O Espectro da Arte – exemplo

             

Pelo fato da plataforma do site ser mais apropriada ao registro de textos, as
análises Espectrográficas das composições, feitas em Gráfico Cartesiano de 
Linhas, ainda são impossíveis de serem traduzidas neste espaço.
 
Os gráficos resultam de cálculos matemáticos, tanto das sílabas poéticas quanto 
das notas musicais respectivas. São feitos no Excel e já me disseram para tentar
salvá-los como desenhos, que depois seriam transferidos para o Word, o que
permitiria à plataforma do site reconhecê-los e imprimí-los.
 
Tentei várias possibilidades e não tive sucesso em nenhuma, portanto, se algum
dos senhores souber como fazê-lo, e puder me ensinar, acatarei às sugestões
com o entusiasmo do aprendiz grato ao mestre.
 
Embora os desenhos formados pelas Linhas Suavizadas do gráfico permitam
melhor entendimento das coreografias de sílabas e notas musicais nos versos,
tentarei dar abaixo uma parcial idéia dessa dança com um simples registro das 
posições delas no eixo X, e as suas respectivas cores no eixo Y, ficando a linha
de ligação entre elas dependente da imaginação de cada um.
 
O primeiro gráfico trará apenas o sobe e desce das sílabas poéticas. O segundo
mostrará o comportamento das notas musicais. O terceiro trará as Médias
Geométricas entre as sílabas e as respectivas notas. O quarto juntará às três
observações anteriores.
 
Pelo fato da visão humana enxergar das baixas frequências do Vermelho às altas
do Violeta, temos um melhor reconhecimento nas frequências centrais do
Espectro, cuja cor está entre o Amarelo-Limão e o Verde-Limão.
 
Por exemplo, se uma sílaba poética está localizada na décima quinta, das vinte e 
uma possibilidades de cores, para que a média seja bem notada, a sua nota
musical respectiva deverá ser a Si Bemol Barítona.
 
As análises se baseiam nas três Oitavas Centrais do piano: Baixa, Média e Alta. 
Uso registrar o Bemol da nota pertencente à primeira com duas letras minúsculas
(do), outro pertencente à Média com uma Maiúscula seguida de minúscula (Do), 
e o da Alta com duas maiúsculas (DO); com os Sustenidos # acompanhando a
cor da nota sustenida.

 

Tem mais sam ba no-en con tro que na-es pe ra  
 Do  Do  Do Do   Do  Mi Do  Do   Do  si  si  

           

                      ra
                         
      sam
  Tem
                         
    mais
                que
        ba pe L
              tro
            con
                         
                         
                  na-es
                         
                         
          no-en              

                 

A letra L que finaliza à direita corresponde à cor média das sílabas poéticas.

                      

            N
                         
  N N N N N N N N M
                    N N  

              

As letras N correspondem às notas musicais da melodia, e a letra M à direita corresponde à cor média das notas que compõem o verso.   

                           

      3 11
  1 2
        4 6 8 Md.
              7 10
                         
                  9
                         
          5              

              

Cada número é o de ordem do conjunto sílaba poética – nota musical no verso, representando à média de cada conjunto, cuja média final deles se encontra à direita – Md. .

             

                      ra
                         
      sam
  Tem
                         
    mais
      3 que 11
  1 2 ba N pe L
        4 6 tro 8 Md.
  N N N N N con N – 7 N N 10 M
                    N N
                  9
                  na-es
          5
                         
          no-en              

 

 

 

 

Uma curiosidade ocorre na sétima sílaba poética, que por estar somente uma
tonalidade de cor, acima da nota, fez a média do conjunto coincidir com a cor
da melodia; e a curiosidade fica mais intrigante ainda quando se observa a 
palavra onde ocorreu o evento: Encontro; que apesar de ter a primeira sílaba lá 
embaixo, teve as duas outras, dentre as quais a sílaba tônica central do verso, 
próximas da melodia o bastante a causar os”encontros” vistos.
 
O mesmo ocorre lá nas médias da ponta direita. Esse verso é o próprio
ponta-direita, tipo Garrincha, cheio dos dribles, mas sempre com a obediente
bola bem perto dos pés nas suas inesquecíveis coreografias futebolísticas.
 
Muitas conclusões podem ser tiradas dessas análises, ao se contemplar os 
acasalamentos das sílabas com as notas musicais, que muitas vezes coincidem
na cor, ou distam simetricamente da linha central do espectro, ou ponderam, 
caprichosamente nos valores, para fazer com que a média deles se aloje em
determinada cor…
 
Lembro que todo esse estudo da Espectrometria se presta à Tradução da Arte
embutida no seu Instrumento Artístico, no caso, o Poeta.
 
Quando nasce um poema, na maioria das vezes, ocorre de forma espontânea,
sem que o poeta domine cientificamente o Instante da Tradução. O instante da
transformação do imaginário quadro, também conhecido como Inspiração, em 
caracteres alfabéticos, por ser muito violento, deixa no poeta uma sensação de
constante busca pelo término mais adequado.
 
Ele não sabe disso. Apenas sente, o que incomoda o bastante a fazê-lo 
escrever sempre sobre os inacabados assuntos dos poemas anteriores. Os 
temas podem até mudar, sugerindo a novos assuntos, mas dentro do poeta fica
a incômoda sensação de continuidade do outro assunto interior inacabado, 
embora o texto objetivo já pertença a um novo tema.
 
Essa constante dependência é que torna o poeta um Instrumento da Arte, que o
escraviza pelo lado Emocional em eterno conflito com o Racional, pois, na 
maioria das vezes, não sabe que o seu Alfabeto Tradutor, inventado e mais 
usado pelo insensível Comércio, nasceu da Arte Plástica, descrita em rochas
pelos originais e anônimos artistas da Pictografia Rupestre.
 
De alguma forma a Arte persistiu embutida na grosseira forma que o comércio 
deu às originais Pictografias e Ideografias, e é essa presença oculta que a
Espectrometria ousa tentar desvendar.
 
Muito se fala sobre a Musicalidade Natural do Poema sem que, no entanto, se
consiga definí-la. Outros poetas dizem Sonhar as Cores do Poema. Eles não 
sabem o que é a Coisa, mas sentem que a coisa existe, embora indescritível.
 
Todo e qualquer texto possui melodia natural, basta que o interpretem pelas 
cores que resulta, logo, qualquer poema possui sim o seu som de fundo, basta
que o calculem e entreguem o resultado a um sensível instrumentista musical.
 
Certamente a Poesia original estará bem alojada na Melodia residencial que a
concebeu no inconsciente artístico do Poeta Escravo.

 

 

 

 

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
       
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
      
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : “Fui eu ?”
Deus sabe, porque o escreveu.
                                         (Fernando Pessoa)
 

 

 

 

  del.icio.us isto!

Nenhuma resposta até o momento »

Comentário RSS · TrackBack URI

Deixe um comentário