O Ocultismo Do Canto Das Tres Raças (Paulo Cesar Pinheiro e Mauro Duarte)

Ao escutarmos qualquer composição musical, a primeira impressão que temos é a da melodia, executada pelo cantor, ou pelo solista, quando instrumental. Em seguida sintonizamos o acasalamento da letra com a melodia e, se o compositor conseguir a felicidade de ter como resultado um texto de fácil absorção, consideramos a música como bem feita, ou gostosa…

Normalmente essa música gostosa consagra primeiro o cantor, e depois raros são os ouvintes que buscam alguma informação sobre o compositor dela. Foi baseado nisso que Chico, e alguns colegas compositores, preferiram cantar as próprias composições, a despeito das sofríveis vozes que eventualmente tivessem, como o Chico, por exemplo.

Essa limitação nossa, em não nos aprofundar mais na observação do evento artístico, é um reflexo da baixa Educação Cultural que adquirimos nas últimas décadas. Como diria o heroi Caco Antibes, personagem do Miguel Falabela: – Isso é coisa de pobre mesmo!

Por mais que doa, a nossa ignorância cultural faz com que fiquemos calados, ao escutarmos isso e, o que é ainda pior, idolatramos a quem assim se dirija a nós.  - Mas sempre fomos assim?

Claro que não, pois a interpretação profunda dos fatos que nos cercam foi deteriorada pelo processo da informação cotidiana, numa bem elaborada estratégia de ação dos mesmos responsáveis pela Fabricação de Ídolos Populares, a imprensa, no assunto abordado pelo Chico na peça Roda Viva. Querem ver o quanto perdemos num Samba?

O que sabemos a respeito do Samba? – É um ritmo musical trazido ao Brasil pelos africanos por ocasião da escravidão!

Creio que, para noventa por cento da população brasileira, é o máximo de informação que se tem sobre Samba: – Música de batuque pra negro escravo fazer festa!

Usarei a composição Canto Das Três Raças, de Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte, interpretada por Clara Nunes, para mostrar parte da limitação.

Para se ter uma idéia mais abrangente de todos os elementos, cuja soma deu à composição o grandioso sucesso, sugiro que se escute a gravação original, pois, quanto mais perto da criação, a Verdade tem maiores chances: 

Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil
Um lamento triste sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou.
 
Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou     
Fora a luta dos inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou.
 
E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar
Canta de dor.
 
Refrão – bis
O o O o o O
o O o o O o O o
 
E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador…
Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas como um soluçar de dor
 
Refão-bis

 Interpretando o Texto

 A primeira estrofe já começa sugerindo a nossa ignorância a respeito da própria História do Brasil, ao mesmo tempo em que se transforma numa aula da matéria, ao vivo, contada fora das salas de escolas com Educação Padronizada.

O primeiro a sofrer as consequências da invasão territorial foi o índio, seguido, já na segunda estrofe, pelo negro escravo, com ambos demonstrando o sofrimento, pelo canto triste do oprimido em, sabe-se lá quantos, movimentos de resistência além do Quilombo dos Palmares, hoje, um mero folclore.

Ainda na segunda estrofe, surge a terceira raça, a branca, também oprimida desde a, hoje também folclórica, Inconfidência Mineira.

A terceira estrofe conta das tentativas de resistência, das três raças, que acabaram por resultar em um lamento único, descrito no Refrão, com repetição, logo abaixo.

A quarta estrofe já nos transporta para a atualidade, onde sugere que a escravidão, a despeito da Abolição Folclórica do Treze de Maio, persiste e faz de todos nós escravos modernos de uma nova colonização, onde o Capital se usa do trabalhador sem os devidos respeito e valorização.

Independentes de cor ou raça, permanecemos todos escravos, pela Ignorância Cultural Acomodada.

 Mas essa pequena idéia do texto ainda é muito pouco para tentar traduzir a toda a beleza do Samba, pois nos dá, quando muito, uma breve aula de História, mostrando a cultura dos compositores. A natural estrutura poética do texto reforça tudo o que foi dito na interpretação dele. Vejamos:

UM so lu ÇAR de DOR

NO can to DO Bra SIL

São dois versos Hexassílabos (seis sílabas poéticas), que por apresentarem acentuação tônica na sexta sílaba, são derivados dos chamados Decassílabos (dez sílabas) Heróicos, cuja definição exige que tenham a sexta sílaba acentuada. Como a Ciência Poética batizou a tais decassílabos como Heróicos, a mesma ciência usou batizar aos hexassílabos com o nome de Heróicos Quebrados.

