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	<title>MPB Sapiens &#187; Conto</title>
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	<description>Cultura Musical</description>
	<lastBuildDate>Mon, 28 May 2012 13:42:50 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Entrevista do Chico? (sou eu o circo místico)</title>
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		<comments>http://mpbsapiens.com/entrevista-sou-eu/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 08 Nov 2011 21:43:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Dalton]]></category>

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		<description><![CDATA[a Entrevista de Chico Buarque para &#8220;O Estado de SP&#8221; em 18/04/2005 P &#8211; Uma vida rodeado de mulheres? R &#8211; Sim, irmãs, filhas, netas&#8230; P – O que aprendeu com elas? R &#8211; Continuo com a curiosidade intacta, com o mesmo desconhecimento e esta estranha admiração. Sempre me surpreendem e suas opiniões me interessam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #ffffff;">a</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Entrevista de Chico Buarque para &#8220;O Estado de SP&#8221; em 18/04/2005</span></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Uma vida rodeado de mulheres?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Sim, irmãs, filhas, netas&#8230;</span></p>
<p><span style="color: #008000;">P – O que aprendeu com elas?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Continuo com a curiosidade intacta, com o mesmo desconhecimento e esta estranha admiração. Sempre me surpreendem e suas opiniões me interessam mais que a dos homens.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Você encabeça a lista dos homens mais sexys do Brasil.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Isso é ridículo, e essa lista é ridícula. Tenho 60 anos, percebe?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Sempre fugiu da fama?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Não, participei de festivais e busquei o reconhecimento para meu trabalho. Mas logo aparece a fama boba, oca, que é a sombra do reconhecimento e que se fala se o artista está gordo ou com quem vai para a cama. Há quarenta anos não era assim.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Como era?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Ficávamos bêbados em Ipanema dizendo coisas absurdas, mas não saía na imprensa. Hoje, alguém vai ver uma partida de futebol e vem o jornalista lhe perguntar como está a partida. Isso não me agrada.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Mas é o que vende</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Tem gente que persegue essa fama que não corresponde a nada. É insólito.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Por que teremos chegado a esse ponto?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Nunca vi um movimento geral de idiotice como o de agora. Mas em meu país, de 15 anos para cá, vem crescendo perigosamente. A idiotice nos rodeia, eu mesmo tenho medo de me tornar idiota&#8230;</span></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Pense bem&#8230;</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Talvez tenha razão. Tudo seria mais fácil, nada me surpreenderia e poderia dar entrevistas sem escrever livros.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; ?&#8230;</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Sim, sim, anuncio que vou escrever um novo livro e passo dois anos dando entrevistas. Depois falo do livro que não saiu. E assim passa a vida. Hoje é possível viver de feira literária. Há festivais a cada semana em alguma parte do mundo. E agora que finalmente sou escritor&#8230;</span></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Custou-lhe três livros.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Sim. Agora já me consideram como tal e posso viver me fazendo de turista literário; certamente conseguiria ser muito mais conhecido como escritor do que sou hoje sem necessidade de escrever mais livros.</span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">Aqui a entrevista continua, só que na forma de conto:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Quando a coisa começou a mudar?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R - O final dos anos setenta fez coincidir alguns questionamentos meus sobre a carreira com o ápice da minha criatividade melódica.</span></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=YYydQ0dl9-g">http://www.youtube.com/watch?v=YYydQ0dl9-g</a></p>
<p><span style="color: #008000;">&#8220;O que é bom para a Holanda é bom pro Brasil&#8221;, sacou?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Mas uma coincidência não exige mais de um argumento?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Escrevi também uma peça que exigiu músicas em distintos ritmos, uma para cada situação e todas divertidas. Samba, tango, fox, blues, clássica, ópera&#8230;</span></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=_5iGWfguyY8">http://www.youtube.com/watch?v=_5iGWfguyY8</a></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Mas então a coisa mudou para melhor?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Aparentemente sim, mas os questionamentos persistiram após a famosa peça, e não pude evitar o confronto Religião x Palavra, e Ambas x Artista. Era gostoso fazer músicas, mas as palavras das letras também causavam grande interesse por suas histórias e possibilidades outras de organização nas Vitrines do cenário Vida. Até hoje me divirto com a palavra escrita.</span></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=rs5WBuszpwQ">http://www.youtube.com/watch?v=rs5WBuszpwQ</a></p>
