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	<title>MPB Sapiens &#187; Televisão</title>
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	<description>Cultura Musical</description>
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		<title>Sabiá-Análise de Texto</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Mar 2009 12:36:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[Texto]]></category>

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		<description><![CDATA[Anterior &#8211; &#62; http://mpbsapiens.com/bom-tempo-analise-de-texto/    Vídeo de Tauil           Já morando na Itália, Chico e Marieta acabaram por hospedar Toquinho com eles. Ao mesmo tempo em que eram amigos, desde a época pré festivais, Toquinho também era parceiro de Vinícius de Moraes nas composições musicais. Desconfio até que a presença do Toquinho lá pela Itália, junto com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5><span style="color: #008000;"><span style="color: #99cc00;"><span style="color: #008000;">Anterior &#8211; &gt;</span> </span><a href="http://mpbsapiens.com/bom-tempo-analise-de-texto/"><span style="color: #99cc00;">http://mpbsapiens.com/bom-tempo-analise-de-texto/</span></a></span></h5>
<h5><span style="color: #008000;">   <a href="http://www.youtube.com/watch?v=U9epAdaRXCk">Vídeo de Tauil</a>           </span></h5>
<p><span style="color: #008000;">Já morando na Itália, Chico e Marieta acabaram por hospedar Toquinho com eles. Ao mesmo tempo em que eram amigos, desde a época pré festivais, Toquinho também era parceiro de Vinícius de Moraes nas composições musicais. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Desconfio até que a presença do Toquinho lá pela Itália, junto com o casal, tenha vindo de algum acordo do pai do Chico com o amigo Vinícius, ambos preocupados com seus filhos natural e &#8220;adotado&#8221;.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Como diplomata, o constante trânsito internacional dava a Vinícius a categoria de &#8220;Eterno Exilado&#8221;, e tal aspecto permitiu que se prestasse como uma espécie de Correio Confiável, já que por aqui, na época, a correspondência vinda de qualquer suspeito era digna de censura.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Para se ver a falta de estrelismo de alguns compositores, que se sabiam nobres, Tom Jobim mandou por Vinícius uma fita contendo uma melodia para que Chico a recheasse com letra. Sugeriu a um velho parceiro, e consagrado poeta, que pedisse a outro poeta o favor de letrar a melodia? </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Sem qualquer constrangimento, Vinícius levou a fita contendo a melodia do Jobim e entregou ao Chico, conforme combinado.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Para entender o conteúdo do recheio que Chico deu à melodia do Jobim, convém lembrar um pouco da realidade em que ele se encontrava na ocasião:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">1 &#8211; Tinha saído do Brasil por vontade própria.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">2 &#8211; Tal exílio espontâneo, como já suspeitei nos posts anteriores, tinha começado, de forma interior, quando ainda morava por aqui.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">3 &#8211; Por mais que não gostasse da nossa situação social, tinha saudades da terra, o que é comum aos nativos.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">4 &#8211; Quando se está longe de casa, lembra-se primeiro dos estandartes culturais da História, associando-os à realidade presente no novo habitat.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Creio que baste. Como estava exilado, ainda que de forma espontânea, ao abandonar uma realidade social que não satisfazia, a saudade nativa buscou na nossa literatura um poema de Gonçalves Dias, 1847, famoso pelos versos iniciais, só se lembra mais destes:</span><span style="color: #008000;"> </span></p>
<address><span style="color: #008000;">Minha terra tem palmeiras</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Onde canta o Sabiá</span></address>
<address><span style="color: #008000;">As aves que aqui gorjeiam</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Não gorjeiam como lá&#8230;</span><span style="color: #008000;"> </span></address>
<p><span style="color: #008000;">Talvez pelo fato de ter um texto exagerado em nacionalismo, o poema, para os jovens das décadas de 50, 60 e 70; era bem chato e nem um pouco memorizável. Justamente por esse motivo só os quatro primeiros versos bastavam para justificar o Sabiá do Chico, acontece que ele costumava ler os poemas inteiros, e esse, que tem o interessante nome de Canção do Exílio, apresenta também estes versos:</span></p>
<address><span style="color: #008000;">Não permita Deus que eu morra,<br />
Sem que eu volte para lá</span><span style="color: #008000;"> </span></address>
<p><span style="color: #008000;">Em termos do contexto direto de Sabiá, tais versos pouco somariam à conceituação: </span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Tudo bem, ele não morreu e sabia que iria &#8220;Voltar&#8221;, como disse muitas vezes desde o primeiro verso!</span></p>
<p><span style="color: #008000;"> Quem assim pensasse estaria cometendo um grave engano, pois o universo literário do Chico é capaz de buscar informações em diversas partes, tais como nestes versos:</span></p>
<address><span style="color: #008000;">Por mais terras que eu percorra,<br />
Não permita Deus que eu morra<br />
Sem que volte para lá&#8230;</span><span style="color: #008000;"> </span></address>
<p><span style="color: #008000;">Ocorre que esses versos, de Guilherme de Almeida, além de dois deles serem iguais aos da Canção do Exílio, são também parte do Hino da FEB (Força Expedicionária Brasileira).</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Estaria a engenhosidade do Chico se divertindo com os marionetes militares que deixara no Brasil?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Pode até ter ocorrido isso, mas a coisa fica mais interessante quando a História conta que os Expedicionários ficaram mais conhecidos pela tomada do Monte Castela, na Segunda Guerra Mundial, e tal monte ficava na mesma Itália que Chico escolhera para o Auto-Exílio Oficial.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Pode ser até que Chico não tivesse construído a letra de Sabiá com essa idéia na cabeça, mas que ela existiu, não tenho dúvidas, pois é História Oficial aceita até por quem costuma ilustrá-la com lindos &#8220;Passarinhos&#8221;, a imprensa.</span><span style="color: #008000;"> </span></p>
<address><span style="color: #008000;">Vou voltar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Sei que ainda vou voltar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Para o meu lugar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Foi lá e é ainda lá</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Que eu hei de ouvir cantar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Uma sabiá</span></address>
<address><span style="color: #008000;">      </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Vou voltar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Sei que ainda vou voltar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Vou deitar à sombra de uma palmeira</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Que já não há</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Colher a flor</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Que já não dá</span></address>
<address><span style="color: #008000;">E algum amor</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Talvez possa espantar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">As noites que eu não queria</span></address>
<address><span style="color: #008000;">E anunciar o dia</span></address>
