Ópera do Malandro – Ato I – Cena 3b

a

Páginasaaaa Principalaaaa Anterioraaaa Próxima

a

a

a

DURAN

Bravos, muito bem. Agora, Vitória, diga à tua filha que pro segundo ato ela já pode ir ensaiando a Marcha Fúnebre. Ou então aquela opereta, como é que se chama aquela opereta alemã?

VITÓRIA

O Anjo Azul.

DURAN

Não, a Viúva Alegre.

VITÓRIA

Ah é, Teresinha.

TERESINHA

Que isso, mamãe, vira essa boca pra lá! Acabei de me casar e você vem cheia de agouro? Saiba que o Max tem uma saúde de ferro!

VITÓRIA

Sinceramente, filha. Tem coisa melhor pra uma jovem esposa sem filhos do que enviuvar de repente? Sabe, o teu pai está entrando em contato com o chefe de polícia para dar umas informações suplementares sobre as atividades do teu ex-marido. Eu digo ex, querida, porque esse delegado quando põe as mãos num bandido… é uma graça! O teu pai é sócio dele. E ele deve trinta milhões de favores ao teu pai.

DURAN

Daí, se a filhota estiver disposta a colaborar…

VITÓRIA

Seu pai tá lhe dando a última possibilidade de se reintegrar na sociedade.

DURAN

É só dar a pista daquele delinquente que o inspetor Chaves completa o serviço.

TERESINHA

Mas vem cá. Vocês estão falando do dindinho?

VITÓRIA

Dindinho?

TERESINHA

O inspetor Chaves, ué. Meu padrinho de casamento. Ah, ele é uma pessoa encantadora! Tão fino! Até perguntou de vocês… Não sei de onde foi que saiu essa fama de mau… Ele e o Max são amigos de infância. Jogam biriba, bebem no mesmo copo, falam as mesmas gírias e torcem pro Vasco da Gama.

VITÓRIA

Você sabia disso, Duran?

DURAN

Não, mas já devia ter desconfiado há muito tempo! Todo mundo sabe que o indivíduo é contrabandista, fabrica licor francês no Grajaú, dá desfalque até no banco dos réus, quebra as minhas butiques e no domingo já tá faceiro no Iare Clube, de braços com o comodoro. Ninguém tem costas quentes assim de graça.

TERESINHA

Pegam jacaré, pescam badejo, jogam monopólio…

VITÓRIA

Ih, Duran, o Chaves não vende essa amizade toda por trinta dinheiros. Acho melhor oferecer mais trinta por fora.

DURAN

Pois é, vou ter que alterar meus planos. Mas é interessante… Veja só que bonita manchete pro Diário da Noite: inimigo público número um é amigo do chefe de polícia. Que bomba! Só não sei é se um funcionário na posição do Chaves resiste a um escândalo desses. O que é uma pena, porque o Chaves tem muito apego àquele cargo. Ainda mais porque saiu agora o novo plano de classificação do DASP e ele tá a três anos da aposentadoria. Pena mesmo. Depois de tanto sacrifício, tanta dedicação à causa pública, morrer na praia por tão pouco… Por uma amizade dessas…

VITÓRIA

E quem te consegue essa manchete? O Chateaubriand?

DURAN

Depois de amanhã é o primeiro de maio, certo? Dia do trabalhador. Dia de desfile, estádio repleto, chefe da nação e tudo. Pois então, as nossas trabalhadoras vão aproveitar o feriado pra desfilar no estádio de São Januário. Ah, vai ser um espetáculo e tanto! Porque as nossas funcionárias normalmente são discretas. Costumam trabalhar à meia-luz, na calada da noite, nos cantos de bar, debaixo dos lençóis… Mas quando elas saírem em bando, às três da tarde, dando a volta olímpica com as suas roupas e instrumentos de trabalho, ah, a arquibancada vai se levantar! Vai ser gol do Diamante Negro! (Leônidas da Silva, famoso jogador de futebol) E as minhas trabalhadoras do Brasil, além de bolsinhas, meias de seda e camisas-de-vênus, vão ostentar cartazes. E os cartazes vão denunciar a corrupção nos serviços públicos, a insegurança do proletariado, a ameaça ao cidadão comum! O pânico da população civil! Coitado do Chaves.

