Mulher, Vou Dizer Quanto Te Amo – Análise de Texto

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Em março de 69, na Itália, nasceu a filha do Francisco e da Marieta: A Silvia. 
Chico também estava presente e compos uma homenagem à Musa de ambos:
 
Mulher, vou dizer quanto te amo
Cantando a flor
Que nós plantamos
Que veio a tempo nesse tempo que carece
De um carinho
De uma prece
De um sorriso
De um encanto
 
Mulher, imagina o nosso espanto
Ao ver a flor
Que cresceu tanto
Pois no silêncio mentiroso
Tão zeloso dos enganos
Há de ser pura
Como o grito mais profano
Como a graça do perdão
 
E que ela faça vir o dia
Dia a dia mais feliz
Que seja da alegria
Sempre uma aprendiz
Eu te repito esse meu canto de louvor
Ao fruto mais bendito desse nosso amor
 
Quando digo que a equipe de assessores, que cuida do registro cronológico
da obra do Chico é irresponsável, quanto à História Literária resultante , não
há nenhum exagero nisso. Há sim, no mínimo, uma grande desorganização
causada pela adequação histórica que tencionam dar à obra.
 
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Colocar a composição, Pois É, como tendo sido escrita antes de Sabiá é até
compreensível, para camuflar ao desentendimente entre Chico e Tom, vindo 
daquela estrofe extra colocada pelo Tom no final de Sabiá, mas o que dizer
do ocorrido no cancioneiro da cia. das letras, quando o Gol de Letras, do 
Werneck, mostra na página 124 o Vinícius segurando Silvia no colo, em abril
de 1969, em Roma.
 
Silvia nasceu em março de 69 e o cancioneiro registra a composição Mulher,
Vou Dizer Quanto Te Amo; como tendo sido escrita em 1968, segundo 
consta na página 284.
 
Afinal, quem foi o responsável por esse contrasenso? Algum revisor da 
editora ou algum descuido do Werneck?
 
 Será que Chico compos assim que soube da gravidez, por volta de julho de
1968? Seria a letra uma espécie de profecia?
 
Seria de grande valia, para os meus estudos, que o Gol de Letras fosse mais
confiável, mas essa série de adequações presentes nele, infelizmente, me 
tornaram dependente apenas do meu senso crítico.
 
Enquanto pude dispor do Manuscrito, A Banda; foi uma beleza, pois estava
nele um depoimento pessoal do autor em próprio punho, que me permitiu,
inclusive, verificar o descaso das gravadoras e da cia. das letras para com a
fiel reprodução dos versos nas letras das contracapas e do livro.
 
É só comparar ao que Chico escreveu no manuscrito com as descrições das
letras das composições, tanto em LPs quanto no cancioneiro, bagunçando a
todo e qualquer estudo que se proponha à análise poética das músicas.
 
O próprio conteúdo filosófico do quarto LP sugere o autor bem incomodado
com todo aquele jogo ao seu redor: A peça Roda-Viva, os Auto Exílios
interior e oficial, a troca de gravadoras, as vaias de Sabiá…
 
Esse confuso estado de espírito do Chico aparece inclusive no texto dessa
composição, ao desejar à filha um mundo bem melhor do que ele mesmo 
enfrentava na ocasião:
 
Pois no silêncio mentiroso
Tão zeloso dos enganos
Há de ser pura
Como o grito mais profano
Como a graça do perdão
 
Por detrás de todo aquele jogo de poder, nos bastidores da MPB, havia um
milenar conflito religioso, ao qual Chico estava submetido desde quando
resolveu tentar denunciar com a peça Roda-Viva, e que acabou causando a
sua ida à Itália na forma de auto exílio.
 
Tudo isso acabou dando ao conteúdo filosófico do quarto LP um misto de
revolta e sátira, por não poder falar, confinado ao “silêncio mentiroso e tão
 zeloso dos enganos”, coisas de gente grande,  conforme veremos adiante na
composição Rosa Dos Ventos.
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  del.icio.us isto!

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