A Foto.

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O que comentar sobre uma imagem como essa?

O calção caindo chega a ser óbvio comparado à figura do bandeirinha e sua chanca.

 

     a

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O Bêbado E A Equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc)

Vídeo de luanborges


 

Caía 
A tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto 
Me lembrou Carlitos
 
A lua 
Tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria 
Um brilho de aluguel
 
E nuvens 
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco 
 
Louco
O bêbado com chapéu coco 
Fazia irreverências mil
Prá noite do Brasil
 
Meu Brasil!
 
Que sonha 
Com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu 
Num rabo de foguete
 
Chora 
A nossa pátria-mãe gentil
Choram marias e clarisses 
No solo do Brasil
 
Mas sei 
Que uma dor assim pungente 
Não há de ser inutilmente
A esperança 
 
Dança 
Na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha 
Pode se machucar
 
Azar
A esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar
 
Antes de qualquer idéia à respeito dessa composição é necessário ter em vista
que, vinda de uma parceria de consagrados instrumentista e letrista, a melodia
ficou à cargo de João Bosco e a letra foi obra de Aldir Blanc.
 
Aldir sempre buscou dar às suas letras uma espécie de fotografia do momento
social que observava no cotidiano. Basta observar a letra da composição De
Frente Pro Crime, que nada mais fez do que retratar o nosso comportamento
diante do imaginário quadro proposto.
 
No caso de O Bêbado e a Equilibrista, tais personagens, embora se insinuem
populares, como comuns habitantes das ruas e circos, ambos foram extraídos
do interior dos autores. Onde ambos se confundem nos desequilíbrios que
povoavam as cabeças dos compositores da época.
 
Vivíamos uma ditadura militar, que buscando a reorganização social do país, 
procurava censurar a toda e qualquer tendência menos nacionalista. O 
objetivo maior dos militares era o de controlar a imprensa, que por ter nascido
no berço da queixa popular, percebeu que essa era também a melhor forma,
ou estratégia, de se vender jornais. É assim até hoje.
 
Tal censura se estendeu às obras dos artistas e aí se montou parte do cenário
da composição que trata, fundamentalmente, do sentimento do poeta diante 
dos cotidianos seu (o Bêbado) e da equilibrista (a sua Dúvida interior), que 
por não estar diante só de fatos, mas também de meras suposições vindas do
cotidiano jornalístico suspeito, acabou virando simples Esperança.
 
Caía 
A tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto 
Me lembrou Carlitos
 
Na época em que foi escrita a música, o Rio de Janeiro passava pela comoção
de ter observado a uma famosa queda de um viaduto, que causou muitas 
mortes. Diante do triste quadro cotidiano, o poeta se viu qual “Carlitos”, um
personagem cômico, vivido pelo ator Charles Chaplin, na época do Cinema
Mudo, cujos filmes eram, antes de tudo, voltados à comédia.
 
A lua 
Tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria 
Um brilho de aluguel
 
Nesta estrofe o poeta observa o céu, provavelmente à noite, e compara o
poema que estava escrevendo, às possíveis estratégias de marketing que o
mesmo poema sofreria caso virasse música, conforme o Chico Buarque já
anunciara na peça Roda-Viva.
      http://mpbsapiens.com/roda-viva-introducao/
 
E nuvens 
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco 
 
Aqui o poeta transforma a imaginária abóbada celestial, algo comum aos
Gênesis da maioria das religiões, e mistura duas épocas: A atual do poema e a
vivida por ele na infância escolar, pois, afinal, quando Aldir aprendeu a
escrever, ainda não havia Caneta Esferográfica, mas aquelas à tinta, onde as
famosas Parker eram as mais cobiçadas.
 
Tais canetas à tinta exigiam dos alunos um acessório extra nos seus pertences
didáticos: O Mata-Borrão, que servia para secar os excessos de tinta nos
textos recém escritos, pois os professores não admitiam manchas neles. Os
que mais sofriam eram os alunos canhotos.
 
Isso explica à “chupada das manchas torturadas das nuvens”, pois era mais ou
menos o aspecto que os mata-borrões usavam apresentar depois de algum
tempo de uso.
 
Já o dito “sufoco” é comum aos dois tempos do poeta: Ao da infância, diante
da cobrança escolar sobre o texto, e o da realidade ditatorial-jornalística,
diante do teor do atual texto resultante, que viraria música, se submeteria às
prostituições da indústria da fama e poderia ser ou não censurada.
 
