cara escreveu essa música, cujo texto, de tão verdadeiro ou de tão falso, dá no mesmo, virou até tema de novela global?
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Da sua mansão à beira-mar em Fortaleza. Pode?
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Para o Fagner, o poema que virou a letra da música chegou como o seu para você, natural e honestamente poético, mas por uma série de envolvimentos do artista com a sua assessoria divulgadora, e desta com a imprensa, o pobre poeta, que recebeu a luz da inspiração, virou um escravo do próprio poema, já que vive de um jeito e escreve sobre uma forma de vida que não lhe pertence. Ter o dom da Lira implica também nessas indigestões mentais da consciência cidadã.
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Tudo isso poderia ser evitado se o Fagner tivesse impedido a sua assessoria de propaganda de colocar uma Fera Sensacionalista do jornalismo, o Datena, dentro da própria casa na praia. Inteligente como é, o Datena escolheu a dedo a música de fundo da entrevista. Percebeu como funciona a imprensa?
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O poeta lá está, no seu esconderijo artístico, fazendo o que mais gosta para que escutemos o que mais gostamos dele. Por natureza, é muito difícil um poeta nato dizer não, mesmo enquanto trabalha, e o Fagner foi só uma vítima da ignorância da própria equipe.
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Cabe a cada poeta separar o tanto de cumplicidade que esteja disposto a ter para com tal Indústria da Diferença Social, também vista acima em Chico Anysio x Gaúcho da Fronteira.
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É óbvio que, uma vez chegada a Inspiração Criadora ao poeta, o poema tenha de ser escrito de imediato para que o poeta aproveite o máximo de lembranças do Quadro Inspirador inconsciente, como ocorreu com você. Insisto até que você transmita a beleza dele ao maior número possível de brasileiros, gaúchos ou não, e internacionais; pois essa é a sua obrigação, tanto por ter recebido o dom da Arte, quanto pela sua consciência de cidadão capaz de descrever a natureza com um belo estilo próprio.
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Embora o protesto dê mais audiência, não se deixe trair por ele ou ela e sempre escreva o que lhe surja espontaneamente sem se preocupar com o eco, lógico ou não.
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Morei vinte anos em São Mateus do Sul-PR; quase divisa com Santa Catarina, e foi lá que pude aprender a observar as reações bilaterais de Homem e Natureza, e Ela, por se saber Sapiens (eheh), sempre se ajustou a ele muito antes dele existir, caso contrário como explicaríamos os cataclismas super quentes ou frios ocorridos bem antes de surgirmos? Quem teria providenciado um efeito-estufa ancestral?
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Quando um Pinheiro Centenário vira os galhos para cima, temos uma impressão e uma certeza:
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1- Oh, como a natureza é bela ao premiar-nos com aquela formidável Taça Florestal! Usando um pouco de criatividade religiosa, dá até para colocar nela o Sangue de Deus e …
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2- Quando um Pinheiro vira os galhos para cima, em forma de taça, mostra que está ficando com o caule oco, e o mais prudente é que seja derrubado, pois estará pondo em risco tudo o que estiver ao seu redor num raio correspondente à sua altura, que costuma ser grande. Se não tivermos pessoas morando nessa área, ótimo, mas o que dizer de toda a vegetação nativa ao redor dele, louca para crescer e correndo o risco de morrer antes disso? Inclusive a Erva-Mate, fundamental ao seu Chimarrão, e que adora nascer ao redor dele?
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Até onde vai a acusação a um madeireiro que corta uma árvore com tal condição de risco? Dependerá do padre ou pastor que estiver usando-a nos sermões?
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Quando transformamos um terreno arável em puro pó, e somos premiados com uma chuvinha, entramos com as plantadeiras de milho para iniciar o que resultará em alimento, tanto para nós, quanto para os animais dos quais tanto precisamos.
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O que fazer quando percebemos um bando de Perdizes seguindo o trator e procurando desplantar a maior parte daquela grana investida em combustível, máquina, mão de obra e sementes?