<address><span style="color: #008000;">      </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Vou voltar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Sei que ainda vou voltar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Não vai ser em vão</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Que fiz tantos planos de me enganar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Como fiz enganos de te encontrar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Como fiz estradas de me perder</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Fiz de tudo e nada e te esquecer</span></address>
<address><span style="color: #008000;">      </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Repete a primeira estrofe</span><span style="color: #008000;"> </span></address>
<p><span style="color: #008000;">Sabiá concorreu num festival de 1968, interpretada por Cynara e Cybele, que teve também a composição Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores (Geraldo Vandré).  </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Suspeitando encrencas com a censura e sem avisar o Chico, Jobim adicionou uma estrofe no final:</span><span style="color: #008000;"> </span></p>
<address><span style="color: #008000;">Vou voltar  </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Sei que ainda vou voltar </span></address>
<address><span style="color: #008000;">E é pra ficar </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Sei que o amor existe </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Eu não sou mais triste </span></address>
<address><span style="color: #008000;">E que a nova vida já vai chegar </span></address>
<address><span style="color: #008000;">E que a solidão vai se acabar &#8211; bis </span><span style="color: #008000;"> </span></address>
<p><span style="color: #008000;">Talvez, graças a isso Sabiá passou de fase, porém, se compararmos o texto extra com o anterior, notaremos que o segundo tornou o primeiro apenas uma espécie de desabafo e jogou o Chico Letrista num time bem comum à época da ditadura: A turma do Eu Te Amo Meu Brasil!</span></p>
<p><span style="color: #008000;"> Sem saber de nada, Chico voltou ao Brasil para a finalíssima e encarou a um auditório em alvoroço e protesto. Ainda sem saber de nada, ficou lá em pé, feito bobo, escutando, ao que dava para se escutar da doce interpretação, debaixo da maior vaia da história dos festivais. Escutou a estrofe extra de Jobim, virou as costas e voltou pra Itália.      </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Quem me contou o ocorrido foi Ana Buarque, irmã dele, depois que eu disse a ela ter estranhado o final da composição. Primeiro porque  apresentou, pela primeira vez, uma repetição de rimas já usadas por Chico em Carolina, e segundo por não ser do seu estilo ferir e fazer curativo na mesma composição. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Chico não usa uma rima de duas palavras mais de uma vez. Triste com Existe, em final de verso e com a mesma ordem, pertencem só à Carolina. Podem ocorrer numa cruzada, mas nunca em final. Quanto às guerras nas composições, sempre atira depois e ainda se faz de arrependido.</span></p>
<p><span style="color: #008000;"> Para a minha sorte, consegui um compacto do Vandré assim que saiu, o que aconteceu logo depois da primeira apresentação na fase  classificatória. Eu estava lá no festival. Procurei algum panfleto com as letras, não consegui e pensei: </span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Pôrra, lá em S.Paulo nunca foi assim, pois o que mais faziam era propaganda em panfletos que continham as letras das composições concorrentes! </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Ao escutar o disco estranhei um grupo de pessoas aplaudindo à fatídica terceira estrofe: </span><span style="color: #008000;"> </span></p>
<address><span style="color: #008000;">Há soldados armados </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Amados ou não </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Quase todos perdidos </span></address>
<address><span style="color: #008000;">De armas na mão&#8230;</span><span style="color: #008000;"> </span></address>
<p><span style="color: #008000;">&#8230;antes mesmo de Vandré começar a cantá-la.                </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Se não havia panfleto algum com as letras, como é que aquele grande grupo sabia do conteúdo da terceira estrofe antes mesmo de ser iniciada? Será que algum Anjo os havia contratado para baterem palmas?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Era somente um fragmento do texto, pois no restante dele Vandré incluiu os militares no mesmo barco em que estávamos.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Aliás, a obra do Vandré foi fundamental para o desenvolvimento do enredo, anterior e posterior, da do Chico. Assim sendo, colocarei, neste ponto cronológico da MPB, a essência filosófica do Vandré como Premissas responsáveis pelas Conclusões do Chico, que em algumas composições respondeu nitidamente a Vandré e vice-versa.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">A análise de Sabiá continuará depois, visto que gerou uma outra Novela da MPB com um rico diálogo cultural dos dois maiores pensadores sócio-musicais da época:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Quem pode garantir que o próprio Sabiá não foi uma carta filosófica do Chico, endereçada ao Vandré, como resposta a uma possível cobrança deste, numa espécie de tira-teima do Festival de 1966, quando empataram com A Banda e Disparada?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Ambos eram grandes compositores, e por se suspeitarem assim, estendiam suas grandezas à Ética e à Elegância, qualidades natas dos que se sabem nobres e se bastam.</span></p>
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<h5><span style="color: #008000;">         </span></h5>
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		<title>Ponteio (Capinam-Edu Lobo)-Análise de Texto</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Mar 2009 17:09:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Texto]]></category>

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		<description><![CDATA[Festival de 1967 Dando continuidade ao post matriz, Roda Viva Disparada, Um Claro Enigma, aonde citei a linha filosófica comum das quatro composições melhor colocadas no festival da Record de 1967, convém lembrar que utilizei dois rótulos, extraídos da obra Claro Enigma, de Drummond, comuns à realidade dos poetas: O Ser, que é a essência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5><a href="http://www.youtube.com/watch?v=GWPmnVjIC5Ecom">Festival de 1967</a></h5>