<p><a href="http://mpbsapiens.com/as-vitrines-analise-de-texto/">http://mpbsapiens.com/as-vitrines-analise-de-texto/</a></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Mas o que o fez enveredar para o mundo do circo?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Num curto tempo, perdi dois dos meus maiores referenciais nas escritas: um parente e um poeta. Decidi então parar com tudo, mas essa idéia durou até um outro grande músico amigo chegar com um monte de lindas melodias sem letra e assunto para todas. Sem ter de me preocupar com as melodias, ficou muito mais fácil encaixar as letras nos assuntos, todos comuns ao meu estado de espírito da época, ainda questionando uma porrada de aspectos válidos e inválidos da vida artística.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">P - Mas você ainda não explicou sobre o mundo do circo&#8230;</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Pôrra cara. Palco e Circo são sinônimos: &#8220;Além das cortinas são palcos azúis e infinitas cortinas com palcos atrás&#8221;! Lembra do que falei da idiotização? Viu como a coisa pega?</span></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=k3lEUZtudms">http://www.youtube.com/watch?v=k3lEUZtudms</a></p>
<p><span style="color: #008000;">P- Tá bom, pode bater, mas explica direito!</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Cada vez que subo num palco, não me sobra muito cenário além do povo que está assistindo. Cantar a música é a parte mais fácil, porque basta &#8220;abrir a voz e o tempo canta&#8221;. Enquanto canto, aquele povo todo sonha, ri, movimenta os braços, senta, levanta&#8230;  À proporção em que as músicas trocam, trocam também os sonhos, os gestos e me sinto o próprio Piloto dos Sonhos, mas, de repente, sei que o show irá acabar, aquela gente toda irá embora e eu terei de abandonar aquele palco dos sonhos para encarar a realidade das ruas, dando de cara com Pivetes, Guris, Muchachas de Copacabana&#8230; É aí que bate a tristeza, e dela nasce a composição musical:</span></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=WEXpKDH9spc&amp;feature=related">Vídeo de marciameneses1960</a></p>
<address><span style="color: #ffffff;">a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Não, não sei se é um truque banal</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Se um invisível cordão</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Sustenta a vida real</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Cordas de uma orquestra</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Sombras de um artista</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Palcos de um planeta</span></address>
<address><span style="color: #008000;">E as dançarinas no grande final</span></address>
<address> <span style="color: #ffffff;">a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Chove tanta flor</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Que sem refletir, um ardoroso espectador</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Vira colibri</span></address>
<address> <span style="color: #ffffff;">a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Qual, não sei se é nova ilusão</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Se após o salto mortal</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Existe outra encarnação</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Membros de um elenco</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Malas de um destino</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Partes de uma orquestra</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Duas meninas num imenso vagão</span></address>
<address> <span style="color: #ffffff;">a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Negro refletor, flores de organdi</span></address>
<address><span style="color: #008000;">E o grito do homem voador</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Ao cair em si</span></address>
<address> <span style="color: #ffffff;">a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Não sei se é vida real</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Um invisível cordão</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Após o salto mortal</span></address>
<p><span style="color: #ffffff;">a</span></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Mas essa música pertence a um musical baseado num poema já existente. Não é um outro assunto?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Sim, o poeta pode até usar a sua &#8221;Túnica Inconsútil&#8221;, mas a Palavra é como a linha de costura em qualquer texto, costura tanto o assunto do musical quanto o particular. Nada me impediu de tratar da própria vida interpretando um poema alheio. Guardo comigo a costura que mais desejar. Por exemplo, o Fernando Pessoa escreveu Qualquer Música, mas não ficou muito claro e resolvi continuar cerzindo o assunto com Qualquer Canção.</span></p>
