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Rock Brasileiro – Raízes III

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Os Iguais duraram pouco tempo, mas um deles voltaria posteriormente à Jovem Guarda já na carreira solo: Antonio Marcos:

http://www.youtube.com/watch?v=bbsNPb-A1Po&feature=related

Uma das coisas notáveis da música brasileira é o parentesco que certas canções apresentam, numa espécie de “lindo romance familiar”. Com a Jovem Guarda não foi diferente, vejam porque:

http://www.youtube.com/watch?v=gKkrZ2eo4l0

Ou, talvez exagerando um pouco:

http://www.youtube.com/watch?v=yAoYKqjfhNk&feature=related

Como a coisa toda pertencia à mesma Família Romântica da Jovem Guarda, Antonio Marcos ficou famoso por protagonizar um romance que acabou se transformando no “Casal da Jovem Guarda” com a chegada de Vanuza:

http://www.youtube.com/watch?v=RX1QGMFp9FE

Antonio Marcos e Vanuza formaram um lindo casal por bom tempo no ar, mas ocorreram desdobramentos que pouco cabem neste documentário. Houve um outro casal artístico, também formado na Jovem Guarda de forma interessante.

Ronnie Cord tinha firmado as suas raízes no rock pela rebeldia dos rachas paulistanos da Augusta. Erasmo Carlos tinha deixado a idéia de conquistador. Surgiu então, vindo direto dos pampas gaúchos, a mescla dos dois primeiros na forma de Eduardo Araújo, com um rock transbordante de energia, cuja interpretação vocal remetia o rock aos anos cinquenta, num estilo meio Chuck Berry. Ele É O Bom:

http://www.youtube.com/watch?v=Sv8XehRa-cg

http://www.youtube.com/watch?v=6ofD9t_sULM

Independente da gozação na letra debochada, a chegada de Eduardo Araújo foi uma tremenda Injeção de Rock, numa Jovem Guarda que tendia cada vez mais para o meloso romantismo de Roberto Carlos, pois, só a frieza analítica do agora permite avaliar que, além de buscar o rock essencial dos anos 50 com Chuck Berry, caso Eduardo Araújo tivesse um instrumental mais potente, nas mãos de um guitarrista mais valente, poderia muito bem estar associado a futuros rocks, surgidos fora do Brasil, e nesta forma:

http://www.youtube.com/watch?v=AlP-PXnwM3w

Eduardo Araújo não durou muito tempo na Jovem Guarda, mas ficou o bastante para ganhar um romance e depois sumir do mapa, já que o seu rock essencial não era muito “apropriado” às intenções do programa. Sua posterior dama foi Silvinha:

http://www.youtube.com/watch?v=a-3GU6r6zt0

Pra quem gostar de maiores explicações acerca dos romances entre Antonio Marcos-Vanuza, e Eduardo Araújo-Silvinha, sugiro procurar nas seguintes revistas: Manchete, ou Fatos & Fotos, ou mesmo O Cruzeiro; porque numa dessas, e daquela época, haverá um espaço chamado: Mexericos da Candinha; que fazia uma espécie de cobertura dos Bastidores da Jovem Guarda. Como não tinha o hábito de ler tal coluna, não me lembro de qual revista era, e tampouco o jornalista responsável, mas até isso foi cantado no programa pelo Rei:

http://www.youtube.com/watch?v=wLfjXeJBMxg

Voltando aos artistas que deram um valor mais artístico do que social à Jovem Guarda, começo citando a chegada das duplas. Uma das primeiras, e talvez a única composta por cantor e cantora, foi Leno e Lilian, também os primeiros da Jovem Guarda a cantar música mais voltada às diferenças observadas nas classes sociais:

http://www.youtube.com/watch?v=2hpL5d65bDw&feature=related

Mas Leno & Lilian também seguiam os protocolos do programa com isto:

http://www.youtube.com/watch?v=yQd334Z8sps&feature=related

As duas músicas de maior sucesso sucesso da dupla praticamente contavam as razões pelas quais havia nascido e inevitavelmente se separaria, como de fato ocorreu pouco tempo depois.

Depois vieram Os Vips:

http://www.youtube.com/watch?v=ETn1GB3jSGI&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=bAKIjDUsdsY&feature=related

Logo após o surgimento dos Vips, vieram Deny e Dino:

http://www.youtube.com/watch?v=xzZCwdmDziY&feature=fvsr

http://www.youtube.com/watch?v=QT1eRpFxOlo

À partir de Deny e Dino nota-se que, se por um lado a melodia do rock melhorara um pouco, por outro as letras tendiam ao empobrecimento. Esse aspecto último, o das letras pobres, começou a mostrar-se também nas músicas de certos conjuntos musicais.

Havia uma receita com os seguintes passos:

1- Tentava-se conseguir uma entrevista ao vivo em alguma Rádio com boa audiência, onde anunciava-se o compacto para breve lançamento. O bom era conseguir algo com Miguel Vacaro Neto.

2- Com um pouco de sorte, cavava-se uma participação na famosa “Vitrola Mágica”, um programa da Rádio Bandeirantes, feito direto nas ruas e comandado pelo radialista Enzo de Almeida Passos, autor da música Negue.

3- Se o texto fosse em outra língua, fatalmente o cantor teria de tentar enfiar a música numa Rádio, cujo nome creio ter sido Capital, que tinha um programa em que o radialista traduzia cada verso da música simultaneamente à execução.

4- Lançamento do disco. Não confundir com prova de Atletismo, embora muitos daqueles discos poderiam ser “arremessados” sem qualquer peso na consciência.

5- Apresentação do cantor na Jovem Guarda.

Para vender o sucesso nas lojas de disco, os títulos das músicas precisavam ter algo de bem chamativo.

