fevereiro 17, 2008
· Arquivado na categoria Manuscrito
Além das composições, o manuscrito tem uma espécie de prólogo onde Chico diz:
– Correndo atrás da poesia, espero pelos meus 25 anos. Creio, porém que por hoje, as “inconveniências da aurora” são superadas nos versos do samba pela espontaneidade da linguagem popular, que não tem idade. É essa a linguagem que procuro roubar para exprimir numa visão objetiva, quase cinematográfica, do mundo que me cerca.
Na intenção de coligir tudo aquilo que tenho feito, ao lado dos versos e das partes musicais, um conto foi publicado. Como talvez se publicasse a planta da casa que eu projetaria, caso me formasse arquiteto. Ou o desenho duma rosa, se eu por ventura entendesse as flôres. Mas a música absorveu-me de tal forma que chego a crer que as pontes que eu construir ruirão na manhã seguinte. Mas hão de ruir em ritmo dançante. Como a receita para gripe, se eu ousasse ser doutor, certamente teimaria em redigí-las em redondilhas.
Da mesma maneira, creio que o conto aqui publicado, embora represente o primeiro passo de um caminho incerto, não desafina com meu samba.
E êste livro é bem meu samba (não samba-ritmo – mas samba no sentido mais largo). O samba que uma criança andou cantarolando. E que um pedreiro pendurado num andaime, mesmo assim achou de assobiar. – Ora, quando é que a criança e o pedreiro vão saber dêste livro? Não sei, o livro é dêles!
Chico deu a entender, no começo da introdução, que estava com 24 anos, posto que esperasse pelos 25. Se o manuscrito A Banda foi editado aproveitando o resultado do festival em 66, como é que ele pode ter nascido em 44?
Ele também esperava que seu samba fosse visto num sentido mais largo, pedindo maior visão periférica nossa.
O texto mostrou se tratar de um retratista social cuja obra nos foi oferecida para que fizéssemos com ela o que bem entendêssemos inclusive esta minha obra derivada.
del.icio.us isto!