<p><a href="http://www.letraviva.raisites.com/poesia-para-ler/27-qualquer-ma-fernando-pessoa.html">http://www.letraviva.raisites.com/poesia-para-ler/27-qualquer-ma-fernando-pessoa.html</a></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=ZfSWJoNxq8s">http://www.youtube.com/watch?v=ZfSWJoNxq8s</a></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Mas, de alguma forma, os assuntos devem ter algo em comum que os une?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Claro. Todo circo tem palhaço, e o que impede o mesmo palhaço da música anterior fingir tristeza ou alegria nesta música?</span></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=pPMov5McreE">Vídeo de MsHvilla</a> ?</p>
<address><span style="color: #ffffff;">a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Em toda canção</span></address>
<address><span style="color: #008000;">O palhaço é um charlatão</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Esparrama tanta gargalhada</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Da boca para fora</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Dizem que seu coração pintado</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Toda tarde de domingo chora</span></address>
<address> <span style="color: #ffffff;">a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Abra o coração</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Do palhaço da canção</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Eis que salta outro farrapo humano</span></address>
<address><span style="color: #008000;">E morre na coxia</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Dentro do seu coração de pano</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Um palhaço alegre se anuncia</span></address>
<address> <span style="color: #ffffff;">a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">A nova atração</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Tem um jovem coração</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Que apertado por estreito laço</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Amanhece partido</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Dentro dele sai mais um palhaço</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Que é um palhaço com um olhar caído</span></address>
<address> <span style="color: #ffffff;">a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">E esse charlatão</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Vai cantar sua canção</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Que comove toda a arquibancada</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Com tanta agonia</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Dentro dele um coração folgado</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Cantarola uma outra melodia</span></address>
<address> <span style="color: #ffffff;">a</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Em toda canção</span></address>
<address><span style="color: #008000;">O palhaço é um charlatão</span></address>
<address><span style="color: #008000;">E esse charlatão</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Vai cantar uma canção</span></address>
<p><span style="color: #ffffff;">a</span></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Então você também escreve sobre o que não está sentindo?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Claro que não! Por melhor que seja a encomenda, quem escreve o texto sou eu, ainda que fingindo. Nesse lance de fingir dor, faz tempo que o poeta é um Finge Dor. Aliás, isso já deu pano pra muitas costuras da palavra. Cada poeta é o alfaiate do próprio assunto:</span></p>
<p><a href="http://www.insite.com.br/art/pessoa/cancioneiro/143.php">http://www.insite.com.br/art/pessoa/cancioneiro/143.php</a></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=mU32cxGnNxo">http://www.youtube.com/watch?v=mU32cxGnNxo</a></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Então, quando você enveredou para o circo, na realidade estava enveredando para dentro de si?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Tudo o que faço sempre envereda para o mesmo ponto: Eu. Não tem como ser diferente, já que eu é que conto uma história baseado nas minhas impressões sobre o assunto. Acho que é bem óbvia a coisa.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Então você só trabalha com o &#8220;Eu Lírico&#8221;?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Tanto faz um como outro, pois são sinônimos nos poemas. Num dos livros até fiz uma brincadeira com o termo &#8221;potencializa&#8221;. Vocês da crítica ficam inventando termos novos e sobra pra gente explicar os significados?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Pulemos essa parte e voltemos ao assunto principal. Você criou vários personagens nas músicas, mas um tem um significado especial para a maioria da crítica: O maridão otário da mulher enganadora. Como você consegue enxergar essa parte que também é sua?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Nem o maridão é otário e nem a esposa é enganadora. Ambos se amam o bastante para se mostrarem honestos um com o outro. Cabe a cada um aceitar ou recusar. Eu apenas descrevo as possibilidades de ambos baseado nas experiências próprias. Como já citei no começo da entrevista, ao ser questionado sobre ser um símbolo sexual, sou um sexagenário famoso e solteiro. Deixo a vida correr, escrevo sobre ela e vocês fazem as fofocas.