Não Fala de Maria – Análise de Texto

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Embora Não Fala de Maria tenha sido gravada antes de Olha Maria, dá para
notar que o texto se refere à segunda. O Mote que fez com que o trio, Chico,
Vinícius e Jobim compusesse Olha Maria, creio que só o Chico, hoje, 
possa esclarecer, portanto persisto com a suspeita de ter ela sido feita tendo
alguma saída rápida da Marieta como Mote.
 
Os três eram gozadores consagrados, logo nada impede do Chico, agora só,
ter continuado com a brincadeira dando um ar ainda mais trágico a uma 
possível ressaca da bebedeira conjunta de Olha Maria.
 
Como o quarto Lp teria também a composição Rosa Dos Ventos, com um
texto também “Apocalíptico”, Chico deve ter aproveitado o clima e colocado
Não Fala de Maria junto, e isso poderia justificar o fato dela ter surgido antes
de Olha Maria, vinda no Lp seguinte.
 
É só uma suposição minha, já que o motivo para a gravação na ordem
cronológica inversa foi coisa mais do Chico com a sua assessoria, que tem até
um competente biógrafo editor, Humberto Werneck.
 Vídeo de Morricone1
Não fala de Maria
Maria lembra o mar
Que lembra aquele dia
Que não é bom lembrar
Que dia, que tristeza
Que noite, que agonia
Que puxa a correnteza
E trás a maresia
E bate aquele frio
Que lembra um assobio
Que lembra um sofrimento
Que eu não merecia
 
Não fala não, te esconjuro
Que só de imaginar
O tempo fica escuro
E o espanto agita o mar
Que lembra aquele dia
Que lembra uma canção
Que faz lembrar Maria
Aí não lembro não
A coisa fica séria
É como um turbilhão
Fazendo uma miséria
No meu coração
 
Uma das características do Chico é a de apropriar o texto objetivo pela
construção poética subjetiva. Embora ela  seja melhor abordada numa
postagem separada desta, com maiores detalhes, é necessário que eu use
parte dela para melhor elucidar à minha suposta trama do Mote.
 
Toda vez que Chico está mentindo no texto costuma usar Verso Branco, ou
Verso Manco, ou mesmo alterar à regularidade métrica do poema, nos casos
dos que se apresentem, ou se insinuem, feitos em Versificação Regular.

http://mpbsapiens.com/versificacao-regular/
 http://mpbsapiens.com/verso-branco/
http://mpbsapiens.com/verso-manco/
Foi esse último recurso o usado no poema desta composição. Dos 24 versos,
só 3 foram diferentes dos demais Heróicos Quebrados, um tipo de verso
muito usado pelo Chico quando quer insinuar a um personagem Perdedor,
como esse que canta a composição.
 http://mpbsapiens.com/heroico-quebrado/
Os versos irregulares do poema são o último da primeira parte, o primeiro da
segunda e o último da mesma. Nem Brancos nem Mancos, já que foram
iguais em Ritmo Poético Binário. Apenas alteraram nos comprimentos,
quando tiveram os textos se referindo mais diretamente ao personagem.

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http://mpbsapiens.com/pe-binario/
 
Talvez seja uma forma do poeta se redimir, com a própria consciência, de
toda a suposta seriedade descrita no texto objetivo. Quase como um moleque
levado, mas honesto consigo mesmo, já que, além do Violão, o Verso é o
grande parceiro e confidente do compositor musical violonista.
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              .
             
  del.icio.us isto!

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