O Realejo-Análise de Texto

 

 

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   Vídeo de markinotube    

A próxima composição data de 1967 e surgiu no segundo Lp. É só mais um registro da desconfiguração da cidade de S.Paulo, algo já visto em A Banda.

Refrão
Estou vendendo um realejo
Quem vai levar
Quem vai levar
Quem vai levar
                        
Já vendi tanta alegria
Vendi sonhos a varejo
Ninguem mais quer hoje em dia
Acreditar no realejo
Sua sorte, seu desejo
Ninguém mais veio tirar
Estou vendendo um realejo
Quem vai levar
                        
Refrão
                         
Quando eu punha na calçada
Sua valsa encantadora
Vinha a moça apaixonada
Vinha a moça casadoura
Hoje em dia já não vejo
Serventia em seu cantar
Estou vendendo um realejo
Quem vai levar
                        
Refrão
                         
Quem comprar leva consigo
Todo o encanto que ele trás
Leva o mar, a amada, o amigo
O ouro, a prata, a praça, a paz
E de quebra leva o harpejo
Da sua valsa se agradar
Estou vendendo um realejo
Quem vai levar

Balada Lírica que mostra o desaparecimento de um instrumento musical, com adornos em ouro e prata, movido a manivela, possuindo no alto uma gaiola com um periquito. Havia muitos espalhados pela cidade. Tocavam todos as mesmas valsas: Bianca, Sobre As Ondas, Danúbio Azul…; dependendo do artista, que era o maniveleiro e o programador.

Eram muito pacientes com a meninada, que vivia pedindo para virar a manivela, o que acabava às vezes transformando as valsas em marchas, hinos, choros…        

Eram também gozadores, porque as perguntas tinham de ser feitas diretamente aos periquitos, que saiam das gaiolas, após a abertura da portinhola e retiravam a sorte de dentro de uma caixinha localizada bem abaixo.

Curiosamente os cartões com os textos da sorte vinham impregnados com alpiste.       

Foram desaparecendo por roubo dos ornamentos. Às vezes do instrumento inteiro, com gaiola e periquito.

A última estrofe mostra isso, e coloca a arte do fundamental harpejo como quebra na negociação.

Nesta composição o cancioneiro pisou na bola, pois além de registrá-la em 3 estrofes, tirou um verso do refrão, como que endossando à desvalorização artística de uma época: A do Realejo.

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  del.icio.us isto!

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