<h4><span style="color: #008000;">Dando continuidade ao post matriz, Roda Viva Disparada, Um Claro Enigma, aonde citei a linha filosófica comum das quatro composições melhor colocadas no festival da Record de 1967, convém lembrar que utilizei dois rótulos, extraídos da obra Claro Enigma, de Drummond, comuns à realidade dos poetas: O Ser, que é a essência poética, e o Parecer, que é a postura social do poeta  diante da fama.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Descritas as três composições posteriores, Domingo no Parque, Roda Viva e Alegria, Alegria, a composição vencedora foi Ponteio, escrita por Capinam, sobre uma melodia de Edu Lobo, que junto com Marília Medalha foi o intérprete oficial.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Convém lembrar que Edu já era um ganhador de festivais, o primeiro deles, da TV Excelsior em 1964, com Arrastão, quando teve a honra de compor sobre uma letra de Vinícius de Moraes, e a sorte de contar com uma intérprete, ainda meio desconhecida, mas de retumbante sucesso posterior: Elis Regina.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Embora Arrastão tenha ganho um histórico pioneiro e próprio no cenário artístico nacional, teve por trás, nos bastidores familiares, toda uma Ética, infelizmente degradada ao longo dos anos, e hoje praticamente extinta.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Nos dias posteriores, e próximos à consagração da composição, houve uma entrevista com Fernando Lobo, pai do Edu, também poeta,  compositor e amigo do Vinícius. Quando perguntado o que achava de tudo aquilo, respondeu secamente com outra pergunta:</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">- Você está entrevistando o Pai do Edu Lobo?</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Meio sem jeito, o entrevistador disse que sim, e ao fazê-lo escutou, também secamente, o seguinte:</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">- Graças ao amigo Vinícius eu sou o maior vencedor!</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Meio sem entender, o entrevistador parou com as perguntas.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Mas o que essa entrevista deixou de útil à MPB?</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Apenas a certeza de que ela, a MPB, era tratada, acima de tudo, por Cavalheiros, cuja Ética não era disposta em Códigos. Apenas resultava da Elegância Nata, proveniente da Educação Comum, que tinha o Atavismo como óbvio resultado:</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">- O filho deixar de ser conhecido pelo nome do pai, para este ser mais conhecido pelo nome do filho!</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Fernando Lobo, a partir de Arrastão, conseguira ser mais conhecido como &#8220;O Pai do Edu Lobo&#8221;. Daí a resposta dele, em pergunta, a outra pergunta.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Do Arrastão, com o Vinícius, Edu passou pra Arena Conta Zumbí, com o Guarnieri e ganhou certa fama.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">As quatro composições, todas voltadas às denúncias, que misturavam os conceitos de protesto social e artístico &#8211; Militares e Imprensa, respectivamente &#8211; apresentaram estilos diferentes e apropriados a cada compositor. Caetano foi o poeta surpreso com uma banca de jornais. Chico tentando se livrar do rótulo Unanimidade Nacional. Gil mostrando todo o sofrimento do poeta-narrador, ao fotografar uma cena comum ao cotidiano dos conterrâneos em terras distantes.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Podem perceber que os pesos dos textos foram fundamentais na ordem das colocações: A Surpresa Leve do Caetano em quarto, a Denúncia Cifrada do Chico em terceiro e o Sangue do Gil em segundo.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Embora tivéssemos, cada qual à sua maneira, parte dessas essências vistas, comum aos nossos sentimentos interiores, faltava uma &#8220;pegada&#8221; mais forte, no conjunto Letra e Melodia, capaz de impressionar-nos. A receita vencedora já era conhecida, mas somente o Capinam e o Edu enxergaram, quando deram à composição a pegada da Disparada do Vandré e do Théo, voltando o texto mais à realidade do artista do que a do povo. Não deu outra: Troféu em Casa!</span><span style="color: #008000;"> </span></h4>
<address><span style="color: #008000;">Era um, era dois, era cem<br />
Era o mundo chegando e ninguém<br />
Que soubesse que eu sou violeiro<br />
Que me desse o amor ou dinheiro&#8230;<br />
    <br />
Era um, era dois, era cem<br />
Vieram prá me perguntar:<br />
- Ô voce, onde vai<br />
De onde vem?<br />
Diga logo o que tem<br />
Prá contar&#8230;<br />
    <br />
Parado no meio do mundo<br />
Senti chegar meu momento<br />
Olhei pro mundo e não via<br />
Nem sombra, nem sol<br />
Nem vento&#8230;<br />
    <br />
Quem me dera agora<br />
Eu tivesse a viola<br />
Prá cantar&#8230;(4x)<br />
    <br />
Prá cantar!<br />
    <br />
Era um dia, era claro<br />
Quase meio<br />
Era um canto falado<br />
Sem ponteio<br />
Violência, viola<br />
Violeiro<br />
Era morte redor<br />
Mundo inteiro&#8230;<br />
    <br />
Era um dia, era claro<br />
Quase meio<br />
Tinha um que jurou<br />
Me quebrar<br />
Mas não lembro de dor<br />
Nem receio<br />
Só sabia das ondas do mar&#8230;<br />
    <br />
Jogaram a viola no mundo<br />
Mas fui lá no fundo buscar<br />
Se eu tomo a viola<br />
Ponteio!<br />
Meu canto não posso parar<br />
Não!&#8230;<br />
    <br />
Quem me dera agora<br />
Eu tivesse a viola<br />
Prá cantar, prá cantar<br />
Ponteio!&#8230;(4x)<br />
    <br />
Pontiarrrrrrrr!<br />
    <br />
Era um, era dois, era cem<br />
Era um dia, era claro<br />
Quase meio<br />
Encerrar meu cantar<br />
Já convém<br />
Prometendo um novo ponteio<br />
Certo dia que sei<br />
Por inteiro<br />
Eu espero não vá demorar<br />
Esse dia estou certo que vem<br />
Digo logo o que vim<br />
Prá buscar<br />
Correndo no meio do mundo<br />
Não deixo a viola de lado<br />
Vou ver o tempo mudado<br />
E um novo lugar prá cantar&#8230;<br />
    <br />
Quem me dera agora<br />
Eu tivesse a viola<br />
Prá cantar<br />
Ponteio!&#8230;(4x)<br />
    <br />
Lá, láia, láia, láia&#8230;<br />
Lá, láia, láia, láia&#8230;<br />
Lá, láia, láia, láia&#8230;<br />
    <br />
Quem me dera agora<br />
Eu tivesse a viola<br />
Prá cantar<br />
Ponteio!&#8230;(4x)<br />
    <br />
Prá cantar<br />
Pontiaaaaarrr!&#8230;(4x)<br />
    <br />
Quem me dera agora<br />
Eu tivesse a viola<br />
Prá Cantar!</span><span style="color: #008000;"> </span></address>
<h4><span style="color: #008000;">Embora o texto anuncie, nas três primeiras estrofes, uma Surpresa do Ser poético com o Parecer social que o rodeava, a melodia dava à narrativa uma pegada muito mais forte, já que o quadro do Capinam estava sendo descrito por um pernambucano. Nada da leveza baiana do Caetano, pouco da frieza do Gil e nada do subjetivismo (tanto paulistano como carioca) do Chico. Uma Dura Surpresa Objetiva.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Dentro do Parecer, na época, a palavra de ordem era Engajamento, e isso colaborou muito para o texto do Refrão, quando o Ser pede socorro como um Repentista, que pouco tem a explicar sem a sua fiel companheira: A Viola.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Algo como: -Eu não sei  bem o que estão querendo de mim, com tantas perguntas e exigências de escolher um dos lados, quando não conheço nenhum deles! &#8211; Eu só sei cantar, cadê a minha viola?</span><span style="color: #008000;"> </span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Tudo era mal explicado, &#8220;Era um dia, era claro, quase meio&#8230;&#8221;. Acusações, insultos acadêmicos, com a aparência de doutarados, frios protestos musicais, ameaças do Parecer e consequente afastamento da arte musical.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Como diria, muitos anos mais tarde, Fábio Jr.:</span></h4>
<address><span style="color: #008000;">Muito cacique pra pouco índio</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Muito papo e pouco som</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Pessoas querendo ser</span></address>
<address><span style="color: #008000;">O que não são (ou melhor, eram)</span></address>