Vejam a coincidência entre o texto de cada um deles e o nome que lhes foi dado pela Ciência Poética: Heróis Quebrados, tanto no Soluçar quanto no Cantador do soluço.

UM la MEN to TRIS te SEM pre-e co OU

É um decassílabo, mas está bem longe de ser um Heróico, pois não possui a sexta sílaba acentuada, mas isso lá é texto digno de um Heroi?

um CAN to DE re VOL ta PE los A res

 Lembrando que a contagem silábica do verso termina em sua última sílaba tônica, agora temos um Heróico digno, tanto em acentuação quanto em texto, no verso acima.

FO ra-a LU ta DOS in CON fi DEN tes

É um verso Eneassílabo (nove sílabas), cuja estrutura rítmica foi muito usada na confecção de letras de Hinos, tanto essa Cadência (acentuação), 1-3-5-7-9; quanto a 3-6-9. Basta olhar o sentido do texto para imaginar que a luta dos inconfidentes mereceria até um Hino.

O Refrão trás outra curiosidade poética interessante:

O o O o o O

o O o o o o O o O o

O primeiro verso é um Heróico Quebrado, e o segundo, também um Eneassílabo, possui um Ritmo Poético todo disforme, que a Ciência Poética usa chamar por Verso Manco. Ou seja: Um disforme canto típico dos Derrotados, com o Conformismo Acomodado ao longo dos anos.

Só pode terminar como terminou:

SO a-a PE nas CO mo-um SO lu ÇAR de DOR

O único verso da composição com tal comprimento, um Hendecassílabo (onze sílabas), que sugere à Solidão com que nos sentimos a cada tentativa interior de reação.

Lembra muito um pensamento de Chico e Vinícius na composição Gente Humilde:

E aí me dá como uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com quem contar
 

Mesmo considerando às naturais associações, Objetiva e de Configuração Poética, do Texto, a grande Magia está na interpretação musical da composição.

Além de excelente cantora, a carreira da Clara Nunes sempre lhe deu uma aura mística, pela própria natureza das músicas que usava cantar. Antes de se consagrar como cantora, Clara era uma “puxadora de Pontos Cantados”,  em terreiros de Umbanda e candomblé, fundamentados na chamada Nação de Angola, cujas batidas dos atabaques são feitas só com as mãos, sem nenhuma baqueta, também conhecida nos rituais Kêtu como Oghdavi.

Não sei quem fez o arranjo musical de Canto das Tres Raças, mas deu uma aula de História do Samba pelo seu elemento fundamental: O Toque da Percussão.

A composição começa com uma introdução em toque simples de atabaque, característico de terreiro de Umbanda, não de candomblé, secundado pela entrada de um violão anunciando a harmonia musical, para a entrada da voz da Clara que canta, acompanhada somente por esses dois instrumentos, a primeira estrofe.

Já na segunda, quando outra raça entra em cena, o negro, um Agogô entra junto e se une aos dois instrumentos, permanecendo assim até a quarta, a do Refrão, cantado só pela Clara, quando surge o som de um Surdão com “batida sem resposta” (tummmm……..tummm), exatamente como era o Samba em suas raízes. Depois de um tempo é que veio a “batida com resposta” (tum-tu….tum-tu) imitando o coração, acelerando o Andamento Musical e se mantendo até hoje nas escolas de samba, sendo que a última a usar o surdo com resposta foi a Mangueira há uns vinte anos atrás.

Esse trio de instrumentos se mantém com a Clara até o final da primeira execução da composição, que finda no segundo Refrão, agora cantado por um coro de vozes masculinas, imitando os escravos.

Na entrada da segunda execução, aquele atabaque único se transforma em tres (Run, Rumpí e Lé), comuns ao candomblé, o Surdão ganha batida com resposta, o Agogô começa a improvisar e, junto com eles, entra todo o instrumental de uma escola de samba cantando um enredo na avenida:

 O Canto Das Tres Raças!

Se a maioria de nós não consegue enxergar a tudo isso, a culpa não é de quem executou a obra com tamanha abrangência histórico-musical, mas à falta de educação cultural do povo, que saiu das mãos dos Educadores e foi para as dos Formadores de Opinião, da imprensa, que se limitam a chamar de Esoterismo, ou mesmo Metalinguagem, à própria cegueira cultural despejada em nossas casas pelas telinhas culturais das Máquinas de Ensinar.

