Verso Decassílabo (exemplos)

         

O Decassílabo é um verso com dez sílabas, que apresenta quatro tipos 
com nomes próprios especiais: Heróico, Sáfico, Gaita Galega e Arte Maior.
Exemplos:
 
 
Eu / a / pre / sen / to-He / rói  / co / ver / so-a / qui  - 6-10
 
Pra / te / di / zer / que-a / go / ra-es /  / mais /  / fi / co -  4-8-10
 
Di/  an / te / de-um / Ar / te / Ma / ior / as/ sim   -  2-5-8-10

Le / van / do-um / gai / ta / ga / le / ga / bem / / gi / co – 2-4-7-10

 
                   

 

  del.icio.us isto!

25 Respostas até o momento »

  1. 1

    LETÍCIA MODESTO said,

    December 11, 2010 @ 12:01 pm

    AINDA NÃO TIREI TODAS AS MINHAS DUVIDAS SOBRE ESSA FORMA DE VERSO,PODERIA VIR COM UMA EXPLICAÇÃO MELHOR.

  2. 2

    admin said,

    December 11, 2010 @ 12:55 pm

    Leticia Modesto:

    Quais são suas dúvidas maiores?

    Conte aqui pra mim e tentarei ajudá-la melhor.

    Grato pela confiança e volte.
    Dalton.

  3. 3

    Jordano said,

    December 15, 2010 @ 12:35 am

    Eu gostaria de saber se caso um poeta faça um verso decassílabo que não seja nem heróico, ou sáfico, ou gaita galega, ou martelo ou arte maior… esse verso continuará tendo o seu valor apenas por ter dez sílabas poéticas?
    Exemplo: ter tônicas na 5ª, 7ª e 10ª
    esse exemplo se enquadra na Arte Maior, ou esta está estritamente ligada à tônicas na 5ª, 8ª e 10ª?

  4. 4

    admin said,

    December 15, 2010 @ 6:15 am

    Jordano:

    Deste que o ritmo não esteja isolado em apenas 1 verso da estrofe e apresente uma colocação justificável nos pés formadores, qualquer cadência é válida para qualquer verso dentro da Versificação.

    Os 4 tipos de decassílabos que citei são apenas os mais famosos. Nada impede o poeta, por exemplo, de tentar a cadência 2-5-7-10 = jambo-anapesto-jambo-anapesto.

    Ou mesmo, 3-5-8-10=anapesto-jambo-anapesto-jambo.

    Ambos os exemplos não se encaixam em qualquer dos 4 tipos que apresentei, mas se você construir uma estrofe, ou mesmo o poema inteiro neles, a versificação o aceitará com gratidão, já que teve o cuidado de não deixar um Verso Manco no poema.

    Grato pela visita, e tente construir um poema com essas cadências para decasílabos, que apresentei como exemplos. Perceberá, na recitação em voz alta, que o ritmo poético ficará bem gostoso.
    Dalton.

  5. 5

    Jordano said,

    December 16, 2010 @ 1:17 pm

    Muito obrigado!

  6. 6

    admin said,

    December 16, 2010 @ 5:47 pm

    Jordano:

    Eu é que agradeço à sua visita. Volte sempre.
    Dalton.

  7. 7

    kissyla said,

    February 4, 2012 @ 12:37 pm

    Eu não entendi nada

  8. 8

    admin said,

    February 4, 2012 @ 6:23 pm

    Kissyla:

    Para entender alguma coisa do verso Decassílabo é necessário conhecer algo menor ainda, que é a Sílaba Poética.Você já ouviu falar dela?

    Caso necessite maiores explicações estarei sempre disposto a ajudá-la. Basta perguntar.

    Grato pela visita e volte sempre.
    Dalton.

  9. 9

    Katarina said,

    May 2, 2012 @ 8:13 pm

    O que é um verso decassílabo branco?

