Comunicação (Gilberto Gil)- Análise de Texto

Comunicação (vídeo de Elisetom1974)

Anterior – http://mpbsapiens.com/superbacana-analise-de-texto/
 
Seguindo a idéia das 3 últimas postagens, citei na última delas  à forma
com que o baiano Gilberto Gil foi mais contundente do que, o também 
baiano, Caetano Veloso tratou da intervenção da mídia nas composições
musicais, uma relação denunciada por Chico na peça Roda-Viva.
 
Embora haja no vídeo acima a data – 1974 – a composição foi feita bem
antes, já que fez parte de um LP da Elis gravado em 1970.
 
Os artistas, talvez acima de protestarem contra o regime militar vigente 
no país, estavam incomodados com a situação comercial que os limitava
na exposição dos trabalhos, reféns daquela parafernália comercial
que os envolvia, dando ao público uma falsa idéia de cumplicidade.
 
Ao longo dos tempos, uma conduta foi repetitiva entre os pensadores,
tanto poetas quanto filósofos, quando amordaçados de alguma forma
e proibidos de se expressarem como queriam: A Sátira!
 
Assim como Chico satirizou na música Essa Moça Tá Diferente, Caetano
o fez em Superbacana, e Gil idem em Comunicação:
 
(Roda, roda e avisa!)
 
Sinto o anúncio e vejo
Em forma de desejo o sabonete
Em forma de sorvete 
Acordo e durmo na televisão.
 
Creme dental, saúde
E vivo num sorriso, paraíso
Quase que jogado
Impulsionado, no comercial.
 
(refrão)
Só tomava chá
Quase que forçado vou tomar café
Ligo o aparelho e vejo o Rei Pelé
Vamos então repetir o gol!
E na lua sou
Mais um cosmonauta-patrocinador
Chego atrasado perco o meu amor
Mais um anúncio sensacional!
 
Ponho um aditivo 
Dentro da panela a gasolina
Passo na janela da cozinha 
Tem mais um fogão
 
Tocam a campainha
Mais uma pesquisa e eu respondo
Que enlouquecendo, já sou fã 
Do comercial!
 
(refrão)
 
Na Brastel, tudo a preço de banana!
Quem nao se comunica, se trumbica!
Tereeziiinha…!
Estamos pensando em bloco…!
Conheça o Brasil pela Varig!
Ducal… meu nome é Gal… Ducal….!
 
Nesta composição, além do conjunto Capeta (imprensa e televisão), Gil 
adicionou o Anjo (Ibope), todos personagens da peça Roda-Viva.
http://mpbsapiens.com/roda-viva-a-peca-parte-1/
É interessante a forma como o Chico se usa dos pensamentos dos 
outros compositores anos mais tarde. Embora toda essa parafernália
de denúncias, contra o Consumismo Artístico, tenha sido iniciada por
ele mesmo na peça Roda-Viva, em 1968, 10 anos após ele lançou a
Ópera do Malandro, que apresenta no final uma versão brasileira, em
forma de paródia, de consagradas obras óperas passadas.
 
Separei um texto, que embora longo, é apenas um fragmento da ópera
inteira da peça. Notem as semelhanças:
 
O sol nasceu
No mar de Copacabana
Pra quem viveu
Só de café e banana
Tem gilete, Kibon
Lanchonete, Neon
Petróleo, Cinemascope
Sapólio, Ban-lon
Shampoo, tevê
Cigarros longos e finos
Blindex fumê
Já tem Napalm e Kolinos
Tem cassete e ray-ban
Camionete e sedan
Que sonho
Corcel, Brasília
Plutônio, Shazam
Que orgia
Que magia
Reina a paz
No meu país
Ai, meu Deus do céu
Me sinto tão feliz
 
Agora é só comparar:
 
Copacabana me engana
Esconde o superamendoim
O espinafre, o biotônico
(Superbacana – Caetano Veloso)
 
Só tomava chá
Quase que forçado vou tomar café…
 
É pra lá de fascinante como os pensamentos transitam simultaneamente
nas cabeças dos vários poetas em épocas distintas, não é mesmo?
 
Próxima – > http//mpbsapiens.com/

      .

  del.icio.us isto!

1 Resposta até o momento »

  1. 1

    Prestashop Templates said,

    novembro 6, 2011 @ 10:43 am

    Sources…

    [...]here are some links to sites that we link to because we think they are worth visiting[...]…

Comentário RSS · TrackBack URI

Deixe um comentário