Archive for Dalton

Vai Passar e o Chico Político

 

Muito já se comentou que parte da obra do Chico estivesse relacionada à 
política. É preciso ter em vista que Chico foi filho de um consagrado 
Historiador Social, Sergio Buarque de Hollanda, quando sabemos que a 
maioria de nós, em alguma fase da vida, buscou dar continuidade às atitudes 
dos nossos pais, logo, creio que certas músicas dela não estivessem próximas 
do significado de Política, mas mais adequadas ao de Sociologia, posto que as
letras do Chico sempre tenderam à tradução dos nossos comportamentos 
pessoal e social.
 
Duas das composições mais consagradas por tal engano conceitual foram 
Apesar de Você e Vai Passar. Segundo a imprensa, e sabe-se lá quem mais, 
Apesar de Você foi uma espécie de homenagem ao ex-presidente Médici nos 
anos 70, mas, segundo uma crônica do Mário Prata, jornalista e amigo do 
Chico, houve este episódio:
 http://mpbsapiens.com/apesar-de-voce-analise-de-texto/
No princípio dos anos 70, em algum show não específico do Chico, a multidão
insistia que ele cantasse Apesar de Você e ele se recusava. Em dado momento
houve um silêncio na platéia. Foi quando uma senhora, posicionada numa 
fileira próxima ao palco, bradou a Chico:
 
- Seja corajoso meu filho, cante!
 
Tal senhora era ninguém menos do que Dona Maria Amélia, mãe dele. Apesar
Dela, Chico preferiu não cantar a música, mas, mesmo não cantando, após o 
show foi detido e levado para interrogatório em algum distrito adjacente.
 
Em tal interrogatório perguntou:
 
 - Vocês entendem agora o porque da letra? Emendando em seguida:
 
 - Ela sempre foi assim, desde que eu era criança, e desconfio até que muito 
do que escrevo hoje em dia se deve à influência repressiva dela na minha 
educação!
 
Comovidos com a situação familiar do Chico, os interlocutores encerraram o 
interrogatório por ali mesmo e ele pode seguir o caminho sossegado.
 
Além de escrever bem como poucos, Chico sempre foi um gozador nato, e o 
episódio acima, descrito por Prata, foi apenas mais um exemplo da sua 
agilidade mental na criação das histórias musicais que povoaram as nossas 
cabeças por anos.
 
Existe um pensamento do jogador, Robinho, que se encaixa muito bem ao 
comportamento do Chico como compositor musical:
 
 - Voltei a atuar no Brasil para recuperar a alegria de jogar futebol!
 
Chico é com a Palavra o mesmo que Robinho é com a Bola de Futebol: 
Precisa da Alegria para traduzir pelas palavras às nossas emoções 
comportamentais. Suponho até que escreva sorrindo um drama 
comportamental cujo normal resultado em nós seja o choro.
 
Com a filosofia, resultante em nós, Chico tem a mesma responsabilidade do 
Robinho, cujo drible resulte ou não em gol comemorado:
 
Ambos fazem as suas partes, independente do que sintamos, pois basta 
estarem felizes com o que fazem para que nós sejamos os premiados.
 
Quanto ao Vai Passar foi um samba enredo gravado pelo Chico muitos anos 
depois de feita a melodia que, segundo o parceiro Francis Hime, começou a 
ser elaborada nos primeiros ensaios das parcerias dele com o Chico, em 1972 
com a composição Atrás da Porta.
 
Não se pode precisar a época em que a letra foi escrita.  De 72 a 84, 
conforme consta oficialmente no songbook da cia. das letras, que é muito 
suspeito pela série de adequações dadas à cronologia da obra. Cabe qualquer 
época, inclusive aquela em que o Chico escreveu o seu primeiro livro oficial: 
Fazenda Modelo – uma novela pecuária.
 http://mpbsapiens.com/fazenda-modelo-novela-pecuaria/
A letra de Vai Passar é uma espécie de enredo sobre a História sócio 
econômica do Brasil nos anos 50, conforme o próprio Chico sugeriu em 
entrevista, ao associá-la à letra de Dr. Getúlio, cuja melodia, pertencente a 
Edu Lobo, também lhe foi entregue  bem antes do samba ser oficialmente 
gravado.
 
