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Rock Brasileiro – Raízes V

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Conforme citei na postagem anterior, após o encerramento do programa na Record, o Rock começou a morar lá no Círculo Militar. Surgiram novos conjuntos com nomes divertidos, como Baobás, Memphis (Kompha), Watt 69 (famosa marca de uísque Vat-69), Pholhas etc; onde membros migravam de uns para outros, ou mesmo encerravam um para renascer com outro nome alguns domingos após.

Creio que à partir de 1971 parte desses membros, tanto instrumentistas quanto vocalistas, começaram a migrar para os USA. Lá, se reuniam novamente em conjunto, já como American Band qualquer, gravavam discos em inglês e deixavam todo o processo de divulgação no Brasil para as gravadoras americanas, cujo acesso às Rádios era sempre bem visto, diante do americanismo que imperava por aqui na época. E essa foi uma das formas usadas para que os conjuntos acima citados pudessem gravar os seus compactos a um menor custo. Gravavam a fita matriz por aqui, mandavam-na para lá e voltavam pra cá na forma de disco já meio encaixado nas Rádios.

http://www.youtube.com/watch?v=AK_oZF3jxzs

http://www.youtube.com/watch?v=oF44AWsxszE

http://www.youtube.com/watch?v=KP5S_ujmeBs&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=AWkdWPh4hMk&feature=related

Como depois de um tempo a coisa começou a ficar bandeirosa, pois aquilo que a Rádio anunciava como banda estrangeira os dominicais frequentadores do Círculo sabiam não ser, e dava em gozação; os artistas brasileiros começaram a apresentar mais os trabalhos individuais. Surgiram então no nosso cenário musical nomes como Terry Winter, o anterior Thomas Standen frequentador de alguns programas da Jovem Guarda; Chrystian, que posteriormente formaria a dupla sertaneja Cristian e Half; Mark Davis, que posteriormente faria sucesso como Fábio Jr. e finalmente Morris Albert; cujo nome era Maurício Alberto, que aproveitando alguns trechos de desenhos da Turma da Mônica, bem como um anterior sucesso francês, construiu a música mais cantada no mundo até hoje, Feelings:

http://letras.terra.com.br/terry-winter/566777/

http://letras.terra.com.br/chrystian/899398/traducao.html

http://letras.terra.com.br/mark-davis/1106028/

http://letras.terra.com.br/morris-albert/176150/

Morris Albert só aproveitou-se de uma jogada semelhante ocorrida antes e aqui mesmo no Brasil, com o clássico popular Meu Limão, Meu Limoeiro. Usando-se das falhas que cercavam o Direito Autoral no Brasil dos anos sessenta, o compositor Carlos Imperial conseguiu registrar tal música em seu nome, a partir dos novos arranjos dados a ela para o Wilson Simonal cantar e explodir em sucesso.

Correndo por fora de toda essa agitação, a de artistas brasileiros virando estrangeiros e exportando os seus discos para cá, somada às falcatruas vistas acima; nascia no Brasil em 1973 uma banda de rock pra lá de essencial, quer na parte vocal quer nos figurinos: Secos & Molhados.

A voz feminina de Ney Matogrosso, associada às vestimentas e maquiagens acabaram correndo mundo afora, e foi à partir deles que começamos a exportar conceitos para o Rock, já que surgiria dois anos após o Alice Cooper se aproveitando das mesmas maquiagens do Secos & Molhados, só que colocadas em rock mais ácido, tendente ao tétrico, enquanto os nossos alternavam textos de fábulas, como O Vira, composto em 1971, com sentimentos nacionalistas presentes em Sangue Latino, e protestos sociais, como a colocação de melodia num poema do Vinícius de Moraes, Rosa de Hiroshima:

http://letras.terra.com.br/secos-molhados/70264/

Como a banda nascera no Bexiga, além da capa do LP lembrar mais a uma mesa comum às desse bairro, em Sampa, com aquela imensa “Rosca de Torresmo” entre grãos da culinária popular; nota-se nos instrumentos musicais a presença da Harmônica, uma idéia que o conjunto aproveitou de Os Versáteis, presentes nos primórdios da Jovem Guarda acompanhando o pistonista Ronaldo Lark.

http://letras.terra.com.br/secos-molhados/48770/

Embora Secos & Molhados tenha ficado mais ligado à idéia de deboche folclórico, a letra de Sangue Latino mostra que a coisa não era bem essa, mas uma espécie de Manifesto do Rock Brasileiro contra toda a manipulação artística da mídia. Um grito semelhante ao dado em Woodstock, só que transformado por aqui em folclórico canto de homem com voz de viado e vestido de forma estranha. É claro que nunca a crítica literária da época buscaria tal foco na análise.

http://letras.terra.com.br/secos-molhados/48769/

Rosa de Hiroxima foi só uma tentativa de confirmar que o papo descrito em O Vira, e em Sangue Latino era algo bem mais sério do que as aparências sugeriam como folclórico. Em O Vira fizeram a denúncia dos mecanismos da mídia na Fabricação de Ídolos Populares, aproveitando a essência filosófica da peça Roda-Viva, de Chico Buarque, levada aos palcos em 1968. Rosa de Hiroxima, caso cantada em Woodstock, teria o mesmo efeito do que Jimi Hendrix tentou fazer, associando o hino americano aos sons de aviões de guerra bombardeando, tiros e estilhaços vindos do som da guitarra:

http://www.youtube.com/watch?v=wyGGG1I-rf8&feature=related

Como o famoso som do Hino ao Silêncio também foi misturado ao americano por ele na guitarra, Rosa de Hiroxima seria a histórica apoteose daquele triste depoimento.

