fevereiro 18, 2008
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Mas na composição seguinte do segundo Lp Ulisses se defende com a mesma astúcia ancestral. Logo Eu?
Essa morena quer me transtornar
Chego em casa, me condena
Me faz fita, me faz cena
Até cansar
Logo eu, bom indivíduo
Cumpridor fiel e assíduo
Dos deveres do meu lar
Essa garota
De mansinho me conquista
Vai roubando gota a gota
Esse meu sangue de sambista
Essa menina quer me transformar
Chego em casa, olha de quina
Diz que já me viu na esquina
A namorar
Logo eu, bom funcionário
Cumpridor dos meus horários
E um amor quase exemplar
A minha amada
Diz que é pra eu deixar de férias
Pra largar a batucada
E pra pensar em coisas sérias
E qualquer dia
Ela ainda vem pedir, aposto
Pra eu deixar a companhia
Dos amigos que mais gosto
E tem mais isso:
Estou cansado quando chego
Pego extra no serviço
Quero um pouco de sossego
Mas não contente
Ela me acorda reclamando
Me despacha pro batente
E fica em casa descansando
A construção do cotidiano de um dos personagens bem comuns à obra do Chico, o do Homem Ingênuo diante de mulheres Vilãs, dos tipos Rita e Madalena pode ser explicada pelo texto de Logo Eu.
Percebe-se que tanto a Rita quanto a Madalena já se mostraram marcos dos primeiros confrontos Mulher Vilã x Homem Ingênuo, mas o texto desta sugere um Homem menos ingênuo, num divertido jogo de Transferência de Culpas, que, por sinal, caracteriza à relação da maioria dos casais, que se entregam à absurda competição para a posse da “última palavra” nas decisões conjugais.
Na Ópera do Malandro Chico abordará novamente o tema ao embuti-lo na composição O Casamento Dos Pequenos Burgueses, onde coexistirão “até que a morte os una“.
del.icio.us isto!