O Velho – Texto

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À proporção em que se defendia do seu Parecer Social, o Ser Poético do Chico cada vez mais se auto-exilava. Construía muros ao redor da sua Fortaleza, cujo nome só nos viria em Calabar, que se “surpreendia apenas com fatos”, e esses não faltavam no lado de fora.

Uma preocupação juvenil com a nossa educação cultural, colaborando com novidades para a Ciência Poética, vistas em Retrato em Branco e Preto e Carolina, por exemplo, quando entre e ele e nós havia o despreparo dos críticos literários, que nos levavam para uma direção semelhante à da ignorância dos mesmos.

O que poderia o jovem compositor fazer com a nossa já parca educação, diante de um Capeta diário (imprensa) idiotizando-nos em massas?

Nada além de, mais uma vez, se despedir triste e gozador: 

O Velho sem conselhos
De joelhos, de partida
Carrega com certeza
Todo o peso desta vida
Então eu lhe pergunto pelo amor:
A vida inteira diz que se guardou
Do carnaval, da brincadeira
Que ele não brincou
Me diga agora o que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo pra deixar?
Nada
Só a caminhada
Longa pra nenhum lugar!
      
O velho de partida
Deixa a vida sem saudades
Sem dívida, sem saldo
Sem rival ou amizade
Então eu lhe pergunto pelo amor:
Ele me diz que sempre se escondeu
Não se comprometeu
Nem nunca se entregou
Me diga agora o que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo pra deixar?
Nada
Eu vejo a triste estrada
Aonde um dia eu vou parar!
       
O velho vai se agora
Vai se embora sem bagagem
Não sabe pra que veio
Foi passeio
Foi passagem
Então eu lhe pergunto pelo amor:
Ele me é franco
Mostra um verso manco
Dum caderno em branco
Que já se fechou
Me diga agora o que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo pra deixar?
Não
Foi tudo escrito em vão
Eu lhe peço perdão
Mas não vou lastimar. 

Em Carolina, Chico já havia sido criticado por retroceder a evolução da MPB ao usar o ultrapassado Samba-Canção. Nada de mais importante fora notado nela.

O Velho foi nova tentativa de mostrar que Carolina tinha algo a mais embutido na sua configuração poética, além, claro, desta própria composição apresentar uma novidade nas rimas, que cruzavam fim com centro de versos, algo ensaiado anteriormente e melhor executado nesta época, não tendo que optar por fim, começo ou centro de verso para colocar as sonâncias.

Claro também que a crítica não notou nada de novo na última composição do terceiro Lp.

Apenas para lembrar, Verso Manco é o mesmo que verso com o Pé Quebrado, cuja definição conta ter ele irregularidades métricas e/ou rítmicas em relação aos demais da composição. Verso Branco é aquele que não apresenta rima com nenhum outro próximo.

Quando temos os versos: 

Ele me é franco
Mostra um verso Manco
De um caderno em Branco
Que já se fechou… 
Nada mais fez do que reconhecer como ”péssimas” as construções poéticas, que fizera até então, ao mesmo tempo em que pedia perdão por ter ousado sair do auto-exílio em que se encontrava.
                
   
   
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  del.icio.us isto!

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