Archive for Peça

O Malandro 2 – Chico Buarque (letra e música)

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aaaaaMúsica – O Malandro 2

Intérprete(s) – João Nogueira

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EPÍLOGO DO EPÍLOGO

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Foco de luz sobre João Alegre que vem aos proscênio, batucando na caixa de fósforos; a orquestra vai parando aos poucos

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aaaaaaaaaaaJoão Alegre canta “O Malandro Nº 2″

 

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O malandro/Tá na greta
Na sarjeta/Do país
E quem passa/Acha graça
Na desgraça/Do infeliz
 a
O malandro/Tá de coma
Hematoma/No nariz
E rasgando/Sua banda
Um funda/Cicatriz
 a
O seu rosto/Tem mais mosca
Que a birosca/Do Mané
O malandro/É um presunto
De pé junto/E com chulé
 a
O coitado/Foi encontrado
Mais furado/Que Jesus
E do estranho/Abdômen
Desse homem/Jorra pus
 a
O seu peito/Putrefeito
Tá com jeito/De pirão
O seu sangue/Forma lagos
E os seus bagos/Estão no chão
 a
O cadáver/Do indigente
É evidente/Que morreu
E no entanto/Ele se move
Como prova/O Galileu

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a

aaaaaaaaaaaaJoão Alegre vai saindo, assobiando e batendo na caixa de fósforos

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aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaAAaaaaaaaaaaaaaEND

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Comentários (20) »

Ópera – Chico Buarque (letra e música)

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Música – Ópera

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Intérpretes Protagonistas

Diva Pieranti (Soprano) – Glória Queiroz (Mezzo Soprano)

Alexandre Trick (Tenor) – Paulo Fortes (Barítono)

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Intérpretes Coadjuvantes

Turma do Funil

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Obras originais

Rigoletto (Verdi)

Carmen (Bizet)

Aida (Verdi)

La Traviata (Verdi)

Tannhauser (Wagner)

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JOÃO ALEGRE

Telegrama

Do Alabama

Pro senhor

Max

Overseas

Ai, meu Deus do céu

Me sinto tão feliz

 

TERESINHA

Chegou a confirmação

Da United coisa e tal

Que nos passa a concessão

Para o náilon tropical

 

MAX

Então nós vamos montar

Em São Paulo um fabricão

 

TERESINHA

Depois vamos exportar

Fio de náilon pro Japão

 

MAX

Sei que o náilon tem valor

Mas começa a me enjoar

Tive idéia bem melhor

Nós vamos ramificar

 

TERESINHA

Já ramifiquei, ha ha

Fiz acordo com a Shell

Coca-Cola, RCA

E vai ser sopa no mel

 

CORO

Que beleza

Que riqueza

Tá chovendo

Da matriz

Ai, meu Deus do céu

Me sinto tão feliz

 

MAX

Que tal juntarmos

Esses capitais

Abrindo um banco

Em Minas Gerais

 

TERESINHA

Que brilhante idéia, meu amor

Que plano original

Com fundos do exterior

Você fundar

Um banco nacional

 

CAPANGAS

E eu que já fui

Um pobre marginal

Sem documento

E sem moral

Hei de ser um bom profissional

Vou ser quase um doutor

Contínuo da senhora

E do senhor

Bancário ou contador

 

CORO

Que sucesso

O progresso

Corta o mal

Pela raiz

Ai, meu Deus do céu

Me sinto tão feliz

 

CHAVES

Irmão

Nem começar eu sei

Receio te inibir

 

MAX

Tua vontade é lei

É falar

É mandar

É exigir

 

CHAVES

É que

Num mundo tão cruel

Cheio de inveja e fel

Não lhe fará mal

Ter à mão

Proteção

Policial

Quer os meus préstimos?

 

MAX

Eu acho ótimo

 

BARRABÁS

Serve um acólito?

 

MAX

Também vou te empregar

 

LÚCIA

Eu não

Tenho com quem deixar

Meu filho que já vem

 

MAX

Barrabás é um par

Exemplar

Quer casar

 

BARRABÁS

E adoro neném

 

CORO

Maravilha

Que família

Dois pombinhos

E um petiz

Ai, meu Deus do céu

Me sinto tão feliz

 

VITÓRIA

Só tenho um único

Breve reparo

A tão preclaro

Genro viril

É o esquecimento

Do sacramento

Afinal

Se casou

Só no civil

Oh oh oh

Oh oh oh

Só no civil

Oh oh oh

Oh oh oh

Só no civil

 

MAX

Mas nesse ínterim

Mudei de crença

Já peço a benção

No santo altar

 

VITÓRIA

Que maravilha

Não perco a filha

E um varão

Bonitão

Eu vou ganhar

Ah ah ah

Ah ah ah

Eu vou ganhar

Ah ah ah

Ah ah ah

Eu vou ganhar

 

DURAN

Minha filha eu desejo pedir teu perdão

 

TERESINHA

Oh, meu pai, isso é bom demais! Finalmente! Até que enfim!