O que difere os tipos de música popular: Samba, Jazz, Rock etc; é a fundamental Percussão, dona do Ritmo. Dependendo do Andamento Musical, cada tipo apresenta as suas variações com instrumentais e textos mais compatíveis. Por mais que a letra apresente nos versos comprimentos exatos em relação à melodia, se fizermos uma letra com texto de rock pauleira e tentarmos colocá-la em cima de uma melodia de música romântica a coisa não casa de jeito nenhum.

Quando vemos, a exemplo do ocorrido no Rock In Rio, um grupo roqueiro como Jota Quest cantando Ana Júlia sobre um Trio Elétrico no Carnaval Baiano, onde impera o Axé Music, temos a certeza:

- O espetáculo bem promovido sempre é rentável ($).

Seguido de uma dúvida, que diante do sucesso do espetáculo torna-se quase imperceptível:

- O que é Axé Music? A primeira resposta já vem decorada:

- É a musica com batida do Olodum que toca na Bahia!

Se os termos Axé e Music têm algum parentesco que os justifique próximos, é porque, quando muito, tiveram em comum os ancestrais missionários ingleses colocando alguns dialetos africanos na forma de dicionário. Só isso.

Adquiriram esse parentesco atual por conta da Indústria do Espetáculo, que tende à americanização em tudo quanto seja raiz cultural no país em que atua.

O termo Axé pertence ao Candomblé, como elemento da ligação dos reinos Orum (Invisível) e Ayê (Visível). Para o andamento normal do ritual, cada Orixá tem o seu Axé dirigido aos cânticos próprios com Toques também próprios, tais como Huntó, Ijexá, Batá, Aguerê, Hamunia (Avaninha) etc.

Hoje em dia é comum ver-se um toque próprio de um orixá em homenagem a outro. Por exemplo, Um Aguerê de Oxossi tocado para um Xangô ou um Obaluayê dançarem. Política de boa vizinhança agora?

Isso hoje ocorre no candomblé baiano naturalmente por conta dessa industrialização do espetáculo nas batidas globalizadas Olodum e Timbalada, que nasceram do culto para o povo crente, não para o espetáculo.

Tanto no Brasil quanto nos EUA, os primeiros escravos tinham um mesmo comportamento ritualístico, o de procurar se embrenhar no mato para dar um Grito de Identidade que o lembrasse de onde viera. Por aqui, esse comportamento do negro recebeu o nome Ilá (grito do Santo) cujos toques ritualísticos resultaram em Samba. Nos EUA, que rapidamente destruiram todos os dialetos africanos dos escravos, o nome escolhido foi Blues, cujos toques, também ritualísticos, originaram outros até chegarem ao Rock e os nossos primordiais Ray Charles e Bill Haley destas postagens.

Por quanto tempo esta informação histórica vingará, apesar de todos os pesares vindos das indústrias de propaganda, fama ou espetáculo?

Não sei, mesmo porque me entreguei mais às análises da MPB após 1970, e qualquer coisa dita sobre as trajetórias do Rock Essencial, tanto cá quanto lá fora, correria um risco de tornar-me mais injusto do que provavelmente já tenha sido pela falta de memória.

Como a minha praia atual é a MPB, seria desonesto de minha parte não associar o momento atual a estes antigos versos de Chico Buarque:

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Acho que tudo acabou
Quase que já não me lembro de nada
Vida veio e me levou

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Por falar nisso, agora preciso atender à neta que me exige assistir com ela um vídeo sobre o Rock Ordem e Progressivo Brasileiro, que até lembra Woodstock em alguma coisa:

http://www.youtube.com/watch?v=erkXU94UycY

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Upa vovô!

- Minha Princesa quer dançar Rebolation é?

- Antes deixa o vovô contar: Era uma vez uma princesa que cantava música…

 

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A Tradição Oral e o Atavismo

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Enquanto as palavras de pais e filhos definem a Tradição Oral, o Atavismo paira na cumplicidade dos Silêncios.

 

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http://letras.terra.com.br/paulinho-da-viola/710290/

O Filho Que Eu Quero Ter (Vinícius de Moraes)

 

 

 

 

 

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Rock Brasileiro – Raízes IV

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Como a Jovem Guarda estava perdendo o interesse, tanto pelos festivais de MPB, que geravam vários programas dela na Record durante o resto da semana sob o comando de Blota Jr. ou Randal Juliano, houve uma nova tentativa da emissora em recuperá-la com o surgimento de outro ídolo romântico para fazer frente ao Roberto Carlos.

Ronnie Von chegou com tudo, em nova versão de música de um Beatles mais recente, pois enquanto Renato e Seus Blue Caps cantavam versões mais antigas, Ronnie cantava uma do posterior LP Rubber Soul. Havia mais do que um “Revólver” (LP dos Beatles) entre eles:

http://letras.terra.com.br/the-beatles/176/traducao.html

http://letras.terra.com.br/ronnie-von/757433/

Mas a presença de Ronnie não foi o bastante para segurá-la no ar por muito mais tempo.