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Como há pouco tempo tive a sorte de encontrar um antigo parceiro musical, numa das épocas em que o assunto acima surgia, ficou muito fácil escrever um belo samba, porque a ingrata melodia, que tem me deixado órfão há tempos, também se redime quando me premia com tais concidências.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Por favor, seja mais claro.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Tem sido cada vez mais difícil fazer um show e sair dele com a consciência limpa. Aquilo que me move, que é pilotar os sonhos do auditório, implica numa série de injustiças ao redor. Há todo um pessoal artista que se empenha fundo para que o show seja bem sucedido. Em termos financeiros, creio que recebam bem, caso contrário não estariam por aqui, mas o reconhecimento pelo trabalho bem executado não se resume ao dinheiro. Como há também uma outra parte administrativa nas promoções, que custa muito mais do que a artística, o preço do ingresso vai lá para a cima e o bolso do ouvinte para as picas.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Cito como exemplo uma participação que eu e o Ivan fizemos num show há certo tempo. Todos os refletores voltados para nós, alguma penumbra para os músicos e um significativo cenário imóvel e irreconhecido ao fundo. Nem sei o nome do responsável por tal cenário, mas o cara foi genial, ao conseguir juntar num mesmo quadro todas as informações históricas que nos cercavam. Parte dele retratava a arquitetura dos prostíbulos do Rio nos anos quarenta, o ambiente da ópera, e outra parte, cujo estilo arquitetônico também lembra o do Portão de Bradenburgo, antes do famoso Muro de Berlim ser construído, e uma ponte à direita, como que ligando as épocas ao show e o show à história, tratando tanto da destruição dos livros, numa Alemanha de outrora, quanto do renascimento da cultura, num Brasil de agora.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Qual é o nome do cara que bolou aquele rico cenário. Você sabe? Quem sabe?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Todas essas injustiças adjacentes da arte você poderá notar naquele show, que marcou tanto o reencontro com um velho parceiro, o Ivan, quanto uma espécie de homenagem ao João, pai do Diogo e também um velho parceiro de ópera, bem como as minhas impressões de sexagenário, já quase hepta mais atual.</span></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=D0W3wL7zAJ0&amp;feature=related">http://www.youtube.com/watch?v=D0W3wL7zAJ0&amp;feature=related</a></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; E agora, como você encara essa nova maratona de shows do novo cd pelo Brasil?</span></p>
<p><span style="color: #339966;">R-</span> <a href="http://www.youtube.com/watch?v=1dECgDfO_4o">http://www.youtube.com/watch?v=1dECgDfO_4o</a></p>
<p><span style="color: #008000;">&#8212;x&#8212;</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Como citado no começo, só pequena parte desta entrevista foi verdadeira. O restante é apenas fruto da minha fantasia associada a algumas coincidências da obra, da qual Chico sempre se assumiu incompetente para falar. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">P &#8211; Sempre fugiu da fama?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">R &#8211; Não, participei de festivais e busquei o reconhecimento para meu trabalho. Mas logo aparece a fama boba, oca, que é a sombra do reconhecimento &#8230;</span></p>
<p><span style="color: #ffffff;">a</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://mpbsapiens.com/entrevista-sou-eu/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Falso Brilhante, a Mulher e Uma Época</title>
		<link>http://mpbsapiens.com/falso-brilhante/</link>
		<comments>http://mpbsapiens.com/falso-brilhante/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 27 Oct 2011 13:17:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Dalton]]></category>

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		<description><![CDATA[a Estávamos em junho de 1964. Minhas preocupações maiores se dividiam entre um jogo de futebol contra a Turma do Outro Lado da Linha, e os balões, que tantos problemas causavam com a turma rival, quando caíam em qualquer dos lados da mesma linha. A Linha divisória das turmas era a dos trens da Central do Brasil, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #ffffff;">a</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Estávamos em junho de 1964. Minhas preocupações maiores se dividiam entre um jogo de futebol contra a Turma do Outro Lado da Linha, e os balões, que tantos problemas causavam com a turma rival, quando caíam em qualquer dos lados da mesma linha.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">A Linha divisória das turmas era a dos trens da Central do Brasil, mais precisamente no Tatuapé, em Sampa. Do lado de cá éramos a Turma da Celso Garcia, do lado de lá a Turma do Sampaio Moreira, que tendo mandado &#8220;Ofício&#8221; para nós, impedia que recusássemos jogar contra, sob pena de sermos taxados por covardes.