 Zeca pensou: antes que era bom
Mano cortou: brother o que é que há
Foi a GE quem iluminou
E a Mac Intosh entrou com o vatapá
O JB fez a criticá
E o cardeal deu ordem pra fechar
O Carrefour, digo, o Baticum
Da Beneton, não, da beira do mar…

 O original do Canto Das Tres Raças pode ser ouvido no endereço:

http://www.youtube.com/watch?v=Yw5L5exltgU

Obs. Bom Carnaval a todos…

Ver também

http://mpbsapiens.com/o-amanha-e-as-raizes-negras/
 
        a
  del.icio.us isto!

26 Respostas até o momento »

  1. 1

    jeanete gouvea said,

    February 21, 2009 @ 9:13 pm

    Maravilha, Dalton! Se entendi, você chegou no ponto da questão e, se eu escrever besteira, apague tudo e esqueça, tá? É muito legal a maneira como você explica a composição musical, dá uma visão mais uniforme do que o compositor quer passar. E aí, chegamos ao nosso conhecido Caco Antibis, cujas tiradas extraia do cotidiano… A coisa de pobre, a nossa ignorância, não é por acaso, nem “culpa do pobre”, como é mais fácil para alguns. É coisa bem pensada e posta em prática ao longo de séculos! É bastante conveniente para a Elite, que o povo permaneça ignorante,pobre, subalimentado.Quem não tem acesso à informação, não contesta e é fácil de ser manipulado. A Imprensa, a grande malvada, é aparelho ideológico de quem? Natural que o Educador seja posto pra escanteio e entre em campo o Formador de Opinião… O Educador representa perigo, o Formador de Opinião é instrumento dócil, com raríssimas excessões… Não sei porquê, mas lembrei-me de algo que a Elis Regina dizia:”Fazer música não é botar fusca na praça, não é linha de produção,não.” Beijo, bom carnaval!
    Jeanete.

    Jeanete:

    Certos jornalistas, embora orgulhosos com a dádiva de uma coluna própria num jornal de grande circulação, têm o costume de mesclar a obediência aos propósitos dos editores com pensamentos próprios ocasionalmente interessantes.
    Cito como exemplo o José Simão, preparado pelos patrões para divertir-nos com as desgraças, certa vez escreveu o seguinte:

    “Se os mendigos forem acabando nos povos, chegará uma hora em que Madre Tereza de Calcutá e Irmã Dulce trocarão tiros”

    Adaptando o pensamento dele ao seu comentário poderíamos ter:

    “Se os países, tidos como do Terceiro Mundo, forem escasseando, os Senhores do Capital disputarão os últimos com os derradeiros dólares extraídos das Falências Fraudulentas dos seus bancos”

    Infelizmente, foi o que fizeram com as Histórias dos povos.

    Grato pelo comentário!

  2. 2

    Thiago Moreira Val said,

    June 15, 2009 @ 3:50 am

    Achei a análise fantástica, e levarei não só a explicação, mas também a discussão, para a sala de aula de Literatura Brasileira da UFSC.
    Agradeço a preocupação com o povo brasileiro, pois um artigo desse, além de uma necessidade de vazão de sentimento do autor, é também uma maneira de se importar com seu público, no caso seu povo, fazendo que ele pense sobre o assunto.
    Só acho que quando ouvimos a música, não só essa, mas todas de um mesmo nível, sentimos toda essa preocupação do compositor no ato da composição através da emoção que ela ns transmite; esse destrinçar da canção exige, além de informação cultural, um entuito de se observar, pois quando ouvi a canção pela primeira vez, senti uma “coisa”, que me refiro, a ela, assim, por não saber definir o que foi aquele sentimento, e quando vi sua análise, mais ainda que fiquei admirado, completamente alucinado com a capacidade da Música de nos dizer o tudo que diz. Mas acredito que o conhecimento sobre versos e métricas da literatura seria mais curiosidade, ou profissionalismo que cultura de um povo, que vai sentir, como eu já disse, na forma de emoção, a obra.
    Isso não quer dizer que a cultura do povo brasileiro é formada de uma maneira verdadiera, muito pelo contrário, perde-se muito do que realmente é feito com dedicação e sentimento, principalmente na música, e por isso ainda defendo a idéia de que temos um país muito fraco nesse aspecto.
    Texto fabuloso. Parabéns!