<h4><span style="color: #008000;">Essa parte se encerra no reencontro do Ser Repentista com a Viola Ocultada pelo Parecer social.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Na parte final, já provido da companheira Viola, e ainda com medo dela sumir novamente, o Ser Repentista se manda rapidinho daquela realidade louca do Parecer, mas com a &#8220;quase&#8221;, ou &#8220;meia&#8221;, certeza de que um dia achará o mesmo lugar, já muito mais merecedor da sua Arte Espontânea.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Curiosamente, depois de vencer o festival, Edu Lobo e Capinam sumiram do cenário artístico, cuja Roda Viva presente começou, a partir de então, a buscar uma maneira de colocar em conflito as tendências musicais férteis da MPB, comuns aos primeiros colocados. Foi quando o confronto, Chico x Tropicalistas (Caetano e Gil eram os expoentes) começou a ser articulado pelos críticos concretistas do tablóide paulistano a Folha de São Paulo, o que será visto adiante.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Quanto ao Edu, seguiu parcialmente o que o seu Ponteio disse na despedida:</span></h4>
<address><span style="color: #008000;">Correndo no meio do mundo</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Não deixo a viola de lado</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Vou ver o tempo mudado</span></address>
<address><span style="color: #008000;">E um novo lugar pra cantar</span><span style="color: #008000;"> </span></address>
<h4><span style="color: #008000;">Se isolou, trocou a viola pelo piano, melhorando consideravelmente a sua concepção melódica, se tornou Maestro, Arranjador e, quinze após, a arte nos premiou, com a dupla Chico e Edu, já num outro lugar pra cantar,  em O Grande Circo Místico.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Aqueles quatro jovens compositores, sobre os quais Tom Jobim, Dorival Caymmi e, principalmente, Vinícius de Moraes, depositavam os sonhos de continuidade artística na MPB estavam sendo colocados uns contra os outros pela ação nociva de Anjos e Capetas, instrumentos comuns da Roda Viva Norte Americana, na destruição dos valores culturais dos povos a serem dominados por seu Capital Credor, já que os colonizadores anteriores, sendo somente agiotas, só haviam feito por progredir a nossa cultura, incentivando o surgimento de Toms, Caymmis e Vinícius, por exemplo.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">Hoje, a MPB continua um fiel espelho do nosso quadro Social. O que mudou foi a Educação. Só isso.</span></h4>
<address><span style="color: #008000;">Trazer uma aflição dentro do peito</span></address>
<address><span style="color: #008000;">É da vida um defeito </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Que se extingue com a razão</span></address>
<address><span style="color: #008000;">(Chuvas de Verão &#8211; Fernando Lobo)</span></address>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=GWPmnVjIC5Ecom"></a></p>
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		<title>Domingo No Parque (Gilberto Gil)-Análise de Texto</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Feb 2009 16:22:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Texto]]></category>

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		<description><![CDATA[Festival de 1967 Dando continuidade ao post matriz, Roda Viva Disparada, Um Claro Enigma; aonde citei a linha filosófica comum das quatro composições melhor colocadas no festival da Record de 1967, convém lembrar que utilizei dois rótulos, extraídos da obra Claro Enigma, de Drummond, comuns à realidade dos poetas: O Ser, que é a essência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5><span style="color: #008000;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=QEXzaNb4FPs">Festival de 1967</a></span></h5>
<p><span style="color: #008000;">Dando continuidade ao post matriz, Roda Viva Disparada, Um Claro Enigma; aonde citei a linha filosófica comum das quatro composições melhor colocadas no festival da Record de 1967, convém lembrar que utilizei dois rótulos, extraídos da obra Claro Enigma, de Drummond, comuns à realidade dos poetas: O Ser, que é a essência poética, e o Parecer, que é a postura social do poeta  diante da fama.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">A segunda colocada no festival foi Domingo no Parque, do Gilberto Gil, na qual o Ser se mostrou de forma mais complexa diante do Parecer.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Pelo fato do Ser do poeta ter-se formado na Bahia, e estar em terra estranha, talvez na capital de São Paulo, tenha se manifestado disposto à narrativa do novo cotidiano, presente na realidade dos conterrâneos, chegados antes nos movimentos migratórios já vistos em Pedro Pedreiro, onde cenas semelhantes às descritas por ele eram bem comuns nos ditos &#8220;parques&#8221; da periferia, tais como os de São Miguel Paulista e Itaquera, por exemplo.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Na época em que foi composta a obra, provavelmente Gil tenha pego o mote dos jornais Última Hora ou Notícias Populares, hoje, creio, extintos em Sampa, já que os demais jornais assumiram tais estratégias editoriais. Crime vende mais. Posso até supor a manchete:</span><span style="color: #008000;"> </span></p>
<p><span style="color: #008000;">&#8220;<span style="color: #ff0000;">Domingo de Sangue No Gasômetro</span>&#8220;: <span style="color: #000000;">Traição da mulher acabou em briga, seguida de morte, entre dois amigos, ambos residentes em São Miguel Paulista, ontem às 14 horas. Informaram os transeuntes que os corpos esfaqueados, da adúltera e do amante, abandonados próximo a um carrinho de sorvetes Kibon, ainda estavam vivos quando a Rádio Patrulha chegou ao Parque de Diversões Xangai, mas não resistiram. O feirante assassino, José de Santana encontra-se foragido, tendo os corpos da doméstica Juliana dos Santos, e do pedreiro João da Silva, sido encaminhados ao Instituto Médico Legal</span>:</span><span style="color: #008000;"> </span></p>
<address><span style="color: #008000;">O rei da brincadeira<br />
Ê, José!<br />
O rei da confusão<br />
Ê, João!<br />
Um trabalhava na feira<br />
Ê, José!<br />
Outro na construção<br />
Ê, João!&#8230;<br />
    <br />
A semana passada<br />
No fim da semana<br />
João resolveu não brigar<br />
No domingo de tarde<br />
Saiu apressado<br />
E não foi prá Ribeira jogar<br />
Capoeira!<br />
Não foi prá lá</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Pra Ribeira</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Foi namorar&#8230;<br />
    <br />
O José como sempre<br />
No fim da semana<br />
Guardou a barraca e sumiu<br />
Foi fazer no domingo<br />
Um passeio no parque<br />
Lá perto da Boca do Rio&#8230;<br />
Foi no parque<br />
Que ele avistou<br />
Juliana<br />
Foi que ele viu</span></address>
<address>    <br />
<span style="color: #008000;">Foi que ele viu</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Juliana na roda com João<br />
Uma rosa e um sorvete na mão<br />
Juliana seu sonho, uma ilusão<br />
Juliana e o amigo João&#8230;<br />
    <br />
O espinho da rosa feriu Zé<br />
E o sorvete gelou seu coração<br />
    <br />
</span><span style="color: #008000;">O sorvete e a rosa<br />
A rosa e o sorvete<br />
Foi dançando no peito<br />
Do José brincalhão<br />
    <br />
O sorvete e a rosa<br />
A rosa e o sorvete<br />
Foi girando na mente<br />
Do José brincalhão<br />
    <br />
Juliana girando<br />
Oi, na roda gigante<br />
Oi, na roda gigante<br />
O amigo João&#8230;<br />
    <br />
O sorvete é morango<br />
É vermelho!<br />
Oi, girando e a rosa<br />
É vermelha!<br />
Oi girando, girando<br />
Oi, girando, girando&#8230;<br />
    <br />
Olha a faca!<br />
Olha o sangue na mão<br />
Juliana no chão<br />
Outro corpo caído<br />
Seu amigo João<br />
    <br />
Amanhã não tem feira<br />
Não tem mais construção<br />
Não tem mais brincadeira<br />
Não tem mais confusão&#8230;</span></address>
<address>    <br />
<span style="color: #008000;">Eê eê eê eê eê<br />
Eê eê eê eê eê<br />
Eê eê eê eê eê<br />
Eê eê eê eê eê</span></address>
