Archive for Peça

Ópera do Malandro – Ato II – Cena 3a

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BARRABÁS (Entra tentando separá-las)

Pára! Solta! Ah, essas unhas! (Puxa Teresinha) Fora daqui, moça!

LÚCIA

Dá umas porradas nela, dá!

BARRABÁS

Aqui tu não manda nada, viu? Fora!

TERESINHA

Me larga!

BARRABÁS

Aqui o galo sou eu! Fora!

TERESINHA

Eu sou uma senhora de respeito, caralho! Me solta!

BARRABÁS (Arrasta Teresinha pra fora)

E se voltar, fica! Fora!

LÚCIA

Me desculpe, amor, eu perdi a cabeça. Essa história de casamento me deixou confusa…

MAX

Casamento, tem graça… Você acha que eu ia deixar esse filho da mãe escorraçar minha esposa desse jeito? Sabe, Lúcia, eu te amo e sou fiel.

LÚCIA

Você pode até me achar cruel, mas eu preferia te ver morto a te ver nos braços de outra.

MAX

E eu prefiro morrer nos teus braços a viver nos braços de outra.

LÚCIA

Que lindo! Repete, vá!

MAX

Prefiro morrer nos teus braços a viver nos braços de outra.

LÚCIA

Tu é poeta pra caramba, hein?

MAX

Mas eu quero te dever mais do que já devo. Quero te dever a própria vida. Me solta, Lúcia, me solta!

LÚCIA

Não sei…

MAX

Você sabe que podem me liquidar a qualquer momento! Cadê teu pai?

LÚCIA

Tava no quarto dele tomando uns rabo-de-galo. A esta altura do porre, já deve estar dormindo…

MAX

Então vá lá e me traga as chaves. Depois você distrai o Barrabás como só você sabe. E nessa eu caio fora.

LÚCIA

Não, Max! Eu quero ir contigo!

MAX

Não dá, Lúcia. O Barrabás vai perceber… Já reparou como ele não tira os olhos de ti? Mas assim que a coisa serenar, venho correndo te buscar. A gente se casa nas burocracias todas e eu te levo pra Hollywood.

LÚCIA

Eu te adoro, te quero e te venero.

MAX

Rápido, rápido. Eu também te adoro, quero e venero. Ah, Lúcia, quando apanhar as chaves, aproveita e pega uns dois contos do teu pai, que eu vou precisar pro táxi. Rápido, vai!

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Black-out; breve interlúdio da orquestra, lembrando o tema de “O Meu Amor”

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O Meu Amor – Chico Buarque (letra e música)

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aaaaaMúsica – 12-O Meu Amor

Intérprete(s) – Marieta Severo e Elba Ramalho

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TERESINHA

O meu amor

Tem um jeito manso que é só seu

E que me deixa louca

Quando me beija a boca

A minha pele toda fica arrepiada

E me beija com calma e fundo

Até minh’alma se sentir beijada

 

LÚCIA

O meu amor

Tem um jeito manso que é só seu

Que rouba os meus sentidos,

Viola os meus ouvidos

Com tantos segredos

Lindos e indecentes

Depois brinca comigo,

Ri do meu umbigo

E me crava os dentes

 

AS DUAS

Eu sou sua menina, viu?

E ele é o meu rapaz

Meu corpo é testemunha

Do bem que ele me faz

 

LÚCIA

O meu amor

Tem um jeito manso que é só seu

De me deixar maluca,

Quando me roça a nuca

E quase me machuca

C´oa a barba mal feita

E de pousar as coxas

Entre as minhas coxas

Quando ele se deita

 

TERESINHA

O meu amor

Tem um jeito manso que é só seu

De me fazer rodeios,

De me beijar os seios

Me beijar o ventre

E me deixar em brasa (E me beijar o sexo)

Desfruta do meu corpo  (E o mundo sai rodando)

Como se o meu corpo (E tudo vai ficando)

Fosse a sua casa (Solto e desconexo)

 

AS DUAS

Eu sou sua menina, viu?