VITÓRIA

E nós, Duran? E se envolverem o nome da gente? Ah, não, eu não posso ficar mal perante o chefe da nação!

DURAN

Te impressionei, hein, Vitória? Agora imagine o que não vai ficar impressionado o Chaves. Você acha que a essa altura ele vai-se preocupar com os culhões do amigo ou com os seus próprios culhões?

TERESINHA

Adeus, mamãe. E diga ao papai que o que ele está planejando é mais criminosos que uma chantagem!

VITÓRIA

É mais criminoso que uma chantagem, Duran!

TERESINHA

Pior que criminoso. É um péssimo negócio!

DURAN

Taí, essa eu não entendi.

VITÓRIA

Ele não entendeu, Teresinha.

TERESINHA

O pai é durinho mesmo. Diga que ele, papai, é tão importante pro inspetor quanto o inspetor é importante pro Max. Mas que o Max, vivo, pode ser mais importante que tudo pro papai. Com os contratos e as influências que o Max tem, as relações, as transações e os culhões, se eu fosse o papai, procurava me aproximar dele. Aliás, foi o que eu acabei de fazer.

a

Obs. Essa fala da Teresinha foi como profecia para a abertura da ópera final: “Telegrama do Alabama / Pro senhor Max Overseas…”

a

DURAN

Diga à tua filha que eu não faço acordo com marginal. E diga também pra ela dizer ao marginal que vai ser muito difícil arrancar um tostão de mim.

a

Obs. Essa fala do Duran para a Teresinha foi apresentada na ópera final com estes versos: “Minha filha, eu desejo pedir teu perdão…/ Não sei como fui pra você tão durão / Tão mandão, tão sem coração, tão malvado assim”. Logo após Duran cantar o trecho, Max intervém cantando: “Meu sogro o senhor não sabe quanta alegria / Me dá ao dizer que já se juntou aos nossos”

a

TERESINHA

Então diga ao teu marido que nós não vamos precisar do dinheirinho dele, não. E diga também que enquanto ele parou no tempo do Artur Bernardes, enquanto ele vende filipeta ao Conde D´Eu, deconta promissória do Borba Gato e cria vaca em sociedade com o Caramuru, Max e eu entramos de peito aberto na área industrial, Adeus, mãe.

VITÓRIA

Minha filha, eu ía dizer “vai com Deus”, mas pelo visto você preferiu a companhia de satanás.

TERESINHA

Ah, mamãe, também não exagera.

VITÓRIA

Se há uma coisa que nunca te faltou nesta casa foi educação cristã. Ah, se a congregação mariana soubesse o que foi feito de ti…

a

Quatro prostitutas – Dorinha, Shirley, Mimi e Doris – vão entrandodo atabalhoadamente, atrapalhando-se com a porta giratória.

a

VITÓRIA

Que é isso? Vai, minha filha, vai. (Teresinha sai)

DURAN

Que carrossel é esse? Digo, que escarcéu é esse?

DORINHA

“Seu” Duran, nós precisamos falar com o senhor.

DURAN

Olá, Dorinha Tubão. Trouxe o borderô?

DORINHA

Arrasaram o bordel e arrombaram a gente.

DURAN

Jura? O que me contaram é que vocês se divertiram um bocado. Principalmente a Mimi Bibelô.

MIMI

Eu? Oh, “seu” Duran! Oh, dona Vitória! Vocês não sabem o pior. Aqueles brutos… (Soluça) Aqueles brutos me estupraram!

VITÓRIA

Oh, coitadinha… Doeu muito?

MIMI

Uma sangueira, dona Vitória!

DURAN

Oh, coitadinha… Nem deu tempo de chamar a polícia, né?

MIMI

Como é que eu ía chamar a polícia se tinha quatro cabos da PM em cima de mim?

DURAN

Espera aí. A arruaça não foi com o bando do Max?

SHIRLEY

Não, o Max não tem culpa, “seu” Duran.

DURAN

Não vem, Shirley Paquete. Você não! Esse Max já te emprenhou sete vezes e eu gastei um dinheirão em aborto!

SHIRLEY

Mas o senhor descontou…

DURAN

Quer dizer que o Max botou polícia e bandido juntos pra estuporar a minha butique!