 

DURAN

Não sei como fui pra você tão durão

Tão mandão, tão sem coração, tão malvado assim

 

MAX

Meu sogro, o senhor não sabe quanta alegria

Me dá, ao dizer que já se juntou aos nossos

 

DURAN

Só Deus sabe há quanto tempo eu tanto queria

Poder apertar esses ossos

 

CORO

Que euforia

Quem diria

Como os grandes

São gentis

Ai, meu Deus do céu

Me sinto tão feliz

 

DURAN

Não quero ser

Nas suas costas um fardo

Porém

Talvez

Eu necessite um resguardo

 

MAX

Tua instituição

Tão tradicional

Vai ter um padrão

Moderno

Cristão e ocidental

 

PUTAS

Vamos participar

Dessa evolução

Vamos todas entrar

Na linha de produção

Vamos abandonar

O sexo artesanal

Vamos todas amar

Em escala industrial

 

GENI

O sol nasceu

No mar de Copacabana

Pra quem viveu

Só de café e banana

 

TODOS

Tem gilete, Kibon

Lanchonete, Neon

Petróleo

Cinemascope, sapólio

Ban-lon

Shampoo, tevê

Cigarros longos e finos

Blindex fumê

Já tem Napalm e Kolinos

Tem cassete e rai-ban

Camionete e sedan

Que sonho

Corcel, Brasília, plutônio

Shazam

 

TODOS

Que orgia

Que magia

Reina a paz

No meu país

Ai, meu Deus do céu

Me sinto tão feliz

a

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

a

Black-out; fecha a cortina; orquestra continua

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Comentários (4) »

Ópera do Malandro – Ato II – Cenas 6 e 7

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CENA 6

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Luz geral na cadeia; a alguns passos da cela estão Duran e Chaves, este com a pistola na mão

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DURAN

Que é que está esperando? Três, dois, um, já!

CHAVES

Espera aí, e a passeata?

DURAN

Primeiro executa o teu amigo. Aí a Vitória cuida da passeata.

CHAVES

Eu tenho o maior prazer em executar o meu amigo. Mas tem que desmanchar a passeata antes.

DURAN

Que é isso, Chaves? Não confia em mim?

CHAVES

E tu? Não confia em mim?

DURAN

Não.

CHAVES

Então empatou zero a zero.

DURAN

Assim não dá, Chaves. Alguém tem que agir primeiro.

CHAVES

Eu tô com a arma engatada e na mira, Duran. (Aproxima-se de Max) Tu fica ao meu lado. Na hora exata que esse esporro sossegar, tu me cutuca que eu dou o teco.

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CENA 7

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Entra em cena a passeata, comandada por João Alegre; Vitória caminha em direção à multidão

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VITÓRIA

Muito bem, minha gente, vamos todos pra casa, vamos circular que a passeata está suspensa. Estão me ouvindo? Acabou a passeata! Ei, pessoal! Não tem mais passeata! Não tem…

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A passeata atropela Vitória e segue em frente; Duran tenta socorrer Vitória mas é arrastado; Chaves dá um tiro para o alto em vão, e se esconde; enfim, Vitória levanta-se e vai ao proscênio

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VITÓRIA

Luzes! Eu pedi luzes! Suspende o espetáculo! Luzes na platéia! Ei, vocês aí em cima na técnica! Pára tudo! Acende a platéia!

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Luzes na platéia; passeata pára

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VITÓRIA

Que absurdo! Que palhaçada! Eu não saí de casa pra vir aqui passar vexame! Quem é o responsável por essa bagunça? Eu vou me queixar no Jornal Nacional. Que é que vocês estão pensando? Cadê o produtor?

DURAN/PRODUTOR

Estou aqui, dona Vitória, desculpe. Eu não sei como foi que isso aconteceu. A senhora está bem?

VITÓRIA

Eu estou ótima, e a tua mãe? Exijo satisfações!

DURAN/PRODUTOR

Pois é, essa baderna não estava no roteiro aprovado por todos nós… Ô, “seu” João Alegre, quer dar um pulinho aqui?

VITÓRIA

Seu sem-vergonha! Preto safado! Filho de um cão!