  10. 10

    admin said,

    May 4, 2012 @ 9:57 am

    Katarina:

    O verso que não tenha parentesco de rimas com outro numa estrofe recebe o nome de Verso Branco. O verso decassílabo é aquele que tem 10 sílabas poéticas. Como pode ver, qualquer tipo de verso pode ser Branco, mas para que seja um Decassílabo Branco o verso tem de estar numa estrofe que tenha pelo menos três versos, com dois rimando e outro não. Por exemplo:

    Katarina me fez uma pergunta
    Que possui complicada solução
    Na minha interpretação conjunta

    Isso é uma estrofe Terceto, contendo três versos decassílabos com o segundo verso sendo Branco. Conseguiu entender?

    Grato pela visita e volte sempre.
    Dalton.

  11. 11

    lucas voigt said,

    October 28, 2012 @ 12:05 pm

    Estranho mimo, aquele vaso! Vi-o não consigo dividir esse verso me ajuda ?

  12. 12

    lucas voigt said,

    October 28, 2012 @ 12:06 pm

    Estranho mimo, aquele vaso! Vi-o não consigo dividir esse verso me ajuda por favor

  13. 13

    admin said,

    October 28, 2012 @ 5:57 pm

    Lucas:

    Como tem duas possibilidades de divisão, eu precisaria da estrofe inteira onde ele está colocado para não falar besteira. Veja:

    1- Es/TRA/nho/ MI/mo/ a/QUE/le/ VA/so – sílabas tônicas 2,4,7,9

    2- Es/TRA/nho/ MI/mo-a/QUE/le/ VA/so – sílabas tônicas 2,4,6,8

    Ao que tudo indica, a segunda forma é a mais provável, pelo equilíbrio do Ritmo, mas, como já disse, preciso ver a estrofe inteira desse verso para ver qual é o Ritmo dos demais versos.

    Volte com a estrofe toda que lhe digo com certeza.
    Dalton.

  14. 14

    Bia Azevedo said,

    January 4, 2013 @ 7:49 am

    Olá, obrigada pela postagem, os comentários foram de fundamental importância para eliminar minhas dúvidas, seria ótimo se fizesse um poste mais detalhado, esse assunto é tão complexo.

  15. 15

    admin said,

    January 4, 2013 @ 8:13 am

    Bia Azevedo:

    A minha maior dificuldade é saber aonde moram as maiores dúvidas dos leitores para sempre melhorar a informação. Para mim, que conhece um pouco mais o assunto, essa sucinta explicação sobre o verso decassílabo imagino como bastante, já que explica o que é ele, como escandi-lo (dividi-lo nas sílabas) e mostra os 4 tipos mais usados, mas, concordo com você, talvez a postagem merecesse maior detalhamento, só que não sei em qual direção.

    Você poderia me sugerir um caminho para a melhoria?

    Não estou de mãos atadas. Apenas preciso saber melhor como usá-las e dependo de você para isso.

    Grato pela visita, pela sugestão e volte me esclarecendo.
    Dalton.

  16. 16

    Filipe said,

    May 4, 2013 @ 2:35 pm

    Olá, Dalton.

    eu ainda fiquei com dúvidas sobre como encontrar a sílaba tônica no verso. No exemplo que você deu:

    Eu / a / pre / sen / to-He / rói / co / ver / so-a / qui – 6-10

    eu marcaria da seguinte maneira:

    Eu / a / pre / SEN /to-He /RÓI /co /VER /so-a /QUI – ficaria 4-6-8-10

    o que estou fazendo errado? Minha tendência é marcar todas as tônicas, mas me parece que não é essa a ideia

  17. 17

    Filipe said,

    May 4, 2013 @ 2:40 pm

    Hum, aproveito aqui para elogiar o site e seu trabalho de esclarecimento das pessoas sobre os segredos da arte poética. Parabéns. – Gostaria ainda de perguntar se você poderia indicar alguns livros significativos que tratem desse tema. Um abraço.