O final dos anos 60 e começo dos 70 foi um período muito conturbado. 
Qualquer coisa que se gravasse, na época, ao invés de ser associada à 
essência do que Chico tentou transmitir na peça Roda Viva, era 
automaticamente voltada contra os militares pelas conveniências da imprensa.
 http://mpbsapiens.com/peca-roda-viva-introducao/
Esse foi o motivo pelo qual, acredito, tanto Vai Passar quanto Dr. Getúlio 
terem ficado tanto tempo à espera da gravação oficial.
 
Podem reparar que Vai Passar só apareceu no mesmo LP que continha Pelas 
Tabelas, essa sim, com alguma aparência política, por ser baseada no 
movimento Diretas Já, em que a letra mostra Chico com todas as suas 
indecisões: “Claro que ninguém se toca com minha aflição”. Apoiar ou não 
àquela folia democrática, elaborada pela Turma Invisível e propagada pela 
Turma Visível, ambas da globo?
 http://mpbsapiens.com/pelas-tabelas-analise-de-texto/
Qualquer um que se disponha a estudar um pouco da História Econômica do 
Brasil verá que a nossa primeira dívida externa foi contraída por Pedro I junto
à casa britânica dos Rotschild. Verá que essa dívida só foi paga integralmente 
pelo Getúlio 130 anos após, ficando o Brasil, por pouco tempo, livre da 
agiotagem dos credores internacionais.
 
Essa liberdade econômica, que nos permitiu até emprestar dinheiro aos demais
países sul americanos na época, teve vida breve, pois ao assumir o poder, JK 
contraiu novas dívidas, com credores americanos, tanto para a construção de 
Brasília quanto para justificar a abertura das portas do país para a entrada da 
multinacional indústria automobilística, cujos carros necessitavam de asfalto.
 
Não tínhamos uma realidade automobilística notável. Nossos veículos eram 
todos importados, accessíveis somente às classes média e alta da sociedade. 
Por outro lado, tínhamos dois outros sistemas de transporte em franca 
evolução: Ferroviário e Hidroviário. Não precisa ser muito velho para lembrar. 
Eu mesmo tinha o hábito de brincar de nadar, no rio Tietê, ao redor das 
embarcações, cargueiras ou de passageiros, que passavam atrás do clube
Corinthians e iam descarregar no porto da Ponte Grande, junto ao Clube de 
Regatas Tietê.
 
A ferroviária Estação da Luz ficava, e ainda fica, logo ao lado, prontinha para 
receber cargas ou passageiros dos barcos e remetê-los aos respectivos 
destinos: Tanto ao interior quanto ao Porto de Santos, quer para embarcarem 
como exportações, quer para gozarem férias no litoral.
 
Poderíamos até demorar um pouco mais do que os paises mais “civilizados” para 
enveredarmos pelas trilhas da Indústria Automobilística, mas o faríamos com a 
direção do país nas próprias mãos, e nunca à mercê dos grandes agiotas 
internacionais que nos manipulam a Cultura e a História até hoje por seus 
veículos de comunicação.
 
Chico, alguns anos mais velho do que eu, certamente testemunhou a tudo isso 
ocorrendo em São Paulo. Tanto o fez, que a composição, que o mesmo 
reconheceu como primeira do seu estilo contestador foi Pedro Pedreiro, que 
retrata parcialmente os resultados daquela arrazoada migração do norte e 
nordeste para São Paulo no princípio dos anos 60.
 
Em síntese, Fazenda Modelo conta a história de Juvenal, o Bom Boi, que 
resolveu construir no plano alto central da fazenda a sede dos seus sonhos: A 
Juvenópolis, mas para atingir tal meta teve que se sujeitar aos chamados 
“Invisíveis”, cujos nomes começavam todos pela letra K. Klaus, Kleber, 
Krieger, Katazan etc.
 
Acho que esteja meio óbvia a associação do presidente Juscelino Kubitscheck
 ao Juvenal, dos Kás Invisíveis, presentes em Fazenda Modelo: J + K; bem 
como Brasília ser a Juvenópolis do plano alto central da fazenda. É muito 
difícil associar?
 
Vai passar
Nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade
Essa noite vai se arrepiar
 
Na Velha Cidade do Rio de Janeiro os desfiles das escolas de samba 
ocorriam na Avenida Presidente Vargas, cujo calçamento era feito em
paralelepípedos (Oh, quanta coincidência!).
 