JOÃO ALEGRE

Sabe como é, dona? A senhora entende…

VITÓRIA

Eu não entendo nada!

JOÃO ALEGRE

A gente tá na onda do partido alto. Então, o puxador dá o mote e nego vai tirando o que pintar na mentalidade, sacou? É uma jogada que dá um pé na quadra e eu achei que no teatro ficaria original. Mas não tive a intenção de ofender a madame…

VITÓRIA

Tua intenção era me mandar daqui para o Miguel Couto!

JOÃO ALEGRE

Não, madame, nunca, de jeito nenhum! Foi só um improviso, sem maldade…

DURAN/PRODUTOR

Dona Vitória, eu não sei o que dizer. Talvez fosse melhor a gente esquecer o incidente e recomeçar o final da peça do jeito que tava combinado.

VITÓRIA

Eu, por mim, ía embora imediatamente. Só continuo aqui por respeito a esse público maravilhosos que pagou ingresso… Ô, você! Como é mesmo o nome do crioulo? Vamos fazer um gran finale decente, mas tem que ser igualzinho ao ensaio geral!

JOÃO ALEGRE

Ah, isso não dá, não senhora. O que tá feito, tá feito. Partideiro que se respeita não volta a palavra atrás.

PASSEATA

Viva! Agüenta firme! Boa, João! Salve João Alegre!

VITÓRIA

Que é isso?

DURAN

Tá pensando que é malandro, rapaz?

VITÓRIA

Vai juntar o teu gado e recomeçar o happy end! É pra já!

JOÃO ALEGRE

Vou não senhora.

PASSEATA

Grande, João. É o maior!

JOÃO ALEGRE

Eu também tenho um nome pra zelar.

DURAN/PRODUTOR

Você não pode fazer isso, João. Afinal, teatro é cultura!

JOÃO ALEGRE

Vambora pra rua, pessoal!

PASSEATA

Vamos lá! Apoiado! Viva o João!

DURAN/PRODUTOR

Está certo, João Alegre, você venceu. A carreira é sua e você tem todo o direito de acabar com ela. Mas primeiro tem que me acompanhar ali na administração, que é pra formalizar a rescisão de contrato.

JOÃO ALEGRE

Com todo o prazer, doutor. Pessoal, eu volto já!

DURAN/PRODUTOR

É uma pena. Com um futuro tão promissor…

VITÓRIA

Podia até estourar na Brodway…

DURAN/PRODUTOR

Ia levantar aquela verba na Funarte…

VITÓRIA

Ainda ía ganhar o Oscar! (Saem Duran, Vitória e João Alegre)

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INTERMEZZO

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Luzes gerais no palco e na platéia

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LÚCIA (Entra)

Que é que tá acontecendo, hein?

TERESINHA

O autor se meteu a besta e resolveu embananar o happy end. Daí os figurantes embarcaram na palhaçada…

BEN

Figurante é a mãe! Coadjuvante!

TERESINHA

Vamos, façam alguma coisa aí vocês! Tem que entreter o público!

MAX

Vamos, moçada! The show must go on!

SHIRLEY

Que é que eles tão querendo mais? Tô há quase três horas me esgoelando neste palco!

JUSSARA

Eles tão pensando que são estrela, só porque ganham duas vezes mais que a gente.

MIMI

Mas agora mixou. O João Alegre disse que, em peça dele, fodido é que fala mais alto. Diz que, em letreiro de teatro dele, fodido vai ser estrelo e estrelo vai se foder.

GENERAL

Disse, pois é. Mas quero ver o que é que ele vai dizer agora que estão umedecendo a pata dele.

SHIRLEY

Ele agüenta firme. Pelo João Alegre eu ponho a mão na merda.

PHILLIP

Vou te contar. Enquanto artista depender de autor e produtor, tá ferrado!

DÓRIS

Eu digo mais. A melhor coisa que pode acontecer pra gente, mas a melhor mesmo, coisa de sonho, coisa de shangri-la, é ter um cara da TV Globo na platéia e chamar a gente pra novela das oito.

JOHNNY

Sabe duma? Se fosse atacar de muamba pra valer, tava numa melhor.

FICHINHA

E eu? O que tô ganhando aqui num mês, puta de verdade fatura numa noite, rodando a bolsa na Vieira Souto. Aliás, tô decidida. Vou ser puta no duro! Se alguém aí na platéia se habilita, é só passar no camarim.

GENERAL

Muito me admira é o Barrabás. Como é que é, homem, se bandeou pro lado dos ricos?