  18. 18

    admin said,

    May 5, 2013 @ 12:14 pm

    Caro Filipe:

    Só ressaltei as sílabas 6 e 10 no exemplo para mostrar a exigência mínima do verso Decassílabo Heróico, que pode, aliás, deve receber mais tonicidades nos intervalos delas, já que é impossível uma declamação poética com som agradável sem tais tonicidades secundárias.

    A forma como você colocou a Cadência também pode ser usada, pois cabe a cada poeta escolher as posições das tonicidades nas palavras que formam o verso, não a gramática, que não se preocupa com os ritmos de uma estrofe.

    Veja este exemplo da música Construção, Chico Buarque:

    a/MOU/ da/QUE/la/ VEZ/ co/MÔ/ se/ FOS/se-a/ ÚL/ti/MÁ – 2-4-6-8-10-12-14.

    Agradeço a sua elegância ao reconhecer o meu trabalho, mas os livros sérios sobre o assunto são raríssimos e ainda dependemos dos velhos Tratados de Versificação de Castilho e Said Ali, já que o último encontro oficial de Poetas e Gramáticos, para tratar dos entendimentos cabíveis, ocorreu por ocasião do Parnasianismo no século retrasado.

    Tivemos no século passado uma tentativa de diálogo entre eles aqui mesmo no Brasil, Semana Literária de 1922, mas acabou virando mais um encontro de vaidades filosóficas do que de seriedade gramático-poética.

    Grato pela visita, mais uma vez pela elegância e volte sempre.
    Dalton.

  19. 19

    Filipe said,

    May 7, 2013 @ 12:33 am

    Olá, obrigado por responder meu post. Realmente é um trabalho especial o que vc faz. Sobre sua resposta acerca dos livros de arte poética. Se são tão escassos, como eu posso adquirir um conhecimento mais detalhado dessas questões nos dias de hoje? Gosto muito de poesia mas entendo pouco sobre o problema das estruturas que as formam. Não sei bem por onde começar a procurar. Se vc tiver alguma sugestão de como eu poderia estudar isso, ficaria muito grato. Mais uma vez agradeço a atenção.

  20. 20

    admin said,

    May 7, 2013 @ 10:46 am

    Caro Filipe:

    Não me tome por imodesto, mas enfrentei esses mesmos problemas seus já nos anos 60, quando comecei a descobrir os primeiros truques de construção poética que o Chico Buarque usava aplicar nas letras de música, tanto para reforçar quanto para contradizer os textos dos versos que os continham. Por exemplo, se você escandir a primeira estrofe da música Roda Viva irá deparar com um Verso Manco na Métrica, o quarto, que apresenta 9 sílabas após ser precedido por 3 contendo 8, num poema em que predomina a Versificação Regular (versos com o mesmo comprimento). Veja:

    tem/DI/as/ que-a/ GEN/te/ se/ SEN/te – 2-5-8
    co/MÔ/ quem/ par/TIU/ ou/ mor/REU – 2-5-8
    a/ GEN/te-es/tan/COU/ de/ re/PEN/te – 2-5-8
    ou/ FOI/ o/ MUN/do-en/TÃO/ que/ cres/CEU – 2-4-6-9

    Já naquela época, 1967, a crítica literária conservadora considerava Chico um pródigo aluno de Vinícius de Moraes, como um poeta de construção exata. Quando deparei com esse problema, e o levei ao meu professor de Português, que por sorte estava na parte de Versificação, ele ficou surpreso e sugeriu que eu continuasse as minhas análises das estruturas poéticas do Chico e sugeriu que lesse livros sobre o assunto.

