Michael Jackson e a BR-3
Antes. Muito antes dessa estrela, que infelizmente perde parte do brilho pela presença da ausência, havia o conjunto The Jackson Five, que chamava a atenção pela afinadíssima voz infantil do solista, que se tornou a estrela, agora habitante do mundo da ausência.
No desenvolvimento do brilho, essa estrela foi perdendo o maior atributo da Voz e ganhando o ilimitado atributo da Dança.
Como todo ídolo popular, teve a vida invadida pelas fofocas da imprensa. Muitas delas vindas de furos de reportagens, outras tantas, que creio a maioria, resultantes de acordos promocionais entre a mesma e a assessoria empresarial do seu talento.
Deixando de lado esse cansativo papo das estratégias da Roda Viva nas promoções dos ídolos populares, a presença de Michael Jackson na MPB não se resume à última visita dele à Bahia, onde trocou arte com o Olodum, pois a sua essência andou por aqui em 1970.
Diriam alguns que isso ocorreu pelas músicas Ben e Music And Me, presentes nas trilhas sonoras das novelas da globo..; mas vou além.
A voz dele só causou maior interesse quando criança, pois embora tivesse se mantido afinada pelo resto da carreira, perdera o charme infantil e se transformara numa voz normal dos cantores homens, que com algum exercício conseguem habitar os tons sopranos mais baixos das mulheres.
Mas a sua melhor essência ainda estaria por vir. A Dança. Tinha, lá nos USA, referenciais muito bons em tal atributo, cujo destaque era Fred Astaire, mas a nossa realidade não permitia mais ao dançarino sugerir à levitação pelos pés, característica do Fred.
O Homem já havia pisado na Lua, não tinha mais porque Flutuar na Dança. Seus pés tinham que voltar à Terra e Deslizar sobre ela.
Dois foram os artistas, um homem e uma mulher, que conseguiram nos espantar por tal essência artística nos últimos anos: Michael e Madona.
Idenpendente de toda uma armação empresarial, que caracterizou às apresentações de ambos pelo mundo, está o inigualável valor artístico deles de traduzir, pela dança, que não possui letra, ao nosso atual sentimento presente na composição musical, que a possui.
Semelhante ao comportamento musical de uma casa de Candomblé numa Dança de Santo. Os cantos, ou “Sassanhas”, são feitos em Yorubá. Ninguém entende nada do que está sendo cantado, mas sentem tudo do que está sendo mostrado.
Um Orixá dançando, seja ele da Caça, Da Terra, da Estrada ou da Morte; implica numa Tradução pelos atabaques. Enquanto dois deles, Rumpí e Lé, se incumbem da marcação rítmica, em Batá, Huntó ou Hamunia (Avaninha), dependendo do orixá em terra; um outro, o Rum, conta a história do orixá no canto, pela percussão, realizando prodigiosas Onomatopéias Rítmicas.
Numa dança de Obaluayê, um bom “Dobrador de Rum” sabe muito bem que a palma da mão para cima, por representar à Vida, implica em mera marcação rítmica, mas bastou a mão, do orixá dançante, inclinar um pouco para ele dar um repique de alerta, seguido de brusco toque com ambas as mãos quando a palma virar para baixo, o que significou a Morte.
Michael não foi à Bahia para aprender isso. Quem o levou ao Olodum foi a sua Essência Artística, para rever a alguns amigos da velha e mesma África, berço ancestral de todos os negros.
Não creio que essa morte prematura tenha ocorrido por vingança de orixás, pela opção dele quanto à cor da pele, pois eles, por serem essências, estão muito acima dessa nossa pobreza conceitual das suas condutas.
Na realidade, Michael estava “voltando” ao Brasil, também, para reencontrar o princípio da sua própria dança. Do Deslizar sobre a Terra, que além de ser comum às danças dos Orixás no candomblé, já havia sido traduzida para o mundo visual das artes por outro negro, só que brasileiro:
Tony Tornado.
O Americanismo da imprensa pode até tentar camuflar à História das Artes, com as suas adequações cotidianas, mas quem presenciou o Festival de 1970, além de ver um excelente trabalho da dupla Antonio Adolfo e Tibério Gaspar, na composição BR-3, viu pela primeira vez um homem Deslizando sobre a Terra, enquanto um menino fazia sucesso com a sua interessante e afinada voz infantil.
Michael dançou, Deslizou como ninguém sobre a Terra, traduzindo Letra, Melodia e Gente; mas…
Refrão A gente corre na BR-3A gente morre na BR-3
Há um foguete
Rasgando o céu, cruzando o espaço
E um Jesus Cristo feito em aço
Crucificado outra vez Refrão
Há um sonho
Viagem multicolorida
Às vezes ponto de partida
E às vezes porto de um talvez
Refrão Há um crime
No longo asfalto dessa estrada
E uma notícia fabricada
Pro novo herói de cada mês
O ar pode até ter-se acomodado e hoje se encontra inflado, mas carrega o mesmo nome desde 1970:
- Tony Tornado!
É só comparar os pés:
http://www.youtube.com/watch?v=kGMDR8O_Jbo
Boa Viagem Michael!



































Antenor Sant´Ana said,
julho 10, 2009 @ 1:24 pm
Essa refrexão exposta,pensei algo semelhante,porém não levei adiante;aproveitando o gancho,acredito que esse magnifico artista mesmo sem se dar conta,tinha uma espiritualidade bem ativada.Digo mais, um nato filho protegido pelos os “Deuses” africano,o tratamento espiritual quando necessário,faz coisas.Tive grandes esperiências,porém hoje sei qual o meu caminho.
Bom dia,e acho que boa parte de nós seres humanos não se dá conta do que é “psicológico ou espiritual” nessa questão a ajuda alheia,é bem vinda.
admin said,
julho 10, 2009 @ 1:42 pm
Caro Antenor:
Somos um monte de ilhas, cada um com cores e características diferentes pra cima d´água, mas por baixo dela é uma coisa só, toda ligada. Alguns de nós somos que nem ilhas com montanhas. Michael era um desses.
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janeiro 11, 2011 @ 2:18 am
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janeiro 11, 2011 @ 8:55 am
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Dalton.