Houve uma vez em que o nome de um rock chamou-me a atenção. Imaginava que o título, Muro de Berlim, associado ao nome Brazilian Bitles, pertencesse a um rock pesadíssimo. Como eu já conhecia e aprovara o conjunto nos bailes, pedi ao atendente para escutá-lo na loja de discos, antes de comprar.

Depois entendi porque o cara da loja me enrolou tanto antes de colocar o disco para eu ouvir. Claro que resultaria em produto não vendido. Vejam o que era o Brazilian Bitles naturais. Atentar para o detalhe da “pequena câmera” transitando pelo palco, que dava um certo ar de “Malvadeza Espacial”, pela semelhança com as naves:

http://www.youtube.com/watch?v=3wDELJQnsUA

Pensando melhor, e sem querer ofender, acho que aquela “Engronha Tanseunte” é alguma Máquina do Tempo filmando uma tentativa de releitura vesga do What I Say, do Ray Charles:

http://www.youtube.com/watch?v=65FOQpQpSwc

Como não achei um vídeo sequer daquela pobre música, com a letra ainda mais “carente” do que a melodia, cujos autores nem me dera o trabalho de na ocasião pesquisar, pude agora, décadas após, constatar o seguinte:

Num dos vídeos aparece o Roberto Carlos como autor. Noutro, aparece como sendo de Erasmo Carlos. Em nenhum dos dois casos o vídeo está disponível. Foram amigos até nisso. Assumiram isoladamente aquela coisa sofrível que tiveram a infelicidade de construir, e a venderam a um conjunto que buscava fama usando os nomes de ícones da Jovem Guarda.

Para não comprometer o amigo, cada qual assumiu a coisa como própria. Já não se fazem mais amigos como antigamente, embora letrinhas doentes, como essa, sim.

Como diria Bóris Casoy: “É uma (pausa) Vergonha”.

Muro de Berlim (Roberto Carlos e/ou Erasmo Carlos)

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Até o céu se rebelou
Quando viu minha história de amor
Feliz eu era um dia
Tinha tudo o que queria
De repente fiquei sozinho
Sem carinho , sem ninguém
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O muro de Berlim
Entre eu e meu bem ,
Cortaram a alegria do meu coração
Como se corta uma fatia de pão
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Deus tenha pena
E traga meu amor pra mim
Em Berlim , em Berlim ,
Em Berlim , em Berlim
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Como velhas águas sujas nunca moveram o Rock Essencial Brasileiro, finalizo esta segunda parte deixando-o descansar sobre águas turbulentas internacionais:

http://www.youtube.com/watch?v=DXF5lVpN1ys

 

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Rock Brasileiro – Raízes II

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Ainda em 1964, um desconhecido cantor, que já tentara a sorte cantando bossa nova e se mantivera desconhecido, buscando o mundo do rock, surgiu no cenário brasileiro num disco de 78 rpm, com uma interpretação meio mista. O rock era claro, mas havia nele alguns improvisos de voz herdados do período em que se aventurara pela bossa nova, mesclados com gritos mais comuns ao rock.

http://www.youtube.com/watch?v=f1DV8W0nJSE

Como havia forte concorrência com a TV Tupi pelos telespectadores, a Record começou a exibir, em 1965, o programa Jovem Guarda.

Para que a iniciativa se mostrasse novidade por inteiro, de alguma forma a emissora investiu no ainda desconhecido Roberto Carlos para comandar o programa musical voltado aos mais jovens. Embora o texto do seu primeiro sucesso merecesse alguns reparos por parte da imprensa, dava ao intérprete algo de rebeldia, que somada à troca dos tipos de cigarros da época, com a chegada dos cigarros com filtro que nos acompanham até hoje, alcançaram a popularidade bastante tanto à rebeldia dos filhos quanto à dos pais, cuja maioria era fumante.

Como aquela imagem de moço rebelde contrastava nas canções do Roberto, que também mostrava nas músicas muito mais do romantismo de Francisco Alves do que da essência do rock adolescente de Ronnie Cord, por exemplo, ganhou a rápida e prestativa companhia dos conjuntos, vistos na postagem anterior, nos primeiros domingos de existência do programa.

Logo surgiu a figura do parceiro ideal, como era comum ocorrer entre os moleques de uma turma que dividiam, os segredos próprios, desde Catecismos do Carlos Zéfiro aos buracos de fechadura mais cobiçados. Erasmo Carlos foi o cara escolhido. Uma das primeiras músicas dele na Jovem Guarda abocanhou os jovens por uma faceta pra lá de popular entre eles: Como “ganhar a mina”:

http://www.youtube.com/watch?v=mRFsLLefijU

Rapidamente, Roberto Carlos aprendeu a nadar naquelas águas do Rock Estratégico, que misturava o moço rebelde com o bom moço, criou uma nova linguagem e acertou em cheio com isto:

http://www.youtube.com/watch?v=GJ6aDjVAeJI

Faltava dar um aspecto mais agressivo para o parceiro Erasmo Carlos, pois o cara não poderia só ficar cantando sobre namoradinhas. Tinha de ser mais machão e conquistador, então alguém, lembrando dos carros e dos termos de Rua Augusta, do Ronnie Cord, fez surgir o apelido “Tremendão”, com música e tudo:

http://letras.terra.com.br/erasmo-carlos/45780/

http://www.youtube.com/watch?v=VDpdwIga_LY

Uma vez formada a dupla de amigos, e sendo a maioria dos fãs formada por garotas, a organização do programa tratou rapidamente de fazer surgir uma espécie de princesa moderna na Jovem Guarda. E o nome escolhido para assumir tal função foi Wanderléa, uma cantora desconhecida, com qualidade vocal mediana, nem tão bonita assim, mas que acabou assumindo bem o seu papel no enredo da Record:

http://www.youtube.com/watch?v=ZUHiEf7rHTc

Ela cantava poucas músicas além dessa acima. Há outra que lhe deu certa fama, principalmente pelo pegajoso enredo da Separação, um sucesso certo em quaisquer canções, rock, samba etc. Mas, antes da música ser gravada pela Wanderléa, e de ter até virado tema do filme Ternura, já servira para o ingresso do cantor Demétrius na Jovem Guarda. Tratava-se de uma versão muito bem feita, mas que já tinha dono anterior, pois muitos eram os sucessos chegados às paradas por versões desde Celly Campelo. Aqui vão as duas:

http://www.youtube.com/watch?v=m5-eKiSUeBE

http://www.youtube.com/watch?v=_DDmtHVvrPo&feature=related

De alguma forma, o Demétrius parou de cantar a música na Jovem Guarda e passou a ficar mais conhecido por esta outra:

http://www.youtube.com/watch?v=WRfMaLdw0Vc

Como a produção do programa usava fazer comparações com outros ídolos estrangeiros, por um tempo a estampa de Demétrius esteve associada à de Elvis Presley, mas a incorrigível natureza do cara era a de cantor romântico, enquanto o Elvys, além de ter excepcional voz tenor, era muito mais do Rock, do Twist. Também era bem sucedido no gênero romântico, que não era tão grande no repertório. Havia muitas diferenças entre os dois. Como imaginar o Demétrius cantando a versão inglesa do clássico italiano, Sole Mio, com esta potencialidade tenor?

http://letras.terra.com.br/elvis-presley/31452/

Ou mesmo no romântico com uma voz dessas:

http://www.youtube.com/watch?v=HZBUb0ElnNY

Alguns tenores de ópera já se aventuraram a cantar, e com excelente qualidade, alguns clássicos do Bolero, como este, por exemplo:

http://letras.terra.com.br/andrea-bocelli/590209/

Guardadas as proporções, as diferenças entre Bocelli e Elvys estão no fato do primeiro ser um Tenor Lírico que experimentou cantar Bolero, e Elvys ser um Tenor Roqueiro, que experimentou cantar uma versão americana em Rock, de uma consagrada música tradicional pela voz de tenores italianos. Como seria Elvys numa ópera?

-Talvez fosse algo melhor do que um Pavarotti dançando que nem ele sobre um palco.

Como Demétrius não se ajustava ao tipo Elvys, pretendido pela direção do programa, durou pouco na Jovem Guarda, que com isso perdera o seu representante romântico.

Tal ausência não representou um problema duradouro, pois a direção do programa fez surgir rapidamente o cantor Ary Sanches, batizado pelo apelido Granada Romântica da Jovem Guarda. Era sempre anunciado efusivamente por Roberto Carlos, como quem estivesse, com classe, apertando no banheiro um imaginário Botão de Descarga.

Cantava sempre a mesma música e ía embora. Não lembro do nome da música, todavia encontrei repetidas vezes o mesmo Ary interpretando um consagrado Brega do Nelson Ned:

http://www.youtube.com/watch?v=re1N74LVLgs

Perdoem pela derivação, mas escutando a música do Ned algumas vezes pelo Ary, pude perceber que devia ser fã do Jimmy Fontana, pois as músicas brasileira e italiana apresentavam muitas “afinidades incidentais” na época:

http://letras.terra.com.br/jimmy-fontana/441742/

Como desde então havia um truque promocional, o de alguns cantores menos expressivos se apresentarem nos programams de domingo, a Jovem Guarda tinha o seu lado meio Faustão ou Gugú atuais. Ary Sanches não foi o único, porém foi o que mais durou, com aquele estilo que lembrava os posteriores Chitãozinho & Xororó em plenos anos sessenta. Os tempos da MPB são muito confusos.

Assim como os conjuntos de rock instrumental, havia uma grande quantidade de músicos e cantores, que encontrando dificuldades para se manterem nas carreiras artísticas, puderam encontrar dias melhores em tal programa dominical.

Além dos referenciais americanos Ray Charles e Bill Haley, a década de 50 trouxera-nos outra feliz novidade: The Platters:

http://www.youtube.com/watch?v=QT-JUj-0bg8

Como o Brasil também tinha a característica de apresentar familiares formando conjuntos vocais, como Titulares do Ritmo e Trigêmeos Vocalistas, por exemplos; houve uma dessas famílias, a do compositor Umberto Silva, que também começou apresentar-se na Jovem Guarda como Trio:

http://www.vagalume.com.br/jovem-guarda/filme-triste-trio-esperanca.html

http://www.youtube.com/watch?v=vuTy4Mt3REo

Uma das revistas infantis mais lidas da época era as de Bolinha e Luluzinha. Com essa letra, a Jovem Guarda atingiu outra faixa, inédita e obviamente crescente no mercado das audiências.

O Trio Esperança não se resumiu àquela época da Jovem Guarda, pois uma das componentes do grupo, Evinha, já na carreira solo, ganhou o Festival Internacional da Canção em 1968, com a música Cantiga Por Luciana (Edmundo Souto e Paulinho Tapajós), numa acirrada disputa com Malcolm Roberts cantando Love Is All:

http://letras.terra.com.br/evinha/230599/

http://letras.terra.com.br/malcolm-roberts/546997/

Posteriormente os demais integrantes da famíla formaram um outro vocal, o Trio Ternura, dirigido por Raul Seixas, que acompanhando o, ainda cantor, Tony Tornado, também ganharia um festival em 1970 com a música BR-3

http://www.youtube.com/watch?v=YMzX1_NdFT0&feature=related

Aquela dança do Tony Tornado virou uma febre nos nossos salões de Rock, embora, para o Black Power do rock americano, não fosse muita novidade, já que havia um conjunto chamado The Jackson Five, que em 1966 já ensaiava alguns passos semelhantes com o garoto prodígio e vocalista Michael Jackson, que contava com 8 anos:

http://www.youtube.com/watch?v=Q6bARIaMhCM

Não demorou muito, e o sucesso meteórico do Trio Esperança abriu as portas da Jovem Guarda para mais uma parte da família, só que dessa vez na forma de Quarteto de vozes masculinas:

http://www.youtube.com/watch?v=Vj4vExPf_7Y

http://www.youtube.com/watch?v=jgFY-xDvoKM&feature=related

Como a Jovem Guarda apresentava artistas de qualidades distintas, e tanto o Trio Esperança quanto os Golden Boys faziam parte das melhores, era comum de se observar entre os fãs, discussões que, na maioria das vezes, se transformavam em confrontos raciais.