    Foi aí que entrei na mesma dificuldade sua. Não havia material mais sério sobre o assunto, que diferisse dos dois Tratados de Versificação que lhe sugeri no comentário anterior. Haviam sim algumas tentativas de explicação por conta de alguns críticos literários da Folha de São Paulo, dentre os quais destaco Décio Pignatari como o mais ponderado, ou menos insensato, tanto faz; que estavam comprometidos com um movimento chamado Concretismo, e sugeriam poemas como:

    Teeeerrrraaaa
    eeeerrrraaaaT
    aaaaTeeeerrrr
    Teeeerrrraaaa

    Como pode ver, se eu quisesse me aprofundar na História da Construção Poética, definitivamente não poderia continuar tentando enxergar alguma sensatez naquela novidade mais moderna daqueles críticos, cujo nome foi mudado posteriormente para “Articulistas”, todavia, antes da chegada deles, o mesmo jornal apresentava críticos muito bons, e talvez esse seja um bom caminho de pesquisa pra você, como Antônio Cândido, Oto Lara Resende etc.

    Após anos de estudos paralelos, de Ciência Poética nas análises das letras do Chico, hoje posso até supor o que fazia com que tais articulistas chamassem essa coisa de poema, mas não costumo perder tempo com surrealismos quando o assunto é comunicação, onde a palavra escrita, com significados, sílabas tônicas e átonas…; continua sendo o mais eficaz objeto.

    Ao longo dos milênios, sinto que só tenhamos observado dois entendimentos mais sérios entre Poetas e Gramáticos pós Clacissismo: No século XVII, por ocasião do Trovadorismo, quando ficaram definidas as formas com que os poetas poderiam traduzir-se por versos – Cantigas de Amor, de Amigo e de Escárnio e Maldizer; e no século XIX, conforme já citei no Parnasianismo, quando definiram os limites entre o Poema e a Prosa nas catorze sílabas poéticas, os chamados Versos Bárbaros da poesia italiana.

    O que veio depois desse último encontro foi uma série de subjetivismos vários, que tornaram as objetividades poéticas quase nulas, à partir do Simbolismo, com o ancestral “Pé de Verso” deixando de ser um fragmento rítmico do verso inteiro para tornar-se um mero designador de Timbres de Rimas nas estrofes etc.

    Embora o verso sirva para o poeta exprimir os seus sentimentos mais profundos, o seu Ritmo e a sua Métrica são matemáticos, frios, exatos. E foi da soma repetitiva dessa matemática ancestral dos poemas que nasceram as regras da construção poética. Não como obrigações de estratégias de escrita, mas como meros registros dos resultados óbvios vindos do entendimento nas bem sucessidas experiências dos poetas ancestrais.

    Para a nossa sorte tivemos um cara como o Chico, que sem abrir mão da tradição do verso, dispos-se a contestá-la de forma ponderada nas letras de músicas, inicialmente usando os expedientes dos versos Manco (com ritmo ou métrica diferentes numa estrofe) e Branco (sem rima no final do verso, dentre os demais rimados); para alertar-nos dos textos em que tais recursos se apresentassem, e depois inventando novas formas de construção que mostrassem, por exemplo, ser possível fazer-se um poema com versos que ultrapassassem o limite das 14 sílabas poéticas e ainda brincasse com os nomes que a Ciência Poética usou para rotulá-los.

    Toda essa nossa conversa começou com uma dúvida sua acerca dos Decassílabos Heróicos, lembra?

    Pois bem, se você escandir os versos da música Almanaque, verá que o Chico fez predominar os longos versos com 20 sílabas poéticas. Exatamente, dois Heróicos por verso. Leia as perguntas que ele faz na música, e diante da impossibilidade de resposta, só um “Super-Heroi” poderia respondê-las. Sacou?

    Sem mais nem menos, o cara começa a música João e Maria, típica fábula infantil, com um verso Heróico Quebrado (verso com 6 sílabas que corresponde à sílaba central do Heróico); dizendo:

    Agora-eu era “Heroi” – 2-4-6

    Temos um outro recurso poético, a Anáclase, usado para salvar métricas, que consiste da absorção da sílaba átona final de um verso por outra átona inicial do verso seguinte e vice-versa. Pela regra, também efetivada no encontro parnasiano, tal recurso só seria possível de ser usado quando as sílabas envolvidas fossem átonas. Veja a brincadeira que ele fez na música Pelas Tabelas:

    Eu pensei que era ela puxando-um corDÃO-
    -DÃO oito horas e danço de blusa-amarela

    Tente escandir esses versos separando o DÃO em cada um. Resultará em verso Manco, que deixa de sê-lo se houver Anáclase, mas com sílabas tônicas? Como isso poderia aparentar ter ele tido sorte, tratou então de fazer a coisa novamente para que não houvessem dúvidas acerca da invenção:

    eu pensei que-era ela voltando pra MIM-
    -MINnha cabeça de noite batendo panelas

    Como pode ver, Filipe, a História da Construção Poética sempre habitou uma espécie de Vale das Trevas Literárias. Talvez hajam trabalhos muito bons por aí, mas confesso que cansei de procurar e só encontrar os mesmos textos meus com outros proprietários de blogs e sites. Se tivessem, ao menos, a criatividade de usarem sinônimos neles talvez conseguissem até encontrar novidades, que certamente deixei escapar nestes anos de estudo. Portanto, faça um bom uso do que já coloquei no cabeçalho das páginas do MPB Sapiens, mas continue procurando e, quando encontrar algo novo e sensato, volte pra me contar pois estarei todo ouvidos, ou melhor, olhos.

    Antes que eu me esqueça, repare que ao colocar uma sílaba a mais naquele quarto verso de Roda Viva, Chico mancou o verso, mas reforçou o texto que o finaliza, pois foi apenas um Mundo Poético que “Cresceu”.

    http://letras.mus.br/chico-buarque/85947/

    Boa sorte nos estudos, grato pela confiança e volte sempre.
    Dalton.

  21. 21

    Márcio said,

    July 16, 2013 @ 3:04 am

    Bom dia Admin Said. Meu nome é Márcio, e terminei de escrever um livro de poemas com métrica e ritmos livres, mas com a sonoridade bastante trabalhada. Ao terminar este trabalho, me veio a ideia de transformar cada poema do livro em um poema de 14 versos, dividido em 4 estrofes com 4 versos cada, e com rima no final do segundo e no final do quarto verso de cada estrofe. Fiz isso com uns 5 poemas, e achei que ficou muito mais bonito, relativamente ao que estava antes, achei que ficaram parecendo esculturas (relativamente, é claro). Depois de converter esses 5 poemas para esse formato, decidi tentar algo que achei que não teria capacidade de realizar, converti um desses poemas de 16 sílabas, num soneto decassílabo Shakesperiano. Eu pensava que era uma tarefa impossível para mim, mas foi um execício delicioso. Fiquei todo feliz, mas depois li mais um pouco e descobri que os sonetos decassílabos de Shakespeare, e de outros autores, estão incluídos em algumas categorias, como jâmbico, heroico, etc. Nem em sonho eu conseguiria converter o meu poema para um desses formatos, já tentei e é difícil demais para mim, eu teria que me esforçar demais, criar menos, creio que é para outras pessoas, e não para mim.

    O que eu gostaria de perguntar-lhe é se os meus poemas decassílabos, escritos dessa maneira, com 10 sílabas poéticas em cada verso, porém sem nenhuma preocupação com a distribuição das silabas tônicas (embora preocupação com a estética e com a sonoridade!) podem ser considerados verdadeiros poemas decassílabos. Eu pesquisei por essa informação na net e não encontrei nada, até que encontrei o seu site e pelo que li você entende muito do assunto. Você saberia me dizer se existe algum poeta clássico que já se utilizou desse tipo de verso decassílabo sem preocupação com as tônicas, e se esse tipo de verso decassílabo possui valor estético e literário?

    Muito obrigado desde já, um abraço.

  22. 22

    admin said,

    July 17, 2013 @ 11:39 am

    Bom Dia, Marcio.

    Meu nome é Dalton, o “Admin” do site.

