Olê-Olá-Análise de Texto


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A Copa do Mundo de 1966 apresentou, além do nosso fiasco, derrotada inclusive pela seleção da Hungria, cuja capital é Budapeste; uma fanática torcida alemã entoando um canto em homenagem ao seu centroavante Uwe Seeler:

Olê olê, olê, olê                         
Uwê, Uwê                     
Olê olê, olê, olê                         
Uwê, Uwê                     

Olê, olê, olê, Olá…

Não chore ainda não
Que eu tenho um violão
E nós vamos cantar
Felicidade aqui
Pode passar e ouvir
E se ela for de samba
Há de querer ficar
Seu padre toca o sino
Que é pra todo mundo saber
Que a noite é criança
Que o samba é menino
Que a dor é tão velha
Que pode morrer
Olé, olé, olé, olá
Tem samba de sobra
Quem sabe sambar
Que entre na roda
Que mostre o gingado
Mas muito cuidado
Não vale chorar
                         
Não chore ainda não
Que eu tenho uma razão
Pra você não chorar
Amiga, me perdoa
Se eu insisto à toa
Mas a vida é boa
Para quem cantar
Meu pinho toca forte
Que é pra todo mundo acordar
Não fale da vida
Nem fale da morte
Tem dó da menina
Não deixa chorar
Olé, olé, olé, olá
Tem samba de sobra
Quem sabe sambar
Que entre na roda
Que mostre o gingado
Mas muito cuidado
Não vale chorar
                          
Não chore ainda não
Que eu tenho a impressão
Que o samba vem aí
E um samba tão imenso
Que eu às vezes penso
Que o próprio tempo
Vai parar pra ouvir
Luar, espere um pouco
Que é pra meu samba poder chegar
Eu sei que o violão
Está fraco, está rouco
Mas a minha voz
Não cansou de chamar
Olé, olé, olé, olá
Tem samba de sobra
Ninguém quer sambar
Não há mais quem cante
Nem há mais lugar
O sol chegou antes
Do samba chegar
Quem passa nem liga
Já vai trabalhar
E você, minha amiga
Já pode chorar

Composição em três estrofes Polimétricas (acima de 10 versos). Chamo a atenção para a métrica dos nonos das estrofes. Nas duas primeiras tiveram nove sílabas. Na terceira o personagem pede ao luar que “espere um pouco”, para logo em seguida apresentar um nono verso mais longo que os anteriores.            

Na terceira estrofe, o violão, a voz e o samba “sobraram” sem rima.

O samba pode até ter sobrado sem rima, mas Olê-Olá foi o marco da preferência do Chico pelo samba tradicional e não pela bossa nova ainda sonhada pelos jovens compositores da época. Ele sempre determinou a sua trajetória e não se sujeitou aos modismos dos colegas.

Olê-Olá foi o seu primeiro samba com jeitão de samba mesmo, muito mais do que  Sonho de um Carnaval, além de ser mais samba do que Tem Mais Samba. Pedro Pedreiro e Olê-Olá foram fundamentais nos estilos de letra e melodia.         

 
 

 

 

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  del.icio.us isto!

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