Lunik-9 (Gilberto Gil) – Análise de Texto
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| Na postagem anterior citei àlguns trabalhos anteriores do Chico, que |
| denunciavam, nostalgicamente, à perda dos valores poéticos naturais, como a |
| Lua, por exemplo, sendo trocados pelo mundo da informação, vindo das |
| emissoras de televisão, relegando a Poesia Natural a um plano inferior. |
| Tratei também de uma rivalização, construída pela imprensa paulistana, mais |
| especificamente pelo tablóide a folha de São Paulo; entre a nostalgia vista |
| pelo Chico em confronto com as tendências, pseudo-concretistas, do |
| Tropicalismo baiano. |
| Embora essa estratégia de rivalização do tablóide tenha surtido algum efeito, |
| quando iniciada, logo o Gil, já com o saco cheio daquela armação jornalística, |
| compos Lunik-9, dando claramente a entender que Chico não estava sozinho |
| na idéia da quebra dos valores poéticos pelos dos noticiários: |
| Poetas, seresteiros, namorados, correi |
| É chegada a hora de escrever e cantar |
| Talvez as derradeiras noites de luar |
| Momento histórico, simples resultado |
| Do desenvolvimento da ciência viva |
| Afirmação do homem normal |
| Gradativa |
| Sobre o universo natural |
| Sei lá que mais |
| Ah, sim! |
| Os místicos também |
| Profetizando em tudo o fim do mundo |
| E em tudo o início dos tempos do além |
| Em cada consciência, em todos os confins |
| Da nova guerra ouvem-se os clarins |
| (acordes orquestrados de Cavaleiros do Céu) |
| Guerra diferente das tradicionais |
| Guerra de astronautas nos espaços siderais |
| E tudo isso em meio às discussões |
| Muitos palpites |
| Mil opiniões |
| Um fato só já existe |
| Que ninguém pode negar: |
| 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1, já! |
| E lá se foi o homem |
| Conquistar os mundos lá se foi |
| Lá se foi buscando |
| A esperança que aqui já se foi |
| Nos jornais, manchetes, sensação |
| Reportagens, fotos, conclusão: |
| A lua foi alcançada afinal, |
| Muito bem |
| Confesso que estou contente também |
| A mim me resta disso tudo uma tristeza só |
| Talvez não tenha mais luar |
| Pra clarear minha canção |
| O que será do verso sem luar? |
| O que será do mar, da flor, do violão?… |
| Tenho pensado tanto, mas nem sei: |
| Poetas, seresteiros, namorados, correi |
| É chegada a hora de escrever e cantar |
| Talvez as derradeiras noites de luar |
| Obs. Cavaleiros do Céu foi um sucesso originalmente cantado por Carlos |
| Gonzaga nos anos 60 e aproveitado pelo Gil. |
| A interpretação, embora musical, apresenta a forma cantada normal e uma |
| outra que imita à narativa comum dos noticiários. |
| De fato, Chico e Gil falavam das mesmas coisas. Com o primeiro mostrando |
| a forma como se manipulava a arte do segundo, e este mostrando que as |
| preocupações dos poetas são comuns em qualquer posição que estejam. |
| O homem da rua |
| Por ser nêgo conformado |
| Deixa a lua alí de lado |
| E vai ligar os seus botões |
| No céu a lua |
| Encabulada e já minguando |
| Numa nuvem se ocultando |
| Vai de volta pros sertões |
| (A Televisão) |
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Infelizmente não encontrei nenhum vídeo sobre Lunik-9, cuja qualidade sonora merecesse estar neste espaço.


