DORINHA

O Max só levou a turma dele pro puteiro. Depois é que a turma chamou os amigos da patrulha.

DURAN

Ah, Dorinha Tubão, você também é suspeita pra falar do Max. Cansou de dar pra ele e nunca prestou conta.

DORINHA

Isso já faz tanto tempo…

DURAN

Tá vendo, Vitória? Chaves, Max, polícia, bandido, a ligação é muito mais profunda do que a gente imaginava… Mimi Bibelô, vamos parar com essa choradeira que isso já encheu o saco?

MIMI

Desculpa, “seu” Duran, mas eu tava pensando no meu noivo. Ele estuda no Itamaraty, sabe, dona Vitória?

VITÓRIA

Não diga.

MIMI

Digo sim. Ano que vem ele se forma embaixador. Ia casar comigo e me levar pra Austrália. Agora que eu perdi a castidade, será que ele ainda casa?

DORINHA

Tá aqui, “seu” Duran, eu já trouxe a lista dos estragos que é pra amaciar o susto…

MIMI

Embaixadora sem cabaço, será que o governo deixa?

DORINHA

Pia, bidê, cagador, dois espelhos, um lustre, quatro cadeiras, treze garrafas, e todas as camas… Assim numa primeira olhada, calculo o prejuízo nuns cinco vontos.

DURAN

Puxa! Ainda bem que o meu seguro cobre tudo.

VITÓRIA

Seguro, Duran? Você nunca me falou desse seguro…

DURAN

Olha aí o seguro, Vitória, bem diante do teu nariz. O meu maior seguro são elas.

DORINHA

Elas quem?

DURAN

Como, elas quem? Elas vocês, é claro!

DORINHA

O que é que o senhor quer dizer com isso?

DURAN

Ô, Dorinha, logo você? Você fez ginásio, você que me ajuda nas contas, você que tá comigo há doze anos, será que você nunca leu o seu contrato de trabalho? Que vergonha, Dorinha… Vocês aí, todo mundo leu, não é verdade?

a

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

a

 

 

SHIRLEY

Eu só sei ler letra de forma…

DURAN

O quê? Ninguém lê contrato antes de assinar, é? Olha que isso é um perigo! A sorte de vocês é trabalhar pra mim. Se um dia vocês caem nas mãos de um patrão menos consciencioso, vão ser exploradas até o bagaço… Olha aqui um contrato padrão, registrado na justiça e tudo. Faço questão que vocês tomem conhecimento da cláusula quarenta e seis. Dorinha, leia em voz alta.

DORINHA

Quarenta e seis… Não tô enxergando essa cláusula não… Ah, são essas cláusulas de letrinha miudinha? É, mas sem óculos não dá pra enxergar não, senhor.

DURAN

A cláusula quarenta e seis reza o seguinte: o locatário obriga-se a manter o imóvel em perfeito estado de conservação e higiene. O locador tem direito a imediata e integral indenização por quaisquer danos causados em sua propriedade, tais como os provocados por furto, roubo, saque, depredação, incêndio, terremoto, etc. Tá certo? Todo mundo ouviu?

DÓRIS

Essa lengalenga toda é pra dizer que o prejuízo é nosso?

DURAN

O máximo que eu posso fazer é dispensar o pagamento imediato. Desconto das folhas no fim do mês.

SHIRLEY

O fim do mês é amanhã…

DORINHA

“Seu” Duran, se for descontar da folha fica ruim até pra mim que ganho dois salários. Imagine pras outras. Se continua essa maré vazante, não sobra nem pra pasta de dente.

DÓRIS

Pasta de dente? Eu não escovo dente desde o começo da guerra.

SHIRLEY

A Dóris tá numa situação triste, “seu” Duran. Falo por ela e falo por mim. Porque a Dóris tá me devendo dois mil-réis e não tem santo que faça ela pagar.

DÓRIS

Eu tô devendo a todo mundo, tô mesmo! Que é que eu vou fazer? São três meses que eu não trepo.

DURAN

Espera um pouco, dona Dóris. Se faz três meses que você não trepa, quem tá perdendo dinheiro sou eu. Em vez de se queixar, você tem mas é que me agradecer. Tô te pagando salário-mínimo todo santo mês e você tá lá no come e dorme.