E ele é o meu rapaz

Meu corpo é testemunha

Do bem que ele me faz

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Sobe o volume da orquestra; as duas se encaram e , súbito, se atacam

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Obs. Os versos colocados entre parênteses constam somente no livro, possivelmente brecados pela Censura na época. Caso seja esse o motivo da mudança na letra, cá pra nós, só temos que agradecer à Censura, porque se por um lado as Rimas do Chico deixaram de ter a vogal tônica “e” como soberana na estrofe, por outro o texto ficou muito mais adequado à essência de Teresinha, pois da forma que estava, embora realçasse a diferença de classe entre as duas mulheres cantantes, deixaria a composição bem menos bonita.

 

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Ópera do Malandro – Ato II – Cena 3

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Cadeia; Max e Chaves em frente à cela; Max gesticula muito, mesmo algemado

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MAX

Não vai dizer que se impressionou com aquele forrobodó, vai? As meninas morrem de medo da puta velha da minha sogra. Elas me adoram, Chaves. Os rapazes então, são unha e carne comigo. E você é muito macaco velho pra cair no blefe dos Duran. Me solta pra ver se acontece passeata… Acontece nada. Olha pra mim, Chaves! Não vai me soltar?

CHAVES

Sabe que as minhas instruções são pra te aplicar uma execução sumária, né? O Duran diz que a Justiça é morosa e que tu é um pinta escorregadio. Eu é que tô tentando contornar a situação, ganhar tempo… Vou fazer o possível pra não te eliminar.

MAX

Muito obrigado, você é um anjo.

CHAVES

Entende, Max. Esse emprego eu não posso perder. Ainda mais com a minha filha Lúcia que me rouba e não pára de comer bombom.

MAX

Mais um motivo pra me soltar. Meus negócios estão incrementando dum jeito que só você vendo. Hoje mesmo, tem sete cargueiros chegando aí. Eu tava pensando em reajustar a tua comissão… Pergunta à Teresinha. Eu tinha decidido que ía te pagar dez por cento do teu rendimento bruto. Daí você podia largar este empreguinho miserável. E depois comprava o Pão de Açucar pra tua filha comer.

CHAVES

Essa não. Tu já não me paga mesmo. Se eu saio da polícia então, que interesse tu vai ter em me dar a sociedade?

MAX

Interesse? É só nisso que você pensa? Sabe duma coisa, Chaves? Acabei de descobrir que você é venal. É desumano, é mercenário. Na minha cabeça não era assim não. Pra mim, amizade tava acima de tudo. Ah, eu sou o último romântico.

CHAVES

Não é assim, Tião. Mesmo que o nosso negócio vá pras picas, eu continuo prezando a tua amizade. E com você preso, praticamente morando na minha casa, acho que vai dar pra gente se divertir que nem nos doze anos.

MAX

Nada feito. Você não é mais meu amigo, é meu carcereiro. Nunca mais lhe dirijo a palavra! Palavra de honra!

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O juiz do casamento, algemado e escoltado, sai de uma porta e passa pelos dois, aos prantos

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JUIZ

Eu apenas cumpri ordens! Eu sempre cumpri ordens! (Sai)

MAX

Vem cá. Esse aí não é o juiz do meu casamento?

CHAVES

Era. Foi denunciado pelo teu sogro. No começo eu pensei que fosse só picuinha do Duran, talvez porque ele registrou o casamento no livro oficial. Mas eu, como inspetor, tenho a obrigação de mandar investigar o objeto da denúncia. Pegamos o homem, investigamos, investigamos, e não é que o sujeitinho confessou cada crime mais criminoso que o outro? Confessou uns crimes que eu nem sabia da existência. Era juizinho subversivo, sô.

BARRABÁS (À porta)

Quem é o próximo?

MAX

Barrabás, você por aqui? Também te pegaram?

CHAVES

Ah, Tião, esse aí é o Chagas, nosso novo investigador. Agora me desculpa que eu vou ter que te trancar. Se precisar de alguma coisa fala com o Chagas. Até. (Tranca a cela e sai levando as chaves)

MAX

Vai, ingrato! Vai, bunda mole! E você, Barrabás, trabalhando na polícia? Não tem vergonha? O que houve?

BARRABÁS

Vergonha até que tenho, mas não cavei nada melhor depois que a tua mulher me botou na rua.

MAX

Não! Teresinha não pode ter feito isso com o meu melhor amigo!

BARRABÁS

Agora eu tenho que preparar teu interrogatório pra logo mais. Vai querer superluxo, luxo ou standard?

MAX

Como é que é isso?

BARRABÁS

Superluxo custa dois contos e é sentado. Luxo custa quinhentos e é em pé. Standard é de quatro e sai grátis.