<p><span style="color: #008000;"><span style="color: #008000;">In</span>felizmente, esse era o provável quadro social observado por Gil na ocasião, todavia, apesar da possível tristeza do poeta, testemunhando a tudo aquilo, é impressionante a frieza do Ser quando se propõe apenas a fotografar um cotidiano do Parecer, pois cada um dos personagens da tragédia foi concebido pela cabeça do poeta.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">I</span><span style="color: #008000;">sso costuma deixar marcas no poeta, que mais tarde pode reagir nestas formas:</span></p>
<address><span style="color: #008000;">Eu vim da Bahia cantar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Mas algum dia eu volto pra lá&#8230;</span></address>
<p><span style="color: #008000;">Ou mesmo:</span></p>
<address><span style="color: #008000;">A novidade era a guerra</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Entre o feliz poeta e o esfomeado&#8230;</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Ah, mundo tão desigual</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Tudo é tão desigual</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Ah, de um lado este carnaval</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Do outro a fome total&#8230;</span></address>
<p><span style="color: #008000;">A exemplo do que o Caetano Veloso fez em Alegria, Alegria, quando usou um conjunto de rock para acompanhá-lo, Gilberto Gil fê-lo com Os Mutantes. Foi quando o universo artístico nacional pode testemunhar o surgimento de um dos seus ícones: Rita Lee.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Mas o que Domingo no Parque pode ter de semelhante com Roda Viva?</span></p>
<address><span style="color: #008000;">Eê eê eê eê eê</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Eê eê eê eê eê</span></address>
<p><span style="color: #008000;">Seria o mesmo que dizer:</span></p>
<address><span style="color: #008000;">Mas eis que chega a Roda Viva</span></address>
<address><span style="color: #008000;">E carrega o assunto pra lá.</span></address>
<p><span style="color: #008000;">Pois na terça feira o crime já teria deixado de ser um assunto Paulistano e, com certeza, duraria, no máximo, até o outro domingo em São Miguel.</span></p>
<address><span style="color: #008000;">O Sol nas bancas de revista</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Me enche de alegria e preguiça</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Quem lê tanta notícia?&#8230;</span></address>
<address></address>
<address><span style="color: #008000;">       <span style="color: #ffffff;">a</span></span></address>
]]></content:encoded>
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		<title>Alegria, Alegria (Caetano Veloso)-Análise de Texto</title>
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		<comments>http://mpbsapiens.com/alegria-alegria-caetano-veloso/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Feb 2009 23:53:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[Texto]]></category>

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		<description><![CDATA[a a Festival de 1967 a Ver também -  http://mpbsapiens.com/ditadura-mpb/ a aaa Dando continuidade ao post anterior, Roda Viva Disparada, Um Claro Enigma, aonde citei a linha filosófica comum das quatro composições melhor colocadas, no Festival da Record de 1967; convém lembrar que utilizei dois rótulos, extraídos da obra Claro Enigma, de Drummond, comuns à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5><span style="color: #ffffff;">a</span></h5>
<h5><span style="color: #ffffff;">a</span></h5>
<h5><span style="color: #008000;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=4tzSETbQcJk">Festival de 1967</a> </span></h5>
<h5><span style="color: #ffffff;">a</span></h5>
<div><span style="color: #008000;">Ver também -  <a href="http://mpbsapiens.com/ditadura-mpb/">http://mpbsapiens.com/ditadura-mpb/</a></span></div>
<div><span style="color: #ffffff;">a</span></div>
<div><span style="color: #ffffff;"> aaa</span></div>
<div><span style="color: #008000;">Dando continuidade ao post anterior, Roda Viva Disparada, Um Claro Enigma, aonde citei a linha filosófica comum das quatro composições melhor colocadas, no Festival da Record de 1967; convém lembrar que utilizei dois rótulos, extraídos da obra Claro Enigma, de Drummond, comuns à realidade dos poetas: O Ser, que é a essência artística contida em cada poeta, e o Parecer, que é a postura social da fama do mesmo, que muitas vezes exige dele algumas tolerâncias filosóficas, comuns ao nosso cotidiano, mas contrastante com o Ser poético dele.</span></div>
<div><span style="color: #ffffff;">a</span></div>
<div><span style="color: #008000;">Tratarei inicialmente da quarta colocada, Alegria, Alegria; de Caetano Veloso:</span></div>
<div><span style="color: #ffffff;">a</span></div>
<address><span style="color: #008000;">Caminhando contra o vento<br />
Sem lenço e sem documento<br />
No sol de quase dezembro<br />
Eu vou&#8230;</span></address>
<address><span style="color: #ffffff;">a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">O sol se reparte em crimes</span><br />
<span style="color: #008000;"> Espaçonaves, guerrilhas</span><br />
<span style="color: #008000;"> Em cardinales bonitas</span><br />
<span style="color: #008000;"> Eu vou&#8230;</span></address>
<address><span style="color: #ffffff;">a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Em caras de presidentes</span><br />
<span style="color: #008000;"> Em grandes beijos de amor</span><br />
<span style="color: #008000;"> Em dentes, pernas, bandeiras</span><br />
<span style="color: #008000;"> Bomba e Brigitte Bardot&#8230;</span></address>
<address><span style="color: #ffffff;">a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">O sol nas bancas de revista</span><br />
<span style="color: #008000;"> Me enche de alegria e preguiça</span><br />
<span style="color: #008000;"> Quem lê tanta notícia?</span><br />
<span style="color: #008000;"> Eu vou&#8230;</span></address>
<address><span style="color: #ffffff;">a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Por entre fotos e nomes</span><br />
<span style="color: #008000;"> Os olhos cheios de cores</span><br />
<span style="color: #008000;"> O peito cheio de amores vãos</span><br />
<span style="color: #ffffff;"> a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Eu vou</span><br />
<span style="color: #008000;"> Por que não, por que não&#8230;</span></address>
<address><span style="color: #ffffff;">a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Ela pensa em casamento</span><br />
<span style="color: #008000;"> E eu nunca mais fui à escola</span><br />
<span style="color: #008000;"> Sem lenço e sem documento,</span><br />
<span style="color: #008000;"> Eu vou&#8230;</span></address>
<address><span style="color: #ffffff;">a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Eu tomo uma coca-cola</span><br />
<span style="color: #008000;"> Ela pensa em casamento</span><br />
<span style="color: #008000;"> E uma canção me consola</span><br />
<span style="color: #008000;"> Eu vou&#8230;</span></address>
<address><span style="color: #ffffff;">a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Por entre fotos e nomes</span><br />
<span style="color: #008000;"> Sem livros e sem fuzil</span><br />
<span style="color: #008000;"> Sem fome, sem telefone</span><br />
<span style="color: #008000;"> No coração do Brasil&#8230;</span></address>
<address><span style="color: #ffffff;">a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Ela nem sabe até pensei</span><br />
<span style="color: #008000;"> Em cantar na televisão</span><br />
<span style="color: #008000;"> O sol é tão bonito</span><br />
<span style="color: #008000;"> Eu vou&#8230;</span></address>
<address><span style="color: #ffffff;">a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Sem lenço, sem documento</span><br />
<span style="color: #008000;"> Nada no bolso ou nas mãos</span><br />