DÓRIS

Come e dorme? O aluguel come a metade do salário. Desconta imposto, taxa de acessório, vaselina, o que é que sobra pra eu comer?

DURAN

Coma arroz com bosta! Já tô perdendo a paciência contigo, viu?

DORINHA

O problema não é só da Dóris, “seu” Duran. Acho que o problema também é do senhor. O senhor tá sempre debruçado nos livro e deve saber que o movimento tá caindo de mês pra mês…

VITÓRIA

Não, o problema é outro. O problema é que tá todo mundo brocha. Uns põem a culpa no gin, outros na cocaína, mas o fato é que faz muito tempo que não se ouve falar num pau duro no Rio de Janeiro. Qualquer meia-bomba já é recebida com furor aí nos meios…

DORINHA

Olha, “seu” Duran, eu sei que vou tocar num ponto delicado… Esses acessórios que o senhor criou… Eles são muito bons, são ótimos, são vistosos, funcionais, libidinosos, são mesmo obra de gênio, não é por estar na sua presença… Mas é que talvez tenha chegado a hora de lançar uns feitios novos…

DURAN

Feitios novos?

DORINHA

Quer dizer… Pelo menos acho que valia a pena dar uma recauchutada nos mais antigos…

SHIRLEY

Há muito tempo que esses acessórios tão uma merda, com o perdão da palavra. O meu peito de borracha tá mais caído que o original. Assim fica difícil atrair freguês!

VITÓRIA

Essa é boa! A culpa é do Duran, se vocês não têm sex apeal? Querem que ele vá rebolar por vocês? O meu marido trabalha pra vocês dia e noite, sentado nessa escrivaninha. É um trabalho intelectual! O homem tá se ardendo em hemorróidas e vocês ainda acham pouco? Tenham dó. Não tão vendo que o meu marido é um psicopata?

DURAN

Psicopata não, Vitória! Tecnocrata. Eu trabalho com gráficos e estatísticas. Aqui tá tudo calculado e computado. Agora, o que há de imponderável é o elemento humano. Se vocês falham, atrapalham todas as minhas contas. Vocês são artistas ou não? Pra trabalhar comigo, só grandes artistas. Grandes malabaristas! Grandes contorcionistas! E, principalmente, grandes ilusionistas!

DORINHA

“Seu” Duran, a gente nunca fez pouco dos seus inventos, não. Mas, pra falar a verdade, sempre que pode a gente dá uma contribuição pessoal. É natural, a mulher é vaidosa mesmo. Então, faltou pó-de-arroz, faltou rouge, purpurina, a gente completa do bolso da gente. Quer dizer, completava, porque agora não tá mais dando. Ainda mais porque o senhor joga os prejuízos dos quebra-quebra nas costas da gente.

DÓRIS

Ah, esse prejuízo eu não pago não. De jeito nenhum! Não posso ficar mais encalacrada do que já estou.

DURAN

Escuta, Dóris Pelanca, se você não arranja macho é porque tá velha pra cachorro e tem mas é que pendurar essa vulva!

DÓRIS

Tô velha não, eu tô é muito mal embalada! Semana passada apareceu um fazendeiro paulista lá na Mem de Sá. Tava parado na porta do puteiro. Eu ía chegando pro expediente e logo vi que ele me gostou. Não olhou pra nenhuma dessas frangas aí, não. Olhou foi aqui pra galinha velha.

DURAN

Vai ver que ele tava procurando a mãe.

DÓRIS

Daí a pouco eu saí pra comprar cigarro e ele continuava ali parado, porque era um fazendeiro muito tímido. Quando passei por ele, só pra atiçar, lancei um requebrado de meia-lua e senti que tava agradando. O homem não tirava o olho do meu bundão. Voltei do buteco e ele tava me esperando no mesmo lugar, o olho embaçado de tanto tesão. Quando cruzei com ele dessa vez, só de maldade, com a intenção de fulminar mesmo, resolvi dar uma requebrada mais violenta, em diagonal. Sabe o que aconteceu? O bundão foi parar no Largo da Lapa! ((Tira a bunda artificial e joga sobre Duran) Pode ficar com a tua bunda!