Louco
O bêbado com chapéu coco 
Fazia irreverências mil
Prá noite do Brasil
 
Aldir se sentia qual Carlitos, comum à época em que usava o Mata-Borrão, 
revisto no presente escrevendo sobre um mesmo país de outrora, o que 
confirma com a expressão:
 
Meu Brasil!
 
Colocada em verso único exatamente para chamar a atenção pelo que já fora
dito e pelo que viria a seguir:
 
Que sonha 
Com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu 
Num rabo de foguete
 
Quando foi feita a música, o poeta tinha diante dele duas imprensas: A oficial,
dos jornais, que ele aprendera a suspeitar, e a do “boca a boca” da classe
artística, que alternava certezas e incertezas. 
 
Uma das certezas era a do exílio do Betinho, consagrado defensor dos 
Direitos Humanos, e que era irmão do Henfil, famoso cartunista da época, que
habitava as páginas do jornal O Pasquim, tido, pela ditadura, como um 
tablóide com alto teor subversivo, embora cômico.
 
Chora 
A nossa pátria mãe gentil
Choram marias e clarisses 
No solo do Brasil
 
Diante daquela onda de exílios de artistas, oficiais ou voluntários, o poeta tenta
descrever à possível tristeza, comum a ele e ao povo, só que de forma bem
interessante, misturando as essências de possíveis viúvas às das comuns
prostitutas. Os nomes Maria e Clarice eram bem usados tanto por prostitutas
do Rio quanto de São Paulo.
 
Mas sei 
Que uma dor assim pungente 
Não há de ser inutilmente
A esperança 
 
Existia uma triste realidade, mas o poeta não concordava em fazer do seu
poema um objeto de queixa, e, sim, de possíveis dias melhores, ainda que
baseado somente na suspeita Esperança.
 
Dança 
Na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha 
Pode se machucar
 
Aqui ele reforça as suas suspeitas, diante apenas da certeza que os Ser e 
Parecer do poeta se equilibravam numa finíssima linha imaginária, que poderia
consagrá-lo ou extinguí-lo, de acordo com as conveniências militares ou
jornalísticas da época.
http://mpbsapiens.com/roda-viva-disparada-claro-enigma/
Azar
A esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar
 
Confirma que tudo não passava de um Jogo de “Azar”, apesar da Esperança
ter ficado consagrada como exímia equilibrista no circo da vida social, logo,
sempre haveria um lugar para o seu instrumento predileto: O Artista.
 
Acredito que O Bêbado e a Equilibrista tenha servido como parte do Mote 
que levou Chico a escrever, anos após, a música Vai Passar, onde procurou
dar uma idéia mais ancestral do que ocorreu com a “Pátria-Mãe Gentil”, do 
Aldir, comparada à “Pátria-Mãe tão distraída”, dele.
 
Encerrando, se o Aldir pôde usar as imaginárias prostituições da Roda-Viva
dele, porque o Chico não poderia usar-se da mesma Pátria-Mãe, também 
“subtraída” comum às realidades artísticas de ambos?
http://mpbsapiens.com/vai-passar-analise-de-texto/
 
 

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Vai Passar e o Chico Político

 

Muito já se comentou que parte da obra do Chico estivesse relacionada à 
política. É preciso ter em vista que Chico foi filho de um consagrado 
Historiador Social, Sergio Buarque de Hollanda, quando sabemos que a 
maioria de nós, em alguma fase da vida, buscou dar continuidade às atitudes 
dos nossos pais, logo, creio que certas músicas dela não estivessem próximas 
do significado de Política, mas mais adequadas ao de Sociologia, posto que as
letras do Chico sempre tenderam à tradução dos nossos comportamentos 
pessoal e social.
 
Duas das composições mais consagradas por tal engano conceitual foram 
Apesar de Você e Vai Passar. Segundo a imprensa, e sabe-se lá quem mais, 
Apesar de Você foi uma espécie de homenagem ao ex-presidente Médici nos 
anos 70, mas, segundo uma crônica do Mário Prata, jornalista e amigo do 
Chico, houve este episódio:
 http://mpbsapiens.com/apesar-de-voce-analise-de-texto/
No princípio dos anos 70, em algum show não específico do Chico, a multidão
insistia que ele cantasse Apesar de Você e ele se recusava. Em dado momento
houve um silêncio na platéia. Foi quando uma senhora, posicionada numa 
fileira próxima ao palco, bradou a Chico:
 
- Seja corajoso meu filho, cante!
 
