O Adolescente na História

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1954 – O Brasil ganha melhoria nos transportes ferroviário e hidroviário, Estação da Luz próxima ao porto da Ponte Grande, no rio Tietê, ganha a Eletrobrás, ganha a Petrobrás, ganha salário mínimo, perde a dívida externa e Getúlio se suicida.

Embora a tendência da minha obra seja a de obedecer à cronologia de edição das composições na forma de disco, uma vez ou outra elas serão encaixadas em momentos históricos para melhor compreensão das ações sociais como reagentes literários.         

O samba-enredo Dr. Getúlio, parceria com Edu Lobo, surgiu em 1983 para a peça Dr. Getúlio, de Dias Gomes, e segundo o próprio Chico serviu de mote para Vai Passar.

Embora a tendência pejorativa, que o ano de 1983 nos sugeria pela transição democrática das Diretas Já, onde os militares devolveram aos civis a opção da escolha política, para fazer a letra Chico tinha que se basear em algo histórico contado. Não poderia lembrar, pois na época do Gegê o mais que fazia era escrever sensatos bilhetinhos, e o máximo que conseguiu foi:   

 Foi o chefe mais amado da nação
Desde o sucesso da revolução
Liderando os liberais
Foi o pai dos mais humildes brasileiros
 Lutando contra grupos financeiros
E altos interesses internacionais
Deu início a um tempo de transformações
Guiado pelo anseio de justiça
E de liberdade social
E depois de compelido a se afastar
Voltou pelos braços do povo
Em campanha triunfal
                        
Abram alas que Gegê vai passar
Olha a evolução da história
Abram alas pra Gegê desfilar
Na memória popular.
                        
Foi o chefe mais amado da nação
A nós ele entregou seu coração
E não largaremos mais
Não, pois nossos corações hão de ser nossos
A terra, o nosso sangue, os nossos poços
O petróleo é nosso, os nossos carnavais
Sim, puniu os traidores com perdão
E encheu de brios todo o nosso povo
Povo que a ninguém será servil
E partindo nos deixou uma lição
A pátria afinal ficar livre
Ou morrer pelo Brasil…
                        

Em 1983 voltarei a tocar no assunto, pois a exemplo dessa obra, um aflito Chico também comporia Pelas Tabelas, onde temia pelos, então futuros, mensalões e sanguessugas atuais.  

A ocasião, 83, também ficaria marcada por esta bomba do Pelé: – O povo brasileiro não sabe votar! -Pegou na veia e botou no ângulo ou deu de canela e mandou lá pra Concha Acústica do Pacaembu?

- Escolha com cuidado e tecle o que quiser!

1956 – JK sobe ao poder, troca os nossos extintos credores britânicos, fiéis desde D.Pedro I, pelos renovados e corrosivos americanos, para construir uma cidade central mais perto de Belo Horizonte. Pede mais dinheiro para construir estradas de rodagens, trás as multinacionais da indústria automobilística para encherem as estradas, vê o nascimento da Bossa-Nova, ajuda o Concretismo de Ezra Loomis Pound, ex-ministro da cultura de Mussolini etc.

1959 – A família Buarque de Hollanda volta ao Brasil e a S.Paulo.

1960 – JK transfere a nossa capital para a tal cidade, que anos após Chico batizaria, em Fazenda Modelo, como “Juvenópolis”, e em Vai Passar como “Estranha Catedral”; assume a nova casa, começa a despachar o contingente de Pedros Pedreiros para S.Paulo, envia num Douglas DC-10 os concretistas para a crítica literária da mesma cidade e entrega ao sucessor Jânio Quadros uma capital novinha,  um país endividado e sem seu patrimônio monazítico, trocado com os americanos por sobras de trigo.      

1961 – Jânio agradece o presente, assume, lembra do Getúlio e renuncia pelo mesmo motivo. Ninguém sabe.

1964 – O general Humberto de Alencar Castelo Branco sobe ao poder em 31 de Março. Juram as más línguas que foi em Primeiro de Abril. Começa outra ditadura.

1964 – Chico compõe Tem Mais Samba!

         


 

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  del.icio.us isto!

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