Voltando aos conjuntos que nela se apresentavam, havia muitos contrastes de qualidade entre eles. Embora eu não tenha encontrado um vídeo do conjunto The Bells dos anos 60, fui surpreendido por uma boa novidade, além do observado nesse respeitado programa, Perdidos na Noite,  comandado por Fausto Silva, que depois virou faustão da globo:

http://www.youtube.com/watch?v=5bAGutN28Bo

Porque, além do conjunto da época possuir o mesmo Rock Essencial dos primórdios, conforme esse mistão de Ray Charles, Chubby Checker e Bill Haley apresentado, os originais integrantes tiveram o cuidado de transmitir as experiências para os mais jovens, talvez parentes, cuja troca de informações nos estilos de distintas épocas pode ser notada neste próximo vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=BR6ZLFtH5cw&feature=related

Um original do Doors com gaita de Canned Heat e Creedence Grapevine acelerado, só que melhorados na execução, com um excelente instrumental por detrás, constituindo um feliz caso de Tradição Oral no Rock Brasileiro.

http://www.youtube.com/watch?v=x_picMsSZVA&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=93S_l0qZrXA

Esse tipo de rock, por não parecer-se nem um pouco com o que a Jovem Guarda de então fazia sobre os palcos, durava muito pouco nela, mas mostrava que se por um lado o nosso rock perdera muito da essência bravia, por outro continuava vivo, ainda que no underground da garagem familiar.

Por falar em Underground Íntimo, é nele que costumam nascer coisas como esta:

http://mpbsapiens.com/opera-almas/

Depois disso fica difícil continuar tratando do Rock Brasileiro pela Jovem Guarda. Faltaria citar muita gente, como Vanderley Cardoso, Jerry Adriani, Rosemary etc; que agora se torna impossível de comentar, mas apenas citar:

http://www.youtube.com/watch?v=vGH387-1e9k

http://www.youtube.com/watch?v=4QyoRMb57wc

Semelhante ao que um dia fizera com Os Iguais na Jovem Guarda, a Record cometeu outro desatino ao colocar Roberto Carlos para disputar o Festival de MPB de 1967, com o samba-canção Maria, Carnaval e Cinzas:

http://www.youtube.com/watch?v=h-Y_ZjWpFEQ

Não era a praia do cara, e a reação do público foi só uma óbvia consequência da infeliz iniciativa da emissora. O samba do Paraná até que era gostoso e bem escrito, mas a coisa ficou totalmente distorcida.

A década de 60 também ficou marcada pelo intercâmbio cultural entre Brasil e Itália. Astros como Nico Fidenco, um famoso cantor romântico da música italiana, resolvendo dar batida de rock na sua música, conseguiu um interessante trabalho de Rock Romântico Orquestrado no princípio dos anos sessenta:

http://letras.terra.com.br/nico-fidenco/174074/

Vindo em seguida um trio de roqueiros, Rita Pavoni, The Rockes, Gianni Morandi e, finalmente, um outro romântico, Sérgio Endrigo. Todos tinham as suas músicas de sucesso transitando muito bem nas rádios brasileiras.

http://letras.terra.com.br/rita-pavone/64293/traducao.html

http://letras.terra.com.br/the-rokes/681538/

http://letras.terra.com.br/gianni-morandi/392448/traducao.html

Essa música do Gianni Morandi logo recebeu uma versão brasileira, cantada originalmente por Os Incríveis e posteriormente por Engenheiros do Havaii:

http://letras.terra.com.br/os-incriveis/47830/

A música foi um dos últimos trabalhos dos Incríveis na formação original. Pouco depois o baterista Netinho, já ausente nesse vídeo, esteve afastado de cena por um tempo. Sua volta aos palcos se deu pela união a um outro ex-Incríveis, o Aroldo; com quem formou um novo conjunto: Casa Das Máquinas, com um rock misto do antes em Incríveis com o pós que buscava um vocal Led Zeppelin, o que chamaram de Rock Progressivo:

http://letras.terra.com.br/casa-das-maquinas/316088/

http://letras.terra.com.br/led-zeppelin/65307/traducao.html

Retomando e finalizando o assunto da influência italiana na música brasileira, o romântico Sérgio Endrigo:

http://letras.terra.com.br/sergio-endrigo/172914/

Sendo amigo pessoal de Chico Buarque, Endrigo, fazendo uso de um mesmo truque que Chico usara em 1966, com A Banda, que implicava na música ser cantada antes por Nara Leão e depois por ele, o autor, sob o argumento de dar à música uma originalidade não muito nítida na primeira interpretação. O truque era claro: Cantar a música duas vezes seguidas e, fatalmente, ganhar maior memorização da letra pelo público.

Em 1968, Sérgio Endrigo chamou o Roberto Carlos para cantar Canzone Per Te, inscrita no Festival de San Remo, Itália. No festival, cantava  primeiro o Roberto e depois ele, o autor. Não deu outra. Além do povo cantar junto na final e ganhar o festival, colocou a diplomacia cultural lá em cima:

http://www.youtube.com/watch?v=67ZvL74QDTw

http://www.youtube.com/watch?v=r5SaLIqtVYA

Roberto continuou cantando por aqui, foi assumido pela globo e manteve o grande sucesso anterior e merecido na música brasileira. Contribuíu com alguma coisa para o desenvolvimento do rock brasileiro, mas, infelizmente, assim como a Jovem Guarda deu emprego a muita gente boa do rock, também representou uma espécie de penitenciária romântica para o rock essencial, que por ser mais selvagem merecia constante vigilância.

