Da MPB ao Jazz – Prólogo 1
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| Semelhante ao ocorrido com o filme Guerra nas Estrelas, vejo necessária, |
| após editar três partes do tema, Da MPB ao Jazz, uma maior explicação |
| do reencontro dessas duas variações da Música Negra, que aproximou os |
| artistas brasileiros e americanos respectivamente. |
| O Grande Elo |
| Foi à partir de Carmem Miranda que o intercâmbio entre a MPB e o Jazz |
| se iniciou de forma mais íntima, pois toda aquela Exuberância Tropical das |
| suas vestimentas e, além disso saber cantar e dominar bem o palco, tanto |
| impressionou ao mundo musical americano que acabou ganhando o apelido |
| de Pequena Notável. |
| Infelizmente não pude testemunhar a esse movimento todo, pois meus pais |
| eram sequer namorados, mas independendo desse início de relações, que |
| propiciou até a abertura de portas do Tio Sam para a entrada de músicos |
| brasileiros, conforme citei no episódio inicial que marcou o surgimento do |
| Samba-Jazz, a década de 50 foi povoada também por alguns artistas |
| “transnacionalizados”. |
| Dick Farney, foi um dos mais notáveis. O garoto Farnésio Dutra e Silva |
| aprendeu logo a cantar e tocar piano. Rapidamente formou um conjunto com |
| o irmão, Cyll Farney, baterista, chamado Swing Maníacos, que após se |
| apresentar num programa de rádio, acabou virando Crooner de uma |
| orquestra que atuava no Cassino da Urca, Rio de Janeiro. |
| Na época, embora estivéssemos vivendo uma Segunda Guerra Mundial, os |
| Cassinos, ainda permitidos no Brasil, eram os que mais atraíam turistas |
| estrangeiros. Foi nessa ocasião que Dick coheceu um pianista americano, |
| Eddie Duchin, e acabou indo com ele para os USA em 1946. |
| A música brasileira era pouco conhecida por lá, e Dick foi um dos primeiros |
| instrumentistas brasileiros a mostrar as suas várias vertentes, pois, como |
| crooner, dominava tanto o samba, quanto o choro, o frevo … |
| Após travar contatos com pianistas famosos do jazz, Dick Farney ficou por |
| lá o tempo bastante a chamar, e encaixar, músicos brasileiros nas orquestras, |
| e a porta principal era aberta aos pianistas pela Orquestra de Count |
| Basie, que adorava música brasileira. |
| Isso explica a presença de Johnny Alf por lá, citado por mim na primeira |
| parte desta série. Durante alguns anos Dick vagou entre nós e eles, sempre |
| envolvido com o pessoal das altas rodas, tanto da música, quanto das |
| sociedades brasileira e americana. |
| O irmão dele, o Cyll Farney, acabou virando ator de cinema, se destacando |
| em algumas “Chanchadas” da Atlântida. Se tivéssemos que estabelecer uma |
| comparação entre os caminhos dos Irmãos Farney, eu diria que Dick estava |
| para Mário Lago o mesmo tanto que Cyll estava para Jece Valadão. |
| Enquanto Cyll era mais parecido com o pai, um gozador capaz até de tirar |
| do sofrível nome dado ao filho, Farnésio, o pseudônimo da Família Farney, |
| Dick tinha o refinamento da mãe, sua professora nas primeiras aulas de |
| piano e canto. |
| O cara só podia ser um gozador ou estar contrariado com a chegada do filho. |
| - Farnésio, Cilênio! Isso lá é jeito de nomear a amáveis e indefesas criaturas? |
| Essa educação refinada acabou tornando o Dick Farney uma pessoa muito |
| estimada entre os artistas e o povo, e isso acabou fazendo com que se |
| tornasse uma espécie de “olheiro” dos novos talentos. |
| O caso mais interessante desse seu lado de olheiro ocorreu no final dos anos |
| 50, quando uma senhora o procurou insistentemente até que concordasse em |
| escutar o filho dela tocando piano, no qual Dick disse à mãe do garoto de |
| forma taxativa: |
| - Ele leva jeito, como a maioria nessa idade, mas tem um grave defeito: |
| Não sabe usar os pedais do piano! |