BARRABÁS

Te manca, General. Deixa eu me destacar aqui perto dos figurões.

JOHNNY

Belo espírito de solidariedade.

BARRABÁS

Daí eu pago uma lasanha na Fiorentina.

JOHNNY

Ah, bom.

GENI (Entra com duas bolsas grandes de palha)

Olá, todo mundo.

PHILLIP

Ô, Genival, chegue-se aos bons!

GENI

Quem é esse cara mesmo, hein? Ah, Teresinha, Lúcia, que bom encontrar vocês!

PHILLIP

Ô, bichona, eu falei contigo!

GENERAL

Qual é, Geni? Não fala com a gente?

GENI

De onde é que eu conheço esses caras mesmo? É do Retiro dos Artistas ou da TV Educativa? Mas, queridas, olha que barato essas bolsas italianas. Qualquer butique de Ipanema tá vendendo a oitocentos contos! Eu faço por quinhentos…

TERESINHA

Ai, que graça!

GENI

Tem também um soirée bem metido a antigo, ideal pra festa de entrega de prêmio Molière!

LÚCIA

Esse é meu!

GENI

Olha só esses penduricalhos… Bem art-nouveau…

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Entram Duran e Vitória

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EPÍLOGO DITOSO (Ópera)

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VITÓRIA

Música, maestro!

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Orquestra dá acorde seco e introduz a ópera. Do fundo do palco vem surgindo João Alegre, sentado ao volante de um conversível modelo anos 40. De agora em diante, tudo será cantado

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Os artistas cantam a “Ópera”

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Pedaço de Mim – Em Quadrinhos

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aaaaaMúsica - Pedaço de Mim

Intérprete(s) – Zizi Possi e Chico Buarque

a

a

aOh, pedaço de mimaaa Oh, metade afastada de mimaaaaaaaLeva o teu olhar

a

aaaQue a saudade

aaaé o pior tormentoaaaaaaÉ pior do que o esquecimentoaaÉ pior do que se entrevar

a

aaOh, pedaço de mimaaaaaOh, metade exilada de mimaaaaaaLeva os teus sinais

a

aaQue a saudade

aadói como um barcoaaQue aos poucos descreve um arcoaaE evita atracar no cais

a

aaOh, pedaço de mimaaaaaOh, metade arrancada de mimaaaaLeva o vulto teu

a

aaQue a saudade

aaé o revés de um partoaaA saudade é arrumar o quartoaaaDo filho que já morreu

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aaaOh, pedaço de mimaaOh, metade amputada de mimaaaaaLeva o que há de ti

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aaQue a saudade dói latejadaaaÉ assim como uma fisgadaaaNo membro que já perdi

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aaOh, pedaço de mimaaaaOh, metade adorada de mimaaaaaLava os olhos meus

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aaaaaQue a saudade

aaaaaé o pior castigoaaE eu não quero levar comigoaaaaaaA mortalha do amor

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aaaaaaaaaaa aAdeus

aa

a

Palavra dócil

Palavra d´água pra qualquer moldura

Que se acomoda em balde, em verso, em mágoa…

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Pedaço de Mim – Chico Buarque (letra e música)

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aaaaaMúsica – Pedaço de Mim

Intérprete(s) – Zizi Possi e Chico Buarque

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Obs. No álbum original da Philips a música é cantada por Gal Costa e Francis Hime, mas como a gravação de Zizi com Chico veio antes, no LP do Chico em 1978, optei por colocá-la.

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TERESINHA

Oh, pedaço de mim

Oh, metade afastada de mim

Leva o teu olhar

Que a saudade é o pior tormento

É pior do que o esquecimento

É pior do que se entrevar

 

MAX

Oh, pedaço de mim

Oh, metade exilada de mim

Leva os teus sinais

Que a saudade dói como um barco

Que aos poucos descreve um arco

E evita atracar no cais

 

TERESINHA

Oh, pedaço de mim

Oh, metade arrancada de mim

Leva o vulto teu

Que a saudade é o revés de um parto

A saudade é arrumar o quarto

Do filho que já morreu

 

MAX

Oh, pedaço de mim

Oh, metade amputada de mim

Leva o que há de ti

Que a saudade dói latejada

É assim como uma fisgada

No membro que já perdi

 

OS DOIS

Oh, pedaço de mim

Oh, metade adorada de mim

Lava os olhos meus

Que a saudade é o pior castigo

E eu não quero levar comigo

A mortalha do amor

Adeus

A

A

A orquestra segue tocando, mas é abafada aos poucos pelo canto barulhento da passeata

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