Ao invés da emissora procurar diminuir as possibilidades que geravam tais idiotices, alimentava-as fazendo surgir um novo quarteto vocal, Os Iguais, formado só por integrantes de cor branca, como já acontecia na MPB de então com dois grupos: O Quarteto e MPB4.

Como, além da rivalidade racial entre os fãs havia uma outra mais explícita, entre a Jovem Guarda e a MPB, cujos quartetos se mostravam excelentes, a emissora foi imprudente ao jogar os quatro jovens no ar, e num mesmo programa aonde os Golden Boys também se apresentassem. Os Iguais até possuíam uma boa afinação. O rock até que era legal, mas por não terem intimidade alguma com o Palco, tudo que apresentava de bom era apagado pelas perfomances dos Golden Boys:

http://www.youtube.com/watch?v=aM4Ap1zoQFo

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MPB, Cigarro, Bebida, Arte e Contraste.

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http://www.youtube.com/watch?v=cWnmCu3U09w

de 0 a 36 segundos

37 a 1:06

1:07 ……

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Sei que você fez os seus castelos
E sonhou salvar-me do dragão
Desilusão neném
Quando acordou estava sem ninguém
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Sozinho no silêncio desse quarto
Ah, quem lhe dera um parto à inspiração
Mesmo o sonho de longa espera
Não vai poder livrar você da fera
Da Solidão
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Com a força do meu pranto
Invado o seu quarto pra alegrar seu canto
Dá mais um trago
Perde a atenção
a
Filosofia é poesia
E assim ouvia Erasmo à vó:
- Antes mal acompanhado do que só!
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Sempre é preciso muito sapiens
Pra encarar o breu
Mesmo que esse Sapiens seja o meu

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O imaginário Quadro da Inspiração, que costuma surgir para o poeta momentos antes de escrever o rascunho do poema, não é igual a uma simples gravura fixada numa parede, mas a uma série de fotos sobrepostas, cuja associação mental ocorre num momento exato.

Assim que esse momento surge, é comum o poeta procurar o primeiro papel disponível para fazer a narrativa do observado no Quadro, que não costuma ficar por muito tempo na memória. Esse é o motivo que explica o fato de muito da MPB ter vindo dos guardanapos comuns às mesas dos bares, seus locais preferidos, onde o poeta costumava cercar o chamado Ócio da Criação com os seus companheiros prediletos: O Café, o Cigarro, a Bebida…

É sempre bom ter alguém por perto falando qualquer coisa, porque é uma palavra-chave que costuma abrir todo o processo da criação. Quem pronunciou tal palavra pode continuar falando outras tantas, que o poeta já terá se desligado da conversa e viajado no seu sonho.

E quando o poeta é famoso o bastante a impedirmos que transite normalmente sem que o ataquemos?

Vê-se obrigado a deixar os locais públicos, como os bares, que tanto lhe ajudam nas inspirações, extraídas das fotografias que faz do nosso cotidiano transeunte.

Embora a paródia do poema acima, escrito por Erasmo Carlos para virar a letra da música Mesmo Que seja Eu, teve destino diferente deste; serve para dar uma boa idéia da situação última do poeta famoso, que privado do anonimato, torna-se recluso às grades do seu próprio lar, onde começa a trocar a objetividade pela subjetividade tendente ao paradoxo.

http://letras.terra.com.br/erasmo-carlos/45776/

Quando os pensadores nos premiam com os seus poemas ao longo dos anos, não podemos esquecer do que já disseram anteriormente, pois essa é a melhor forma de construir-se a Literatura, que costuma premiar os melhores com maior existência histórica e filosófica, ainda que já desprovidos dos originais corpos:

Tijolo por tijolo num desenho mágico

Talvez seja uma boa forma para explicar o processo literário.

(Construção – Chico Buarque) – http://letras.terra.com.br/chico-buarque/45124/

Como a nossa comum insegurança faz com que sempre valorizemos mais ao Passado do que ao Presente, surgem boas discussões quando temos a idéia atual do bem-estar físico se confrontando com o Passado de glórias. Vejam o contraste:

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1- Heitor Villa Lobos – Maestro (1887-1959) – 72 anos

2- Pixinguinha – MPB (1897-1973) – 86 anos

3- Noel Rosa – MPB (1910-1937) – 27 anos

4- Cartola – MPB (1908-1980) – 72 anos

5 – Vinícius de Moraes – Poeta e MPB (1913-1980) – 67 anos

Antonio Carlos Jobim – Maestro e MPB (1927-1994) – 67 anos

6- Lygia Fagundes Teles  – Escritora (1923-….) – viva e com 88 anos

7- Martinho da Vila – MPB (1938-…) vivo e com 73 anos

8- Oscar Niemeyer - Arquiteto (1907-…) vivo e com 104 anos

Quando fiz essa coletânea de fotos, diante da imensa quantidade de fumantes famosos nas artes gerais, fui obrigado a colocar somente alguns, cuja maior parte apresentava  também fotos em que estivesse bebendo algo. Como não poderia afirmar se a bebida era ou não alcoólica em todos os casos, preferi deixar apenas essas 8 fotos, das nove personalidades culturais brasileiras, em ambas as cores de pele.