| Nos anos 60, os Programas de Rádio ainda eram o único veículo de |
| divulgação artístico-musical, pois a televisão ainda engatinhava nesse tipo |
| de propaganda, e foi num desses programas de rádio, do famoso radialista |
| Miguel Vacaro Neto, que ocorreu um episódio que considero como um dos |
| mais felizes reencontros do Dick. |
| Amigo de Vacaro há muitos anos, já que também viera do rádio, Dick foi |
| convidado por ele para fazer parte de uma espécie de juri capaz de eleger, |
| num concurso para jovens instrumentistas, o melhor deles. |
| Quando chegou a vez dele ter que dar o seu veredicto, elegantemente falou |
| de todos os concorrentes, no geral, mas desferiu sobre um deles, um jovem |
| pianista, o seguinte elogio: |
| - Sua execução no piano é muito boa, mas o que mais me impressionou foi |
| a sua habilidade no uso dos pedais do piano. Parabéns! |
| O jovem pianista era o mesmo que a mãe insistente levara ao Dick nos anos |
| 50, e que, coincidentemente, foi o protagonista da postagem anterior a estas |
| sobre MPB e Jazz: Cesar Camargo Mariano. |
http://mpbsapiens.com/como-uma-onda-dialogos-da-mpb/ |
| Existe dois tipos de informação: A da Mídia, que norteia a divulgação dos |
| fatos artísticos de acordo com as conveniências empresariais; e a dos |
| bastidores, que transitam pelos músicos das bandas, que acompanham a |
| esses cantores nos sobe e desce das popularidades. |
| O próximo episódio acerca da trajetória do Dick Farney, como descobridor |
| de talentos musicais, retirei de uma conversa com os sambistas da Velha |
| Guarda da Mangueira, na ocasião em que estive fazendo um samba para o |
| Enredo Chico Buarque. |
http://mpbsapiens.com/mangueira-98/ |
| Conversa vai, conversa vem, surgiram os nomes de Dick Farney e Lúcio |
| Alves, duelistas na disputa da Tereza da Praia, que verei adiante. |
| Contaram os sambistas, na ocasião, que Dick era uma espécie de elo |
| artístico-social, tendo inclusive participado da transferência de um menino, |
| cantor do coro da igreja de São Conrado, ou Gonçalo, do subúrbio carioca, |
| para os USA, pois sendo órfão, foi adotado por uma família americana. |
| Como o assunto não foi adiante, fiquei apenas com essa informação retida |
| na memória. Meses após, conversando com Di Mello, cantor da noite |
| paulistana com quem fiz a música Abre-Te Sézamo, que ele cantava nos |
| Bares Gays de Sampa; ao citar a ele sobre a conversa com a turma da |
| Velha Guarda da Mangueira, escutei o seguinte: |
| - Ah, eles falavam do João Matias, cujo nome artístico é Johnny Mathis. A |
| coisa ficou bem na surdina, mas toda vez que o cara vem pro Brasil dá uma |
| passeadinha lá pela igreja! |
| Nunca fui atrás dessa história para confirmá-la, já que não sou detetive e, |
| muito menos jornalista. Apenas a usei para mostrar o respeito que o nome |
| Dick Farney tinha entre os músicos, tanto sambistas quanto roqueiros pop, |
| já que, anteriormente, Di Mello era contrabaixista do RC-7, que |
| acompanhava o Roberto Carlos nos shows antes da chegada do Eduardo |
| Lages com a sua orquestra, e da coca pro Mello. |
| A coisa está ficando longa, portanto dividirei este Prólogo em Prólogos 1 e 2; |
| pois, por ter convivido com Billie Holiday, a trajetória do Dick foi também |
| responsável pela aproximação de cantoras como Ella Fitzgerald e Sarah |
| Vaughan da MPB, cujos históricos também foram interessantes. |
Próxima – > http://mpbsapiens.com/mpb-jazz-prologo-2/ |
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ofigennoe.ru said,
outubro 9, 2009 @ 5:35 am
Thank you very much for that marvelous article
admin said,
outubro 9, 2009 @ 6:50 am
It is always very good for recouping a lost or badly counted History.
Before. Before Tone Jobim it had Dick Farney well.
Grateful For the Elegance.