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	<title>Comentários sobre: Hiato Intervocabular (exemplos)</title>
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	<description>Cultura Musical</description>
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		<title>Por: admin</title>
		<link>http://mpbsapiens.com/hiato-intervocabular/comment-page-1/#comment-5838</link>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Oct 2011 01:16:05 +0000</pubDate>
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		<description>Alexandre:

Agora ficou mais fácil. Perfeito.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Alexandre:</p>
<p>Agora ficou mais fácil. Perfeito.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Por: Alexandre</title>
		<link>http://mpbsapiens.com/hiato-intervocabular/comment-page-1/#comment-5835</link>
		<dc:creator>Alexandre</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 18:11:20 +0000</pubDate>
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		<description>Obrigado Dalton... E lendo a sua resposta me dei conta de um erro...
Ao colocar minha dúvida sobre o &quot;Que há anos&quot; eu me esqueci de separar &quot;nos&quot; de &quot;anos&quot;...
Então poderia ficar: &quot;Que-há-a/nos&quot; certo?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigado Dalton&#8230; E lendo a sua resposta me dei conta de um erro&#8230;<br />
Ao colocar minha dúvida sobre o &#8220;Que há anos&#8221; eu me esqueci de separar &#8220;nos&#8221; de &#8220;anos&#8221;&#8230;<br />
Então poderia ficar: &#8220;Que-há-a/nos&#8221; certo?</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Por: admin</title>
		<link>http://mpbsapiens.com/hiato-intervocabular/comment-page-1/#comment-5834</link>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 11:24:08 +0000</pubDate>
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		<description>Alexandre:

Se conseguirmos pronunciar a sílaba num único tempo, qualquer possibilidade de fusão é admissível, embora, em muitos casos, a Ciência Poética ancestral condenasse. Por exemplo: - Não se funde sílabas gramaticais quando a anterior for tônica!

Essa regra vingou por muito tempo dentre os poetas, mas veja este verso de Funeral de um Lavrador (João Cabral de Mello Neto):

É-U/ma/ CO/va/ GRAN/de - 1-3-5

Se você reparar, o som resultante, &quot;ÉL&quot;, coube muito bem em único tempo.

Quanto à sua pergunta específica, cabe ao dono do poema optar por fundir ou não, pois &quot;que-o-a&quot;, com uma predominância do A no som, consome um só tempo. Veja este exemplo da música Almanaque (Chico Buarque):

Diz/ quem/ é/ que/ mar/ ca/ va-o/ ti/que/ ta/ &quot;que-e-a-am&quot;/pu/lhe/ta/ do/ tem/po/ dis/pa/rou 

Escute a música e sinta que a gigantesca fusão coube num só tempo: http://www.youtube.com/watch?v=Cy7kWMzxF-g

Curiosamente, no quarto verso da música Roda-Viva, o mesmo Chico não escapou de quebrar o pé, mesmo numa fusão aparentemente fácil &quot;foi+o&quot;, porque a anterior, tônica, impediu a pronúncia em único tempo, e o verso, cujo Ritmo Poético da estrofe exigiria oito sílabas, com cadência 2-5-8, acabou ganhando uma sílaba a mais, como o próprio texto sugere:

Ou/ foi+o/ mun/do-en/tão/ que/ cres/ceu?

Sinta o verso manco na música original: http://www.youtube.com/watch?v=HRFw5u5wR4c

No caso do Camões foi diferente, porque o cara era viciado em Heróico Grave (rima em paroxítonas), aliás, Os Lusíadas foi feito inteiro neles.

Chico pode até ter feito uma das suas jogadinhas de texto em Roda-Viva, com o &quot;cresceu&quot; denunciando o erro, mas o Camões não tinha tanta criatividade, talvez porque meter um Hendecassílabo no meio de um monte de Heróicos seria um ato condenável para a poesia da época.

O mesmo ocorre no caso dos Redondilhas Maiores com o uso do &quot;c´o-a&quot; (quá). Esse é um velho truque para salvar ritmo e métrica no poema. Se tivesse separado &quot;Com e A&quot; o verso viraria um Octossílabo perdido entre os Redondilhas.