Tal senhora era ninguém menos do que Dona Maria Amélia, mãe dele. Apesar
Dela, Chico preferiu não cantar a música, mas, mesmo não cantando, após o 
show foi detido e levado para interrogatório em algum distrito adjacente.
 
Em tal interrogatório perguntou:
 
 - Vocês entendem agora o porque da letra? Emendando em seguida:
 
 - Ela sempre foi assim, desde que eu era criança, e desconfio até que muito 
do que escrevo hoje em dia se deve à influência repressiva dela na minha 
educação!
 
Comovidos com a situação familiar do Chico, os interlocutores encerraram o 
interrogatório por ali mesmo e ele pode seguir o caminho sossegado.
 
Além de escrever bem como poucos, Chico sempre foi um gozador nato, e o 
episódio acima, descrito por Prata, foi apenas mais um exemplo da sua 
agilidade mental na criação das histórias musicais que povoaram as nossas 
cabeças por anos.
 
Existe um pensamento do jogador, Robinho, que se encaixa muito bem ao 
comportamento do Chico como compositor musical:
 
 - Voltei a atuar no Brasil para recuperar a alegria de jogar futebol!
 
Chico é com a Palavra o mesmo que Robinho é com a Bola de Futebol: 
Precisa da Alegria para traduzir pelas palavras às nossas emoções 
comportamentais. Suponho até que escreva sorrindo um drama 
comportamental cujo normal resultado em nós seja o choro.
 
Com a filosofia, resultante em nós, Chico tem a mesma responsabilidade do 
Robinho, cujo drible resulte ou não em gol comemorado:
 
Ambos fazem as suas partes, independente do que sintamos, pois basta 
estarem felizes com o que fazem para que nós sejamos os premiados.
 
Quanto ao Vai Passar foi um samba enredo gravado pelo Chico muitos anos 
depois de feita a melodia que, segundo o parceiro Francis Hime, começou a 
ser elaborada nos primeiros ensaios das parcerias dele com o Chico, em 1972 
com a composição Atrás da Porta.
 
Não se pode precisar a época em que a letra foi escrita.  De 72 a 84, 
conforme consta oficialmente no songbook da cia. das letras, que é muito 
suspeito pela série de adequações dadas à cronologia da obra. Cabe qualquer 
época, inclusive aquela em que o Chico escreveu o seu primeiro livro oficial: 
Fazenda Modelo – uma novela pecuária.
 http://mpbsapiens.com/fazenda-modelo-novela-pecuaria/
A letra de Vai Passar é uma espécie de enredo sobre a História sócio 
econômica do Brasil nos anos 50, conforme o próprio Chico sugeriu em 
entrevista, ao associá-la à letra de Dr. Getúlio, cuja melodia, pertencente a 
Edu Lobo, também lhe foi entregue  bem antes do samba ser oficialmente 
gravado.
 
O final dos anos 60 e começo dos 70 foi um período muito conturbado. 
Qualquer coisa que se gravasse, na época, ao invés de ser associada à 
essência do que Chico tentou transmitir na peça Roda Viva, era 
automaticamente voltada contra os militares pelas conveniências da imprensa.
 http://mpbsapiens.com/peca-roda-viva-introducao/
Esse foi o motivo pelo qual, acredito, tanto Vai Passar quanto Dr. Getúlio 
terem ficado tanto tempo à espera da gravação oficial.
 
Podem reparar que Vai Passar só apareceu no mesmo LP que continha Pelas 
Tabelas, essa sim, com alguma aparência política, por ser baseada no 
movimento Diretas Já, em que a letra mostra Chico com todas as suas 
indecisões: “Claro que ninguém se toca com minha aflição”. Apoiar ou não 
àquela folia democrática, elaborada pela Turma Invisível e propagada pela 
Turma Visível, ambas da globo?
 http://mpbsapiens.com/pelas-tabelas-analise-de-texto/
Qualquer um que se disponha a estudar um pouco da História Econômica do 
Brasil verá que a nossa primeira dívida externa foi contraída por Pedro I junto
à casa britânica dos Rotschild. Verá que essa dívida só foi paga integralmente 
pelo Getúlio 130 anos após, ficando o Brasil, por pouco tempo, livre da 
agiotagem dos credores internacionais.
 