Que o Rock Policiado dava mais grana ao partir para o Romantismo, não há qualquer dúvida, mas não há dinheiro que pague o prazer de um Momento da Inspiração para o compositor, em qualquer gênero musical, ainda que certa harmonia surja debaixo do chuveiro, obrigue o cara a sair do banho ensaboado e se enxugar cantando a sequência de notas para não perdê-la até chegar ao fiel instrumento.

A Jovem Guarda teve o seu inegável valor, mas, hoje, não há como enxergá-la de outra forma que não esta:

http://www.youtube.com/watch?v=puWLFHypdoY

Mesmo com a Jovem Guarda ativa nos domingos, Sampa nunca deixou de apresentar bailes em salões como Aeroporto, Clube Pinheiros, Casa de Portugal etc; onde tanto o povo do Rock Essencial quanto do Romântico costumavam se apresentar. Novos conjuntos surgiam, já com instrumental bem mais poderoso do que o dos primeiros conjuntos de Rock Instrumental.

Embora alguns grupos se apresentassem nos salões acima citados, de alguma forma acabaram adotando o salão do Círculo Militar como a nova Casa do Rock em Sampa. Dentre os conjuntos que se apresentavam no Círculo, havia Os Mutantes, citados na postagem anterior com Banho de Lua.

Foi numa dessas “domingueiras” no Círculo Militar que Gilberto Gil encontrou Os Mutantes, e é bem possível que o nome da composição tenha surgido de tal encontro, já que o Círculo Militar fica no Ibirapuera e junto dele há o Parque do Ibirapuera, famoso também por na década de sessenta ter servido para que os imigrantes nordestinos, recém-chegados ao sudeste, pudessem armar barracas e acampar até arrumarem um teto.

Em tais acampamentos era comum ocorrerem disputas entre pernambucanos e baianos, por questões que envolviam desde a propriedade de um bode até as de honra. Não seria anormal que o enredo do Gilberto Gil tivesse se desenvolvido no Parque do Ibirapuera, com os escandalosos jornais “Última Hora” ou “Notícias Populares” lançando manchetes matinais do tipo:

“Domingo de Sangue no Parque: Ciúme foi a razão do cuel homicídio!”:

http://www.youtube.com/watch?v=Zbv3M-AdxC0

Nesse mesmo festival de MPB, Caetano Veloso conseguiu a quarta colocação com a música Alegria, Alegria, também acompanhado por um conjunto de rock, só que argentino: Os Beat Boys, cujo chefe era Tony Osanah, que após encerrar sua participação no conjunto montou outro chamado Raízes de América:

http://www.youtube.com/watch?v=4tzSETbQcJk

Os Mutantes continuaram a sua normal trajetória no rock. No ano seguinte, aproveitando o sucesso de um revolucionário filme, 2001, Uma Odisséia no Espaço, colocaram esta música como carro-chefe do LP:

http://www.youtube.com/watch?v=BiueXI_PIkA&feature=related

Sem que pudessem imaginar, essa execução dos Mutantes, em “Caipirrock”, acabaria tornando-se uma espécie de profecia nos destinos do rock brasileiro alguns anos mais tarde. Aquela debochada interpretação caipira acabaria vendo anos após a invasão das famosas duplas sertanejas no espaço musical brasileiro, à partir de Chitãozinho & Xororó com o seu primordial Fio de Cabelo, secundada por colonizações de Rap, Funk etc.

Isso jogou o Rock Brasileiro num estado tal, que hoje vê passivamente Shakira e Ivete Sangalo apresentando uma espécie de “Sambaxé Music”, no mesmo palco usado por Elton John num festival chamado Rock (?) In Rio.

http://www.youtube.com/watch?v=dnEPqUbFlfE

http://www.youtube.com/watch?v=iXsdGIAut4Q&feature=related

Voltando aos Mutantes Profetas, o conjunto se desfez pouco tempo depois com o adoecimento do Serginho. Rita Lee seguiu famosa na carreira solo, e o ex-Arnaldinho virou o Arnaldo Antunes, que ainda meio preso ao passado formou um novo grupo chamado Os Titãs. Convém lembrar que tal nome foi usado pela mitologia grega para rotular os deuses ancestrais: os Titãs Cronos, Oceano, Hiperíon etc; que foram sucedidos pelos Olímpicos da turma de Zeus, Apolo, Hades e também etc.

http://letras.terra.com.br/rita-lee/94/

http://www.youtube.com/watch?v=4Nb7B1N-fdk

Mas esse mesmo rock brasileiro, que futuramente pulsaria na forma mutante de Titãs, pôde antes disso testemunhar em 1969 a um grande Manifesto do Rock, contra toda aquela manipulação que sofria por parte da Indústria da Fama, vista no Brasil com o nome Jovem Guarda.

Além de contribuir fortemente com o Rock, a chegada dos Beatles trouxe também uma espécie de Formato Ideal do Sucesso. Embora tenha surgido, ainda na Inglaterra, manifestações contrárias a esse tipo de ação:

http://www.youtube.com/watch?v=pAOQkSFTKMw

Não demorou muito para a fama chegar e os caras começarem a cantar isto:

http://www.youtube.com/watch?v=3a7cHPy04s8

Os próprios Beatles, cientes do mal extra que a sua arte causava ao Rock, já haviam se manifestado de forma divertida sobre a questão, ao se sepultarem oficialmente e renascerem com outro nome e noutra gravadora, Aple. A gozação ficou maior ainda com os dizeres, inscritos na blusa listrada da menininha, abaixo e à direita dos presentes ao funeral: Welcome The Rolling Stones!