<span style="color: #008000;"> Eu quero seguir vivendo, amor</span><br />
<span style="color: #ffffff;"> a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Eu vou&#8230;</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Por que não, por que não&#8230;</span><br />
<span style="color: #008000;"> Por que não, por que não&#8230;</span><br />
<span style="color: #008000;"> Por que não, por que não&#8230;</span><br />
<span style="color: #008000;"> Por que não, por que não&#8230;</span></address>
<div><span style="color: #ffffff;">a</span></div>
<div></div>
<div><span style="color: #008000;">Na primeira estrofe o Ser do Caetano, desprovido de qualquer identidade (sem documento) descreve o quadro que o assola, provavelmente em Sampa.</span></div>
<div><span style="color: #ffffff;">a</span></div>
<div><span style="color: #008000;">Na segunda e na terceira estrofes ele começa a dar uma idéia figurativa para a imprensa, como Sol, responsável pela &#8220;Luz da Informação&#8221; que molda o Parecer de cada um, poeta ou não.</span></div>
<div><span style="color: #008000;">Na quarta estrofe o Ser se revolta, com aquela calma característica dos baianos: Quem lê tanta notícia?</span></div>
<div><span style="color: #ffffff;">a</span></div>
<div><span style="color: #008000;">Na quinta ele volta a descrever o cotidiano do Parecer, cercado de notícias, comparadas às futilidades dos &#8220;amores vãos&#8221;, mas insiste em ir levando a farsa.</span></div>
<div><span style="color: #ffffff;">a</span></div>
<div><span style="color: #008000;">Na sexta e na sétima o Ser retoma a frente e se descreve no contraste Casamento x Escola e Coca-Cola; desiste e se refugia na canção que o consola daquele quadro deprimente.</span></div>
<div><span style="color: #ffffff;">a</span></div>
<div><span style="color: #008000;">Na oitava estrofe o Ser se mostra imperativo, na busca da não identidade, do não engajamento social, já que, na época, a imprensa cobrava dos artistas uma postura mais guerreira, que protestasse contra o domínio dos militares: Sem livros e sem fuzil (não quero saber da história disso tudo e tampouco pego em armas). Mais uma vez sugere estar observando o quadro em Sampa (coração do Brasil). </span></div>
<h5><span style="color: #ff0000;">ver observação no rodapé</span></h5>
<div><span style="color: #008000;">Na nona o Ser se mostra preocupado com um seu sentimento de amor em conflito com todas as tentações oferecidas pelo Sol do Parecer, mais propriamente os &#8220;Anjos e Capetas&#8221;, vistos por Chico na peça Roda Viva.</span></div>
<div><span style="color: #ffffff;">a</span><br />
<span style="color: #008000;">Na décima, o Ser chuta de vez essa disputa toda com o Parecer pra escanteio, se aloja novamente no comodismo da perda de identidade e segue adiante: Por que não?</span></div>
<div><span style="color: #008000;">No festival, Caetano Veloso contou com a colaboração do conjunto Beat Boys, um conjunto de rock &#8220;hermano&#8221; cujo lider era Toni Ozanah, que posteriormente fundou outro conjunto chamado Raízes de América. Teve até argentino no lance, mas com o fino toque da escola portenha.</span></div>
<div><span style="color: #ffffff;">a</span></div>
<div><span style="color: #008000;">A grande jogada, talvez ensaiada, do Caetano, e do grupo, foi a estampa do solista de órgão do conjunto, o Toyo, cuja figura lembrava, em muito, a imagem de Jesus Cristo, talvez, aproveitando o embalo do sucesso que a peça Jesus Christ Superstar fazia nos USA na ocasião, e tinha muita propaganda da imprensa no Brasil.</span></div>
<div><span style="color: #ffffff;">a</span></div>
<div><span style="color: #008000;">Tanto é verdade, que na gravação original a música começa por um solo de órgão. Basta juntar a estampa do instrumentista ao instrumento que ele tocava, muito mais comum às igrejas que aos palcos, e o resultado será o Infalível Superstar.</span></div>
<div><span style="color: #ffffff;">a</span></div>
<div><span style="color: #008000;">É só conferir no vídeo!</span></div>
<div><span style="color: #008000;"> <span style="color: #ffffff;">a</span></span></div>
<div><span style="color: #008000;">- Por que não?</span></div>
<h4><span style="color: #ffffff;">a</span></h4>
<h4><span style="color: #ffffff;">a</span></h4>
<p><span style="color: #ff0000;">Obs. <span style="color: #008000;"><em>A título de informação, O jornal ” O Sol” existiu. Foi criado em 1967 por estudantes, no Rio de Janeiro. Seu Idealizador foi o jornalista, Reynaldo Jardim.<br />
Este jornal tinha até um caderno chamado Poder Jovem, que por sua vez, era dirigido aos jovens da época que não se conformavam com a realidade que viviam.<br />
Grande abraço</em><br />
Att: <span style="color: #ff0000;">Willian Souto</span></span></span></p>
<h4></h4>
<h4><span style="color: #ff0000;"><span style="color: #008000;"><span style="color: #ff0000;"> <span style="color: #ffffff;">a</span></span></span></span></h4>
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		<title>Roda Viva Disparada, um Claro Enigma-Análise de Texto</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Feb 2009 13:41:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<table style="width: 330pt; border-collapse: collapse;" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="440">
<colgroup span="1">
<col style="width: 48pt;" span="1" width="64"></col>
<col style="width: 282pt; mso-width-source: userset; mso-width-alt: 13750;" span="1" width="376"></col>
</colgroup>
<tbody>
<tr style="height: 12.75pt;" height="17">
<td class="xl24" style="background-color: transparent; width: 48pt; height: 12.75pt; border: #ece9d8;" width="64" height="17"><span style="font-size: x-small; color: #99cc00; font-family: Times New Roman;">Anterior &#8211; &gt;</span></td>
<td class="xl25" style="background-color: transparent; width: 282pt; border: #ece9d8;" width="376"><a href="http://mpbsapiens.com/sem-fantasia-auto-exilio-analise-de-texto/"><span style="font-size: 8pt; color: #99cc00;"><span style="font-family: Arial;">http://mpbsapiens.com/sem-fantasia-auto-exilio-analise-de-texto/</span></span></a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<div><span style="color: #008000;"></span></div>
<p> </p>
<p><span style="color: #008000;"></p>
<h5><span style="color: #008000;">               </span></h5>
<h5><span style="color: #008000;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=HRFw5u5wR4c">Festival de 1967</a></span></h5>
<p><span style="color: #008000;">Comecei a tratar do exílio interior do Chico em Sem Fantasia, pois vejo nela a efetivação do mesmo, mas será que ele não teria dado alguma pista anterior? Quando ele teria aceitado, pra si mesmo, àquela condição subjetiva iniciada em Sem Fantasia?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Da metade dos anos 60 ao princípio dos 70 um escritor francês era muito lido pelos jovens mais dados à cultura: Jean Paul Sartre, que abordava às questões existencialistas de uma forma mais atual que Freud, até então tido como o grande parâmetro.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Creio que a obra de Sartre tenha influenciado, ou se assemelhado, ao que posteriormente Carlos Drummond de Andrade chamaria de Claro Enigma onde, em síntese, observava o poeta em dois estados de contemplação: Ser e Parecer. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">O Ser era a verdade interior e o Parecer o verniz social.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Algo semelhante ao que, também na época, só que em outra vertente social, o escritor Carlos Castañeda desenvolvia com o seu gurú, o índio Don Juan. Duas Atenções: a de Espreita e a de Sonho.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">A de Espreita conduzia o Parecer, a do Sonho era a essência do Ser, e o equilíbrio delas permitia ao contemplador alcançar o sucesso do Feiticeiro ou do Poeta, dá no mesmo.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Essa era a base literária, que cercava os jovens cultos da época, quando Chico escutou, em 1966, o seguinte pensamento musical:</span><span style="color: #008000;"> </span></p>