Ao lembrar
Que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais
 
Muitos sambas se perpetuaram, mas muita gente sangrou para que 
sambássemos com os pés livres, ao mesmo tempo em que muitos ancestrais 
nossos “sambaram” nas mãos dos credores internacionais. Mas, quando?
 
Num tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
 
A forma mais fácil de desbotar a memória das futuras gerações é confundir a 
sua trajetória do passado. O que começou a ocorrer conosco mais fortemente 
na segunda metade da década de 50 com a chegada dos novos moldes 
americanos da imprensa.
 
Vejam o que Chico escreveu em Dr. Getúlio:
 
Lutando contra grupos financeiros
E altos interesses internacionais
 
Agora vejam como ele tratou do mesmo assunto, continuando em Vai Passar:
 
Dormia
A nossa pátria-mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
 
Notem a interessante coincidência da Juvenópolis, de Fazenda Modelo, 
com o “posterior” Vai Passar:
 
Seus filhos
Erravam cegos pelo continente
Levavam pedras feito penitente
Erguendo Estranhas Catedrais
 
A Nova História, com os novos “Tapa Olhos” da imprensa, estava resumindo 
cada vez mais as nossas raízes culturais ao Carnaval, uma fértil reserva 
comercial que atuava no mesmo povo que construiu Brasília e foi transferido 
para São Paulo para justificar parcialmente ao atual caos habitacional dessa 
Orgulhosa Megalópole. . Assim:
 
E um dia afinal
Tinham direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia
Que se chamava carnaval
O Carnaval, o carnaval
 
Personagens da nossa História se tornavam elementos banais dessa nova raiz 
cultural desta forma:
 
Palmas pra ala dos Barões Famintos
O bloco dos Napoleões Retintos
E os Pigmeus do Bulevar
 
Tivemos na História os riquíssimos Barões do Café ficando duros subitamente 
por conta das especulações financeiras do produto por mãos de financistas 
do capital externo.
 
Quando Getúlio chegou ao poder em 1930, o fez com o apoio dos chamados 
Integralistas, cujo extremo nacionalismo lhes rendeu o apelido de Novos 
Napoleões, que Chico, por questões de rima, chamou de Napoleões Retintos.
 
Pigmeus do Bulevar foi um apelido que Chico deu aos chamados Novos Ricos
que habitaram as residências luxuosas das grandes avenidas (Bulevar) à partir 
dos anos 40. Grandes fortunas nas mãos de Pigmeus Sociais.
 
Meu Deus vem olhar
Vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade
Até o dia clarear
Ai que vida boa olerê
Ai que vida boa olará
O estandarte do Sanatório Geral
Vai Passar.
 
Tudo transformado numa Festa de Sonhos, tão atingíveis quanto o significado 
integral dos termos Liberdade, Lei, Ordem…; comuns ao Sanatório Geral do
Carnaval.
 
Vai Passar foi um peculiar estudo da História Recente do Brasil, que apenas 
mostrou estar a ilusão social acima dos presidentes e seus respectivos partidos
políticos, justificados pelos votos que os elege e alimentados pelas próprias
trajetórias posteriores às urnas.
 
Ando com minha cabeça já Pelas Tabelas
Claro que ninguém se toca com minha aflição…
 

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Roda-Gigante – Outro Elo Perdido do Chico

Anterior – > http//mpbsapiens.com/
 
Roda Gigante foi composta em 1965, mas gravada só em 1966, pelo grupo 
vocal Os Cariocas, aproveitando o lance do ano em que o jovem Francisco 
explodiu no cenário artístico brasileiro como o compositor Chico Buarque de
Hollanda, cuja composição, A Banda, dividiu com Disparada, do amigo e
concorrente Geraldo Vandré, o troféu de vencedora do Festival de Música
da TV Record de São Paulo.
 
 Roda-Gigante – Os Cariocas – 1966
 
Lembra, amor?
Do tempo em que existia, amor
Um beijo escondido no parque de diversões
E depois,
Brincando de brincar
Nos brinquedos parados
Nós dois.
 
Me leva ao céu, roda gigante
E o carrossel não pára um instante
Você e eu
Brincamos tanto
É que só o amor não era um faz de conta
Montanha russa emocionante
Túnel do amor apaixonante
 
Tapete mágico, aviãozinho, trem fantasma
E a noite então
Lembra você?
Mas qual
Você não lembra não.
 