Seria um absurdo fazer qualquer incentivo ao Tabagismo, num espaço cultural voltado à Educação. Assim como vejo ser igualmente absurdo o inverso, pois o excesso de propaganda, sobre qualquer coisa, só faz por aumentá-la em quantidade e espécie.

Como acusar essa turma toda de fumantes famosos, quando observamos nas ruas coisas como esta:

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Isso é apenas uma camionete diesel sendo ligada. Talvez devamos considerar, pelo excesso de fumaça, que o dono tirou o lacre da bomba injetora para andar mais. Considerando então apenas a metade dessa fumaceira, e criando agora a Unidade Niemeyer de Poluição (N), a quantos Ns equivale cada ligada matinal da garota?

Um (N), durante toda a existência, ou mais de uma geração deles?

Estou tratando de uma, e somente uma dessas camionetes, que diariamente se somam em centenas às milhares já “legalmente” existentes e atuantes, normalmente ocupadas apenas pelo motorista. Tal cena, que é mais comum aos motores diesel na primeira ligada da manhã, não fica muito diferente durante o resto do dia nas diversas vezes em que são religados.

Não dá para entender as razões de tanta propaganda contra o cigarro e à favor da camionete. O primeiro legal e socialmente proibido e a segunda social e legalmente incentivada?

Comparemos agora a cor de tal fumaça com a da ilustração abaixo:

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O exemplar, com aparência européia e sexagenária, que faz parte de uma espécie em franco estado de extinção, antanho escrevia coisas com esta:

…E a gente vai fumando
Que também sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão…

http://letras.terra.com.br/chico-buarque/7584/

(Meu Caro Amigo – Chico Buarque e Francis Hime)

Esse é o ambiente Ócio do poeta prestes a enveredar pelo caminho da Criação. O copo de vinho já meio usado, aquela tragada fiel após o gole, com o papel e a caneta a postos ao lado do cinzeiro, onde poderá calmamente apoiar o cigarro e começar a escrever. O torpor dos olhos denuncia que a troca de mundos poderá, ou não, ocorrer a qualquer momento.

Proibido, tanto por nós quanto pela lei, o que acaba dando no mesmo; de fumar e fotografar o nosso cotidiano no seu habitat predileto, como a mesa de bar, tem de refugiar-se numa adega para conseguir capturar-se. Enquanto aguarda o momento esperado, usa lembrar de outras coisas premiadas por semelhantes momentos de outrora:

A lei tem motivos
Pra te confinar
Nas grades do teu próprio lara

http://letras.terra.com.br/chico-buarque/85732/

(O Hino da Repressão (Duran II) - Chico Buarque)

Focada mais numa Ótica Durânica posterior acima, a coisa não foi sempre assim, claro. Quando não tinha de enfrentar, com tamanha envergadura, à nossa curiosidade de fã atual, nem a toda essa hipocrisia moral que nos cerca, costumava ser sincero conosco ao atrever-se tratar da própria arte:

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…Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade…

http://letras.terra.com.br/chico-buarque/45121/

(Cálice – Chico Buarque e Gilberto Gil)

Toda a hipocrisia social, vista acima da imagem, que hoje enfrentamos sob o apelido de Democracia, veio após um brando período em que vivemos numa Ditadura Militar, cuja ação mais danosa ao exemplar se resumia a um Cale-se da censura. Conforme mostra a foto anterior, usada na comparação das fumaças, ocorrida já no atual regime democrático, podemos notar que há uma busca interior por maiores explicações, de um sonho libertário ancestral se transformando na armadilha atual em direito e fato, pois modificara muito pouco nos dois estados sócio-durânicos abaixo citados.

Quando em regime ditatorial:

A lei tem motivos
Pra te delatar
Nas pedras do teu próprio lar

http://letras.terra.com.br/chico-buarque/45134/

(O Hino de Duran – Chico Buarque)

E já nesta atual formatação democrática, vista anteriormente e revista agora:

A lei tem motivos
Pra te confinar
Nas grades do teu próprio lar

Embora os pareceres, feitos em distintas épocas, sugiram imensas diferenças filosóficas, ambos coexistem pacificamente no fragmento paródico abaixo:

Mesmo o sonho de longa espera
Não vai poder livrar você da fera
Da Solidão

Nota-se na ilustração acima a presença de uma nobre fêmea da espécie.  Com severo semblante e tronco ereto, característica da elegância comum aos primórdios racionais da cadeia evolutiva, mantém tais traços originais, ainda que escorando o pesado macho em estado de graça manguaça. O olhar sempre atento, ao menor sinal dos flashs predadores, denota o zelo matriarcal da cordial criatura, responsável pelo bem-estar do macho para o consequente crescimento cultural da raça.

Faz-se mister mais um registro dessa mutação dirigida da espécie. Noutra época, caracterizada pela presença de outros representantes semelhantes no Habitat Brasilis, embora a imagem a seguir sugira um certo crescimento em volume, por outro lado,  as informações históricas registram que tal volume foi compatível com a maior produção cultural, conforme indica o folgaz semblante do macho, quando ainda entregue ao rigor dos atributos da fêmea acima citada:

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A história traz também registros ideográficos de migração da fêmea para um outro Habitat, o globális, diminuindo a atividade cultural do macho acima, que limitou-se a esporádicos momentos posteriores da genialidade interior, o que dá à espécie traços maiores da presença do Matriarcalismo  sobrepujando o Patriarcalismo, cuja consequência sugere os machos de tal espécie impedidos de se misturarem com fêmeas de outra, sob pena da regressão cultural simbiótica, posto que a própria é extraída e originária do cotidiano popular opressor.