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Nosso time estava desfalcado e precisávamos de urgentes reforços. Como eu costumava ir jogar pião contra integrantes de uma turma, igualmente rival mas menos hostil, que também ficava aquém da linha, coube a mim a incumbência de tratar das negociações, que acabaram me custando um &#8220;Pião Batatinha&#8221; favorito, que além de zunir como nenhum outro, era de difícil captura na roda do jogo.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">A Turma da Favela do Maranhão contava com ótimos jogadores, nem tanto de pião e mais de futebol, com alguns pertencentes às divisões de base do Corinthians, como o Baitaca, com quem mantive os entendimentos primários.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Conversa veio, conversa foi e acabei indo almoçar na casa dele. Uma humilde residência, mas com rígidos padrões morais ditados pelo patriarca da família. Foi lá que conheci o Waldemar, tio do Baitaca, que, dentre outras ocupações menores, era &#8220;Leão de Chácara&#8221; no Som de Cristal, uma famosa casa de danças de São Paulo.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Já havia visto o Waldemar na quadra da Acadêmicos do Tatuapé, onde era um Mestre-Sala, que também me conhecia, já que eu vivia dando palpites em letras de samba lá na escola. Foi quando, no meio do almoço, ele disse ao sobrinho:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Baitaquinha! Leva o seu amiguinho com você lá no Som quarta à noite, que dará para colocá-los pra dentro do salão sem problemas com o Juizado de Menores!</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Diante da ótima novidade adulta, é claro que topei aquela odisséia. Como costumava ir a bailes juvenis, desses feitos nas garagens das casas em aniversários, e vez ou outra me arriscava a espiar os Bailes do Marília, time que ficava do outro lado do Rio Tietê; seria uma chance de ouro para aprender a dançar que nem gente mais velha.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Na quarta à noite fomos colocados dentro do Som de Cristal sem qualquer problema. O cenário era exuberante em luzes, lustres, cavalheiros e, principalmente, damas sugestivamente vestidas. A música que imperava nas seleções era o Bolero, onde se observava um misto de exibição e sensualidade nos casais dançantes.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Depois de um tempo, já cansado de ficar andando pra lá e pra cá, observei que uma das mesas era ocupada por uma senhora solitária. Com um misto de timidez e respeito, fui até a mesa e perguntei a ela:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Posso me sentar aqui também?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Depois de uma breve &#8220;medida&#8221; em mim, aquela senhora perguntou:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Quem te colocou aqui dentro, moleque?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Respondi que havia sido o Waldemar, para quem ela olhou por instantes,  concordou com o meu pedido, chamou o garçom e pediu um guaraná pra mim.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Depois de um tempo perguntei a ela:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- A senhora me ensina a dançar?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">De imediato, a fisionomia dela enrugou tristemente com a pergunta. Ficou pensativa mas, sorrindo com a minha infantil deselegância, concordou.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Disse a ela que costumava ir só a bailinhos, mas não sabia dançar bonito que nem os outros homens, e ela resolveu, de fato, me ensinar a dançar mais do que Boleros. Meio sem jeito pra segurar a dama, fomos ao salão para as primeiras experiências.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Mary, também conhecida por Maria, era uma bonita dama. Trajava um vestido preto, com acentuados decotes anteriores e posteriores, e cortes nas laterais. Usava um bonito anel de brilhante, com colar, brincos e broche em cor pérola.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Meio quieta, é verdade, mas as primeiras sensações que tive, ao sentir a sua mão no meu pescoço e a minha mão direita sobre aquela pele feminina e macia das suas costas foram marcantes, pois a minha identidade masculina subiu que nem um rojão de muitos tiros no junho em que estávamos.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Como eu estava visivelmente atrapalhado com os passos da dança, Mary puxou a minha cabeça mais para perto da dela e sussurrou:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Calma querido! Deixa que eu te levo em dois pra lá e dois pra cá!</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Dançamos várias seleções de boleros, com cada uma resultando-me sensações próprias, pois Mary, notando a festa junina que se apoderara de mim, começara a colocar as suas pernas entre as minhas na dança, todavia, após cada seleção musical, observava um estranho desconforto nela com a sua sandália esquerda.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Aquele tipo de sandália feminina, com uma fina tira de couro logo acima do calcanhar, era moda na época, e eu já observara o problema na quadra da Acadêmicos, pois costumava machucar as sambistas. Na época, tínhamos um número de mulheres negras bem maior do que o de mulatas no samba, e algumas delas tinham uma excelente solução para o problema: Fita Isolante!