DURAN

Muito bem, Dóris, pode ir passando o resto. Vamos, vamos, a blusa, a saia, tudo. (Aturdida, como que arrependida, Dóris vai tirando a roupa hesitantemente; Duran procura seu cartão no fichário) Conceição dos Santos Filha, vulga Dóris Palmer, depois, Dóris Palmito, depois Dóris Pelanca, sim… (Rasga a ficha) Anda, tira os sapatos… Não, pode ficar com essas botinas de lembrança, mas devolve as minhas meias… Vitória, arranja um traje à paisana pra essa mulher e dá bilhete azul. (Vitória sai com Dóris) E vocês aí, mais alguma queixa?

a

 

 

 

 

 

 

 

 

a

 

SHIRLEY

Tem os dois mil-réis que a Dóris tava me devendo…

DURAN

Nenuma queixa? Nem dos acessórios? Nem da pasta de dentes? Do pó-de-arroz, do rouge, da purpurina? Vou dizer uma coisa a vocês. É capaz que vocês tenham razão neste caso. Eu não sou o papa e posso errar. Mas normalmente eu tenho dado a vocês tudo o que vocês precisam, antes mesmo que vocês exijam. IAP, SAPS, IAPTEC, salário-mínimo, tudo em ordem, conforme a legislação trabalhista. Vão pedir essas regalias num bordel do Mangue pra ver o que é que respondem…

VITÓRIA (Volta)

No Mangue, a coitada da Dóris vai tentar a vida no Mangue! Essas coisas me deixam tão deprimida…

DURAN

Agora, o que vocês precisam é se organizar. Não adianta nada uma desgraçada vir fazer escândalo aqui na minha casa. Os acessórios são velhos? Pode ser, vou pensar no caso, vamos dialogar. Mas sem gritaria no meu ouvido! Vocês têm que fazer valer os seus direitos de maneira civilizada.

VITÓRIA (Refeita)

Isso eu também acho! E a primeira providência a tomar é o título de eleitor. Vocês já tiraram os seus? Ô, suas retardadas, já faz dez anos que mulher pode votar no Brasil!

DURAN

Sabe o que é que vocês precisam? É dum sindicato. Um veículo legal para as suas reivindicações. Se as reivindicações são justas, serão atendidas. Taí, gostei. Vou organizar um sindicato pra vocês.

VITÓRIA

Eu voto na Dorinha Tubão. Dorinha pra presidenta da SMOELA. Sindicato de Mão-de-Obra Especializada da Lapa.

DURAN

Excelente sugestão, Vitória. Você aceita, Dorinha?

DORINHA

Bem, eu não sei direito como é que é…

DURAN

Por exemplo, vocês tiveram um probleminha ontem à noite, envolvendo maus elementos e maus policiais, certo? É claro que o incidente acarretou prejuízo a vocês todas, certo? Como poderia ter prejudicado outras colegas suas, né? E então? Então é aí que fica caracterizado um problema de classe. E eu, Fernandes Duran, estou solidário com a vossa classe. Vocês têm que levar esse problema às autoridades competentes…

VITÓRIA

E por falar em autoridade, Duran, depois de amanhã é dia do trabalhador. Dia de desfile, estádio repleto, chefe da nação e tudo. Quer melhor oportunidade para nossas funcionárias saírem numa passeata ordeira, pacífica e legítima?

DURAN

Sábias palavras, Vitória. Minhas filhas!

a

A orquestra ataca um hino marcial

a

DURAN

O importante é vocês terem consciência de que o bem-estar de cada um é interesse prioritário da minha empresa. Somente unidos, aglutinados, articulados, membros de um corpo sadio e altivo, poderemos caminhar em frente!

a

Duran e Vitória cantam “Sempre em Frente” seguidos aos poucos das prostitutas

a

a

Páginasaaaa Principalaaaa Anterioraaaa Próxima

a

a

  del.icio.us isto!

2 Respostas até o momento »

  1. 1

    ceiling fans buy toronto said,

    janeiro 9, 2012 @ 12:53 pm

    Check These Out…

    [...]check below, are some totally unrelated websites to ours, however, they are most trustworthy sources that we use[...]…

  2. 2

    admin said,

    fevereiro 29, 2012 @ 10:22 am

    aa http://www.youtube.com/watch?v=n_B4nfEMxjg&list=FLIp4ojngO4Hte11scgsndxQ&feature=mh_lolz

Comentário RSS · TrackBack URI

Deixe um comentário