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Começando a Estudar

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Este meu estudo começou em 1977. Inicialmente focalizando a Ciência Poética para posteriormente me deter nas relações estabelecidas dos assuntos comuns às várias composições, como visto.

Na interpretação das normas poéticas, diretrizes das construções dele ao longo da obra, detectei artifícios, que inicialmente supus coincidência, para posteriormente me certificar que eram propositais, logo, deveriam ganhar o status de Estilo, e notar que começaram a ocorrer sem que o autor percebesse. Era a Arte incorporando a criatura ao todo criador.      

Foi quando comecei a encarar a tendência paradoxal da obra. Não era sub realismo, pois os temas pertenciam à realidade. Chico sempre foi um retratista social por pura lógica atávica, pois o pai foi um renomado sociólogo.                        

Posteriormente comecei a suspeitar que os paradoxos morassem nas minhas interpretações, pois quando se analisa uma obra tão extensa, às vezes, se demora em ter uma ou mais repetições de um fenômeno qualquer de estilo. A primeira vez que notei Chico quebrando a métrica de um verso foi na primeira estrofe de Roda Viva.                   

A contagem silábica de um verso, Métrica, se encerra na última sílaba tônica, e a composição ocorre em estrofes com 8 versos, conhecidas como Oitavas. O primeiro truque que percebi ocorreu na numerologia poética. Oitavas com versos octossílabos (8 sílabas). Assim sendo o número que mandou foi o Oito.

O segundo efeito ocorreu no quarto verso da primeira estrofe. Chico gosta de trabalhar com Versificação Regular, que busca dar à construção poética versos com a mesma quantidade de sílabas e tonicidades localizadas nas mesmas ordens, assim sendo, as quatro oitavas deveriam ter todos os octossílabos com tonicidades nas sílabas 2, 5 e 8.

Tal verso possui nove sílabas. Chico não poderia cometer um erro tão grosseiro de fazer o verso crescer em uma sílaba. Bastou prestar atenção no texto: – Ou foi o mundo então que “cresceu”.        

O verso mancou (perdeu o pé) em metro e ritmo com o texto dedando:   

- Poesia e Eu somos cúmplices!                     

O terceiro efeito surgiu na Quadra (estrofe com quatro versos) Refrão cantado entre as oitavas: Roda mundo, roda gigante / Roda moinho, roda pião / O tempo rodou um instante / Nas voltas do meu coração.                        

Primeiro verso com ritmo (tonicidade) diferente do restante da composição. Segundo verso com nove sílabas e ritmo diferente. Terceiro e quarto voltando à normalidade em metro e ritmo. Basta ler o texto de tais versos para entender o erro dos dois primeiros explicado pelos dois últimos.                             

Deparei com incontáveis efeitos dessa ordem nas análises métricas e rítmicas. Foi aí que suspeitei do paradoxo estar na minha análise, e talvez agravando mais ainda, reparei que na maior parte das vezes o número 9 estava envolvido.                  

Fui salvo pela composição Amor Barato (1981). Feita inteira em Tercetos (estrofe com 3 versos) cujo terceiro verso apresentava 10 sílabas. No terceiro verso do terceiro terceto aconteceu: Ao invés de 10 apresentou 9 sílabas e ainda disse: – Que se tiver precisão eu furto. O nono verso que deveria apresentar 10 teve 9 e ainda disse que “furtou”.              

Constatei posteriormente que o autor vive cercado por um algarismo nos seus números, a começar pela posição em que joga nos times de futebol: Centroavante, cuja camisa é a 9.

Chico sempre foi um brincalhão que se divertiu fazendo versos. Era tido pela crítica como poeta de construção inquestionável, mas mancava versos quando bem entendia e ficava na espreita para ver se algum crítico reparava. Nada, só elogio e a certeza: – Tô falando sozinho!      

Todo poeta adepto da Versificação Uniforme, regular ou irregular, e rimada, não usa deixar Verso Branco (sem rima).

Em A Televisão (1967) ele escreve no primeiro verso “O homem da rua”. A rima desse verso só irá surgir sete versos após com “No céu a lua”. Claro que o Homem ficou perdido lá na ponta da Rua. É aí que ele se diverte enquanto vai construindo:

O homem da rua / Que da lua está distante.        