</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Por ser da cor preta, essa fita, usada mais em eletricidade, servia também para as passistas negras protegerem os calcanhares antes do inevitável estrago que as sandálias causariam após uma noite de samba, e como as mulheres brancas não podiam contar com tal recurso prudente sem dar bandeira, acabavam sofrendo as consequências. Mary era apenas mais uma delas, ao se utilizavar do inevitável Band-Aid, que logo descolava e enrolava com a sujeira.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">À partir daquela quarta-feira bendita, estreitei os laços de amizade com o Baitaca, nos jogos de Pião em Dupla, comecei a frequentar o Som de Cristal várias vezes, e a minha anterior literatura do Carlos Zéfiro ganhou moldes mais realistas, ao aprender as muitas artes existentes entre o pré e o pós Bolero:</span></p>
<p><a href="http://letras.terra.com.br/elis-regina/88460/">http://letras.terra.com.br/elis-regina/88460/</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<address><span style="color: #008000;">Sentindo o frio e</span><span style="color: #008000;">m minha alma</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Te convidei prá dançar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">A tua voz me acalmava</span></address>
<address><span style="color: #008000;">São dois prá lá d</span><span style="color: #008000;">ois prá cá&#8230;</span></address>
<p><span style="color: #ffffff;"> a</span></p>
<address><span style="color: #008000;">Meu coração traiçoeiro</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Batia mais que o bongô</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Tremia mais que as maracas</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Descompassado de amor&#8230;</span></address>
<p><span style="color: #ffffff;"> a</span></p>
<address><span style="color: #008000;">Minha cabeça rodando</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Rodava mais que os casais</span></address>
<address><span style="color: #008000;">O teu perfume gardênia</span></address>
<address><span style="color: #008000;">E não me perguntes mais&#8230;</span></address>
<p><span style="color: #ffffff;"> a</span></p>
<address><span style="color: #008000;">A tua mão no pescoço</span></address>
<address><span style="color: #008000;">As tuas costas macias</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Por quanto tempo rondaram</span></address>
<address><span style="color: #008000;">As minhas noites vazias&#8230;</span></address>
<p><span style="color: #ffffff;"> a</span></p>
<address><span style="color: #008000;">No dedo um falso brilhante</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Brincos iguais ao colar</span></address>
<address><span style="color: #008000;">E a ponta de um torturante</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Band-aid no calcanhar&#8230;</span></address>
<p><span style="color: #ffffff;"> a</span></p>
<address><span style="color: #008000;">Eu hoje, me embriagando</span></address>
<address><span style="color: #008000;">De wisky com guaraná</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Ouvi tua voz murmurando</span></address>
<address><span style="color: #008000;">São dois prá lá d</span><span style="color: #008000;">ois prá cá&#8230;</span></address>
<p><span style="color: #ffffff;"> a</span></p>
<p><span style="color: #008000;"> Em várias ocasiões, posteriores àquela primeira, Mary tentou colocar um pouco do seu wisky no meu costumeiro guaraná, mas confesso que nunca gostei daquela mistura, ou mesmo de qualquer outra, pois sofro do fígado desde criança, e poucas foram as ocasiões em que tenha bebido além do aquém da conta.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Embora os compositores, João Bosco e Aldir Blanc, tenham entregue a sua música para Elis Regina cantar e consagrar, o personagem que conta o enredo da letra não é uma mulher, mas, nitidamente, um homem contando das suas impressões, tanto emocionais, como macho, quanto visuais, como poeta retratista. Quem tirava a mulher para dançar era o homem, e quem usava perfume gardênia, colocava a mão no seu pescoço e recebia a mão dele nas costas durante as  danças era a mulher. Era ela quem usava conjunto de brincos e colares nos seus cotidianos. Hoje, com toda essa globalização, não sei, e nem quero saber, como andam tais costumes nos diversos sexos existentes.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Não sei a qual dos compositores pertence a letra da música, mas, seguramente, algum deles passou por experiências semelhantes às citadas anteriormente, tamanha a nitidez da fotografia descrita nos versos, tanto no linguajar quanto no instrumental do bolero. Esse conjunto: Bongô, maracas, &#8220;frio em minh´alma&#8221; , &#8220;coração traiçoeiro&#8221;, grandes traições amorosas; pertenceram a uma outra época da MPB, onde o homem costumava ser um cavalheiro e a mulher uma dama. </span></p>
<address><span style="color: #008000;">&#8230;Para viver um grande amor</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Ser de sua dama por inteiro</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Seja lá onde for&#8230;     (Vinícius de Moraes)</span></address>