Essa liberdade econômica, que nos permitiu até emprestar dinheiro aos demais
países sul americanos na época, teve vida breve, pois ao assumir o poder, JK 
contraiu novas dívidas, com credores americanos, tanto para a construção de 
Brasília quanto para justificar a abertura das portas do país para a entrada da 
multinacional indústria automobilística, cujos carros necessitavam de asfalto.
 
Não tínhamos uma realidade automobilística notável. Nossos veículos eram 
todos importados, accessíveis somente às classes média e alta da sociedade. 
Por outro lado, tínhamos dois outros sistemas de transporte em franca 
evolução: Ferroviário e Hidroviário. Não precisa ser muito velho para lembrar. 
Eu mesmo tinha o hábito de brincar de nadar, no rio Tietê, ao redor das 
embarcações, cargueiras ou de passageiros, que passavam atrás do clube
Corinthians e iam descarregar no porto da Ponte Grande, junto ao Clube de 
Regatas Tietê.
 
A ferroviária Estação da Luz ficava, e ainda fica, logo ao lado, prontinha para 
receber cargas ou passageiros dos barcos e remetê-los aos respectivos 
destinos: Tanto ao interior quanto ao Porto de Santos, quer para embarcarem 
como exportações, quer para gozarem férias no litoral.
 
Poderíamos até demorar um pouco mais do que os paises mais “civilizados” para 
enveredarmos pelas trilhas da Indústria Automobilística, mas o faríamos com a 
direção do país nas próprias mãos, e nunca à mercê dos grandes agiotas 
internacionais que nos manipulam a Cultura e a História até hoje por seus 
veículos de comunicação.
 
Chico, alguns anos mais velho do que eu, certamente testemunhou a tudo isso 
ocorrendo em São Paulo. Tanto o fez, que a composição, que o mesmo 
reconheceu como primeira do seu estilo contestador foi Pedro Pedreiro, que 
retrata parcialmente os resultados daquela arrazoada migração do norte e 
nordeste para São Paulo no princípio dos anos 60.
 
Em síntese, Fazenda Modelo conta a história de Juvenal, o Bom Boi, que 
resolveu construir no plano alto central da fazenda a sede dos seus sonhos: A 
Juvenópolis, mas para atingir tal meta teve que se sujeitar aos chamados 
“Invisíveis”, cujos nomes começavam todos pela letra K. Klaus, Kleber, 
Krieger, Katazan etc.
 
Acho que esteja meio óbvia a associação do presidente Juscelino Kubitscheck
 ao Juvenal, dos Kás Invisíveis, presentes em Fazenda Modelo: J + K; bem 
como Brasília ser a Juvenópolis do plano alto central da fazenda. É muito 
difícil associar?
 
Vai passar
Nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade
Essa noite vai se arrepiar
 
Na Velha Cidade do Rio de Janeiro os desfiles das escolas de samba 
ocorriam na Avenida Presidente Vargas, cujo calçamento era feito em
paralelepípedos (Oh, quanta coincidência!).
 
Ao lembrar
Que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais
 
Muitos sambas se perpetuaram, mas muita gente sangrou para que 
sambássemos com os pés livres, ao mesmo tempo em que muitos ancestrais 
nossos “sambaram” nas mãos dos credores internacionais. Mas, quando?
 
Num tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
 
A forma mais fácil de desbotar a memória das futuras gerações é confundir a 
sua trajetória do passado. O que começou a ocorrer conosco mais fortemente 
na segunda metade da década de 50 com a chegada dos novos moldes 
americanos da imprensa.
 
Vejam o que Chico escreveu em Dr. Getúlio:
 
Lutando contra grupos financeiros
E altos interesses internacionais
 
Agora vejam como ele tratou do mesmo assunto, continuando em Vai Passar:
 
Dormia
A nossa pátria-mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
 
Notem a interessante coincidência da Juvenópolis, de Fazenda Modelo, 
com o “posterior” Vai Passar:
 
Seus filhos
Erravam cegos pelo continente
Levavam pedras feito penitente
Erguendo Estranhas Catedrais
 
A Nova História, com os novos “Tapa Olhos” da imprensa, estava resumindo 
cada vez mais as nossas raízes culturais ao Carnaval, uma fértil reserva 
comercial que atuava no mesmo povo que construiu Brasília e foi transferido 
para São Paulo para justificar parcialmente ao atual caos habitacional dessa 
Orgulhosa Megalópole. . Assim:
 
E um dia afinal
Tinham direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia
Que se chamava carnaval
O Carnaval, o carnaval
 
Personagens da nossa História se tornavam elementos banais dessa nova raiz 
cultural desta forma:
 
Palmas pra ala dos Barões Famintos
O bloco dos Napoleões Retintos
E os Pigmeus do Bulevar
 
Tivemos na História os riquíssimos Barões do Café ficando duros subitamente 
por conta das especulações financeiras do produto por mãos de financistas 
do capital externo.
 
