Logo Eu?-Análise Poética

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Sílabas nicas em Vermelho
Números – Posição ordinal da sílaba no verso
Letras A, G ou D = Timbres de Verso: Agudo, Grave ou Dáctilo
A+  Anáclase – captura da sílaba átona inicial do verso posterior pela final do anterior
A- Anáclase – captura da sílaba átona final do verso anterior pela incial do posterior

  

Como já citei na composição anterior, Com Açucar, Com Afeto; é muito difícil imaginar o Chico escrevendo qualquer coisa por um lado que não seja o seu Ativo Masculino.
Todos temos um lado Passivo, que creio nos socorrer em todas as ocasiões que o Ativo se sinta incompetente para julgar pelo melhor caminho a ser tomado.
Não podemos nos esquecer que viemos de óvulos fecundados por espermatozóides, que acabaram por definir a natureza  sexual de cada um. Com Chico ocorre o mesmo.
O que o difere de nós, demais homens, é a forma com que encontra palavras para dissertar sobre as incompetências comuns, vistas acima, que enfrentamos quando socorridos pelos respectivos lados Passivos.
Foi o que houve com a construção da composição Com Açucar, Com Afeto em relação a esta, Logo Eu?. Por terem ocorrido em mesma época, as características textuais e poéticas me fazem suspeitar que Chico as compos quase que simultaneamente por duas razões:
1 – Não ser confundido com homossexual, pelo fato de escrever como se fosse mulher, numa época em que a sociedade era bem Patriarcal .
2 – Por ser da natureza masculina se defender, de imediato, quando acusado pela mulher, ainda que construída pela própria imaginação. 

    

   1    2    3    4    5    6    7    8      9   10  
                     
  Es   sá   mo   re   na quer   me trans  tor  nar  
                     
 Che go-em   ca   sa   me  con   de   na      
                     
 Me   faz    fi   ta   me  faz   ce     A-    
                     
na-A   té  can  sar              
                     
  Lo   go   eu bom   in   di   ví  duo      
                     
 Cum   pri  dor   fi   el e-as   sí  duo      
                     
 Dos   de   ve  res   do  meu  lar        
                     
  Es   sá   ga   ro   ta            
                     
  De  man   si  nho   me  con quis   ta      
                     
 Vai   rou  ban   do   go ta-a   go     A-    
                     
ta-Es   sê  meu  san   gue   de  sam  bis  ta    
                     
   1    2    3    4     5    6    7    8    9   10  
                     
  Es   sá   me   ni   na quer   me trans  for  mar  
                     
 Che go-em   ca sa-o  lhá   de  qui   na      
                     
 Diz  que   já   me  viu na-es  qui     A-    
                     
na-A   na   mo  rar              
                     
  Lo   go   eu bom  fun  cio   ná  rio      
                     
 Cum  pri  dor  dos meus   ho   rá rios      
                     
E-um    a  mor  qua se-e  xem plar        
                     
   A   mi nha-a   ma   da            
                     
 Diz que-é pra-eu  dei  xar   de   fé rias      
                     
 Pra    lar  gar    a   ba   tu   ca     A-    
                     
da-E   pra  pen  sar   em  coi  sas   sé  rias    
                     
   E  qual quer   di  a-E       A+      
                     
la-in   da  vem   pe  dir    a  pos   to      
                     
Pra-eu   dei  xar    a  com   pa  nhi    a      
                     
 Dos    a   mi  gos  que  mais  gos   to      
                     
    1     2    3    4     5     6    7    8    9    
                     
   E  tem  mais   is so-Es       A+      
                     
 tou  can   sa   do quan   do  che   go      
                     
  Pe   go   ex  tra   no  ser   vi   ço      
                     
 Que ro-um  pou   co   de  sos   se   go      
                     
 Mas  não  con  ten  te-E       A+      
                     
  lá me-a  cor   da   re  cla  man   do      
                     
 Me  des   pa  cha  pro   ba  ten   te      
                     
  E    fi ca-em   ca   sa  des  can  san   do    
 
A composição utilizou trinta e três versos divididos em três estrofes. A primeira e a segunda Polimétricas, com onze e quinze versos respectivamente, sendo a terceira uma Estrofe Sétima.
A exemplo de Com Açucar, Com Afeto; o verso predominante em Logo Eu foi o Redondilha Maior Grave, todavia, ficou bem longe de se parecer com um poema feito em Versificação Regular, pois Chico mesclou bem os comprimentos de versos em cada estrofe, mas sem perder o Ritmo, mesmo acentuando alguns versos nas sílabas pares.
O mesmo ocorreu, com relação às Rimas, entre as duas composições, pois Logo Eu apresentou Ricas colocadas nobremente de formas Opostas, trocadas por Alternadas nas primeira e segunda estrofes, para seguirem apenas Alternadas na terceira.
Em ambas as composições as Qualidades das Rimas variaram da mesma forma, entre Ricas e Pobres, no entanto, Logo Eu apresentou uma qualidade um pouco superior, com a curiosidade do Chico ter colocado a pior delas nos últimos versos, ao se referir diretamente à personagem tratada pelo poeta narrador: Reclamando com Descansando é bem pobrezinha.
Quando o poeta trabalha com Versificação Regular é muito difícil alternar comprimentos ou ritmos nos versos. Isso ocorre pela forte marcação interna enquanto constrói o poema. Se, por um lado, construir poemas regulares acaba ficando mais fácil por esse motivo, por outro, dependendo do texto, o poema perde a leveza, variável de acordo com o poeta, ou com as situações emocionais que envolvam a cada um por ocasião da construção.
A construção de Logo Eu, por se parecer mais com as formas que Chico mais aprecia trabalhar, acabou ficando bem mais leve do que Com Açucar, Com Afeto; pois enquanto a última ocorre em clima de cobrança feminina mais séria, a primeira, por ter um clima de defesa do irresponsável marido, acaba sendo mais divertida e suave aos ouvidos.
Uma das coincidências que mais observei nas análises poéticas da obra do Chico talvez tenha uma interpretação Numerológica, que me foge do conhecimento. Por exemplo, os quartos versos das estrofes 1 e 2 possuem quatro sílabas.
Outra coincidência interessante diz respeito ao texto direto da composição comparado à quantidade total de versos utilizados nela. Sendo uma nítida defesa do personagem acusado em Com Açucar, Com Afeto; o safado de Logo Eu, querendo se fazer passar por injustiçado, ainda que reconhecendo a um amor “Quase Exemplar”, faz a composição em trinta e três versos. Faço a pergunta:
- Qual personagem histórico, famoso por seu sofrimento, teve relação com o número trinta e três?
- Uma óstia de bijú pra quem adivinhar!
Verão nas demais composições que ele fará muito disso.
Essa forma de construir composições, interligadas por textos pertencentes a personagens comuns, faz com que a obra dele apresente múltiplas novelas. Essa conversa de personagens iniciada no diálogo de Com Açucar, Com Afeto e Logo Eu; continuará em muitas outras feitas em distintas épocas. Assim ocorrerá com diversos outros assuntos abordados por ele na obra.
Estamos apenas no começo das definições de estilo e dos arquétipos literários.
Os trinta e três versos utilizados nas três estrofes foram:
Tetrassílabos -  06
Redondilhas Maiores  -  22
Sáficos Quebrados  -  03
Decassílabos Heróicos – 02
 
  del.icio.us isto!

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