    Vamos por partes. Dentre as construções poéticas de Forma Fixa, temos o Soneto, que apresenta duas regras fundamentais que o difere dos demais poemas: 1- É feito com 14 versos. 2- Todos os versos são Decassílabos Heroicos, que se caracterizam por apresentar a sexta sílaba acentuada na Cadência interna.

    Conheço só dois tipos de soneto: 1- Soneto Italiano, que possui os 14 Decassílabos Heroicos distribuídos em duas estrofes Quadras seguidas por duas em Terceto, exigindo ainda que pelo menos um grupo de rimas seja comum a ambos os tercetos. 2- Soneto Inglês, que exige os mesmo decassílabos divididos em 3 Quadras e um Dístico, e que apresente neste último rima do tipo Paralela.

    Sinceramente, nunca li nada de Shakespeare no assunto. Alguns de outros poetas ingleses, mas suponho que o próprio o tenha feito dentro das ditas regras do Soneto Inglês, ou até, quem sabe, tenha sido o próprio inventor de tal variação inglesa para os 14 versos.

    Anteriormente, os poemas eram mais valorizados pelo Ritmo Poético apresentado na dança das tonicidades das sílabas, que forneciam a melodia nas declamações. Posteriormente, e à proporção em que o tempo foi trocando o valor original das declamações orais, pelas formas apresentadas nas descrições por escrita, começamos a dar mais valor ao visual Estético dos poemas, deixando ele de ser ouvido para ser apenas lido.

    Desde de então, mais precisamente à partir do Simbolismo, os poemas começaram a perder a Objetividade no texto e começaram a “ganhar” a Subjetividade do poeta. Isso acabou nos trazendo a uma série de concepções literárias que, particularmente, considero meio absurdas, com poemas escritos desta forma:

    AAAmmmooorrr
    MMMooorrraaa
    OOOrrraaammm
    RRRaaammmooo

    Evito tratar, com maior propriedade, sobre essas evoluções da Construção Poética por pertencer a um outro tipo de analista, que dá ao histórico da Palavra Escrita o valor maior, como elemento de comunicação entre os homens, do que as concepções subjetivas e estéticas.

    Qualquer tentativa poética que use 14 versos pode ser um poema, mas se não obedecer as regras fundamentais do Decassílabo Heroico e dos posicionamentos das estrofes nas formas italiana ou inglesa, não será um Soneto, mas apenas um poema semelhante a Ele. Assim valerá qualquer coisa, pois, hoje, encontramos “Sonetos” construídos até com Versificação Irregular, mesclando versos Redondilhas Maiores e Menores, que apresentam métricas distintas.

    No caso dos poemas feito somente em decassílabos, como o nome indica, poderão ser tratados como “Poemas Decassílabos”, independente do número de estrofes ou das quantidades de versos em cada uma delas. Esteticamente, já observei alguns poemas, do passado, feitos dessa forma, só que usando as estrofes Décimas (versos com 10 sílabas em estrofes com 10 versos), como a “Décima Espinela”, por exemplo, que possui regras próprias quanto aos posicionamentos das rimas.

    Devo alerta-lo que os as construções poéticas podem ser classificadas de várias formas, mas não devemos mistura-las. “Heroico” é um tipo de verso decassílabo, e “Jâmbico” é qualquer verso que apresente as sílabas com a sequência de tempos fraco-forte-fraco-forte-fraco-forte…; inclusive o Heroico com cadência 2-4-6-8-10 finalizado em palavra oxítona.

    Para orienta-lo melhor na pesquisa daqui, do Sapiens, sugiro que vá ao endereço, “Ciência Poética”, posicionado no cabeçalho das páginas do site, e procure os itens de maior interesse, como por exemplo, Jâmbico, derivado de Jambo, que é um tipo de “Pé de Verso” de dois tempos rítmicos (binário), e pode ser encontrado nas postagens acerca dos “Pés de Verso”, ou mesmo, “Metros”.

    Grato pela visita, pela confiança e volte quando quiser, porque sempre estarei por aqui. Abraços.
    Dalton.