MAX

Escuta, sem interrogatório, quanto é que você faz?

BARRABÁS

Cinco contos.

MAX

Quatro.

BARRABÁS

Por menos de quatro e quinhentos eu não posso fazer, que entro no prejuízo.

MAX (Abre a carteira)

É tudo o que eu tenho comigo. Quatro, duzentos e cinquenta…

BARRABÁS (Pega a carteira)

Vá lá. Mas eu fico com a carteira.

MAX

Não! É de couro argentino! Então tira as algemas…

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Barrabás tira as algemas de Max; gritos de mulher

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LÚCIA (Off)

Cadê aquele barba-azul de merda?

BARRABÁS

Ih, Max, é a Lúcia!

MAX

Pelo amor de Deus, Barrabás, diz que eu saí…

LÚCIA (Entra)

Ah, canalha, você me desonrou pra sempre! Na tua sessão de tortura eu quero sentar na primeira fila!

MAX

Lúcia, que surpresa! (Barrabás sai)

LÚCIA

Aplaudindo de pé e pedindo bis! O autor! O autor!

MAX

Lúcia, você se esqueceu do meu beijo.

LÚCIA

Que beijo!

MAX

Falando sério, Lúcia, você não tem entranhas? Teu pai vai me jogar no Guandu, Lúcia! Você não tem dó da situação do teu marido?

LÚCIA

Que marido! Pensa que eu não sei da Teresinha, pensa?

MAX

Teresinha? Que Teresinha?

LÚCIA

Ah, viado, quando você estiver pendurado no pau eu vou mandar te capar!

MAX

Lúcia, cuidado! Eu não sei por que você tá tão nervosinha hoje. Só sei que nos primeiros meses de gravidez isso é um perigo. Li num livro. O histerismo da gestante enrijece o colo uterino e afeta o desenvolvimento do embrião.

LÚCIA

Filho do cão!

MAX

Juro, Lúcia, se há uma coisa no mundo que eu não posso perder é esse filho. (Acaricia-lhe a barriga) O primogênito, o herdeiro, o Max Júnior!

LÚCIA

Tira a mão daí! Eu vou criar sozinha o filho adulterino, filho de mãe solteira… Oh, Max! (Quase chora)

MAX

Lúcia, Max Júnior vai ser a goma-arábica que nos manterá unidos para sempre. Ele vai consolidar nosso matrimônio.

LÚCIA

Ô, patife, você sabe que eu sei que você sabe que eu sei do seu casamento com a Teresinha!

MAX

Lá vem essa Teresinha de novo, porra. Parece ioiô!

LÚCIA

E antes que você esbanje tudo na lua-de-merda, devolva os trinta contos que eu lhe emprestei!

MAX

O que? Calúnia! Eu só troquei teu dinheiro em dólar por causa da inflação. Graças a mim, os teus vinte contos hoje são vinte e cinco.

LÚCIA

Quero os meus trinta contos. Meus não, do papai!

MAX

É claro, faço questão de te entregar tudo. Chega de fazer favor e receber desaforo. Só que tem que me tirar daqui, porque tá tudo no City Bank. Eu não sou irresponsável de andar com dinheiro dos outros no bolso.

LÚCIA

Faz um cheque!

MAX

E eu venho à cadeia com talão de cheque? Teu pai é perito em fazer nego assinar tudo quanto é confissão… Imagine um cheque do City Bank! Eu fico bobo é com a tua tacanharia, Lúcia. Daqui a pouco eu começo a cobrar pelas caixas de marrom-glacê que eu trago pra você devorar.

LÚCIA

Olha, pega os teus marrom-glacê e enfia no cu da Teresinha Duran!

MAX

Teresinha Duran! Ahhh, então a Terezinha era essa? Oh, baby, você não vai ser bobinha a ponto de sentir ciúme da Teresinha Duran, vai?

LÚCIA

Vai dizer que não casou com ela, vai?

MAX

Mulher já não prima pelo intelecto. Quando tá com ciúme então, aí é que emburrece de vez.

LÚCIA

Vai dizer, vai?

MAX

Ha, ha, ha, já sei! Só pode ser arranjo daquele velho safado! Tá com a filha encalhada na prateleira, o velho. Daí, só porque eu fui uma vez e outra. tralalá, trololó, coisa e tal, o velho espalha boato de casório pra valorizar o material.