Como a própria letra mostra na continuidade, enquanto se divertia compondo também constatava com tristeza o fato de falar sozinho ao incorporar o personagem: “… distante / Por ser nego bem falante / Fala só com seus botões”.     

Mais um efeito para reforço de texto ocorre também na mesma composição. A nota musical mais alta da melodia está situada numa palavra que nos dá a noção de altura e distância: “Numa nuuvem se ocultando”. Como se a altura da nota musical não bastasse, ele prolonga o seu tempo ao trocar as semínimas por uma colcheia no NU.

As notas musicais diferem nos tempos de duração na seguinte ordem crescente: Semibreve -> Mínima -> Semínima -> Colcheia -> Semicolcheia -> Fusa -> Semifusa.                  

Esse efeito ocorreu em menor quantidade, mas em épocas distintas. Como em Beatriz (1983) onde a palavra Céu está na nota mais alta (sol soprano) e Chão na mais baixa (fá baixo). A melodia foi confeccionada por Edu Lobo num piano.

         



 

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O Pensamento e o Tempo

 

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Era uma canção    
Um só cordão         
Uma vontade          
De tomar a mão
De cada irmão
Pela cidade  

               (Sonho de um Carnaval-1965)

Sonho de Um Carnaval foi a composição que anunciou o nome do Chico à MPB. O texto ingênuo traduz um sonho comum a qualquer jovem dos anos 60.                     

Esperando o sol, esperando o trem
Esperando enfim, nada mais além         
Da esperança aflita, bendita, infinita      
Do apito de um trem”        

                                    (Pedro Pedreiro-1965)

Pedro Pedreiro já trás uma adolescente impaciência social com o desnível das classes. A do Francisco em contraste com a que o Chico observava na Estação da Luz, S.Paulo, no seu cotidiano dos anos 60.

Mas para meu desencanto
O que era doce acabou     
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou         
E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor     
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor

                             (A Banda-1966)

          A Banda começa a trocar a impaciência adolescente de Pedro Pedreiro do Chico por um cônscio conformismo adulto de impotência do Francisco.

Quem me dera ter um choro de alto porte         
Pra cantar co´a voz bem forte
E anunciar a luz do dia       
Mas quem sou eu
Pra cantar alto assim na praça     
Se vem dia, dia passa
E a praça fica mais vazia” 

                             (Um Chorinho-1967)

Em Um Chorinho, Chico e Francisco começam a perceber que os seus ideais não cabiam, o quanto supunham, na classe artística. Muito menos na imprensa, hoje Mídia, que já os rotulara convenientemente em A Banda como Unanimidade Nacional.

A gente vai contra a corrente       
Até não poder resistir        
Na volta do barco é que sente     
O quanto deixou de cumprir”        

                                   (Roda Viva-1967)  

Roda Viva foi puro confronto das consciências social e artística. Se por um lado o Pedro Pedreiro do Chico lhe cobrava uma postura semelhante à do amigo Geraldo Vandré, por outro, a mídia do Francisco preferia mantê-lo com o rótulo criado em A Banda.

Não
Foi tudo escrito em vão    
Eu lhe peço perdão           
Mas não vou lastimar      

                         (O Velho-1968)

Embora a crítica literária, da mídia do Francisco, fizesse propaganda do lado artístico do Chico, as limitações da mesma tornavam-na incapaz de melhor aquilatar a construção poética das letras nas composições. O Velho se conformou.                                        

Mas toda santa madrugada         
Quando uma já sonho com Deus
E a outra triste namorada
Coitada já deitou c’os seus         
O acaso faz com que essas duas           
Que a sorte sempre separou       
Se cruzem pela mesma rua         
Olhando-se c´oa mesma dor     

                           (Umas e Outras-1969)

Além de oficializar a disputa dos lados da consciência vista em Roda Viva, Umas e Outras contém O Velho na “praça vazia” do Chorinho. Basta observar o termo “coitada”, que ao longo da obra só surgirá em Gení E O Zepelim (1977) e A Rosa (1979).

É costume nosso associá-lo a alguém digno de dó, sem atentarmos que o mesmo dizia respeito a Coito em suas origens. “Coitada já deitou c’os seus”; “Mas de fato logo ela / Tão coitada, tão singela…”; “E some nas altas da madrugada / Coitada, trabalha de plantonista…”. Prostitutas profissionais ou amadoras. Levianas conceituais, cotidianas, normais; mas grandes freqüentadoras da obra, logo, da cabeça ou da consciência dupla dos respectivos criadores Chico e Francisco.