  3. 3

    admin said,

    June 15, 2009 @ 9:24 am

    Caro Thiago:

    Sem qualquer “Valcilo” posso dizer que atingi à original meta do tópico: A Sala de Aula.
    É para ela que, hoje, apenas escrevo como Educador Aposentado. A troca do Educador pelo Formador de Opinião, sem que o último assuma, oficial e seriamente à essência educadora do que transmite ao povo na forma de notícia, que se transforma em História, é que causa essa insegurança toda nos jovens, que desconhecendo às verdadeiras raízes perdidas na História Manipulada, não se entendem no Hoje, e consequentemente não projetam o Amanhã.
    Basta observar o número de jovens acadêmicos que trocam de cursos como quem troca de computador. Por falar neste meu fiel escudeiro, Cultura hoje é como Loteria: Você clica numa das milhares de possibilidades que o Google oferece acerca do assunto que lhe interessa, e pode acertar da mesma forma com que agora estamos tratando.
    Infelizmente a Cultura virou algo Esotérico, e só a Sala de Aula pode devolver ao educando o natural Exoterismo perdido pela troca de comando na Educação.
    - Sua tarefa é árdua, mas compensadora, pois o Efeito Formiga na Educação é surpreendente, pode crer!

    Grato Pela Elegância!

  4. 4

    Thiago Moreira Val said,

    June 16, 2009 @ 4:45 am

    Obrigado pela dedicação e paciência para com o meu comentário.
    Podemos manter o contato, uma vez que eu, como estudante de Letras da primeira fase, me sinto sim como você citou, perdido, mas sem culpa disso; e você como, Educador aposentado, me chama muito a atenção, pra conselhos e dicas?
    Seria um prazer e uma honra.

    Grato.

  5. 5

    admin said,

    June 16, 2009 @ 6:39 am

    Thiago!

    Você tem guardado, aí dentro de si, um motivo que o levou a optar pelas Letras.
    Quando chegamos à Idade da Opção a coisa é bem complicada, pois o que supomos ser uma autocrítica ainda é mais uma autosuposição, que não costuma falhar.
    O jovem estudante não se perde nesse instante, mas quando compara a opção feita, com a oferta do Mercado Social.
    Este site se presta a contar uma História da MPB Comparada. A da natural Arte Embutida no artista com a do Mercado do Sucesso, que deriva do Social.
    Sugiro uma pesquisa da página O Livro, pois nela consta o histórico dos estudos em Ordem Cronológica. Leia desde a primeira postagem, pois em alguma delas você conseguirá encontrar os motivos que o levaram a optar pelas Letras.
    Uma vez encontrados, a Autosuposição vira Autocrítica, a Opção vira um Fato, o Aluno vira um Colega e o Virtual vira Real.
    Estarei sempre aqui. Basta chamar.

    Abraços.

  6. 6

    Geralda said,

    October 26, 2009 @ 4:50 pm

    Interessante sua análise, porém um pouco radical. Só quem não está na sala de aula é que fica criticando o trabalho professor porque não sabe o que passamos na escola. E também não faz ideia de nossos desdobramentos para dar uma boa aula. E Caco Antibes, esse personagem extemamente preconceituoso, não serve como referência pra ninguém.

  7. 7

    admin said,

    October 26, 2009 @ 5:07 pm

    Cara Geralda:

    Posso ter sido radical, segundo a sua visão, em alguma parte do post, menos numa:

    Fui professor, estou atualmente aposentado e posso lhe dizer que o prazer de dar uma aula certamente supera a qualquer idéia de esforço físico ou intelectual para o Educador, não para o atual profissional da Indústria da Educação, que costuma se queixar muito.

    Grato Pela Visita.

  8. 8

    Kalina Kelli said,

    September 8, 2010 @ 2:32 pm

    Querido, que texto maravilhoso!!! Parabéns pela iniciativa, pelo conhecimento adquirido e repassado de forma tão bela e clara!!

  9. 9

    admin said,

    September 9, 2010 @ 1:11 am

    Kalina:

    Grato pelo incentivo e volte sempre.
    Dalton.

  10. 10

    Andrea Ssantos said,

    August 18, 2011 @ 7:11 pm

    Minha professora de canto passou essa música para um treino vocal. Gosto dessa música, da interpretação da Clara Nunes e para minha surpresa, encontro essa bela análise. Essa música é forte e o seu conhecimento, aqui detalhado, a mim, somou mais força.
    Parabéns pelo blog!