<p><span style="color: #008000;">E no sonho que fui sonhando</span></p>
<address><span style="color: #008000;">As visões se clareando</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Até que um dia acordei</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Então não pude seguir</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Valente, lugar-tenente</span></address>
<address><span style="color: #008000;">E dono de gado e gente</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Porque gado a gente marca</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Tange, berra engorda e mata</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Mas com gente é diferente</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Se você não concordar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Não posso me desculpar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Não canto pra enganar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Vou pegar minha viola</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Vou deixar você de lado</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Vou cantar noutro lugar&#8230;</span></address>
<address><span style="color: #008000;"> </span></address>
<address><span style="color: #008000;">(Disparada &#8211; Geraldo Vandré e Théo de Barros)</span><span style="color: #008000;"> </span></address>
<address><span style="color: #008000;">     </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Tem dias que gente se sente                            </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Como quem partiu ou morreu                         </span></address>
<address><span style="color: #008000;">A gente estancou de repente                            </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Ou foi o mundo então que cresceu                  </span></address>
<address><span style="color: #008000;">A gente quer ter voz ativa                 </span></address>
<address><span style="color: #008000;">No nosso destino mandar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Mas eis que chega a roda viva</span></address>
<address><span style="color: #008000;">E carrega o destino pra lá</span></address>
<address><span style="color: #008000;"> </span></address>
<address><span style="color: #008000;">(Refrão)</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Roda mundo, roda gigante</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Roda moinho, roda pião</span></address>
<address><span style="color: #008000;">O tempo rodou num instante</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Nas voltas do meu coração</span></address>
<address><span style="color: #008000;"> </span></address>
<address><span style="color: #008000;">A gente vai contra a corrente</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Até não poder resistir</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Na volta do barco é que sente</span></address>
<address><span style="color: #008000;">O quanto deixou de cumprir</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Faz tempo que a gente cultiva</span></address>
<address><span style="color: #008000;">A mais linda roseira que há</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Mas eis que chega a roda viva</span></address>
<address><span style="color: #008000;">E carrega a roseira pra lá</span></address>
<address><span style="color: #008000;"> </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Refrão</span></address>
<address><span style="color: #008000;"> </span></address>
<address><span style="color: #008000;">A roda da saia, a mulata</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Não quer mais rodar não senhor</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Não posso fazer serenata</span></address>
<address><span style="color: #008000;">A roda de samba acabou</span></address>
<address><span style="color: #008000;">A gente toma a iniciativa</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Viola na rua a cantar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Mas eis que chega a roda-viva</span></address>
<address><span style="color: #008000;">E carrega a viola pra lá</span></address>
<address><span style="color: #008000;"> </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Refrão</span></address>
<address><span style="color: #008000;"> </span></address>
<address><span style="color: #008000;">O samba, a viola, a roseira</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Um dia a fogueira queimou</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Foi tudo ilusão passageira</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Que a brisa primeira levou</span></address>
<address><span style="color: #008000;">No peito a saudade cativa</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Faz força pro tempo parar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Mas eis que chega a roda viva</span></address>
<address><span style="color: #008000;">E carrega a saudade pra lá</span></address>
<address><span style="color: #008000;"> </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Refrão (repetido e acelerando)</span><span style="color: #008000;"> </span></address>
<p><span style="color: #008000;">Como sempre ocorrerá na obra do Chico o uso da nomenclatura dos recursos poéticos, como reforço do texto objetivo dos versos, por coincidência ou não, cada vez que observar isso citarei aqui neste espaço, pois são essenciais à análise objetiva, ficando o estudo da estrutura poética reservado ao espaço respectivo em outra postagem.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">A presença da mesma rima nos versos finais das estrofes grandes (lá) já caracterizaria a composição como Lírica, cujo uso mais nobre, ao longo dos anos, por ocorrer em Oitavas, fez com que a Ciência Poética batizasse a esse tipo de estrofe com o nome de Oitava Lírica, como ocorreu em Roda Viva. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Se a rima final das oitavas já daria à Roda Viva a qualidade de Lírica, tal intenção é reforçada pelo fato de todas as oitavas terem todas os mesmos dois versos finais. Isso não foi coincidência, mas um efeito bem intencional mesmo.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">É sempre necessário lembrar do significado original do termo Lírico, que mostra, acima de qualquer outro conceito, que o poeta está falando da própria vida no poema em questão. (vide Meu Refrão).</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Uma outra coincidência, que observarei muitas vezes adiante, é a do uso de alteração na Métrica (comprimento do verso), ou do Ritmo Poético (tonicidades das sílabas poéticas); a chamar a atenção para algum texto objetivo de verso.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Cada verso das estrofes oitavas possui oito sílabas no comprimento, e tonicidades nas sílabas dois, cinco e oito, menos um deles, o quarto verso: Ou <span style="color: #ff0000;">FOI</span> o <span style="color: #ff0000;">MUN</span> do-en <span style="color: #ff0000;">TÃO</span> que cres <span style="color: #ff0000;">CEU</span>; que além de ser o único a possuir nove sílabas, possui um Ritmo diferente de todos os demais na obra inteira. Basta ler o texto do verso e encontraremos a qualidade &#8220;<span style="color: #ff0000;">Cresceu</span>&#8220;.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Coincidentemente, isso ocorrerá diversas vezes na obra. Ora para reforçar o sentido objetivo do texto, ora para negá-lo e assim por diante. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Outra coincidência interessante ocorre nas Rimas ao longo da estrofe. Todos os versos têm um parceiro sonoro na estrofe, mas, de repente, surge um cujo som não se apresenta em nenhum outro, havendo uma ausência de Rima. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">A esse tipo de verso dá-se o nome de Verso Branco. Basta interpretarmos o texto objetivo do mesmo para, na grande maioria das vezes, termos nele alguma idéia de Solidão, embora em Roda Viva Chico não tenha usado de tal coincidência.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Além do já visto até aqui, Chico tentou um efeito poético, que buscou chamar maior atenção para a expressão Roda Viva, usando duas sílabas tônicas seguidas, algo condenável na poesia latina, mas corriqueiro na poesia grega clássica com o nome de Pé Espondeu, um pé de verso quaternário (quatro tempos) que apresenta a seguinte sequência de tonicidades no ritmo: átona-<span style="color: #ff0000;">tônica</span>-<span style="color: #ff0000;">tônica</span>-átona. Não me atreveria a dizer que foi o único poeta brasileiro da MPB a tentar isso, mas certamente foi um dos poucos. Na composição Carolina voltará a fazê-lo com o mesmo truque de alongar o tempo de duração da nota musical, normalmente Semínima trocada por Colcheia, que abriga a segunda sílaba tônica do Pé, como que dando um breque:</span></p>
<p><span style="color: #008000;"> </span><span style="color: #008000;">mas EIS que che <span style="color: #ff0000;">GA-A RO </span>da VI va</span></p>
<p><span style="color: #008000;"> </span><span style="color: #008000;">O texto da composição bem que poderia ser uma profecia do que viria a acontecer com a MPB nos tempos modernos, principalmente a última estrofe. </span></p>
<p><span style="color: #008000;"> </span><span style="color: #008000;">Analise de Texto de Roda Viva (a música)</span></p>
<p><span style="color: #008000;">A primeira estrofe mostra o Ser do poeta atônito espreitando todo o Parecer que o cerca e exige. Aqui, aquele, até então adolescente, sente o peso da responsabilidade escalando as suas costas.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">A segunda, o Refrão, se presta a explicar a atitude do Ser poético diante de toda aquela sujeira destrutiva do Parecer social, o que se repete após cada Oitava.</span></p>
<p><span style="color: #008000;"> </span><span style="color: #008000;">A terceira já mostra o choque dos sonhos do poeta no Ser com a contrastante postura exigida pelo verniz do Parecer.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">A quarta e a quinta só descrevem a destruição total, causada pelo Parecer, das bases poéticas que abrigam os motivos Ser.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">A execução do Refrão no final, quando Chico e o MPB4 aceleraram as repetições, serviu para dar uma idéia da rapidez com que aquela loucura do cotidiano acelerava a poesia, que nem um trem aumentando a velocidade, aliás, Chico sempre buscou esse efeito desde o trem de Pedro Pedreiro.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Comparando todo esse resultado textual a uma composição mais recente, destinada até a motivos outros, vejam o que o compositor Peninha diz:</span><span style="color: #008000;"> </span></p>
<address><span style="color: #008000;">Tudo era apenas uma brincadeira</span></address>
<address><span style="color: #008000;">E foi crescendo, crescendo e me absorvendo</span></address>
<address><span style="color: #008000;">E de repente eu me vi assim completamente seu&#8230;</span><span style="color: #008000;"> </span></address>
<p><span style="color: #008000;">Foi mais ou menos isso o que aconteceu com Chico na época, em relação a Ser e Parecer, ou mesmo ao Sonho dominado pela Espreita.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Em outra época adiante, nem tão explicativo, mas igualmente pessoal, vejam o que Gilberto Gil cantou:</span><span style="color: #008000;"> </span></p>
<address><span style="color: #008000;">Sabe, gente</span></address>
<address><span style="color: #008000;">    <br />
É tanta coisa pra gente saber<br />
O que cantar, como andar, onde ir<br />
O que dizer, o que calar, a quem querer</span></address>
<address><span style="color: #008000;">     </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Sabe, gente</span></address>
<address><span style="color: #008000;">    <br />
É tanta coisa que eu fico sem jeito<br />
Sou eu sozinho e esse nó no peito<br />
Já desfeito em lágrimas que eu luto pra esconder</span></address>
<address><span style="color: #008000;">     </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Sabe, gente</span></address>
<address><span style="color: #008000;">    <br />
Eu sei que no fundo o problema é só da gente<br />
E só do coração dizer não, quando a mente<br />
Tenta nos levar pra casa do sofrer</span></address>
<address><span style="color: #008000;">     </span></address>
<address><span style="color: #008000;">E quando escutar um samba-canção.<br />
Assim como: &#8220;Eu preciso aprender a ser só&#8221;.<br />
Reagir e ouvir o coração responder:</span></address>
<p><span style="color: #008000;">    <br />
&#8220;Eu preciso aprender a só SER.&#8221;<span style="color: #008000;"> </span></span><span style="color: #008000;">     </span></p>
<div><span style="color: #008000;"> </span></div>
<p></span><span style="color: #008000;"><span style="color: #008000;"><span style="color: #ff0000;">Obs.</span> Percebam o conceito do termo Lírico que coloquei no começo. Basta reparar na som das rimas pertencentes a cada último verso das estrofes. O poeta pode nem saber disso, mas resulta naturalmente nisso, quando o Ser fala e o Parecer cala.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Mas isso veio bem depois do Festival da Record, em 1967, no qual Chico concorreu com Roda Viva, alcançando o terceiro lugar.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">A nata da MPB estava lá, nas quatro primeiras colocações. Todas realizando os sonhos de continuidade dos ancestrais, embora ainda atuantes, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Dorival Caymmi.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Curiosamente, todos os quatro compositores tratavam do mesmo assunto em suas canções, cada qual no seu estilo e linguagem. É sempre bom lembrar o que foi, e ainda é, valioso e atemporal, aqui vai cada uma das composições, mas em distintas postagens. Até lá.</span></p>
<h5><span style="color: #008000;">                      </span></h5>
<h5><span style="color: #008000;"> </span></h5>
<p> </p>
<p></span></p>
<h5><span style="color: #008000;"></p>
<table style="width: 330pt; border-collapse: collapse;" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="440">
<colgroup span="1">
<col style="width: 48pt;" span="1" width="64"></col>
<col style="width: 282pt; mso-width-source: userset; mso-width-alt: 13750;" span="1" width="376"></col>
</colgroup>
<tbody>
<tr style="height: 12.75pt;" height="17">
<td class="xl24" style="background-color: transparent; width: 48pt; height: 12.75pt; border: #ece9d8;" width="64" height="17"><span style="font-size: x-small; color: #99cc00; font-family: Times New Roman;">Próxima &#8211; &gt;</span></td>
<td class="xl25" style="background-color: transparent; width: 282pt; border: #ece9d8;" width="376"><a href="http://mpbsapiens.com/desencontro/"><span style="font-size: 8pt; color: #99cc00; font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif; mso-font-charset: 0;">http://mpbsapiens.com/desencontro-analise-de-texto/</span></a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<h5><span style="color: #008000;">                       </span></h5>
<p> </p>
<p></span></h5>
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