Como Uma Onda – Diálogos da MPB.
| Embora uma composição da MPB se resuma mais ao cantor que a interpreta, |
| ou mesmo aos seus autores, muitas vezes há nos arranjos musicais, presentes |
| em qualquer música gravada em discos, um outro mundo musical à cargo do |
| arrajador, uma figura muito pouco notada pelo público, mas que vez ou outra |
| estabelece interessantes diálogos com o texto das composições. |
| Foi o que aconteceu com esta do Lulu Santos, cuja interpretação de Leila |
| Pinheiro teve como arranjador o Cesar Camargo Mariano: |
| Nada do que foi será |
| De novo do jeito que já foi um dia |
| Tudo passa tudo sempre passará |
| A vida vem em ondas como um mar |
| Num indo e vindo infinito |
| Tudo que se vê não é |
| Igual ao que a gente viu há um segundo |
| Tudo muda o tempo todo no mundo |
| Não adianta fugir |
| Nem mentir pra si mesmo agora |
| Há tanta vida lá fora |
| Aqui dentro sempre |
| Como uma onda no mar |
| O texto do Lulu parece bem claro, quanto à meta de dizer que as coisas |
| se renovam o tempo todo. |
| Na execução, já se observa ao fundo, na percussão, uma batida de bolero |
| com Andamento médio. Nem vagaroso, nem veloz, mas que ficou |
| consagrada em finais dos anos 50. |
| Leila canta toda a letra lentamente uma vez. Na segunda vez que a canta, já |
| aparece a consagrada batida de bolero, e assim persiste por toda essa |
| segunda parte da letra cantada. |
| Ao término dela vem o arranjo enigmático do Cesar, misturando metais e |
| vozes no fundo musical. Encerra o arranjo, e Leila canta novamente só |
| estes versos: |
| Nada do que foi será |
| De novo do jeito que já foi um dia |
| Para logo em seguida voltar um semelhante arranjo do Cesar, agora mais |
| definido como típica execução de Ray Conniff, o que sugere bem um |
| fictício diálogo do arranjador com o compositor, como que fazendo a |
| seguinte pergunta: |
| – Meu bom Lulu, você tem certeza do que está falando? |
| Basta comparar o primeiro com o segundo vídeo. |
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tatiane said,
junho 6, 2011 @ 6:52 pm
quero resumo dessa musica
admin said,
junho 6, 2011 @ 7:49 pm
Tatiane:
Qual resumo, filosófico ou poético?
Em qualquer um dos casos, um “Por Favor” me deixaria mais animado, ou menos escravo.
Dalton.