  11. 11

    admin said,

    August 19, 2011 @ 6:43 am

    Andrea:

    Fico feliz que tenha gostado. É bom saber que cantores se interessam pelo blog. Como você falou em exercício de canto, sugiro também a música Beatriz, de Chico Buarque e Edu Lobo. Embora eu ainda não a tenha postado por aqui, é linda, tanto na melodia quanto na letra.

    Grato pela visita e volte sempre.
    Dalton.

  12. 12

    Lucas said,

    June 4, 2012 @ 3:26 am

    todo mês volto a este post sensacional.. gostaria de ver uma análise de Brasil de Oliveira da Silva do Samba.

  13. 13

    admin said,

    June 4, 2012 @ 8:39 am

    Lucas:

    Fico feliz que aprecie a postagem. Na MPB, à partir dos anos 60 foram poucos os compositores que se atreveram a expor a sua felicidade com a esta terra natal que os justifica e acolhe, e essa vertente do Paulo Cesar Pinheiro se manteve em outros, dentre os quais o Altay Veloso. Infelizmente, conheço muito pouco da obra dele. Para ser sincero, nunca havia escutado falar dele até assistir a um programa do Raul Gil, onde um jovem cantor, Rick Vallen, creio, cantou a música Palavra e Som.

    Tentei achar algum vídeo da música que você sugeriu. Encontrei alguns, mas todos com péssima qualidade sonora. Pelo que vi na letra, vale à pena escutar e analisar, mas para isso eu precisaria escutá-la direito. Como foi você quem sugeriu a análise, certamente deve tê-la escutado direito em algum endereço que não encontrei. Se você puder fazer a gentileza de colocá-lo aqui eu agradeceria.

    Por enquanto, grato pela confiança.
    Dalton.

  14. 14

    Lucas said,

    July 8, 2012 @ 7:12 pm

    Olá! A gravação que conheço é da Alcione – http://www.sambaderaiz.net/brasil-de-oliveira-da-silva-do-samba-alcione/

  15. 15

    Lucas said,

    August 15, 2012 @ 2:17 am

    Já tentei comentar umas duas vezes aqui, acho que não dá pra postar link! mas tem em sambaderaiz.net/brasil-de-oliveira-da-silva-do-samba-alcione

  16. 16

    admin said,

    August 15, 2012 @ 12:42 pm

    Lucas:

    Como são muitos os comentários, tanto daqui quanto do meu e-mail pessoal, o serviço que geram é grande e não quero ser injusto com os leitores, mas a única forma que enxerguei como mais fácil e rápida foi deixar esses comentários sem publicar, porque daí eu tenho sempre um aviso de que há comentários pendentes e ordenados por data.

    Fui ver a gravação que a Alcione fez do samba, mas a qualidade, tanto da interpretação quanto do som, feito em vídeo, foram muito pobres, e como não tenho muito tempo para ficar procurando na net, peço que me arrume uma gravação em melhor estado, de modo a ser analisada corretamente.

    Essa análise do Canto das 3 Raças só saiu assim porque encontrei a música com a gravação original, onde pude ouvir as entradas dos instrumentos africanos no arranjo.

    São poucos os cantores que respeitam a construção poética original das músicas. O que era para ser uma Sílaba Poética fundida vira Gramatical separada e o pobre poeta acaba ganhando Versos Mancos no seu poema original. Alcione adora fazer isso para valorizar a sua voz.

    Me perdoe pela demora.
    Dalton.

  17. 17

    Lucas said,

    August 20, 2012 @ 3:08 am

    Olá, Dalton

    Pelo que parece a primeira gravação dessa música foi mesmo da Alcione, já que a do parceiro de composição Paulo Cesar Feital veio depois nesse CD http://www.sambaderaiz.net/oficio-brasileiro-paulo-cesar-feital/

  18. 18

    admin said,

    August 20, 2012 @ 10:13 am

    Lucas:

    O texto da música é muito denso e a melodia idem. Ele conta a história do povo e Ela a das melodias das histórias desse mesmo povo, procurando mostrar as diferenças entre os nacionalismos natural e fabricado.

    Pela densidade do tema, a postagem resultante será ainda maior do que a do Cantos das 3 Raças, que apenas mostrou a história evolutiva do Samba.