O caso do Bra/ço virar &quot;Ba/ra/ço&quot; é o mesmo truque do A/guen/ta virar &quot;A/gu/en/ta&quot;. Fica à disposição do poeta usar qualquer das formas.

No caso do &quot;Que-a-anos&quot; ocorreu o mesmo erro do Chico em &quot;Foi+O&quot;. Não dá para colocar em um só tempo, pois o &quot;nos&quot; exige um segundo tempo.

No poema do Terêncio, que não conheço, para interpretar com maior segurança o verso, convém reparar nos demais versos da estrofe e na época em que foi escrito o poema. Se preceder ao Trovadorismo, a tendência é que pertença a um Poema Regular (versos com idêntica métrica). Se o restante da estrofe for em Redondilhas Maiores, a sua interpretação é a mais sensata. Se o poema for pós-trovadorismo, convém maior atenção na possibilidade de ter sido escrito em Versificação Irregular, deixando-se de olhar para a métrica e olhando-se mais para o Ritmo, pois poderia, por exemplo, estar acompanhado na estrofe por versos como:

não/ SOU/ ne/NHU/ma/ cri/AN/ça - 2-4-7
se/ TRA/go/ VI/va-a/ MI/nha/ lem/ BRAN/ ça - 2-4-6-9
en/TREI/ de/ VEZ/ nes/sa/ DAN/ça - 2-4-7
en/QUAN/to-há/ VI/da/ Há/ es/pe/RAN/ça - 2-4-6-9

Nos poemas, procure sempre interpretar o verso como sensato em relação aos demais, porque esse negócio de ficar mancando versos para reforçar o texto é marca registrada do Chico Buarque.