Não sei se preguiçoso ou se covarde   
Debaixo do meu cobertor de lã   
Eu faço samba e amor até mais tarde   
E tenho muito sono de manhã”    

                                      (Samba e Amor-1969)       

Quero perder de vez tua cabeça 
Minha cabeça perder teu juízo     
Quero cheirar fumaça de óleo diesel      
Me embriagar até que alguém me esqueça    

                                                              (Cálice-1973)

Samba e Amor e Cálice foram típicas leis de Ação e Reação. Ações da consciência e reações do ego.

Luz, quero luz         
Sei que além das cortinas
São palcos azuis     
E infinitas cortinas
Com palcos atrás  

                                   (Vida-1980)

Treze anos após, olha aí Um Chorinho e Roda Viva revistos. As mesmas aflições no grande teatro de Vida.  

A metade do seu olhar     
Ta chamando pra luta aflita          
E metade quer madrugar  
Na bodeguita        

                         (Tanto Amar-1981)

Após doze anos Umas e Outras volta muito mais adulta, branda, sábia e conformista em Tanto Amar.

Hora de ir embora
Quando o corpo quer ficar 
Toda alma de artista quer partir   
Arte de deixar algum lugar 
Quando não se tem pra onde ir   

                                    (Na Carreira-1982)

Na Carreira trás as mesmas dúvidas abstratas, que ganham conceitos mais palpáveis, por ironia, numa parte de um Grande Circo Místico.

No bucho do analfabeto   
Letras de macarrão
Letras de macarrão
Fazem poema concreto   

              (A Bela e a Fera-1982)

A Bela e a Fera foi um recado de ambos, à mídia, bem mais claro que o dado em 67 com O Velho. Na época os críticos da Folha de S.Paulo eram concretistas.                                   

Nós aprendemos
Palavras duras        
Como dizer perdi, perdi     
Palavras tontas
Nossas palavras     
Quem falou não está mais aqui”   

                        (Tantas Palavras-1983)

Eles deram mais uma vez um recado não entendido pela crítica. Após um ano de espera se despediram dela com Tantas Palavras.

E topa pela frente um contingente          
Que ele já deixou pra trás 
Os soluços dobram tão iguais     
Seus rivais, seus irmãos   
Seu navio carregado de ideais   
Que foram escorrendo feito grãos          
As estrelas que não voltam nunca mais 
E um oceano pra lavar as mãos

                                                (Meia Noite- 1985)

Meia Noite reforça a incompetência vista em Roda Viva e tenta dar adeus a Pedro Pedreiro, a Vandré e a qualquer preocupação sócio-idealística. Chico e Francisco assumem a separação.

Rio do lado sem beira
Cidadãos inteiramente loucos
Com carradas de razão     
À sua maneira, de calção
Com bandeiras sem explicação   
Carreiras de paixão danada         
São Sebastião crivado
Nublai minha visão  
Na noite da grande fogueira desvairada          

                                    (Estação Derradeira-1987)

Tentativa porque todo aquele contingente voltou a importunar Francisco, ao observar e traduzir um cotidiano da Mangueira, derradeira estação, onde até rezou para ficar cego, tamanho a força do renovado Pedro do Chico.

Prometo te querer 
Até o amor cair doente, doente    
Prefiro então partir a tempo de poder     
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro com certeza   
Talvez num tempo da delicadeza 
Onde não diremos nada
Nada aconteceu      
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu     

                          (Todo Sentimento-1987)

Diante da impossibilidade de um adeus grotesco do tipo Pilatos dado em Meia Noite, uma espécie de pacto interior e brando é visto em Todo Sentimento, onde tentam se desvencilhar do que foram para, com calma, apenas Serem. Como diria Gilberto Gil “Eu preciso aprender a só ser”.

Acho que fui deputado      
Acho que tudo acabou      
Quase que já não me lembro de nada   
Vida veio e me levou       

                                   (Velho Francisco-1987)

Velho Francisco reforça a idéia mostrando a realidade do Chico, idoso e desmemoriado, incapaz de perceber que está em algum asilo, ou até num cemitério, pois “todo domingo tem cheiro de flor”.

