Glenn Miller – Um Filho da Arte

      a

A maioria das postagens daqui se prestam à descrição do acasalamento de duas formas artísticas: Música + Poema, todavia não podemos nos esquecer que a música instrumental vagou solitária e soberana, por séculos, antes dos poetas entrarem na jogada com os seus textos na forma de poemas, cuja evolução alcançou o seu auge, mas, infelizmente, também nos trouxe ao estado presente, da quase ausência de melodia e poesia, nas atuais manifestações de Rap, Hip Hop, Funk…; onde, quando muito, se dá um valor maior à Rima que, diga-se com ênfase, nasceu como elemento auxiliar, mas de grande valor, na Ciência Poética.

Muito se teria a supor sobre as obras de Bach, Beethoven, Mozart, Liszt..; mas não me atrevo a ir tão longe no tempo, ou no conhecimento. O máximo que me permito é transcrever os sentimentos de infância, quando escutava um disco do meu pai, baseado num filme chamado Música e Lágrimas, que trata da trajetória artística do trombonista Glenn Miller, cuja orquestra desapareceu durante a Segunda Grande Guerra, depois de algumas apresentações nos fronts americanos.

Como todo grande compositor no encontro do estilo, Glenn vivia em busca de um som próprio para a sua música. Já havia composto Moonlight Serenade, música que o consagrou. Nos primeiros ensaios do Moonlight sentiu que a música era apenas bonitinha, mas faltava algo. Não apresentava “aquele som” tão desejado do Serenade.

Certo dia, num dos ensaios da orquestra, alguém bateu na boca do piston, ou trompete, num momento que estava sendo executado pelo instrumentista. Não deu outra: o cara machucou os lábios, os dentes frontais e o Glenn ficou sem o seu trompetista principal.

Estava numa sinuca de bico, pois teria no fim de semana uma apresentação importante. Dessas de fazer decolar qualquer lado artístico e financeiro. Foi salvo pelo seu clarinetista que, curioso, ou invejoso por tocar um instrumento até então apenas auxiliar na orquestra, o Clarinete; havia ensaiado todo solo do trompete na música com o seu instrumento.

Percebendo a angústia do Glenn, o clarinetista se encheu de coragem e mostrou o seu solo ao maestro, que escutou e, rapidinho, colocou o clarinete no lugar do trompete experimentando a novidade.

Foi quando percebeu que “aquele som” que tanto buscava, a Mãe Arte acabara de presenteá-lo pelo acaso. Colocou os clarinetes no solo, os trompetes no back e assim encontrou-se com o seu som imortal, naquele “litle Ever” que lhes restava em vida:

Vídeo de Bluebirduk

Comecei a postagem com o firme propósito de tentar traduzir por palavras a música chamada American Patrol, mas o Moonlight Serenade não deixou, dirigindo o meu texto mais para si.

Tentarei, noutro post, voltar ao assunto, que deveria ter sido este, se as demais músicas o permitirem. Essas coisas acontecem. É sério.

A Mãe Arte tem estranhas formas de presentear aos seus filhos mais dedicados e prediletos pelo “acaso”, mas, cá pra nós, será que algum amigo do clarinetista não colaborou com Ela, dando aquele leve toque na boca do trompete enquanto o trompetista principal ensaiava?

Nada provado. Apenas uma suave observação, mais brasileira, de alguém que tocava corneta em fanfarra nos tempos de escola.

Algum dos senhores leitores já ouviu falar de Ray Conniff?

Pois é. Explodiu em sucesso na década seguinte.

       a

  del.icio.us isto!

Nenhuma resposta até o momento »

Comentário RSS · TrackBack URI

Deixe um comentário