Da MPB Ao Jazz – Parte II
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| Na América Central, a Música Negra deu origem a alguns ritmos, mais ou |
| menos famosos, dentre os quais cito o Bolero como o de maior penetração |
| na realidade musical brasileira: |
| Vídeo de millybrasil |
| Se por um lado a nossa realidade musical não teve muita afinidade com a |
| centroamericana, por outro, vários foram os artistas que enveredaram pela |
| música norteamericana, que houvera evoluído do Blues ao Jazz, com boas |
| variações como esta: |
| Vídeo de vulcanswork |
| Sexteen Tons foi um marco de alerta, pois o homem estava perdendo o |
| poder de cantar usando a voz grave. Claro que, ainda, nem um pouco |
| parecido com o que hoje observamos na música, onde não mais se |
| consegue diferir se a voz humana emitida é masculina ou feminina. |
| No entanto, aqui pelo Brasil, houve um artista que tentou cantar a uma |
| versão em ritmo de samba. Noriel Vilela, a original voz grave do conjunto |
| Nilo Amaro e os Cantores de Ébano: |
| Vídeo de murilopolla |
| Mas o que mostrou mais nitidamente o poder Barítono perdido pelo |
| homem nas interpretações musicais foi esta execução: |
| Vídeo de wilson148841 |
| Na década de 50, alguns brasileiros como Johnny Alf (piano) e Laurindo |
| Almeida (violão) se aventuraram a uma trajetória artística pelos USA, e |
| foi Laurindo quem teve maior repercussão com um movimento, iniciado |
| nos primeiros anos da década de 50, cujo nome era Samba-Jazz. |
| Por não ter o patrocínio necessário da imprensa daqui, o samba-jazz não |
| teve muita repercussão, sendo substituído logo em seguida pela recém criada |
| Bossa Nova, que era apenas parecida com que o Alf e o Laurindo criaram e |
| tentaram exportar, pois também era baseada em Piano e Violão, só que por |
| outras mãos, de Jobim e João Gilberto respectivamente. |
| Como tudo depende do momento, e a dita renovação, vinda com o novo |
| presidente, patrocinado pela imprensa, Juscelino Kubitscheck, era a |
| coqueluche do momento, Jobim e Gilberto tiveram maior sorte. |
| Embora Laurindo tivesse tido alguma coisa feita com alguns dissidentes da |
| orquestra do trumpetista Dizzy Gillespie, John Lewis e Milt Jackson, pianista |
| e vibrafonista, respectivamente, que formaram o conjunto The Modern Jazz |
| Quartet no princípio dos anos 50, quem acabou se interessando mais pelo |
| assunto no Brasil foi, curiosamente, o saxofonista Cannonbal Adderley, que |
| veio para cá em busca do Samba-Jazz, não da Bossa Nova. |
| Nessa vinda ao Brasil em 1962, Aderley simpatizou com um grupo de |
| músicos, que tocava Bossa Nova, cujo nome era Bossa Rio Sextet, e após |
| ensaiar com eles alguns clássicos da Bossa Nova, levou todos para os USA |
| e gravaram um álbum duplo. |
| Vídeo de rovingeye2 |
| O Sax Alto do Adderley apresenta toda aquela irresponsabilidade do jazz |
| às originais partituras. Tende ao improviso, mas os demais instrumentos o |
| trazem de volta pela marcação sem fugas. |
| Desses músicos, o mais conhecido foi o chefe do grupo, Sérgio Mendes, que |
| acabou ficando por lá e obtendo êxito com novos experimentos musicais. |
| Laurindo continuou no seu Samba-Jazz, com o Modern Jazz Quartet até |
| o conjunto ganhar força no nome, para em 1963 se apresentar no Monterrey |
| Jazz Festival, onde o Violão brasileiro pôde se afinar com o Piano americano |
| do John Lewis e, principalmente, com a evolução eletrônica do ancestral |
| Xilofon, o Vibrafon do Milt Jackson. |
| Foi a primeira vez que o mundo pode sentir o poder dessa união, tocando |
| um clássico da Bossa Nova, mas em ritmo de Samba-Jazz. Assim: |
| Vídeo de zecalouro |
| Podem perceber que tanto o baterista, Connie Kay, quanto o contrabaixista, |
| Percy Heath, estão executando um Jazz mais suingado, não Bossa Nova, |
| enquanto os outros três, o violão do Laurindo, o piano do John Lewis e o |
| vibe do Milt Jackson dialogam em Samba. |
| Essa grande surpresa do festival de Monterrey rendeu ao conjunto uma longa |
| turnê na Europa, que terminou em Madrid, com Laurindo Almeida e o grupo |
| executando um clássico do cancioneiro espanhol, o Concerto Para Aranjuez, |
| de Joaquin Rodrigo, sobre um arranjo do violonista espanhol Andrés Segóvia, |
| que já morava no Brasil há anos. |
| Quando o saxofonista Can Adderley chegou nos USA com a primeira |
| novidade em 62, com o Bossa Rio Sextet, os demais saxofonistas do jazz |
| ficaram espertos e, pegando carona na jogada, o nome de Antonio Carlos |
| Jobim começou a ganhar um pouco de fama entre eles. |
| O primeiro desses a se interessar pela Bossa Nova foi Gerry Mulligan, que |
| destaquei tomando as primeiras lições no vídeo abaixo, pois muitos músicos |
| queriam associar o nome da música àquilo que haviam observado em |
| Monterrey, quando o Laurindo, já na introdução, mostrou que aquele samba |
| poderia ter de tudo, menos Uma Nota Só. |
| Vídeo de mlivre33 |
| As portas do Jazz Americano tinham acabado de se abrir para o Jobim. |
| Isso rendeu a ele alguns frutos, cuja narrativa deixarei para a terceira |
| parte deste assunto. |
| Até Lá. |
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