LÚCIA

Vocês têm papel passado em cartório, que eu sei!

MAX

Lúcia, eu já tô envolvido em vinte e nove processos. Tá querendo me enquadrar por bigamia também, é?

LÚCIA

Tô cagando, sabe o que é isso? Quero que você morra! E quero ver aquela galinha viúva, todinha de preto!

MAX

Logo a Teresinha, pô. Se é pra me acusar de casamento, arranja uma mulher melhor. Uma Joan Crawford, por aí. Mas nunca a Teresinha, ainda mais com aquele problema chato…

LÚCIA

Que problema?

MAX

Aquele corrimento que não pára. Você acha que o seu Max ía casar com uma mulher que vive vazando?

LÚCIA

Max, você tá com jeito de quem vai me enganar…

MAX

Deixa disso, baby, você sabe que eu sou louco por você. Quem já deitou contigo não esquece, minha pombinha de veludo. Se eu pudesse, comia você agora mesmo, com grade e tudo. (Agarra Lúcia) Abre a porta, Lúcia. Eu te desejo, Lúcia! Amor de pica é amor que fica!

TERESINHA (Entra)

Preciso falar com o meu marido. Oh, que é isso?

MAX

Que azar!

LÚCIA

Que bandido!

TERESINHA

Quem é essa pessoa?

LÚCIA

Quem é essa pessoa?

TERESINHA

Sou a senhora Max Overseas, encantada. Querido, você jurou que não punha mais os pés num bordel. Viu no que é que deu?

LÚCIA

Ah, é? Andando com as putas de novo? Seu cachorro!

TERESINHA

Meu bem, eu trago grandes novidades! Consegui um contato direto com Nova Yorque! Já mandei um telegrama em nosso nome para a United Merchants and Manufacturers… Max, você tá me ouvindo? Por que não olha pra tua esposinha?

LÚCIA

Olha pra tua esposinha, tarado! Polígono! Você nunca vai ver os cornos do teu filho, viu?

TERESINHA

Que filho?

LÚCIA

Isto aqui. (Mostra a barriga) Tá pensando que é chope? Isto é o bendito fruto do meu casamento com Max.

TERESINHA

Você tá enganada, moça. Eu é que casei com ele. De branco e tudo, véu, grinalda, juiz e padrinho, né, Max?

MAX

Não exagera, tá? A brincadeira já foi longe demais.

TERESINHA

O que? Tem coragem de me renegar?

MAX

Ah, Teresinha, eu não tô te renegando. Você é uma moça excelente, muito prestativa, boa datilógrafa. Sabe inglês, foi por isso que eu te admiti como secretária.

TERESINHA

O que?

MAX

E mesmo assim você andou abusando. Quem foi que te deu o direito de dispensar o Barrabás?

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TERESINHA

Max, os teus negócios também são meus! Ah, antes que eu me esqueça, a tua aliança… Toma, você esqueceu na mesinha da cabeceira…

LÚCIA

O que? Ah, agora sim, a prova do crime! (Torce o braço de Max) Vai confessar ou não vai?

MAX

Que é isso, Lúcia, me larga! Não tá vendo que isso é truque dela para nos separar? Truque barato! (Atira longe a aliança) Bijuteria de camelô!

TERESINHA

Max, olha o que você fez!

MAX

Você não desconfia de nada, Teresinha? Quer ver a minha caveira, quer?

LÚCIA

É isso mesmo, mocinha. Tá vendo que ele tá com um pé na cova e ainda vem tripudiar?

TERESINHA

Se a rapariga tivesse recebido um mínimo de educação, saberia que, em conversa particular de marido e mulher, não se mete a colher.

LÚCIA

Educação, é? A leide estudou no Sacrequer, é? Pois vamos ali na salinha ao lado que vou te mostrar um pouco de educação pra senhorita!

TERESINHA

Senhorita, não. Senhora!

LÚCIA

Pois a senhora vá tomar no seu rabo.

TERESINHA

Que coisa mais vulgar!