Obs. Caso não tenha ficado nítido aqui, é só editar a foto noutro lugar que o recado estará lá.

 

http://www.youtube.com/watch?v=eN9NfYC3HC0

Leva de brinde uma “pequena ajuda dos amigos”.

Guardando as proporções, e semelhante ao que acontecera conosco com a Jovem Guarda, o restante do universo musical enfrentava o mesmo com a Beatlemania. Roqueiros de todo o mundo sentiam o problema. Tal sentimento crescente acabou explodindo no Festival de Woodstock em 1969, com as seguintes marcas filosóficas:

1 – O Rock precisava se libertar das amarras comerciais da propaganda:

http://www.youtube.com/watch?v=fA51wyl-9IE

2 – Aquela “Pequena Ajuda Dos Amigos”, solicitada pelos Beatles, deveria ser lembrada. Não por um americano, mas por alguém do reino britânico, com a voz que lembrasse Ray Charles muito mais agressivo pela memória:

http://www.youtube.com/watch?v=ZBR0T3f7tUw

3 – Antes de ser cantado, o Rock nascera na luz dos instrumentos musicais, a partir das felizes variações do Ritmo numa Bateria:

http://www.youtube.com/watch?v=dLDalZ4-53g

Um posterior encontro do roqueiro irlandês de Woodstock com o ídolo americano:

http://www.youtube.com/watch?v=gffIRHTGVac

4 – Para ser salvo das interferências da Indústria da Fama, o Rock Essencial tinha de voltar às origens e ser revisto pouco mais de dez anos após. O que teria mudado?

http://www.youtube.com/watch?v=LFpfureaCVs

Mesmo que Woodstock tenha oferecido ao mundo uma série de mensagens outras, como a de Jimi Hendrix, sobre o sentimento nacionalista americano, por exemplo; foram essas as quatro principais que extraí de tal festival, por tudo que observara ocorrer com o Rock, tanto no Brasil quanto no exterior desde o seu imaginário surgimento oficial por Ray e Bill.

Embora o festival tivesse dado o seu recado de protesto contra a Indústria da Fama em 1969, deixou como exemplos aproveitáveis muito mais das possibilidades instrumentais do que das filosóficas, já que os mesmos industriais das gravadoras aproveitaram muito bem o que as guitarras soaram em Woodstock,  para logo após atacarem novamente com as mesmas estratégias anteriores. Veja os exemplos de guitarra muito bem encaixados no comércio de discos:

http://www.youtube.com/watch?v=g_JPELY_mSw

http://letras.terra.com.br/bread/5759/

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Rock Brasileiro – Raízes III

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Os Iguais duraram pouco tempo, mas um deles voltaria posteriormente à Jovem Guarda já na carreira solo: Antonio Marcos:

http://www.youtube.com/watch?v=bbsNPb-A1Po&feature=related

Uma das coisas notáveis da música brasileira é o parentesco que certas canções apresentam, numa espécie de “lindo romance familiar”. Com a Jovem Guarda não foi diferente, vejam porque:

http://www.youtube.com/watch?v=gKkrZ2eo4l0

Ou, talvez exagerando um pouco:

http://www.youtube.com/watch?v=yAoYKqjfhNk&feature=related

Como a coisa toda pertencia à mesma Família Romântica da Jovem Guarda, Antonio Marcos ficou famoso por protagonizar um romance que acabou se transformando no “Casal da Jovem Guarda” com a chegada de Vanuza:

http://www.youtube.com/watch?v=RX1QGMFp9FE

Antonio Marcos e Vanuza formaram um lindo casal por bom tempo no ar, mas ocorreram desdobramentos que pouco cabem neste documentário. Houve um outro casal artístico, também formado na Jovem Guarda de forma interessante.

Ronnie Cord tinha firmado as suas raízes no rock pela rebeldia dos rachas paulistanos da Augusta. Erasmo Carlos tinha deixado a idéia de conquistador. Surgiu então, vindo direto dos pampas gaúchos, a mescla dos dois primeiros na forma de Eduardo Araújo, com um rock transbordante de energia, cuja interpretação vocal remetia o rock aos anos cinquenta, num estilo meio Chuck Berry. Ele É O Bom:

http://www.youtube.com/watch?v=Sv8XehRa-cg

http://www.youtube.com/watch?v=6ofD9t_sULM

Independente da gozação na letra debochada, a chegada de Eduardo Araújo foi uma tremenda Injeção de Rock, numa Jovem Guarda que tendia cada vez mais para o meloso romantismo de Roberto Carlos, pois, só a frieza analítica do agora permite avaliar que, além de buscar o rock essencial dos anos 50 com Chuck Berry, caso Eduardo Araújo tivesse um instrumental mais potente, nas mãos de um guitarrista mais valente, poderia muito bem estar associado a futuros rocks, surgidos fora do Brasil, e nesta forma:

http://www.youtube.com/watch?v=AlP-PXnwM3w

Eduardo Araújo não durou muito tempo na Jovem Guarda, mas ficou o bastante para ganhar um romance e depois sumir do mapa, já que o seu rock essencial não era muito “apropriado” às intenções do programa. Sua posterior dama foi Silvinha:

http://www.youtube.com/watch?v=a-3GU6r6zt0

Pra quem gostar de maiores explicações acerca dos romances entre Antonio Marcos-Vanuza, e Eduardo Araújo-Silvinha, sugiro procurar nas seguintes revistas: Manchete, ou Fatos & Fotos, ou mesmo O Cruzeiro; porque numa dessas, e daquela época, haverá um espaço chamado: Mexericos da Candinha; que fazia uma espécie de cobertura dos Bastidores da Jovem Guarda. Como não tinha o hábito de ler tal coluna, não me lembro de qual revista era, e tampouco o jornalista responsável, mas até isso foi cantado no programa pelo Rei:

http://www.youtube.com/watch?v=wLfjXeJBMxg

Voltando aos artistas que deram um valor mais artístico do que social à Jovem Guarda, começo citando a chegada das duplas. Uma das primeiras, e talvez a única composta por cantor e cantora, foi Leno e Lilian, também os primeiros da Jovem Guarda a cantar música mais voltada às diferenças observadas nas classes sociais:

http://www.youtube.com/watch?v=2hpL5d65bDw&feature=related

Mas Leno & Lilian também seguiam os protocolos do programa com isto:

http://www.youtube.com/watch?v=yQd334Z8sps&feature=related

As duas músicas de maior sucesso sucesso da dupla praticamente contavam as razões pelas quais havia nascido e inevitavelmente se separaria, como de fato ocorreu pouco tempo depois.

Depois vieram Os Vips:

http://www.youtube.com/watch?v=ETn1GB3jSGI&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=bAKIjDUsdsY&feature=related

Logo após o surgimento dos Vips, vieram Deny e Dino:

http://www.youtube.com/watch?v=xzZCwdmDziY&feature=fvsr

http://www.youtube.com/watch?v=QT1eRpFxOlo

À partir de Deny e Dino nota-se que, se por um lado a melodia do rock melhorara um pouco, por outro as letras tendiam ao empobrecimento. Esse aspecto último, o das letras pobres, começou a mostrar-se também nas músicas de certos conjuntos musicais.

Havia uma receita com os seguintes passos:

1- Tentava-se conseguir uma entrevista ao vivo em alguma Rádio com boa audiência, onde anunciava-se o compacto para breve lançamento. O bom era conseguir algo com Miguel Vacaro Neto.

2- Com um pouco de sorte, cavava-se uma participação na famosa “Vitrola Mágica”, um programa da Rádio Bandeirantes, feito direto nas ruas e comandado pelo radialista Enzo de Almeida Passos, autor da música Negue.

3- Se o texto fosse em outra língua, fatalmente o cantor teria de tentar enfiar a música numa Rádio, cujo nome creio ter sido Capital, que tinha um programa em que o radialista traduzia cada verso da música simultaneamente à execução.

4- Lançamento do disco. Não confundir com prova de Atletismo, embora muitos daqueles discos poderiam ser “arremessados” sem qualquer peso na consciência.

5- Apresentação do cantor na Jovem Guarda.

Para vender o sucesso nas lojas de disco, os títulos das músicas precisavam ter algo de bem chamativo.

Houve uma vez em que o nome de um rock chamou-me a atenção. Imaginava que o título, Muro de Berlim, associado ao nome Brazilian Bitles, pertencesse a um rock pesadíssimo. Como eu já conhecia e aprovara o conjunto nos bailes, pedi ao atendente para escutá-lo na loja de discos, antes de comprar.

Depois entendi porque o cara da loja me enrolou tanto antes de colocar o disco para eu ouvir. Claro que resultaria em produto não vendido. Vejam o que era o Brazilian Bitles naturais. Atentar para o detalhe da “pequena câmera” transitando pelo palco, que dava um certo ar de “Malvadeza Espacial”, pela semelhança com as naves:

http://www.youtube.com/watch?v=3wDELJQnsUA

Pensando melhor, e sem querer ofender, acho que aquela “Engronha Tanseunte” é alguma Máquina do Tempo filmando uma tentativa de releitura vesga do What I Say, do Ray Charles:

http://www.youtube.com/watch?v=65FOQpQpSwc

Como não achei um vídeo sequer daquela pobre música, com a letra ainda mais “carente” do que a melodia, cujos autores nem me dera o trabalho de na ocasião pesquisar, pude agora, décadas após, constatar o seguinte:

Num dos vídeos aparece o Roberto Carlos como autor. Noutro, aparece como sendo de Erasmo Carlos. Em nenhum dos dois casos o vídeo está disponível. Foram amigos até nisso. Assumiram isoladamente aquela coisa sofrível que tiveram a infelicidade de construir, e a venderam a um conjunto que buscava fama usando os nomes de ícones da Jovem Guarda.

Para não comprometer o amigo, cada qual assumiu a coisa como própria. Já não se fazem mais amigos como antigamente, embora letrinhas doentes, como essa, sim.

Como diria Bóris Casoy: “É uma (pausa) Vergonha”.