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…Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras…

http://letras.terra.com.br/chico-buarque/66065/

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Rock Brasileiro – Raízes I

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Com a maior influência da música americana na brasileira dos anos 50, alguns grupos de instrumentistas daqui começaram a desenvolver no Brasil os ancestrais Conjuntos, que posteriormente receberiam o atual nome de Banda.
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Inspirados nos quartetos, ou sextetos americanos, já famosos do Jazz, como Chet Baker e Dave Brubeck, as raízes brasileiras do Rock nasceram nesses grupos ancestrais, que eram instrumentais e executavam outras variedades musicais, inclusive, as do já popular Ray Charles, que embora não tenha sido reconhecido como roqueiro ancestral, tocava coisas deste tipo:
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Antes mesmo da chegada de Bill Haley e Seus Cometas:
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Essa discussão toda, posteriormente, resolveu o problema rotulando a música de Charles como Soul e a de Bill como Rock And Roll, mesmo que o Ray Charles também cantasse coisas deste tipo:
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No vídeo, é só reparar nos acordes do cara que está atrás de Ray, com aquele ”quase” Violão Elétrico fazendo as vezes de Guitarra Base; para aumentar ainda mais a confusão.
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As velozes gravadoras americanas, se aproveitando do litígio músico-racial, fizeram a festa no mercado dando a ambos, Bill e Ray, um grande impulso.
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Isso não demorou a chegar ao Brasil, mas trouxe para cá a mesma indecisão, pois é muito difícil precisar o pioneiro Rock Brasileiro, porque assim como houve controvérsias entre os americanos em tal aspecto, pelas dimensões continentais do Brasil, dois elementos básicos poderiam ter sido usados para criá-lo em qualquer parte do país: Rádio e Violão.
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Lembro, ainda bem criança, das discussões do meu pai com os meus irmãos mais velhos sobre o uso de um Rádio de estimação do velho. Um Transglobe Philco, que captava programas das rádios americanas e européias nos anos 50.
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Dessa forma fica difícil imaginar quem foi o primeiro músico brasileiro a escutar o Bill Haley e tentar tirar no violão algo parecido. Partamos portanto de tal dúvida.
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Não demorou muito para um certo letrista, Fred Jorge, escrever a versão brasileira do original Stupid Cupid, do Neil Sedaka, para Celly Campelo cantar com o nome Estúpido Cupido:
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Algum tempo depois ocorreu o mesmo com a música Diana, original americana do Paul Anka, cantada aqui pelo Carlos Gonzaga:
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Em 1961 tivemos nova versão, também famosa pelo lado da moda nas praias, já que as mulheres da época, ousando mostrar as barrigas, começavam a trocar o maiô inteiro pelo de duas peças, popularmente chamados de Biquini. E dessa forma surgiu o nome de Ronnie Cord no rock brasileiro com um disco Compacto Simples:
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Essas primeiras tentativas brasileiras de Rock Romântico, embora representassem uma boa vendagem de discos 78 rotações, ou mesmo dos chamados Compactos Simples em 45 e 33 rpm, não puderam esconder por muito tempo que a essência adolescente e agressiva do Rock se encaixava muito melhor nos primatas Bad Boys do filme Juventude Transviada, do James Dean; ou do revoltado motociclista Marlon Brando em início de carreira, com aquelas possantes motos antigas. Ambos os filmes da década anterior:
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Foi explorando a essa essência, que em 1963 o maestro carioca Hervé Cordovil ajudou o filho Ronnie Cord com um rock totalmente brasileiro em letra, música e essência; embora o enredo dele tenha sido extraído de uma realidade paulistana: Rachas, ou Pegas, de carros em algumas ruas charmosas do Jardim Europa, que por abrigarem à elite burguesa paulistana, se prestavam bem ao propósito do agressivo protesto social, semelhante ao visto em Juventude Transviada e Marlon Brando:
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O compacto, Rua Augusta, teve sucesso imediato. Não só por dar ao jovem paulistano, de classe média, uma possibilidade de gritar a sua revolta pelas diferenças sociais visíveis, que se mostravam mais ostensivas em tais regiões da cidade; mas também pelas características do veículo usado na música.
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Os famosos 120 km/h eram a velocidade máxima comum aos velocímetros de Volks-1200, fabricados até 1966, quando os motores mudaram para 1300 e o velocímetro para 140 km/h na velocidade máxima.
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O carro com os três carburadores envenenados era um outro modelo, tão popular quanto o Volks: O DKV, cujo motor 2 tempos resultava num agressivo som, o que se assemelhava à original proposta agressiva do rock.
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Era visível o contraste entre os veículos que transitavam pela Augusta nos finais de semana. Os imensos e imponentes Buick, Packard, Cadilac…; todos com câmbio na direção, misturados aos populares Fuskas, Dkvs, Dauphines, Gordines… Mas todos os jovens sabiam, que se algum dos nobres proprietários resolvesse dar uma pequena acelerada naqueles motores de oito cilindros dos seus carros, todos os populares comeriam poeira.
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O difícil seria alguma daquelas Barcas fazer alguma curva, na estreita Augusta, a 120 km/h sem destruir vitrines, lojas vizinhas etc.
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Convém destacar uma das exclamações presentes na execução da música do Ronnie: Tremendão; que anos mais tarde seria o apelido roqueiro de Erasmo Carlos.
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Com alguns nascidos ainda nos anos 50, lembro que os ditos “conjuntos”, que mais tarde receberiam fama maior pelo Rock, eram The Jordans, The Angels e The Clevers; todos apenas instrumentais nos inícios:
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Jordans antes:
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Jordans depois:
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Obs. Prestar atenção no detalhe do Contrabaixo Percussivo conversando com a Bateria, que já era assim no início.