Palavra prima         
Uma palavra só, a crua palavra    
Que quer dizer         
Tudo  
Anterior ao entendimento, palavra           
… Palavra boa         
Não de fazer literatura, palavra     
Mas de habitar
Fundo
O coração do pensamento, palavra       

                                      (Uma Palavra-1989)

Por fim, em Uma Palavra a tentativa de se despedir do Velho, de si mesmo e da incômoda tendência de transpor os limites da poesia paradoxal vigente, rumo ao inevitável e futuro solipsismo de A Ostra e o Vento.

         


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Breve História

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O cidadão Francisco Buarque de Hollanda nasceu, teve família anterior, gerou o compositor e teve família posterior. O compositor somou todo o cotidiano observado pelo cidadão, que traduzido em composições musicais, formou uma outra família de personagens chamada Obra. Ela é o que mais interessa, embora apresente algumas passagens em que terei de tratar da sua ancestralidade para justificar as suas reações.

Tanto Francisco como Chico é gozador mordaz. Driblam até na área do campo de defesa.

Numa das suas crônicas, Mario Prata conta que num certo show dos anos 70, a multidão pedia a Chico que cantasse Apesar de Você, uma espécie de samba-resposta à repressão. Ele se negava até que dona Maria Amélia, sua mãe, bradou: – Seja mais corajoso filho. Cante!

Ele não cantou, mas mesmo assim, após o show, foi preso e levado para interrogatório, onde se fingiu oprimido pela mãe desde criança, o que gerava nele tal comportamento polêmico, que jurava estar tentando se livrar, mas não conseguia, pois ela o perseguia até nas apresentações.

Noutra crônica, Prata conta que tentavam compor um musical. Precisavam de tranqüilidade e acharam um pequeno bar quase vazio. Depois de um tempo conversando, Francisco comentou alguma coisa muito óbvia e Mario retrucou cantando uns parabéns a você. O humilde dono da birosca, que fingira não conhecê-los até aquela hora, não se contendo gritou:

- Uma rodada de cerveja para todos, pois Chico Buarque, nosso velho cliente, faz anos!

Embora estivessem em Fevereiro e Francisco só fizesse anos em Junho, ele, “comovido”, pediu licença para usar o telefone e chamou Marieta Severo, então sua esposa, para a festa.

- Esse é Francisco! Ou será o Chico?                         

Tão sério quanto Gregório Matos Guerra (séc.17) compondo poemas para uma cozinheira, ou um Nelson Rodrigues dissertando sobre os tipos de surra preferidos pelas mulheres nas classes sociais, ou mesmo o sério Voltaire postulando: – Só os charlatões afirmam as coisas, com certeza!

Se a biografia da obra me exigiu até agora 30 anos de prudência, a do cidadão exigiria só umas semanas, talvez um mês, e ele seriamente sugeriria um prêmio Nobel para o meu trabalho.

Um dos sinônimos do acervo que constitui a obra de um artista é Lira, logo, a obra de Chico é também sua Lira.                      

Na mitologia grega, as composições de Apolo sempre tratavam dos próprios feitos. Apolo tinha um rebanho de imaculadas reses brancas e, num dia chuvoso, uma delas acabou presa numa caverna que já abrigava a uma criança chamada Hermes. Como a chuva persistiu por dias, Hermes usou da Biodiversidade local e fez churrasco.

Achando muito interessantes as tripas da rês, que sonorizavam quando estendidas e vibradas, pegou um galho úmido, secou e amarrando-as nele construiu um brinquedo sonoro chamado Lira.

Quando a chuva finalmente passou, Apolo saiu em busca da rês perdida. Ao vê-la morta na caverna, junto a Hermes, preparou a bordoada, mas o moleque mostrou o brinquedinho. Ele tomou o brinquedo do moleque e nunca mais devolveu, pois passou a ser seu inseparável parceiro nos recitais em que desenvolvia a auto-estima.

Como Apolo era um poeta que só falava de si e sempre usava a Lira do Hermes, foi o precursor dos Poetas Líricos, portanto algo lírico é, acima de tudo, pessoal. Embora seja um autor lírico, Chico raramente usa autobiografar o Francisco.