Muro de Berlim (Roberto Carlos e/ou Erasmo Carlos)

a
Até o céu se rebelou
Quando viu minha história de amor
Feliz eu era um dia
Tinha tudo o que queria
De repente fiquei sozinho
Sem carinho , sem ninguém
a
O muro de Berlim
Entre eu e meu bem ,
Cortaram a alegria do meu coração
Como se corta uma fatia de pão
a
Deus tenha pena
E traga meu amor pra mim
Em Berlim , em Berlim ,
Em Berlim , em Berlim
a

Como velhas águas sujas nunca moveram o Rock Essencial Brasileiro, finalizo esta segunda parte deixando-o descansar sobre águas turbulentas internacionais:

http://www.youtube.com/watch?v=DXF5lVpN1ys

 

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Rock Brasileiro – Raízes II

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Ainda em 1964, um desconhecido cantor, que já tentara a sorte cantando bossa nova e se mantivera desconhecido, buscando o mundo do rock, surgiu no cenário brasileiro num disco de 78 rpm, com uma interpretação meio mista. O rock era claro, mas havia nele alguns improvisos de voz herdados do período em que se aventurara pela bossa nova, mesclados com gritos mais comuns ao rock.

http://www.youtube.com/watch?v=f1DV8W0nJSE

Como havia forte concorrência com a TV Tupi pelos telespectadores, a Record começou a exibir, em 1965, o programa Jovem Guarda.

Para que a iniciativa se mostrasse novidade por inteiro, de alguma forma a emissora investiu no ainda desconhecido Roberto Carlos para comandar o programa musical voltado aos mais jovens. Embora o texto do seu primeiro sucesso merecesse alguns reparos por parte da imprensa, dava ao intérprete algo de rebeldia, que somada à troca dos tipos de cigarros da época, com a chegada dos cigarros com filtro que nos acompanham até hoje, alcançaram a popularidade bastante tanto à rebeldia dos filhos quanto à dos pais, cuja maioria era fumante.

Como aquela imagem de moço rebelde contrastava nas canções do Roberto, que também mostrava nas músicas muito mais do romantismo de Francisco Alves do que da essência do rock adolescente de Ronnie Cord, por exemplo, ganhou a rápida e prestativa companhia dos conjuntos, vistos na postagem anterior, nos primeiros domingos de existência do programa.

Logo surgiu a figura do parceiro ideal, como era comum ocorrer entre os moleques de uma turma que dividiam, os segredos próprios, desde Catecismos do Carlos Zéfiro aos buracos de fechadura mais cobiçados. Erasmo Carlos foi o cara escolhido. Uma das primeiras músicas dele na Jovem Guarda abocanhou os jovens por uma faceta pra lá de popular entre eles: Como “ganhar a mina”:

http://www.youtube.com/watch?v=mRFsLLefijU

Rapidamente, Roberto Carlos aprendeu a nadar naquelas águas do Rock Estratégico, que misturava o moço rebelde com o bom moço, criou uma nova linguagem e acertou em cheio com isto:

http://www.youtube.com/watch?v=GJ6aDjVAeJI

Faltava dar um aspecto mais agressivo para o parceiro Erasmo Carlos, pois o cara não poderia só ficar cantando sobre namoradinhas. Tinha de ser mais machão e conquistador, então alguém, lembrando dos carros e dos termos de Rua Augusta, do Ronnie Cord, fez surgir o apelido “Tremendão”, com música e tudo:

http://letras.terra.com.br/erasmo-carlos/45780/

http://www.youtube.com/watch?v=VDpdwIga_LY

Uma vez formada a dupla de amigos, e sendo a maioria dos fãs formada por garotas, a organização do programa tratou rapidamente de fazer surgir uma espécie de princesa moderna na Jovem Guarda. E o nome escolhido para assumir tal função foi Wanderléa, uma cantora desconhecida, com qualidade vocal mediana, nem tão bonita assim, mas que acabou assumindo bem o seu papel no enredo da Record:

http://www.youtube.com/watch?v=ZUHiEf7rHTc

Ela cantava poucas músicas além dessa acima. Há outra que lhe deu certa fama, principalmente pelo pegajoso enredo da Separação, um sucesso certo em quaisquer canções, rock, samba etc. Mas, antes da música ser gravada pela Wanderléa, e de ter até virado tema do filme Ternura, já servira para o ingresso do cantor Demétrius na Jovem Guarda. Tratava-se de uma versão muito bem feita, mas que já tinha dono anterior, pois muitos eram os sucessos chegados às paradas por versões desde Celly Campelo. Aqui vão as duas:

http://www.youtube.com/watch?v=m5-eKiSUeBE

http://www.youtube.com/watch?v=_DDmtHVvrPo&feature=related

De alguma forma, o Demétrius parou de cantar a música na Jovem Guarda e passou a ficar mais conhecido por esta outra:

http://www.youtube.com/watch?v=WRfMaLdw0Vc

Como a produção do programa usava fazer comparações com outros ídolos estrangeiros, por um tempo a estampa de Demétrius esteve associada à de Elvis Presley, mas a incorrigível natureza do cara era a de cantor romântico, enquanto o Elvys, além de ter excepcional voz tenor, era muito mais do Rock, do Twist. Também era bem sucedido no gênero romântico, que não era tão grande no repertório. Havia muitas diferenças entre os dois. Como imaginar o Demétrius cantando a versão inglesa do clássico italiano, Sole Mio, com esta potencialidade tenor?

http://letras.terra.com.br/elvis-presley/31452/

Ou mesmo no romântico com uma voz dessas:

http://www.youtube.com/watch?v=HZBUb0ElnNY

Alguns tenores de ópera já se aventuraram a cantar, e com excelente qualidade, alguns clássicos do Bolero, como este, por exemplo:

http://letras.terra.com.br/andrea-bocelli/590209/

Guardadas as proporções, as diferenças entre Bocelli e Elvys estão no fato do primeiro ser um Tenor Lírico que experimentou cantar Bolero, e Elvys ser um Tenor Roqueiro, que experimentou cantar uma versão americana em Rock, de uma consagrada música tradicional pela voz de tenores italianos. Como seria Elvys numa ópera?