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Em pouco tempo, o Rock começou a receber variações ritmicas e melódicas. Uma delas recebeu o nome de Hully Gully. Talvez, por ter nascido pouco tempo depois e derivado do Rock, tal variação não teve tanto sucesso.
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Todavia, o rock brasileiro não deixou escapar nem essa possibilidade menos famosa, conforme conta The Angels:
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Mas The Angels também tocava rock:
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The Clevers iniciou desta forma:
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O Manito no Sax e o Netinho na Bateria incendiavam o salão. Aliás, posteriormente, Netinho foi o responsável pelo surgimento do Casa Das Máquinas.
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Acima, eles apresentaram um rock instrumental já personalizado pela variável, também americana, chamada Twist, cujo expoente foi Chubby Cheker:
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Aliás, não foram só os Clevers que tentaram nadar nessa praia do Twist, teve até conjunto mais famoso, que mais tarde também nadaria em tais Incríveis águas:
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Aqui pelo Brasil, e antes disso, o nome The Clevers deu lugar a Os Incríveis. Embora, ainda como Clevers, tocassem nos bailes uma certa música, só foram gravá-la oficialmente depois da mudança de nome.
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Era um clássico do Rock Instrumental, que qualquer conjunto que se prezasse tinha a obrigação de executar. Seria quase uma heresia para o rock brasileiro não tocá-la:
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Tanto The Clevers quanto The Angels apresentavam, além dos instrumentos de um quarteto padrão do rock, Guitarras Solo e Base, Contrabaixo e Bateria; o Saxofone, herdado dos conjuntos americanos, tanto do Jazz quanto do Rock nos anos 50.
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Havia também um outro fortíssimo conjunto de rock instrumental que dividia as preferências com os dois conjuntos acima: The Jet Blacks:
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Mas os Jet Blacks não tocavam só rock maneiro. Tinha também muito índio na Giannini do Gato, no mesmo Apache dos Jordans:
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The Jet Blacks durou pouco tempo, pois se trasformaria no RC-7, conjunto exclusivo do futuro Rei, Roberto Carlos, antes da coisa virar orquestra oficial sob regência de Eduardo Lages.
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Independente da ordem de chegada das versões no cenário brasileiro, convém destacar dois nomes como fundamentais para aquelas primeiras tentativas de rock cantado no Brasil: Fred Jorge e Rossini Pinto; responsáveis pela maioria delas, quer das precursoras, quer da maioria das posteriores, em originais dos Beatles, cantadas pelo conjunto Renato e Seus Blue Caps.
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O sucesso de Estúpido Cupido foi tão grande que um outro sucesso da Celly chegou logo depois. Só não lembro se veio no lado B do compacto de Estúpido Cupido, ou noutro 45 rotações da época. Desta vez foi uma versão de música italiana: Banho de Lua.
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Essa música também recebeu, anos mais tarde, uma segunda interpretação de um outro grupo de rock, já apresentando recursos bem maiores na guitarra, e que ficaria mais famoso no Festival de MPB de 1967, acompanhando Gilberto Gil na música, Domingo no Parque, que ficou com o segundo lugar: Os Mutantes. Uma outra curiosidade em tal festival, foi o surgimento de uma garota integrante do grupo, que pouco tempo depois ficaria mais famosa no rock pela sua carreira solo. Rita Lee; e do Arnaldinho, que posteriormente ficaria responsável pelo surgimento dos Titãs:
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Obs. Atentar, na imagem do vídeo, para o detalhe do tênis de couro com cano alto. Era um legítimo Iris, cuja caixa deveria trazer o seguinte alerta: Para o bom odor da sua casa, use com moderação!bs
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Retomando a cronologia, em 1964, depois de alguns LPs de sucesso, Os Beatles estrelaram o filme Os Reis do Iê-Iê-Iê, cuja trilha sonora era uma mistura do que já chegara à praça com sucesso, com outras músicas inéditas. Não demorou muito para que elas ganhassem  versões em Português.
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Aproveitando os dois sucessos, do Rádio e do Cinema, o conjunto brasileiro que melhor soube aproveitá-las foi Renato e Seus Blue Caps. A mais famosa foi a versão de I Should Have Know Better, que no Brasil virou Menina Linda:
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Em se tratando dos conjuntos de rock, devo citar The Fevers. Ao menos, pelo fato do Renato ter abocanhado a fatia dos Beatles antes, é o que mais se mostrava como original e brasileiro, ainda que usando algumas versões importadas do original Rock Italiano, que no princípio dos anos 60 pegara carona na invasão dos Românticos, Boby Solo, Sérgio Endrigo, Nico Fidenco, Pepino Di Capri, Giani Morandi…; ocorrida no Brasil de então.
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Os Fevers, a exemplo de Clevers, Jordans, Angels; traziam o velho saxofone dos anos 50, só que já mostravam maior preocupação em dar às suas execuções de rock melhor qualidade sonora com mais instrumentistas. Creio terem sido eles um dos responsáveis pelas primeiras possibilidades do nome Conjunto de Rock, começar a ser conhecido como Banda de Rock.
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Por falar em Banda, na metade dos anos 50, a mídia deu impulso a um movimento musical chamado Bossa Nova, aproveitando a uma série de ocorrências que a época propiciara às nossas realidades cultural e social.
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Como o rock havia alcançado um grande avanço dentre os jovens, houve também grande perda de atenção sobre a bossa nova. Foi nessa época que a paulistana TV Record começou a inovar, colocando no ar alguns programas sobre MPB.
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Isso teve como resposta a inciativa de uma emissora concorrente, a TV Excelsior, em organizar o primeiro Festival de MPB, repetindo o evento no ano seguinte. Como a iniciativa da Excelsior se mostrara bem sucedida, dois anos após a  Record começou também a organizá-los com maior sucesso.
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Fim Parte 1.
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Summertime, Janis Joplin & A Ópera das Almas

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Usando a linguagem da Matemática, e dando à Palavra Escrita um valor 10, qualquer Pintura equivale à mesma Palavra elevada a um expoente infinito.