Apolo continuou com as suas apresentações até o dia em que os ouvintes começaram a marcar o ritmo com os pés. Ele gostou do lance, que dava um balanço poético às sílabas tônicas e átonas, e baixou o decreto: – Tônicas em batidas fortes. Átonas em fracas!    

Nascia a relação Poesia / Melodia das composições musicais, com os primeiros conceitos de Ciência Poética e coreografia tribal num pré-Classicismo. Se a história grega nunca disse isso é porque se esqueceu.                                                                               

               Mesmo porque as notas eram surdas                        
               Quando um deus sonso e ladrão                    
               Fez das tripas a primeira Lira                         
               Que animou todos os sons                    
               E dai nasceram as baladas                     
               E os arroubos de bandidos como eu                       
               Cantando assim:…                        
             …Mesmo porque-estou falando grego                     
               Com sua imaginação…  

                                        (Choro Bandido-1985)

                                      

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Prólogo

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 Nestes meus trinta anos de estudo da Música Popular Brasileira, me deparei com poetas de várias escolas e épocas. Aprendi a diferir os significados dos termos Poeta e Compositor Musical observando a obra de Chico Buarque de Hollanda, que considero o nosso maior compositor musical de todas as épocas.

 Um poeta é aquele que exprime as suas emoções na forma de poemas. Um compositor musical vai bem adiante, pois além de construir o simples poema, tem de fazê-lo sobre um outro tipo de poema conhecido pelo nome de Melodia.

 Usando a sua obra como referência fixa, coloquei as dos demais compositores, contemporâneos ou não, em sua órbita, qual constelação dotada de estrela e seus respectivos planetas.

Isso acabou resultando numa espécie de Planetário Artístico Celestial próprio, que só fez por enriquecer ainda mais o quadro artístico musical brasileiro, tão bem abordado pelo Mestre Zuza Homem de Mello, em sua documentação histórica, fundamental a qualquer estudioso da cultura musical brasileira.

Inicialmente me detive nas letras das composições, os ditos poemas, fundamentadas numa Ciência Poética, sedimentadas ao longo dos milênios nas civilizações e que encontrou suas bases científicas fundamentais na Grécia Clássica para, a partir de então, se desenvolver entre os povos dotada dos parâmetros próprios a cada um deles. Tal ciência deve ser encarada apenas como base analítica das construções poéticas.

Como toda ciência ela apresenta regras, que podem ser seguidas ou desprezadas pelos poetas, de acordo com as suas Reações, posto que um poema nada mais é do que uma reação do poeta aos estímulos momentâneos que o cercam na forma de ações, logo, a composição musical também obedece á consagrada Lei de Ação e Reação.          

Dentro da Poesia Latina, a MPB colaborou fortemente na renovação das bases científicas, e dentro da MPB, Chico foi o que mais elemento somou ás regras.

Ao longo do estudo os senhores se depararão com uma série de duelos nas conjugações, como um que ocorrerá entre Vinícius e Chico, disputando na Segunda Pessoa do Singular, ou diálogos entre os versos de Vinícius e a figura do parceiro Tom Jobim, ou mesmo outros de Chico com Fernando Pessoa, Gibran Kalil Gibran, Malba Tahan, os bíblicos Isaías e Enock.

Também encontrarão truques com as métricas dos versos, utilizadas por Geraldo Vandré e imitadas por Chico, para reforçar ou negar o sentido expresso em algum texto de verso. Os versos longos de Taiguara desafiando a construção poética dele a se manifestar igualmente; enfim, toda uma trama musical que resultou num Tecido Poético nacional dominante de décadas atrás.

Por outro lado, é fundamental ressaltar, observei vários textos, de composições ou livros, que apresentaram bases filosóficas semelhantes às vistas em diversos trabalhos de outros autores, cujas interpretações caberão somente à minha lógica de correlação, como bases de novos estudos que se proponham às concordâncias e discordâncias de idéias, buscando devolver à Educação Brasileira o debate franco, e mais verdadeiro possível; desprovido de qualquer ranço dos ditos veículos que se auto denominam “Formadores de Opinião”, pois Filosofia não se implanta num povo, apenas resulta dele.    

          

Bem-vindos ao indirigível Carro da Arte, no qual, sem exceção, somos meros passageiros.

    

Só os charlatões afirmam as coisas com certeza! O estado de dúvida já é pouco agradável, mas o da certeza é ridículo!”.   (Voltaire)

         

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