-Talvez fosse algo melhor do que um Pavarotti dançando que nem ele sobre um palco.

Como Demétrius não se ajustava ao tipo Elvys, pretendido pela direção do programa, durou pouco na Jovem Guarda, que com isso perdera o seu representante romântico.

Tal ausência não representou um problema duradouro, pois a direção do programa fez surgir rapidamente o cantor Ary Sanches, batizado pelo apelido Granada Romântica da Jovem Guarda. Era sempre anunciado efusivamente por Roberto Carlos, como quem estivesse, com classe, apertando no banheiro um imaginário Botão de Descarga.

Cantava sempre a mesma música e ía embora. Não lembro do nome da música, todavia encontrei repetidas vezes o mesmo Ary interpretando um consagrado Brega do Nelson Ned:

http://www.youtube.com/watch?v=re1N74LVLgs

Perdoem pela derivação, mas escutando a música do Ned algumas vezes pelo Ary, pude perceber que devia ser fã do Jimmy Fontana, pois as músicas brasileira e italiana apresentavam muitas “afinidades incidentais” na época:

http://letras.terra.com.br/jimmy-fontana/441742/

Como desde então havia um truque promocional, o de alguns cantores menos expressivos se apresentarem nos programams de domingo, a Jovem Guarda tinha o seu lado meio Faustão ou Gugú atuais. Ary Sanches não foi o único, porém foi o que mais durou, com aquele estilo que lembrava os posteriores Chitãozinho & Xororó em plenos anos sessenta. Os tempos da MPB são muito confusos.

Assim como os conjuntos de rock instrumental, havia uma grande quantidade de músicos e cantores, que encontrando dificuldades para se manterem nas carreiras artísticas, puderam encontrar dias melhores em tal programa dominical.

Além dos referenciais americanos Ray Charles e Bill Haley, a década de 50 trouxera-nos outra feliz novidade: The Platters:

http://www.youtube.com/watch?v=QT-JUj-0bg8

Como o Brasil também tinha a característica de apresentar familiares formando conjuntos vocais, como Titulares do Ritmo e Trigêmeos Vocalistas, por exemplos; houve uma dessas famílias, a do compositor Umberto Silva, que também começou apresentar-se na Jovem Guarda como Trio:

http://www.vagalume.com.br/jovem-guarda/filme-triste-trio-esperanca.html

http://www.youtube.com/watch?v=vuTy4Mt3REo

Uma das revistas infantis mais lidas da época era as de Bolinha e Luluzinha. Com essa letra, a Jovem Guarda atingiu outra faixa, inédita e obviamente crescente no mercado das audiências.

O Trio Esperança não se resumiu àquela época da Jovem Guarda, pois uma das componentes do grupo, Evinha, já na carreira solo, ganhou o Festival Internacional da Canção em 1968, com a música Cantiga Por Luciana (Edmundo Souto e Paulinho Tapajós), numa acirrada disputa com Malcolm Roberts cantando Love Is All:

http://letras.terra.com.br/evinha/230599/

http://letras.terra.com.br/malcolm-roberts/546997/

Posteriormente os demais integrantes da famíla formaram um outro vocal, o Trio Ternura, dirigido por Raul Seixas, que acompanhando o, ainda cantor, Tony Tornado, também ganharia um festival em 1970 com a música BR-3

http://www.youtube.com/watch?v=YMzX1_NdFT0&feature=related

Aquela dança do Tony Tornado virou uma febre nos nossos salões de Rock, embora, para o Black Power do rock americano, não fosse muita novidade, já que havia um conjunto chamado The Jackson Five, que em 1966 já ensaiava alguns passos semelhantes com o garoto prodígio e vocalista Michael Jackson, que contava com 8 anos:

http://www.youtube.com/watch?v=Q6bARIaMhCM

Não demorou muito, e o sucesso meteórico do Trio Esperança abriu as portas da Jovem Guarda para mais uma parte da família, só que dessa vez na forma de Quarteto de vozes masculinas:

http://www.youtube.com/watch?v=Vj4vExPf_7Y

http://www.youtube.com/watch?v=jgFY-xDvoKM&feature=related

Como a Jovem Guarda apresentava artistas de qualidades distintas, e tanto o Trio Esperança quanto os Golden Boys faziam parte das melhores, era comum de se observar entre os fãs, discussões que, na maioria das vezes, se transformavam em confrontos raciais.

Ao invés da emissora procurar diminuir as possibilidades que geravam tais idiotices, alimentava-as fazendo surgir um novo quarteto vocal, Os Iguais, formado só por integrantes de cor branca, como já acontecia na MPB de então com dois grupos: O Quarteto e MPB4.

Como, além da rivalidade racial entre os fãs havia uma outra mais explícita, entre a Jovem Guarda e a MPB, cujos quartetos se mostravam excelentes, a emissora foi imprudente ao jogar os quatro jovens no ar, e num mesmo programa aonde os Golden Boys também se apresentassem. Os Iguais até possuíam uma boa afinação. O rock até que era legal, mas por não terem intimidade alguma com o Palco, tudo que apresentava de bom era apagado pelas perfomances dos Golden Boys:

http://www.youtube.com/watch?v=aM4Ap1zoQFo

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