Estando ainda a Palavra Escrita vinculada ao Alfabeto nascido do Comércio, sempre necessitaremos de N Palavras para explicar a Pintura.

Aqui na Terra dependemos de tudo o visto acima para nos justificarmos vivos ou mortos.

E quando nada disso é o bastante para explicar alguma coisa que exista antes de qualquer Entendimento Racional?

Costumamos ousar colocar um nome: Arte.

http://www.youtube.com/watch?v=rawsYQitKik

Tentarei ousar mais ainda, descrevendo uma conversa de almas, a da Voz humana com as dos instrumentos musicais, com os pensamentos em acordo com a contagem de tempo do vídeo no fim de cada um deles.

 

-A Criação

1- Como a mensagem vem do Além, o Contrabaixo inicia o OHMMMM Mântra do evento e um Prato vibra.  (de 00 a 04)

2- A Guitarra entra mansamente, como que contando uma fábula: “Era uma vez…”   05 – 17

3- O contrabaixo fica levemente percussivo, e ambos geram um Ritmo, que nasce meio brusco, mas logo se sintoniza às suaves ondas sonoras do evento.  17 – 22

4- Sem perder a Guitarra de vista, o Contrabaixo fica trocando diálogos percussivos com a Bateria enquanto a Guitarra continua contando a fábula: Era uma vez uma voz…  23 – 39

5- Aí nasce a Voz, raspando tudo ao redor com as primárias ondas mecânicas das cordas vocais, e os três parceiros acalentando-a como criança.  40 – 51

6- Isso dura até a Guitarra, mais soberana, alertar: – Calma garota!  52 – 56

7- Como esperou muito tempo para dizer ao mundo, a voz insiste em se manter raspando mais forte ainda, só restando aos três parceiros acompanhá-la grandiosa.  57 – 1:12

8- Esse instante é coroado pelo nascimento da Luz, resultante do harmonioso encontro entre a voz e os instrumentos. Já não existem mais instrumentos musicais ou cordas vocais, apenas fortes cores indefiníveis. Uma espécie do tão sonhado Moto-Contínuo, possível somente em tais circuntâncias, sem qualquer conceito racional de Energia.

 

- As Descobertas

9- Percebendo que o evento está contando a sua história de protagonista, a voz acalma um pouco e também assume a fábula junto com os três parceiros, contando parte da sua história e pedindo que falem mais deles.  1:13 – 1:45

10- Uma vez acalmada, a voz recebe as informações dos três de como tudo começou, mas à proporção em que vão explicando a fábula, Guitarra, Contrabaixo e Bateria começam a se entusiasmar com a própria narrativa, ao contarem que também não sabiam das suas origens, mas sabiam que algum dia tinham ficado daquele jeito, capaz de repentinamente explodir em sons e luzes incontroláveis.  1:46 – 2:16

11- Ao perceberem que a Guitarra estava prestes a perder a compostura da narrativa, Contrabaixo e Bateria seguraram a onda da fábula e deixaram que ela desse o seu natural e agressivo depoimento, mas ao perceber que até o sizudo Contrabaixo entrara na dela, só restou à Bateria segurar o ritmo enquanto os dois parceiros, ultrapassando o Além, foram explodir em sons e cores além do Além.  2:17 – 2:40

12- Mas se recompondo rapidamente, a Guitarra retoma a narrativa dizendo: -Era uma vez uma Voz e seus Sons Amigos…  2:41 – 2:46

 

- O Infinito

13- E a Voz continua: …que um dia se conheceram num desconhecido mundo em que dependiam de corpos humanos para se manifestarem. As bocas falavam palavras, mas palavras eram desnecessárias, porque causavam mais desentendimentos do que sentimentos. O que valia era a Luz do Som que produziam.  2:47 – 3:03

14- Se eu subir o tom o seu som vem junto comigo pra cima.  3:04 – 3:20

15- Se a boca do corpo não quiser falar, não adianta, porque eu tiro o som pelo nariz dele, assim:  3:21 – 3:32

16- Não, não dependemos dos corpos, mas eles de nós. Qualquer dia a gente se encontra ou reencontra muitas vezes noutros corpos que nos mereçam.  3:33 – 3:44

17- Sem choros, vamos nessa? Era uma vez…     3:44……….

 

Quem pôde assistir o filme, 2001, Uma Odisséia no Espaço, um feliz encontro de Arthur Clark com Stanley Kubrick, conseguirá ter uma idéia do que tentei mostrar nos ítens 8 e 11, pois há no filme uma passagem semelhante ao descrito neles. Mais precisamente, quando o único astronauta vivo e restante, após desligar o computador da nave, embarca numa pequena cápsula rumo ao desconhecimento total do espaço.

Nessa curta viagem dele em cápsula, observa ocorrerem fora dela, dentre as múltiplas cores, formas geométricas Euclidianas já existentes, e outras ainda por se tornarem um fato científico: Os Fractais básicos do que posteriormente nos chegaria como Ciência do Caos.

Como que tentando traduzir à própria essência filosófica do filme: Do Primata ao mais evoluído Homo Sapiens, o Homem sempre buscou se explicar por figuras religiosas da Criação, mas para encontrar o Criador teve que se desligar do Raciocínio, fato consumado após desligar o Computador da nave-mãe.

Quando um artista se entrega dessa maneira ao palco, deixa de existir e é a sua Alma quem toca ou canta pra nós.

- Será que esses artistas da fábula conseguirão morrer algum dia?

 

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