Quando Getúlio chegou ao poder em 1930, o fez com o apoio dos chamados 
Integralistas, cujo extremo nacionalismo lhes rendeu o apelido de Novos 
Napoleões, que Chico, por questões de rima, chamou de Napoleões Retintos.
 
Pigmeus do Bulevar foi um apelido que Chico deu aos chamados Novos Ricos
que habitaram as residências luxuosas das grandes avenidas (Bulevar) à partir 
dos anos 40. Grandes fortunas nas mãos de Pigmeus Sociais.
 
Meu Deus vem olhar
Vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade
Até o dia clarear
Ai que vida boa olerê
Ai que vida boa olará
O estandarte do Sanatório Geral
Vai Passar.
 
Tudo transformado numa Festa de Sonhos, tão atingíveis quanto o significado 
integral dos termos Liberdade, Lei, Ordem…; comuns ao Sanatório Geral do
Carnaval.
 
Vai Passar foi um peculiar estudo da História Recente do Brasil, que apenas 
mostrou estar a ilusão social acima dos presidentes e seus respectivos partidos
políticos, justificados pelos votos que os elege e alimentados pelas próprias
trajetórias posteriores às urnas.
 
Ando com minha cabeça já Pelas Tabelas
Claro que ninguém se toca com minha aflição…
 

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Roda-Gigante – Outro Elo Perdido do Chico

Anterior – > http//mpbsapiens.com/
 
Roda Gigante foi composta em 1965, mas gravada só em 1966, pelo grupo 
vocal Os Cariocas, aproveitando o lance do ano em que o jovem Francisco 
explodiu no cenário artístico brasileiro como o compositor Chico Buarque de
Hollanda, cuja composição, A Banda, dividiu com Disparada, do amigo e
concorrente Geraldo Vandré, o troféu de vencedora do Festival de Música
da TV Record de São Paulo.
 
 Roda-Gigante – Os Cariocas – 1966
 
Lembra, amor?
Do tempo em que existia, amor
Um beijo escondido no parque de diversões
E depois,
Brincando de brincar
Nos brinquedos parados
Nós dois.
 
Me leva ao céu, roda gigante
E o carrossel não pára um instante
Você e eu
Brincamos tanto
É que só o amor não era um faz de conta
Montanha russa emocionante
Túnel do amor apaixonante
 
Tapete mágico, aviãozinho, trem fantasma
E a noite então
Lembra você?
Mas qual
Você não lembra não.
 
A letra mostra um sentimento adolescente, que se estendia ao texto da Banda
em forma semelhante, pelo realce dos costumes juvenis de uma época:
Namorar em parques de diversões; tinha muito de “Namorada que contava as 
estrelas”, “Faroleiros que contavam vantagens” etc. todos presentes na
música A Banda, e comuns aos parques de diversões; a exemplo do que 
ocorreu com Tereza Tristeza em relação ao Sonho de um Carnaval.
http://mpbsapiens.com/a-banda-analise-de-texto/
http://mpbsapiens.com/tereza-tristeza-analise-de-texto/
Creio ter a música provavelmente surgido de um mote vindo de alguma
significativa visita dele ao Parque Xangai, que ficava próximo ao Gasômetro
de São Paulo. Uma região bem frequentada por ele nos anos 60, pois havia
nela algumas casas de dança bem famosas, como o Brás Polytheama, por
exemplo, do qual ele tirou o nome para o seu time de futebol particular.
 