A letra mostra um sentimento adolescente, que se estendia ao texto da Banda
em forma semelhante, pelo realce dos costumes juvenis de uma época:
Namorar em parques de diversões; tinha muito de “Namorada que contava as 
estrelas”, “Faroleiros que contavam vantagens” etc. todos presentes na
música A Banda, e comuns aos parques de diversões; a exemplo do que 
ocorreu com Tereza Tristeza em relação ao Sonho de um Carnaval.
http://mpbsapiens.com/a-banda-analise-de-texto/
http://mpbsapiens.com/tereza-tristeza-analise-de-texto/
Creio ter a música provavelmente surgido de um mote vindo de alguma
significativa visita dele ao Parque Xangai, que ficava próximo ao Gasômetro
de São Paulo. Uma região bem frequentada por ele nos anos 60, pois havia
nela algumas casas de dança bem famosas, como o Brás Polytheama, por
exemplo, do qual ele tirou o nome para o seu time de futebol particular.
 
Por outro lado, a possível mulher, para qual é dirigida a mensagem do texto
da música, tem traços da mesma tratada por ele nas compoições Desencanto
e Essa Passou, ambas tratando de um mal resolvido romance do Chico, com
alguma dona anterior à Marieta Severo, que pode ter sido a mesma que o 
inspirou nas músicas Madalena Foi Pro Mar, Morena Dos Olhos D´Água, ou
mesmo, Carolina.
http://mpbsapiens.com/primeiros-versos/
http://mpbsapiens.com/essa-passou-analise-de-texto
http://mpbsapiens.com/madalena-foi-pro-mar-analise-de-texto/
http://mpbsapiens.com/morena-dos-olhos-dagua-analise-de-texto/
 http://mpbsapiens.com/carolina-t/
Mais uma composição que a assessoria artística do Chico furtou da nossa
literatura, mas graças à internet, pude resgatar com a ajuda do amigo Paulo
Sergio Mariani, que possui o original em disco de vinil.
 
Ainda virão mais elos musicais perdidos pela incompetência empresarial.
Aguardem.
 
Próxima – > http//mpbsapiens.com/
 

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Tereza Tristeza – Elo Perdido do Chico

Anterior – > http://mpbsapiens.com/tem-mais-samba-analise-de-texto/
 
No princípio dos anos 60 inventaram o Vídeo-Tape, no entanto, por estar 
ainda em desenvolvimento, além do alto preço do equipamento, as emissoras
de televisão brasileiras não o tinham.
 
Foi quando a TV Record, de São Paulo colocou no ar, em 7 de dezembro de
1964, a novela Prisioneiro De Um Sonho, escrita por Roberto Freire e
estrelada por Eva Vilma, com direção do próprio autor e de Randal Juliano,
que então era só apresentador da emissora em início de carreira.
 
Pelos programas serem ao vivo, tudo era meio improvisado. Foi o que 
aconteceu com essa novela que, em alguns capítulos, apresentou um jovem
compositor, Francisco, com o seu inseparável violão, ainda mal executado, 
interpretando o samba Tereza Tristeza.
 
Creio que essa “brecha” na mídia tenha ocorrido pela intervenção do autor
da novela, Roberto Freire, que simpatizando com as composições do jovem
Francisco, tinha se tornado uma espécie de padrinho artístico dele.
 
A novela ficou no ar até fevereiro de 1965, portando, antes do jovem
Francisco virar Chico Buarque de Hollanda, nome que entrou no cenário
artístico brasileiro no mesmo ano, como compositor do samba Sonho de Um
Carnaval, cantada por Geraldo Vandré em um festival posterior.
 
Tereza Tristeza – MPB4 – 1966
 
Tereza Tristeza – MPB4 – 1966.
Oh Tereza essa tristeza
Não tem solução
Tire o meu lugar da mesa
Não me espere não
Não vou, não
Ao menos sou sincero
Que te adoro, que te quero
Mas não passo bem sem carnaval 
Não
 
Oh Tereza essa tristeza
Não tem solução
Ser mulher é muito mais
Do que pregar botão
Não vê não
Pois, homem quando é homem
Passa frio passa fome
Mas não passa bem sem carnaval
 
Diz que não tem café
Diz que não tem feijão
Nem sandália pro pé
Nem aliança pro dedo da mão
Oh Tereza
É tão pouca tristeza
Tem gente que nem carnaval
Não tem não.
 