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1- Enchemos a lavoura de Cães Perdigueiros caçando as perdizes?
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2- Adicionamos aos herbicidas pré-emergentes um veneno para matar as graciosas perdizes no seu exato Ritmo Poético de corridinha e bicada?
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3- Deixamos a coisa como está para ver como é que fica?
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Essa é fácil, racional, natural e óbvia: Opção 3.
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Não temos como brigar com a Natureza. Nunca tivemos porque sempre fomos menos criativos do que Ela. Qualquer grana gasta nas duas primeiras opções empatam os custos com as perdas da terceira. Já perdi muito tempo calculando isso.
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Outro caso interessante ocorre no plantio de Soja, muito assediado por diversas Lagartas, mas desta vez, se usarmos a terceira opção acima, só restará 10% daquilo que um dia foi um Paraíso Brague Verde.
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Para resolver o problema de forma amigável, usa-se parte do mal para solucioná-lo. Aplica um inseticida em 10% da plantação, recolhe as lagartas mortas e faz um soro com elas. No ano seguinte haverá uma imensa colônia de virus em cultura. Mistura um pouquinho na água e pulveriza a plantação. Sempre resultará em 90 % da plantação sadia. Não é bom tentar salvar os outros 10%. Tem de deixar destruir porque assim a lagarta não desenvolve defesa por mutação.
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Usei esses exemplos apenas para mostrar que a Natureza, por ser sábia, sempre estará disposta ao diálogo amigável para atender a ambas as partes, independente de tudo o que tenhamos criado pelo Racionalismo. Não se resolve a coisa na base da grosseria em nenhum dos aspectos naturais, tanto no Campo, quanto na Sociedade e na Arte. O Dizimar é ilusório, diante da mutação natural. Basta manter a sensatez, mas primeiro escreve o poema, eheh.
a
Por falar nisso, aí mais ao sul também tem Curicaca e Lobo Guará? Porque certa vez fiz amizade com ambos, que estavam se destruindo numa briga que apartei, e acabaram ficando um bom tempo comigo, quase domesticados.
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Infelizmente, a Curicaca, sem “curar a cáca” das asas, acabou morrendo e o Guará, com um só olho salvo, se mandou após o féretro. Dizem as más línguas polonesas regionais que foi visto em companhia de um arruaceiro grupo de Gatos-do-Mato libertários, servindo de Robin Hood, mas não acreditei muito nos alegres Remowicz e Pczywitowsky, que me contaram a história entre uma e outra “Vúdcka” (vodca, pinga, cachaça), na última vez em que fiz uma ” Poiája du Myásta” (viagem à cidade) e fui aos seus “Dumos” (lares). Aí pra baixo também tem poloneses, ou é mais alemão?
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Mesmo entendendo muito pouco dos dialetos deles, meio misturados com ucraniano, consegui ser útil a alguns polaquinhos fissurados em poemas, porque o Ritmo Poético e a Métrica da Arte sempre cabem em qualquer linguagem.
a
Poema Polonês é um barato!
a
Abraçówyczy (vitxi)!
a



































Fábio said,
novembro 11, 2011 @ 11:00 pm
Minha nossa senhora……começo por onde??????????
Tá, tá…pelo início……eheh
Tchê, antes de qualquer coisa eu só posso ( e minha consciência e meu coração me obrigam, sob pena de eu ter um AVC ou um INFARTO) é te agradecer..pelas palavras, pelas dicas, pelos ensinamentos, por tudo, ah, e por ter feito um grande amigo, mesmo que por vias internéticas……..enfim……
É uma honra pra mim estar com meu poema na página inicial do site como um aprendiz guerreiro e apaixonado por poemas, música, futebol, bichos, mulher…..e um bom trago também, né, meu???…porquê ninguém é de ferro…rsrs
No segundo degrau, subindo nessa escada da aprendizagem e conhecimentos, eu preciso te perguntar:
Tu “nasceu há dez mil anos atrás”….???????