Grato pela visita e volte sempre.
Dalton.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Alexandre:</p>
<p>Se conseguirmos pronunciar a sílaba num único tempo, qualquer possibilidade de fusão é admissível, embora, em muitos casos, a Ciência Poética ancestral condenasse. Por exemplo: &#8211; Não se funde sílabas gramaticais quando a anterior for tônica!</p>
<p>Essa regra vingou por muito tempo dentre os poetas, mas veja este verso de Funeral de um Lavrador (João Cabral de Mello Neto):</p>
<p>É-U/ma/ CO/va/ GRAN/de &#8211; 1-3-5</p>
<p>Se você reparar, o som resultante, &#8220;ÉL&#8221;, coube muito bem em único tempo.</p>
<p>Quanto à sua pergunta específica, cabe ao dono do poema optar por fundir ou não, pois &#8220;que-o-a&#8221;, com uma predominância do A no som, consome um só tempo. Veja este exemplo da música Almanaque (Chico Buarque):</p>
<p>Diz/ quem/ é/ que/ mar/ ca/ va-o/ ti/que/ ta/ &#8220;que-e-a-am&#8221;/pu/lhe/ta/ do/ tem/po/ dis/pa/rou </p>
<p>Escute a música e sinta que a gigantesca fusão coube num só tempo: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Cy7kWMzxF-g" rel="nofollow">http://www.youtube.com/watch?v=Cy7kWMzxF-g</a></p>
<p>Curiosamente, no quarto verso da música Roda-Viva, o mesmo Chico não escapou de quebrar o pé, mesmo numa fusão aparentemente fácil &#8220;foi+o&#8221;, porque a anterior, tônica, impediu a pronúncia em único tempo, e o verso, cujo Ritmo Poético da estrofe exigiria oito sílabas, com cadência 2-5-8, acabou ganhando uma sílaba a mais, como o próprio texto sugere:</p>
<p>Ou/ foi+o/ mun/do-en/tão/ que/ cres/ceu?</p>
<p>Sinta o verso manco na música original: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=HRFw5u5wR4c" rel="nofollow">http://www.youtube.com/watch?v=HRFw5u5wR4c</a></p>
<p>No caso do Camões foi diferente, porque o cara era viciado em Heróico Grave (rima em paroxítonas), aliás, Os Lusíadas foi feito inteiro neles.</p>
<p>Chico pode até ter feito uma das suas jogadinhas de texto em Roda-Viva, com o &#8220;cresceu&#8221; denunciando o erro, mas o Camões não tinha tanta criatividade, talvez porque meter um Hendecassílabo no meio de um monte de Heróicos seria um ato condenável para a poesia da época.</p>
<p>O mesmo ocorre no caso dos Redondilhas Maiores com o uso do &#8220;c´o-a&#8221; (quá). Esse é um velho truque para salvar ritmo e métrica no poema. Se tivesse separado &#8220;Com e A&#8221; o verso viraria um Octossílabo perdido entre os Redondilhas.</p>
<p>O caso do Bra/ço virar &#8220;Ba/ra/ço&#8221; é o mesmo truque do A/guen/ta virar &#8220;A/gu/en/ta&#8221;. Fica à disposição do poeta usar qualquer das formas.</p>
<p>No caso do &#8220;Que-a-anos&#8221; ocorreu o mesmo erro do Chico em &#8220;Foi+O&#8221;. Não dá para colocar em um só tempo, pois o &#8220;nos&#8221; exige um segundo tempo.</p>
<p>No poema do Terêncio, que não conheço, para interpretar com maior segurança o verso, convém reparar nos demais versos da estrofe e na época em que foi escrito o poema. Se preceder ao Trovadorismo, a tendência é que pertença a um Poema Regular (versos com idêntica métrica). Se o restante da estrofe for em Redondilhas Maiores, a sua interpretação é a mais sensata. Se o poema for pós-trovadorismo, convém maior atenção na possibilidade de ter sido escrito em Versificação Irregular, deixando-se de olhar para a métrica e olhando-se mais para o Ritmo, pois poderia, por exemplo, estar acompanhado na estrofe por versos como:</p>
<p>não/ SOU/ ne/NHU/ma/ cri/AN/ça &#8211; 2-4-7<br />
se/ TRA/go/ VI/va-a/ MI/nha/ lem/ BRAN/ ça &#8211; 2-4-6-9<br />
en/TREI/ de/ VEZ/ nes/sa/ DAN/ça &#8211; 2-4-7<br />
en/QUAN/to-há/ VI/da/ Há/ es/pe/RAN/ça &#8211; 2-4-6-9</p>
<p>Nos poemas, procure sempre interpretar o verso como sensato em relação aos demais, porque esse negócio de ficar mancando versos para reforçar o texto é marca registrada do Chico Buarque.</p>
<p>Grato pela visita e volte sempre.<br />
Dalton.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Alexandre</title>
		<link>http://mpbsapiens.com/hiato-intervocabular/comment-page-1/#comment-5833</link>
		<dc:creator>Alexandre</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 07:50:49 +0000</pubDate>
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		<description>Eu tenho, ainda, outras dúvidas...
Esse soneto de Camões:

Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.

Claramente ele escreve decassílabo heróicos (tônicas obrigatoriamente nas 6ª e 10ª sílabas poéticas), mas o terceiro verso desse primeiro quarteto eu teria feito a escansão da seguinte maneira:
Mas/não/ser/vi/a-ao/pai,/ser/vi-a-e/la
E, no entanto, Camões deixa a entender que na verdade o &quot;ela&quot; não se une ao &quot;ser/vi-a&quot;, penso eu que pelo &quot;e&quot; de &quot;ela&quot; ser tônica, no caso... mas me tire, por favor, esta dúvida.

Um outro poema de Camões, um vilancete, claramente escrito em redondilhas maiores (7 sílabas poéticas):
&quot;Enforquei minha esperança,
mas Amor foi tão madraço
que lhe cortou o baraço.
(...)
Vem Cupido co a espada&quot; --&gt; este verso que me deixa com dúvidas

Eu teria escandido assim: &quot;Vem/Cu/pi/do/co-a-es/pa/da&quot; (o que daria em 6 sílabas poéticas, heróico quebrado, não sendo, portanto, a intenção de Camões)
Ele, no entanto, parece fazer assim: &quot;Vem/Cu/pi/do/co-a/es/pa/da&quot;
Por quê?