A letra mostra que o jovem Francisco, apesar da influência da Bossa Nova,
coqueluche da MPB na época, gostava mesmo de compor sambas, pois, no
mesmo ano, compos também sobre o mesmo tema, Carnaval, o samba Sonho 
de um Carnaval e já houvera composto Tem Mais Samba.
http://mpbsapiens.com/sonho-de-um-carnaval-analise-de-texto/
http://mpbsapiens.com/tem-mais-samba-analise-de-texto/
A música não foi gravada posteriormente pelo Chico, mas isso não quer dizer
que ele não a tenha composto, logo, deveria também fazer parte do songbook
da cia. das letras, que funcionou como uma espécie de biografia oficial da 
obra por muitos anos, antes da chegada da internet.
 
Muito se queixa da perda dos valores da MPB ao longo dos anos, mas o
cancro está bem aí, no descaso dos assessores com a Literatura Brasileira,
pois essa música passaria batida também por aqui se não fosse a internet, 
porque foi através dela que conheci o amigo Paulo Sergio Mariani, que tendo
o disco original colaborou com as informações básicas.
 
Isso não ocorreu apenas com Tereza Tristeza. Houve mais músicas com o
mesmo descaso; sabe-se lá quantas, mas algumas outras poderão ser salvas, 
conforme mostrarei posteriormente.
 
Até a próxima.
 
Próxima – > http://mpbsapiens.com/sonho-de-um-carnaval-analise-de-texto/
 

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Todos os Ritmos Poéticos da MPB

Alguns lembretes básicos das regras para o entendimento do restante:
 
1 – A contagem das sílabas poéticas de um verso termina em sua última sílaba
tônica.
 
2 – Após a última sílaba poética tônica de um verso há uma Pausa Terminal,
que pode estar tanto em uma ou duas sílabas átonas, quanto em Tempos 
Rítmicos sem sílabas.
 
3 – O maior espaço entre as sílabas tônicas do verso deve conter dois tempos
rítmicos, com ou sem sílabas átonas. 
 
Algumas dicas:
 
1- Se um verso terminar em palavra oxítona, e a recitação do poema for
rápida, convém o verso seguinte iniciar numa sílaba átona. 
http://mpbsapiens.com/verso-agudo/
2- Caso um verso termine numa palavra paroxítona, o poeta pode optar por 
iniciar o verso seguinte tanto por sílaba tônica quanto por átona única, 
dependendo da sua intenção rítmica para o poema. 
http://mpbsapiens.com/verso-grave/
3- Se o poeta optar por terminar o verso numa palavra proparoxítona, é mais 
do que aconselhável iniciar o verso seguinte numa sílaba tônica, para não abrir 
mais de dois tempos entre duas sílabas tônicas, o que contraria à terceira regra
vista acima.
http://mpbsapiens.com/verso-dactilico/
4- Nos casos dos ritmos que apresentarem duas sílabas tônicas em seguida,
num recurso poético conhecido como Efeito Espondaico, do Pé Espondeu,
é prudente que se faça, na mesma estrofe, um outro verso com idêntica 
característica, independente da Métrica, para que o primeiro não fique isolado
e se torne um Verso Manco. 
http://mpbsapiens.com/espondeu/
http://mpbsapiens.com/metrica/
http://mpbsapiens.com/verso-manco/
5- Se o poeta optar por somente um verso, com tal característica na estrofe,
é sensato que o coloque como o último dela, o que serve também para
causar uma expectativa pelo texto que virá a seguir.
 
6- Não é aconselhável abusar dos espondeus num poema. Pode tornar-se
cansativo, tanto em declamação quanto em audição, pois vulgariza o que
deveria ser um elemento surpresa. 
 
7- Ainda não observei, na MPB, o uso de dois pés espondeus num mesmo
verso, pois embora seja possível, não posso dizer qual seria o resultado. Por
exemplo, um verso heptassílabo (sete sílabas) poderia ter esta configuração 
rítmica, caso o poeta optasse por construí-lo com dois pés espondeus::
 
Es / tou / cer / to-e // se / rei / bre / ve – 2-3-6-7
 
Se algum dos senhores leitores já tiver visto algo parecido na MPB, peço a
gentileza de informar, o que sugere até que os novos e velhos compositores
o tentem. Seria interessante ver algum tentando a suposta novidade.
 
Talvez, o caminho para a renovação poética da MPB esteja mais ou menos 
aí, na tentativa do que ainda não foi tentado por prudência ancestral.
 