To desconfiado que o Raulzito se inspirou em você, bixo, pra saber de tudo muita coisa!! Que maravilha!!!!!
Dalton, eu já estou vendo esse lance de musicar as letras! Só tenho que entender melhor o processo de registrá-las. Mas, com o tempo, vou procurar me informar e ir atrás para fazê-lo. Vou te informar dos “causos” assim que acontecerem,ok?
Quanto ao “pepino gigantesco filosófico” que você me deu de presente, te digo que não vou fugir da raia, não, gaudério….vou tocar ficha e cantar minhas raízes, afirmado na segurança dos sólidos valores da minha família!! Vou seguir teus conselhos, minhas intuições, minhas paixões, o que vier, e vou escrever!!
Cara, tenho algumas coisas gravadas, nas minhas fitas de VHS, do Canal 100!!!
O que posso dizer??? Simplesmente SENSACIONAIS!!!! É como seu estivésse na arquibancada, tamanha euforia!!!
Em relação ao jogo de campo, Gaúcho da Fronteira x Chico Buarque, eu
S-A-Q-U-E-I, cara, o esquema da análise poética….e te digo que fiquei entusiasmadíssimo, porquê fiz um paralelo com a forma como estou fazendo os poemas:
As sextilhas, Dalton, as sextilhas!!!! Eu consegui fazer sextilhas, depois que você me orientou, em, praticamente, todos os poemas, desde 09 de Outubro, com o poema “Recusa ao Partir”. O Gaúcho da Fronteira usa as sextilhas e a cantoria sai maravilhosa, tchê!!!!!!
E quando tu dizes que no uso da sextilha, rimas nobres e tal, poucos compositores da MPB usam e poucos se preocupam com os Ecos, eu entendi bem a diferença de uma letra bem feita e outra simplória…..
E, Dalton, não pude não fazer um paralelo com os meus poemas em que uso sextilha. A sensação que eu tive é que, se eu estudar mais, e treinar bastante, poderei estruturar uma letra bem feita, já que estou usando muitas sextilhas, inclusive com a rima dos versos quase que por inteiro.
Quando tu falas em “REFRÃO PEGAJOSO”, me cai mais umas fichas ainda, e sabe o que eu dizia pro pessoal da banda, na época, quando a gente pensava em músicas covers pra ensaiar e tocar nos shows???? Eu dizia que nós precisávamos tirar músicas “COM REFRÃO CANTANTE, QUE TODO MUNDO SABE CANTAR”!! Juro por Deus!! Por pior que podería ser a banda, ou qualquer banda, se o refrão for entendido e gravado na cabeça de quem ouve, a festa tá feita e o pessoal vai achar que a banda é a melhor do mundo!! Ainda mais num estado etilicamente afetado do povaredo…eheh
Da Curicaca e do Lobo Guará, eu só conhecia o Lobo de pernas longas… a Curicaca te confeço que não conhecia. Mas o bom e meio-velho Google me disse que os dois existem no RS!! Sinceramente, Dalton, acho que só a Curicaca…o Lobo acho que, por aqui, infelizmente…..já era!! Uma pena. Mas pude me deleitar vendo-o no Zoo de Gramado, no fim de semana retrasado, no passeio que te contei.
Ah, e por aqui tem muito “alemón”. Inclusive o sobrenome da dona encrenca é “Ilges”!!! Polonês é menos…
Grande abraço, Dalton.
E mais uma vez, obrigado por tudo.
Até breve.
Fábio
admin said,
novembro 12, 2011 @ 2:14 pm
Buenas
Novamente o assunto ficou longo e gerou nova postagem, portanto, a resposta está em http://mpbsapiens.com/vanerao-roda-viva/
Pense a respeito. Abraços.