Minha outra dúvida é se se pode unir uma sílaba átona à duas tônicas, respectivamente, como por exemplo:
&quot;Que há anos&quot; --&gt; ficando &quot;Que-há-anos&quot; (1 sílaba poética)

O verso seguinte, do dramaturgo romano Terêncio:
&quot;Enquanto há vida, há esperança&quot;
Eu escandiria assim:
&quot;En/quan/to-há/vi/da-há-es/pe/ran/ça&quot; (7 sílabas poéticas)
Ou estou errado?

Bem, acho que já postei dúvidas demais...
Aguardo por respostas. Até breve.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Eu tenho, ainda, outras dúvidas&#8230;<br />
Esse soneto de Camões:</p>
<p>Sete anos de pastor Jacob servia<br />
Labão, pai de Raquel, serrana bela;<br />
Mas não servia ao pai, servia a ela,<br />
E a ela só por prémio pretendia.</p>
<p>Claramente ele escreve decassílabo heróicos (tônicas obrigatoriamente nas 6ª e 10ª sílabas poéticas), mas o terceiro verso desse primeiro quarteto eu teria feito a escansão da seguinte maneira:<br />
Mas/não/ser/vi/a-ao/pai,/ser/vi-a-e/la<br />
E, no entanto, Camões deixa a entender que na verdade o &#8220;ela&#8221; não se une ao &#8220;ser/vi-a&#8221;, penso eu que pelo &#8220;e&#8221; de &#8220;ela&#8221; ser tônica, no caso&#8230; mas me tire, por favor, esta dúvida.</p>
<p>Um outro poema de Camões, um vilancete, claramente escrito em redondilhas maiores (7 sílabas poéticas):<br />
&#8220;Enforquei minha esperança,<br />
mas Amor foi tão madraço<br />
que lhe cortou o baraço.<br />
(&#8230;)<br />
Vem Cupido co a espada&#8221; &#8211;&gt; este verso que me deixa com dúvidas</p>
<p>Eu teria escandido assim: &#8220;Vem/Cu/pi/do/co-a-es/pa/da&#8221; (o que daria em 6 sílabas poéticas, heróico quebrado, não sendo, portanto, a intenção de Camões)<br />
Ele, no entanto, parece fazer assim: &#8220;Vem/Cu/pi/do/co-a/es/pa/da&#8221;<br />
Por quê?</p>
<p>Minha outra dúvida é se se pode unir uma sílaba átona à duas tônicas, respectivamente, como por exemplo:<br />
&#8220;Que há anos&#8221; &#8211;&gt; ficando &#8220;Que-há-anos&#8221; (1 sílaba poética)</p>
<p>O verso seguinte, do dramaturgo romano Terêncio:<br />
&#8220;Enquanto há vida, há esperança&#8221;<br />
Eu escandiria assim:<br />
&#8220;En/quan/to-há/vi/da-há-es/pe/ran/ça&#8221; (7 sílabas poéticas)<br />
Ou estou errado?</p>
<p>Bem, acho que já postei dúvidas demais&#8230;<br />
Aguardo por respostas. Até breve.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Alexandre</title>
		<link>http://mpbsapiens.com/hiato-intervocabular/comment-page-1/#comment-5832</link>
		<dc:creator>Alexandre</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 06:48:51 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://mpbsapiens.com/?p=621#comment-5832</guid>
		<description>DÚVIDA
Gostaria de saber se se pode usar em qualquer caso o hiato intervocabular...
Vou ser mais preciso em minha pergunta: por exemplo, se houver um verso da seguinte maneira: &quot;Que o amor&quot;.
O &quot;a&quot; de &quot;amor&quot; junta-se ao &quot;Que-o&quot;? Pois se se junta, então terá duas sílabas poéticas o verso, caso não se possa juntá-lo, então será um verso de três sílabas.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>DÚVIDA<br />
Gostaria de saber se se pode usar em qualquer caso o hiato intervocabular&#8230;<br />
Vou ser mais preciso em minha pergunta: por exemplo, se houver um verso da seguinte maneira: &#8220;Que o amor&#8221;.<br />
O &#8220;a&#8221; de &#8220;amor&#8221; junta-se ao &#8220;Que-o&#8221;? Pois se se junta, então terá duas sílabas poéticas o verso, caso não se possa juntá-lo, então será um verso de três sílabas.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
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