A quantidade de possibilidades nos Ritmos Poéticos é imensa, no entanto
suspeito que muitas delas não foram trabalhados pelos poetas mais famosos.
Talvez, por um ou por outro menos citado nos anais da Literatura.
 
Para que esta postagem esteja terminada será necessário mais algum tempo
meu para exemplificar a todos os ritmos possíveis, portanto tenham paciência, 
que adiante ela estará pronta com os catorze comprimentos de versos 
devidamente analisados e exemplificados.
 
Ritmos Monossílabos (1)
http://mpbsapiens.com/ritmos-monossilabos/
 
Ritmos Dissílabos (2)
http://mpbsapiens.com/ritmos-dissilabos/
 
Ritmos Trissílabos (3)
http://mpbsapiens.com/ritmos-trissilabos/
 
Ritmos Tetrassílabos (4)
http://mpbsapiens.com/ritmos-tetrassilabos/
 
Ritmos Pentassílabos (5)
http://mpbsapiens.com/ritmos-pentassilabos/
 
Ritmos Hexassílabos (6)
http://mpbsapiens.com/ritmos-hexassilabos/
 
Ritmos Heptassílabos (7)
http://mpbsapiens.com/ritmos-heptassilabos/
 
Ritmos Octossílabos (8)
 
 
Ritmos Eneassílabos (9)
 
 
Ritmos Decassílabos (10)
 
 
Ritmos Hendecassílabos (11)
 
 
Ritmos Dodecassílabos (12)
 
 
Ritmos Tridecassílabos (13)
 
 
Ritmos Tetradecassísabos (14)
 
 

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A Rosa

 
As composições anteriores, Bolsa de Amores e Essa Passou, foram feitas em
1971, todavia, para melhor ilustrá-las, citei A Rosa, que só seria feita em 
1979. Resolvi colocar a letra dela fora da época apenas para ter melhor
base de argumento.
http://mpbsapiens.com/bolsa-de-amores-analise-de-texto/
http://mpbsapiens.com/essa-passou-analise-de-texto/
A Rosa será analisada normalmente quando o estudo atingir o seu ano de 
criação, como usualmente ocorre com as demais.
 
 Vídeo de andressasouza
 
Arrasa o meu projeto de vida
Querida, estrela do meu caminho
Espinho cravado em minha garganta
Garganta
A santa às vezes troca meu nome
E some
 
E some nas altas da madrugada
Coitada, trabalha de plantonista
Artista, é doida pela Portela
Ói ela
Ói ela, vestida de verde e rosa
 
A Rosa garante que é sempre minha
Quietinha, saiu pra comprar cigarro
Que sarro, trouxe umas coisas do Norte
Que sorte
Que sorte, voltou toda sorridente
 
Demente, inventa cada carícia
Egípcia, me encontra e me vira a cara
Odara, gravou meu nome na blusa
Abusa
Me acusa, revista os bolsos da calça
 
A falsa limpou a minha carteira
Maneira, pagou a nossa despesa
Beleza, na hora do bom me deixa
Se queixa
A gueixa, que coisa mais amorosa
A Rosa
 
Ah, Rosa, e o meu projeto de vida?
Bandida, cadê minha estrela guia
Vadia, me esquece na noite escura
Mas jura
Me jura que um dia volta pra casa
 
Arrasa o meu projeto de vida
Querida, estrela do meu caminho
Espinho cravado em minha garganta
Garganta
A santa às vezes me chama Alberto
Alberto
 
Decerto sonhou c´o alguma novela
Penélope, espera por mim bordando
Suando, ficou de cama com febre
Que febre
A lebre, como é que ela é tão fogosa
A Rosa
 
A Rosa jurou seu amor eterno
Meu terno ficou na tinturaria
Um dia me trouxe uma roupa justa
Me gusta
Me gusta, cismou de dançar um tango
 
Meu rango sumiu lá da geladeira
Caseira, seu molho é uma maravilha
Que filha, visita a família em Sampa
Às pampa
Às pampa, voltou toda descascada
 
A fada, acaba com a minha lira
A gira, esgota a minha laringe
Esfinge, devora a minha pessoa
À toa
A boa, que coisa mais saborosa
A Rosa
 
Ah, Rosa, e o meu projeto de vida?
Bandida, cadê minha estrela guia?
Vadia, me esquece na noite escura
Mas jura
Me jura que um dia volta pra casa
 
Arrasa…
 
 
 

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