Por outro lado, a possível mulher, para qual é dirigida a mensagem do texto
da música, tem traços da mesma tratada por ele nas compoições Desencanto
e Essa Passou, ambas tratando de um mal resolvido romance do Chico, com
alguma dona anterior à Marieta Severo, que pode ter sido a mesma que o 
inspirou nas músicas Madalena Foi Pro Mar, Morena Dos Olhos D´Água, ou
mesmo, Carolina.
http://mpbsapiens.com/primeiros-versos/
http://mpbsapiens.com/essa-passou-analise-de-texto
http://mpbsapiens.com/madalena-foi-pro-mar-analise-de-texto/
http://mpbsapiens.com/morena-dos-olhos-dagua-analise-de-texto/
 http://mpbsapiens.com/carolina-t/
Mais uma composição que a assessoria artística do Chico furtou da nossa
literatura, mas graças à internet, pude resgatar com a ajuda do amigo Paulo
Sergio Mariani, que possui o original em disco de vinil.
 
Ainda virão mais elos musicais perdidos pela incompetência empresarial.
Aguardem.
 
Próxima – > http//mpbsapiens.com/
 

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Tereza Tristeza – Elo Perdido do Chico

Anterior – > http://mpbsapiens.com/tem-mais-samba-analise-de-texto/
 
No princípio dos anos 60 inventaram o Vídeo-Tape, no entanto, por estar 
ainda em desenvolvimento, além do alto preço do equipamento, as emissoras
de televisão brasileiras não o tinham.
 
Foi quando a TV Record, de São Paulo colocou no ar, em 7 de dezembro de
1964, a novela Prisioneiro De Um Sonho, escrita por Roberto Freire e
estrelada por Eva Vilma, com direção do próprio autor e de Randal Juliano,
que então era só apresentador da emissora em início de carreira.
 
Pelos programas serem ao vivo, tudo era meio improvisado. Foi o que 
aconteceu com essa novela que, em alguns capítulos, apresentou um jovem
compositor, Francisco, com o seu inseparável violão, ainda mal executado, 
interpretando o samba Tereza Tristeza.
 
Creio que essa “brecha” na mídia tenha ocorrido pela intervenção do autor
da novela, Roberto Freire, que simpatizando com as composições do jovem
Francisco, tinha se tornado uma espécie de padrinho artístico dele.
 
A novela ficou no ar até fevereiro de 1965, portando, antes do jovem
Francisco virar Chico Buarque de Hollanda, nome que entrou no cenário
artístico brasileiro no mesmo ano, como compositor do samba Sonho de Um
Carnaval, cantada por Geraldo Vandré em um festival posterior.
 
Tereza Tristeza – MPB4 – 1966
 
Tereza Tristeza – MPB4 – 1966.
Oh Tereza essa tristeza
Não tem solução
Tire o meu lugar da mesa
Não me espere não
Não vou, não
Ao menos sou sincero
Que te adoro, que te quero
Mas não passo bem sem carnaval 
Não
 
Oh Tereza essa tristeza
Não tem solução
Ser mulher é muito mais
Do que pregar botão
Não vê não
Pois, homem quando é homem
Passa frio passa fome
Mas não passa bem sem carnaval
 
Diz que não tem café
Diz que não tem feijão
Nem sandália pro pé
Nem aliança pro dedo da mão
Oh Tereza
É tão pouca tristeza
Tem gente que nem carnaval
Não tem não.
 
A letra mostra que o jovem Francisco, apesar da influência da Bossa Nova,
coqueluche da MPB na época, gostava mesmo de compor sambas, pois, no
mesmo ano, compos também sobre o mesmo tema, Carnaval, o samba Sonho 
de um Carnaval e já houvera composto Tem Mais Samba.
http://mpbsapiens.com/sonho-de-um-carnaval-analise-de-texto/
http://mpbsapiens.com/tem-mais-samba-analise-de-texto/
A música não foi gravada posteriormente pelo Chico, mas isso não quer dizer
que ele não a tenha composto, logo, deveria também fazer parte do songbook
da cia. das letras, que funcionou como uma espécie de biografia oficial da 
obra por muitos anos, antes da chegada da internet.
 
Muito se queixa da perda dos valores da MPB ao longo dos anos, mas o
cancro está bem aí, no descaso dos assessores com a Literatura Brasileira,
pois essa música passaria batida também por aqui se não fosse a internet, 
porque foi através dela que conheci o amigo Paulo Sergio Mariani, que tendo
o disco original colaborou com as informações básicas.
 
Isso não ocorreu apenas com Tereza Tristeza. Houve mais músicas com o
mesmo descaso; sabe-se lá quantas, mas algumas outras poderão ser salvas, 
conforme mostrarei posteriormente.
 
Até a próxima.
 
Próxima – > http://mpbsapiens.com/sonho-de-um-carnaval-analise-de-texto/
 

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