    Comecei a trabalhar nela, mas pela importância do tema, em confronto com o que estou fazendo no momento, me exige maior calma. Todavia, aqui vai uma breve idéia do que virá:

    “Houve um tempo em que os nossos poetas, se orgulhando tanto da terra que habitavam quanto do povo que a transformava em nação, escreviam músicas sobre o conjunto social.
    Uma das mais notáveis obras que exemplificam isso é Aquarela do Brasil, de Ary Barroso.

    Na MPB, esse sentimento nacionalista ganhou maior impulso nos anos 40 e 50, mas por qual motivo?

    Antes dos anos 20, éramos movidos apenas pelo natural Nacionalismo Espontâneo. Encarávamos os dizeres: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, importados da Revolução Francesa; apenas como alheios sonhos, bem distantes do que observávamos no cotidiano social, quando quem mandava era o mais forte, que acabava virando Lider da turma.

    Foi à partir deles que começamos a ser manipulados pelo ocultismo dos líderes negativos, também conhecidos por Eminência Parda, cuja proposta era a de usar o Lider Natural apenas como um otário obediente da maioria.”

    http://letras.mus.br/caetano-veloso/44733/

    Vai demorar um pouco, mas certamente virá.
    Abraços.

  19. 19

    Adriana said,

    August 21, 2012 @ 1:41 pm

    Percebo agora a força da utilização do Canto das Três Raças na abertura de encerramento das Olimpíadas de Londres.

  20. 20

    admin said,

    August 21, 2012 @ 5:12 pm

    Adriana:

    Não assisti à abertura dos últimos jogos, então os ingleses usaram o Canto das 3 Raças nela?

  21. 21

    Lucas said,

    August 26, 2012 @ 9:56 pm

    Sensacional, Dalton! Aguardo. Abraço.

  22. 22

    Tiago José Gomes said,

    May 15, 2013 @ 10:18 am

    Bom dia. Nunca vi alguém comentar uma música de uma forma tão didática (em todos os sentidos/ literário e musical), e para isso precisa antes de mais nada de muita bagagem (conhecimento teórico e prático). Ouço um programa que passa na Rádio Inconfidência 100,9 a Brasileiríssima (BH- MG) em parceria com outras rádios onde se chama um compositor para explicar o porquê da criação de suas músicas.
    O Programa se chama ” Então foi assim”, que é apresentado toda quarta- feira das 22:00 hrs até às 23:00 hrs. Vale a pena escutar. Por ser uma rádio que só toca MPB, Samba e só música nacional, a grande maioria não se interessa pois só querem escutar música pop, funk brasileiro ou música evangélica. Vive- se numa terrível queda de braços ou ”Era dos Extremos” onde o brasileiro não se define entre o ” Profano e Sagrado”, pois quando quer divertir, até as músicas são de um jeito liberto e quando se quer buscar a Deus, músicas evangélicas e tranquilas. Éh, devemos respeitar a todos. Muito obrigado por essa aula.

  23. 23

    admin said,

    May 16, 2013 @ 10:52 am

    Fico feliz que tenha aproveitado, Tiago José Gomes.

    Quando a música é gravada e vai às rádios, na maioria das vezes, a crítica musical fica bem aquém dos possíveis motivos que levaram o compositor a criá-la.

    Como você parece gostar do assunto, sugiro estas outras interessantes postagens:

    Mais uma didática – http://mpbsapiens.com/angelica-analise-de-texto/

    Outra mais leve e divertida – http://www.youtube.com/watch?v=o3_XX9SDuW4

    Grato pela visita, pelo reconhecimento e volte sempre.
    Dalton.

  24. 24

    Ademar amancio said,

    July 28, 2013 @ 3:18 pm

    No Brasil os pobres não tem educação cultural,e a maioria dos ricos também não tem.Diploma universitário não confere cultura a ninguém.

  25. 25

    fernanda said,

    December 8, 2013 @ 8:49 am

    não sei que três raças são essas faladas na canção, se queriam se referir à “cor” (já que pele na minha opinião não tem cor) deveriam ter dito ETNIA… porque só existe uma raça: A RAÇA HUMANA.

  26. 26

    admin said,

    December 8, 2013 @ 9:00 am

    fernanda:

    Acho que deve ter sido por causa do nome que os autores colocariam na música, já que “Canto das Três Etnias”, cá pra nós, ficaria tão feio e impopular quanto o Roberto Carlos, ao invés de cantar Amada Amante cantando Amada Amásia.

    Grato pela visita e volte sempre.
    Dalton.

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