<p><span style="color: #008000;">Caretices que a Porta do Tempo já havia fechado antes mesmo da composição ser escrita.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Tanto é verdade, que a música encerra com um fragmento da primeira estrofe (terceiro e quarto versos) do consagrado bolero La Puerta. Aliás, a letra inteira de La Puerta serve bem para supor o que o poeta estava sentindo após terminar um poema, que virou a letra de um bolero temporão, onde o homem sofria por causa da mulher e não tinha vergonha alguma de admitir. Pelo contrário, cantava o seu sofrimento. Basta conferir:</span></p>
<p><a href="http://www.paixaoeromance.com.br/o_bolero/la_puerta/la_puerta.htm">http://www.paixaoeromance.com.br/o_bolero/la_puerta/la_puerta.htm</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #ffffff;">a</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>O Filho do Japonês</title>
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		<comments>http://mpbsapiens.com/o-filho-do-japones/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 13:23:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Dalton]]></category>

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		<description><![CDATA[a Nos anos quarenta, do século passado, uma família japonesa chegou ao Brasil como imigrante. Como a esposa engravidara ainda no Japão, acabou vindo nos dar à luz um lindo garoto. Ao ser informado de que deveria ir ao cartório registrar o nascimento da criança, o senhor Hiroshi, lá chegando, e ainda em dúvida quanto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #ffffff;">a</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Nos anos quarenta, do século passado, uma família japonesa chegou ao Brasil como imigrante.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Como a esposa engravidara ainda no Japão, acabou vindo nos dar à luz um lindo garoto.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Ao ser informado de que deveria ir ao cartório registrar o nascimento da criança, o senhor Hiroshi, lá chegando, e ainda em dúvida quanto ao nome do filho, que nascera num país diferente, educadamente perguntou ao tabelião qual nome ele escolheria para dar a um menino recém-nascido.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Como estavam no dia vinte e três de abril, o religioso tabelião disse:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Sugiro o nome Jorge!</span></p>
<p><span style="color: #008000;">No que o japonês respondeu:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Joróge é bonito, mas gostei mais do <span style="color: #ff0000;">Sugiro</span>!</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #ffffff;">a</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A Arca de Noé (autor desconhecido)</title>
		<link>http://mpbsapiens.com/a-arca-de-noe/</link>
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		<pubDate>Thu, 13 Aug 2009 02:22:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Dalton]]></category>

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		<description><![CDATA[Absalão era um homem que só se podia conceituar como justo.  Particularmente era um apaixonado pela organização de forças de combate e  no uso de armas avançadas, tais como lanças de grande alcance, setas  orientadas e a última novidade bélica &#8211; o lançador de pedras! Era um  verdadeiro líder.   Um dia, andava Absalão pela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="474">
<colgroup span="1">
<col span="1" width="474"></col>
</colgroup>
<tbody>
<tr height="26">
<td width="474" height="26"><span style="color: #008000;">Absalão era um homem que só se podia conceituar como justo. </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Particularmente era um apaixonado pela organização de forças de combate e </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">no uso de armas avançadas, tais como lanças de grande alcance, setas </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">orientadas e a última novidade bélica &#8211; o lançador de pedras! Era um </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">verdadeiro líder.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Um dia, andava Absalão pela ravina, quando de repente &#8211; PUFF &#8211; uma </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">nuvem de fumaça apareceu, acompanhada de uma voz tonitruante:</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> - ABSALÃO!</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Absalão prostrou-se. Só podia ser o Criador! Em Pessoa!</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">ABSALÃO &#8211; tornou a voz &#8211; &#8220;NÃO ESTOU CONTENTE COM OS </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">HOMENS. ESTÃO POLITIZADOS. GUERREIAM ENTRE SI E SÓ </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">DEFENDEM OS INTERESSES PRÓPRIOS. O TRINÔMIO ADÃO-</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">EVA-COBRA DEU NISTO&#8230; FAREI CHOVER DURANTE 40 DIAS E </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">40 NOITES, ATÉ COBRIR A TERRA DE ÁGUA, O QUE SERÁ </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">CONHECIDO COMO &#8216;O DILÚVIO&#8217;. QUERO QUE NASÇA UMA </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">NOVA HUMANIDADE, DE HOMENS INTELIGENTES, PRÁTICOS E </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">OBJETIVOS. VAI E CONSTRÓI UM BARCO PARA TI E PARA A </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">TUA FAMÍLIA E LEVA PARA DENTRO DESTE UM CASAL DE </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">CADA SER VIVO. TERÁS CENTO E VINTE DIAS PARA ESTE </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">EMPREENDIMENTO. O MEU CONTATO CONTIGO É O ARCANJO </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">GABRIEL.