O Hino de Duran, o Direito e a Obrigação
| Comecei a ir à escola nos anos 50, com pouca idade, já que nasci no final de |
| dezembro. |
| Lembro que, nos quatro primeiros anos, as professoras corrigiam os nossos |
| desvios comportamentais, inicialmente, com uma bronca e, persistindo a falha, |
| com a régua em duas posições, proporcionalmente à gravidade do desvio: |
| De chapa, para os mais leves, ou de de quina, para os mais graves. |
| Se, ainda após a régua, o desvio persistisse, éramos levados à diretoria, que |
| mandava uma advertência escrita exigindo a presença dos pais na escola. |
| Normalmente, a coisa se resumia à bronca verbal, do diretor pra cima deles, |
| seguida, em casa, por surra deles pra cima de nós. A cinta, por ser de eficiente |
| retorno, era a estratégia mais usada, pois surtia o efeito desejado na maioria. |
| Era assim que aprendíamos a frear às naturais individualidades, e tolerávamos |
| viver em uma sociedade fundamentada em Leis, que nos cercavam em vários |
| aspectos cotidianos, para que milhões de nós pudessem levar uma vida com |
| crescimento, velhice e morte. |
| Inicialmente, poucos discordavam disso, mas, com o passar dos anos, |
| o número discordantes não parava de crescer e, munido de uma série de |
| estratégias racionais, transformou o conceito original do Direito, que resultava |
| da Obrigação não cumprida e, invertendo as posições do pensamento, fez |
| com que chegássemos à definição atual: |
| - A Obrigação resulta do Direito não obedecido! |
| Mas para o que servem a Lei e a Polícia? |
| Vídeo de gmpxeb |
| Se tu falas muitas palavras sutis |
| Se gostas de senhas, sussurros, ardís |
| A lei tem ouvidos pra te delatar |
| Nas pedras do teu próprio lar |
| Se trazes no bolso a contravenção |
| Muambas, baganas e nem um tostão |
| A lei te vigia, bandido infeliz |
| Com seus olhos de raios X (meretriz) |
| Se vives nas sombras frequentas porões |
| Se tramas assaltos ou revoluções |
| A lei te procura amanhã de manhã |
| Com seu faro de dobermam |
| E se definitivamente a sociedade |
| Só te tem desprezo e horror |
| E mesmo nas galeras és nocivo, |
| És um estorvo, és um tumor |
| A lei fecha o livro, te pregam na cruz |
| Depois chamam os urubus |
| Se pensas que burlas as normas penais |
| Insuflas agitas e gritas demais |
| A lei logo vai te abraçar infrator |
| Com seus braços de estivador |
| Se pensas que pensas |
| Estás redondamente enganado |
| E como já viste |
| Vem chegando aí o Dr. “Eiras” (de eiras e beiras) |
| E junto com o delegado pra te levar… |
| Excepcionalmente, hoje de manhã acompanhei na televisão a um noticiário, em |
| que vi, numa rodovia com passarela para pedestres, muitos deles cruzando a |
| estrada diretamente sobre as pistas, assim ignorando a uma série de riscos. Na |
| mesma cena, vi também um motoqueiro cruzando a rodovia usando a |
| imprópria passarela, também ignorando a outros riscos. Ambos com uma |
| inversão dos valores semelhante à ocorrida com os significados de Direito e |
| Obrigação vistos lá no começo. |
| Aonde começam, ou terminam, os Direitos Humanos? |
| No cumprimento ou no não cumprimento de leis que, castrando à nossa |
| natureza individualista logo na infância, deveriam servir para que tivéssemos |
| um posterior ajuste em forma de sociedade? |
| Com palavras bem encaixadas, podemos dar a um texto o que melhor |
| acharmos, mas até onde vai a nossa Liberdade de Expressão quando a |
| usamos de forma inconsequente? |
| Será que o uso da Régua era tão errado assim, já que estamos prestes a |
| tornar o simples beliscão num grave delito social? |
| Se tu falas muitas palavras sutis |
| Se gostas de senhas, sussurros, ardís |
| A lei tem ouvidos pra te delatar |
| Nas pedras do teu próprio lar |
| Se pensas que pensas |
| Estás redondamente enganado |
| E como já viste |
| Vem chegando aí o Dr. “Eiras” (de eiras e beiras) |
| E junto com o delegado pra te levar… |
a



































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