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Se Eu Fosse o Teu Patrão – Em Quadrinhos

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aaaaaMúsica – Se Eu Fosse o Teu Patrão

Intérprete(s) – Turma do Funil (Chico – MPB4 – Frenéticas)

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aaEu te adivinhavaaaaaaaaaaaE te cobiçavaaaaaaaaaaaE, te arrematava em leilão

a

aaaaaaaTe ferrava a boca, morenaaaaaaaaaaaaaSe eu fosse o teu patrão

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aaaAí, eu tratava como uma escravaaaaaaaaaaaaaAí, eu não te dava perdão

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aaaaaTe rasgava a roupa, morenaaaaaaaaaaaaaaSe eu fosse o teu patrão

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aaaaaaEu te encarceravaaaaaaaaaaTe acorrentavaaaaaaaTe atava ao pé do fogão

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aaaaaaNão te dava sopa, morenaaaaaaaaaaaaaaaaSe eu fosse o teu patrão

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aaaaaaEu te encurralavaaaaaaaaaTe dominavaaaaaaaaaaaaTe violava no chão

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aaaaaaTe deixava rota, morenaaaaaaaaaaaaaaaaSe eu fosse o teu patrão

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aaaQuando tu quebravaaaaaaE tu desmontavaaaaaaaaaE tu não prestava mais não

a

aaaaEu comprava outra, morenaaaaaaaaaaaaaaaSe eu fosse o teu patrão

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a

a

aaaaaPois eu te pagava direitoaaaaaaaaaaaaaaaaaaaSoldo de cidadão

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aaaPunha uma medalha em teu peitoaaaaaaaaaaaaSe eu fosse o teu patrão

Troféu Buscapéaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa“Que plano original”

aaaaaaaaO tempo passava serenoaaaaaaaaaaaaaaaaaaaE 100 reclamação

a

aaaaaaTu nem reparava, morenoaaaaaaaaaaaaaaaaaaNa tua maldição

a

aaaaaaaaE tu só pegava venenoaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaBeijando a minha mão

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aaaaaaaaaÓdio te brotava, morenoaaaaaaaaaaaaaaaaaaÓdio do teu irmão

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aaaTeu filho pegavaaaaaaaaagangrenaaaaaaaaaaRaiva, pesteaaaaaaaae sezão

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aaaaaaaaCólera na tua morenaaaaaaaaaaaaaaaaaE tu não chiava não

a

aaaaaaEu te dava café pequenoaaaaaaaaaaaaaaaaE manteiga no pão

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aaaaaaaDepois te afagava, morenoaaaaaaaComo se afaga um cão

a

aaaaaEu sempre te dava esperançaaaaaaaaaaaaaaaaaDum futuro bão

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aaaaaaaaTu me idolatrava, criançaaaaaaaaaaaSeu eu fosse o teu patrão

a

aaaaaaaaaaaNhammaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaNhamm

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aaaaaaaaaaaaNhammaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaNhamm

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Se Eu Fosse o Teu Patrão – Chico Buarque (letra e música)

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aaaaaMúsica – Se Eu Fosse o Teu Patrão

Intérprete(s) – Turma do Funil (Chico – MPB4 – Frenéticas)

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ELES

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Eu te adivinhava
E te cobiçava
E, te arrematava em leilão
Te ferrava a boca, morena
Se eu fosse o teu patrão
a
Aí, eu tratava
Como uma escrava
Aí, eu não te dava perdão
Te rasgava a roupa, morena
Se eu fosse o teu patrão
a
Eu te encarcerava
Te acorrentava
Te atava ao pé do fogão
Não te dava sopa, morena
Se eu fosse o teu patrão
a
Eu te encurralava
Te dominava
Te violava no chão
Te deixava rota, morena
Se eu fosse o teu patrão
a
Quando tu quebrava
E tu desmontava
E tu não prestava mais não
Eu comprava outra, morena
Se eu fosse o teu patrão
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ELAS

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Pois eu te pagava direito
Soldo de cidadão
Punha uma medalha em teu peito
Se eu fosse o teu patrão
a
O tempo passava sereno
E sem reclamação
Tu nem reparava, moreno
Na tua maldição
a
E tu só pegava veneno
Beijando a minha mão
Ódio te brotava, moreno
Ódio do teu irmão
a
Teu filho pegava gangrena
Raiva, peste e sezão
Cólera na tua morena
E tu não chiava não
a
Eu te dava café pequeno
E manteiga no pão
Depois te afagava, moreno
Como se afaga um cão
a
Eu sempre te dava esperança
Dum futuro bão
Tu me idolatrava, criança
Seu eu fosse o teu patrão

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