Da MPB ao Jazz – Parte I

 

Dentre as condenáveis vantagens comerciais que a Europa conseguiu com a 
escravidão do negro nas Américas Coloniais, foi a troca de informações
entre os povos que tornou a Cultura como maior beneficiária.
 
Independente das contribuições da culinária e da linguagem, nas formações
de pratos e dialetos, a Música foi mutio bem aproveitada, pois embora os 
instrumentos musicais trazidos da Europa tivessem um maior zelo com a
escala musical ocidental, suas melodias não tinham um adequado trabalho
de Percussão, esta sim, como base musical presente no Mundo Novo.
 
Além dos atabaques e afins, usados nos rituais de Candomblé para se
referirem a cada Orixá com Ritmos específicos, tais como Batá, Huntó,
Ijexá, Hamunia, mais presentes no Brasil pela vinda dos escravos de
origem Iorubana, havia também um outro instrumento musical, também
percussivo como o piano, chamado Xilofon.
 
Xilofon era uma espécie de Marimba, só que, ao invés de metais, ou mesmo
vidros, usados na emissão de notas musicais, eram utilizadas peles de
animais, normalmente vindos dos sacrifícios em homenagem aos orixás,
enquanto o piano percute cordas.
 
A História sempre foi muito bem contada, por cada povo que a escrevia,
que de uma forma ou de outra sempre puxava a sardinha para a brasa
própria, daí essa série de desencontros nas informações, mas além da
oficial história dos portugueses, que conta ter sido Bartolomeu Dias o 
primeiro a cruzar o chamado Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da
África, há registros do navegador português, Diogo Cão, tê-lo feito décadas
antes, só que a serviço da França e depois da Dinamarca.
 
Dentre os registros do Diogo, que contou ter se hospedado num forte, o
qual batizou como Forte São Jorge D´Ajuda, pela óbvia colaboração
recebida (ajuda), disse ele também que tais negros anfitriões mostraram ter
atingido à chamada Idade do Bronze, tanto pelos artefatos de adorno
quanto pelos instrumentos musicais de Sopro, usados nos cerimoniais da
realeza, além do interessantíssimo Xilofon, presente nas danças populares.
 
Temos então uma idéia de que os negros ancestrais, não eram totalmente 
desinformados acerca da Música. Como a maioria dos escravos chegados
ao Brasil passou por tal forte, que acabou se tornando uma espécie de 
Mercado de Escravos, a maioria, de alguma forma, já havia escutado a
algo parecido com aqueles instrumentos musicais europeus, agora comuns
à nova situação de escravo.
 
Enquanto a escravidão no Brasil usou mais negros iorubanos, nos USA, e
na América Central, houve maior presença dos negros vindos dos chamados
Povos Daometanos, ou Jêjes, os ancestrais construtores do forte.
 
Creio que isso dê uma idéia das diferentes tendências musicais do sul, centro
e norte americanos. Enquanto, no Brasil, o negro se aproximou mais pela
real novidade do instrumento de cordas, hoje Violão, o norte americano se
identificou mais com o Piano, e o centro americano com a percussão, quer
dos tambores, quer do Xilofon transformado em Marimba.
 
A condição de escravo deu ao negro reações, embora óbvias e semelhantes
de revolta, distintas no expressar pelo chamado Ilá do Santo, que é o brado
próprio do Orixá em determinada pessoa, que numa espécie de Grito de
Identidade diferencia às influências nos adeptos diferentes.
 
Nas 3 Américas, os Ilás, heréges dados pelo negro no mato e sem do alcance
da punição religiosa dos brancos; assumiram também melodias próprias,
com a América do Norte apresentando Ilás mais voltados para o conjunto
Revolta-Tragédia, a América Central com o Revolta-Sátira, e a do Sul,
mais especificamente no Brasil, com o conjunto Revolta-Drama.
 
Dessa forma surgiram, respectivamente, o Blues Trágico, a Salsa Divertida, 
e o nosso Samba, meio tragédia, meio comédia; que caracterizam à definição
do termo Drama, como Tragicomédia.
 
Basicamente, o Samba pode ser dividido em dois Andamentos Musicais:
Samba-Canção, cujas letras são mais voltadas para o sentimento de Fossa,
ou simplesmente Samba, cujas letras tendem à Alegria, ao Protesto ou ambos.
 
Embora possam haver falhas nos vídeos que escolhi, eles traduzem de forma
razoável ao escrito até aqui, chegando assim ao fim da primeira parte no
estudo do parentesco rítmico das derivações da Música Negra nos três
continentes americanos.
 
Volto logo com a segunda parte. Até lá.
 
Vídeo de joep1
Vídeo de Tauil
Vídeo de gordoguilherme
Vídeo de RIVALCIR
Vídeo de NOEMIAHIME
Próxima – > http://mpbsapiens.com/mpb-jazz-p-2/         .

 

  del.icio.us isto!

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