fevereiro 16, 2008
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A próxima composição do manuscrito só foi gravada no segundo Lp, porém o cancioneiro diz que foi feita em 1965, mas leva todo o jeitão de ter vindo diante de uma estratégica posição da Krishna-Marieta mostrando ao seu Arjuna-Chico que o livro, Baghavad, que ele tomara emprestado do pai, estava errado quanto às possibilidades, pois no caso do casal havia só uma. Ela ameaçou deixá-lo e ele disse: – Fica:
Diz que eu não sou de respeito
Diz que não dá jeito
De jeito nenhum
Diz que eu sou subversivo
Um elemento ativo
Feroz e nocivo
Ao bem-estar comum
Fale do nosso barraco
Diga que é um buraco
Que nem queiram ver
Diga que o meu samba é fraco
E que eu não largo o taco
Nem pra conversar com você
Mas fica,
Mas fica ao lado meu
Você sai e não explica
Onde vai e a gente fica
Sem saber se vai voltar
Diga ao primeiro que passa
Que eu sou da cachaça
Mais do que do amor
Diga e diga de pirraça
De raiva ou de graça
No meio da praça, é favor
Mas fica
Mas fica ao lado meu
Você sai e não explica
Onde vai e a gente fica
Sem saber se vai voltar
Diz que eu ganho até folgado
Mas perco no dado
E não lhe dou vintém
Diz que é pra tomar cuidado
Que eu sou um desajustado ***
Diga o que lhe agrada, meu bem
Mas fica
Mas fica, meu amor
Quem sabe um dia
Por descuido ou poesia
Você goste de ficar.
No manuscrito a primeira estrofe foi feita em PS após as três primeiras. Atentar para o quinto verso da última estrofe. Todo o equilíbrio rítmico das estrofes anteriores foi quebrado nele.
Mais uma vez reparem no texto do verso que quebrou o ritmo: “Que-eu sou-um desajustado”. Eventualmente usarei o registro *** para salientar a tais versos. Bastará ler o texto para entender a alteração na construção poética.
del.icio.us isto!