  23. 23

    Ruy said,

    July 22, 2013 @ 5:38 pm

    Prezado,
    Estou com o poema da música Matança, de Augusto Jatobá, sucesso a voz de Xangai e transformada em coovento hino da ecologia (abaixo).
    Gostaria de saber se se trata de um dodecassílabo e, se possível, gostaria que me informasse qual o conceito de dodecassílabo.
    Abraçoluz!
    Ruy Godinho

    MATANÇA (JATOBÁ)

    Cipó Caboclo tá subindo na virola
    Chegou a hora do Pinheiro balançar
    Sentir o cheiro do mato, da Imburana
    Descansar, morrer de sono na sombra da Barriguda
    De nada vale tanto esforço do meu canto
    Pra nosso espanto tanta mata haja vão matar
    Tal Mata Atlântica e a próxima Amazônica
    Arvoredos seculares impossível replantar
    Que triste sina teve o Cedro, nosso primo
    Desde de menino que eu nem gosto de falar
    Depois de tanto sofrimento seu destino
    Virou tamborete, mesa, cadeira, balcão de bar
    Quem por acaso ouviu falar da Sucupira
    Parece até mentira que o Jacarandá
    Antes de virar poltrona, porta, armário
    Mora no dicionário, vida eterna, milenar

    Quem hoje é vivo corre perigo
    E os inimigos do verde dá sombra ao ar
    Que se respira e a clorofila
    Das matas virgens destruídas vão lembrar
    Que quando chegar a hora
    É certo que não demora
    Não chame Nossa Senhora
    Só quem pode nos salvar é

    Caviúna, Cerejeira, Baraúna
    Imbuia, Pau-d’arco, Solva
    Juazeiro e Jatobá
    Gonçalo-Alves, Paraíba, Itaúba
    Louro, Ipê, Paracaúba
    Peroba, Massaranduba
    Carvalho, Mogno, Canela, Imbuzeiro
    Catuaba, Janaúba, Aroeira, Araribá
    Pau-Ferro, Angico, Amargoso, Gameleira
    Andiroba, Copaíba, Pau-Brasil, Jequitibá

  24. 24

    admin said,

    July 23, 2013 @ 8:21 am

    Caro Ruy:

    Trata-se de um Poema Irregular (versos com diferentes métricas), logo, não é um Poema Dodecassílabo, ou mesmo, Alexandrino, que é seu nome nome popular na Versificação, embora a maioria dos versos possua tal métrica.

    Por exemplo, dá forma como a letra foi escrita por você, o quarto verso, por apresentar 15 sílabas, já deixou de ser poema e entrou para o reino da Prosa, já que, pela regra, um poema pode conter no máximo 14 Sílabas Poéticas. Por outro lado, se houver alguma pausa no canto após “Descansar”, o mais provável é que houve um erro de descrição, pois o tal verso seria, na realidade, 2 versos, um com 3 sílabas e o outro com 12.

    Faça uma tentativa de Escansão dos versos da música e observe você mesmo os distintos comprimentos dos versos:

    http://mpbsapiens.com/escandir-escansao/

    Quanto aos Dodecassílabos, tivemos alguns com ritmos mais consagrados, como este:

    http://mpbsapiens.com/alexandrino-classico/

    Infelizmente, há um grande desleixo das pessoas nos registros das letras das músicas pela internet, e na maioria das vezes as formas usadas são bem diferentes do trabalho original do poeta na construção da letra.

    Há também o problema das músicas feitas em duplas, porque há um letrista, que tenta fazer a coisa corretamente, e um instrumentista que adora dar palpites na letra e acaba exigindo que o primeiro altere o poema original, mesmo enchendo-o de Versos Mancos, o que acontece na maioria das vezes nesses casos.

    Espero ter-lhe ajudado. Grato pela visita e volte sempre.
    Dalton.

  25. 25

    vernon said,

    July 27, 2014 @ 10:24 pm

    .

    tnx for info….

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