Januária – Análise Poética

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1 2 3 4 5 6 7 8   vs.
To da gen te-ho me na ge ia   1
Ja nu á ria na ja ne la   2
Á te-o mar faz re che ia   3
Pra che gar mais per to de la   4
O pes soal des na-a re ia   5
E ba tu ca por a que la   6
Que mal va da se pen te ia-E A+ 7
não es cu ta-a quem a pe la   8
1 2 3 4 5 6 7 8   vs.
Quem ma dru ga sem pre-en con tra   9
Ja nu á ria na ja ne la   10
Mes mo-o sol quan des pon ta   11
Lo go-a pon ta-os la dos de la   12
E la faz que não con ta   13
De sua gra ça tão sin ge la   14
O pes soal se de sa pon ta   15
Vai pro mar le van ta ve la   16
1 2 3 4 5 6 7 8    

                    

Rimas Versos Colocação Qualidade
                   Estrofe I    
R1 v1-v3 Alternadas rica
R2 v2-v4 Alternadas boa
R3 v3-v5 Alternadas rica
R4 v4-v6 Alternadas pobre
R5 v5-v7 Alternadas rica
R6 v6-v8 Alternadas boa
                   Estrofe II    
R7 v9-v11 Alternadas boa
R8 v10-v12 Alternadas boa
R9 v11-v13 Alternadas rica
R10 v12-v14 Alternadas boa
R11 v13-v15 Alternadas rica
R12 v14-v16 Alternadas rica


 

http://mpbsapiens.com/rimas-alternadas/
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http://mpbsapiens.com/rima-rica/
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Januária foi feita em Versificação Regular, com Cadência 1-3-5-7, e toda
em versos Graves, ou Femininos, já que se trata da descrição de uma Musa.
http://mpbsapiens.com/poema-regular/
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http://mpbsapiens.com/rima-grave/
 
Foram dezesseis versos dispostos em duas Oitavas Líricas. A composição é
inteira Lírica, tanto pela qualidade especial das estrofes oitavas, quanto pela
mesma rima que finaliza a ambas as estrofes, o que indica ter Chico tratado 
de sentimentos bem pessoais.
http://mpbsapiens.com/oitava-lirica/
 
Todas as rimas colocadas na forma de Alternadas nos finais de versos. Chico 
fez a composição inteira usando só três grupos de sons nas rimas: o Ela, 
comum às duas estrofes, o Eia na primeira e o Onta na terceira.
 
Há também algumas rimas de centro, como por exemplo nas terceiras sílabas
dos versos 3 e 4, ou mesmo umas Rimas Toantes à partir das terceiras sílabas
dos versos 6, 8 e 9, e uma outra Cruzada Simples entre os versos 11 e 12.
http://mpbsapiens.com/rimas-centrais/
http://mpbsapiens.com/rima-toante-ou-imperfeita/
http://mpbsapiens.com/rimas-cruzadas-simples/
 
Houve uma Anáclese entre os versos 7 e 8 que permitiu ao oitavo ter métrica
igual à dos demais. Tivemos também, além das usuais mudanças de tonicidade
nas palavras, o uso de Diérese em Su + a = suá e Pes + so + al = pes + soal que fez
as sílabas poéticas ficarem em menor número que as gramaticais.
http://mpbsapiens.com/anaclase/
http://mpbsapiens.com/dierese/
                    
  del.icio.us isto!

3 Respostas até o momento »

  1. 1

    Antônio Oswaldo said,

    outubro 28, 2009 @ 11:30 pm

    Prezado “MPB Sapiens”

    Apreciei muitíssimo a sua análise de “Januária”, bem como todo o site e os ensinamentos aqui contidos.

    Ocorre que vivo a garimpar momentos preciosos na poética do Chico, que jamais pode ter uma letra/poema lido apenas uma ou duas vezes: corre-se o risco de perder algum achado sublime.

    Por favor, se puder esclarecer-me quanto ao nome do recurso utilizado em Anos Dourados, que torna plural o verbo lembrar na primeira pessoa do presente do indicativo – “lembro” – que fecha um verso e se une ao “s” de “São”, que, por sua vez, inicia o verso seguinte. Ficou assim:

    “Meu olhos Molhados
    Insanos dezembros
    Mas quando eu me lembro
    São anos dourados…”

    Acho um mágico momento do artesanato perfeccionista do autor, mas não sei o nome desse recurso.

    Forte abraço

    Antônio Oswaldo
    P.S. A letra de “A Ostra e o Vento” contém tesouros magníficos.

  2. 2

    admin said,

    outubro 29, 2009 @ 6:02 am

    Caro Antonio Oswaldo:

    É um prazer tê-lo por aqui. Meu nome é Dalton, o Administrador do site.

    Dentro da Ciência Poética existe um só nome para qualificar a alguns recursos poéticos desprovidos de nome: Licença Poética; que se encontra mais voltada a explicar essas “imperfeições sintáticas” necessárias ao andamento do poema.

    Em Chega de Saudade, por exemplo, Vinícius de Moraes escreve num dos versos – Diz-me numa prece – correto na conjugação pela Ênclise no Presente, mas suponho em desuso desde quando a regra foi inventada. Embora correto, ninguém pronuncia “Diz-me” confortavelmente.

    O que Chico fez em Anos Dourados foi uma sobreposição lírica de tempos, que ocorre quando o narrador do poema é o personagem central do mesmo. Os dois primeiros versos do exemplo são a realidade do Passado, descrita pelo narrador que está no Presente. Chico costuma fazer muito disso.

    Quanto A Ostra E O Vento, observe a postagem intitulada “As Rimas”, pois a utilizei como exemplo no post.
    Se você quiser acompanhar a cronologia da obra do Chico, busque a página “O Livro”, situada à direita no cabeçalho do site. Lá procurei mostrar como tudo começou e continuou.

    Bom divertimento, grato pela elegância e um abração.
    Dalton.

  3. 3

    admin said,

    outubro 29, 2009 @ 11:16 am

    Antonio:

    Como você, no comentário anterior, disse ser um garimpeiro das pepitas poéticas do Chico, sinta só este pensamento:

    Pois no silêncio mentiroso
    Tão zeloso dos enganos
    Há de ser pura
    Como o grito mais profano
    Como a graça do perdão

    A composição não fez nenhum estrondoso sucesso nas paradas, mas a essência filosófica é o espelho das nossas prudentes trajetórias. Nosso medo em falar.

    Toda vez que eu lembrar de algo lhe mando.

    Abraços.

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