&#8221;</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">PUFF!&#8230; e a nuvem desapareceu.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Absalão levantou-se lívido. O Criador o elegera gerador da Nova </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Humanidade!</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Todas as suas idéias seriam programadas para o futuro! Mas, Absalão não </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">conhecia nada de barcos nem de navegação! Quatro meses&#8230; era muito </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">pouco tempo! Era preciso resolver um problema técnico, construir um barco </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">enorme &#8211; que objetivo!</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Absalão rebuscou a memória. Conhecia um engenheiro naval chamado Noé.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Noé poderia construir-lhe o barco. Absalão seria o coordenador do </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">empreendimento e Noé seria o elemento técnico. Se depressa o pensou, mais </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">depressa o fez. E foi falar com Noé.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> <em>-Meu caro, dizia Absalão, quero encomendar-lhe um barco&#8230; e dos grandes!</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em></em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Sim, senhor, mas de que tipo, para carga e qual tipo de navegação?&#8230;</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Sim, sim, Noé, isto são só detalhes. É um barco para grande carga e águas </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>pesadas. Quero fazer uma longa viagem com a família e levarei tudo.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Está bem, senhor. Temos aqui mesmo, nesta floresta, madeira de boa </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>densidade, em quantidade suficiente. Acho que consigo arranjar dez bons </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>carpinteiros e dez bons lenhadores e assim conseguirei construir o barco.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Mais tarde, Absalão chamou Roboão.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> <em>- Roboão, como você já deve saber, vamos construir um grande barco&#8230;</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Sim, chefe, já ouvi dizer qualquer coisa.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - O que você acha&#8230;</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Deixe comigo, chefe. No recrutamento da última batalha pagamos oito </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>dinheiros a valentes combatentes e estes são apenas carpinteiros. Temos </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>cinco recrutadores e dez examinadores, para a fase de seleção!</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - E quanto ganharão?</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - O salário desta equipe varia entre oito e dez dinheiros, por serem </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>especialistas. Chefe, há um pequeno problema. Não quero responsabilidades </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>com o numerário e não sou bom em contas. Não acha melhor termos um </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>homem para a gerência financeira do empreendimento?</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Bem lembrado, Roboão, mas não conheço nenhum e deve ser um homem </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>de confiança!</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Bem, chefe, podemos fazer uma seleção entre candidatos. Vou já tratar </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>disso.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">O empreendimento crescia de vento em popa. As equipes de recrutamento e </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">seleção já estavam em plena operação. As finanças já tinham um responsável.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Mas onde colocar este pessoal? Absalão partiu, com o seu habitual </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">dinamismo, e depressa adquiriu uma cabana de madeira, contratando de </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">imediato pessoal de supervisão e segurança.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> <em>- Senhor Presidente &#8211; falou timidamente a graciosa recepcionista &#8211; está aqui o</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>Engenheiro Noé com alguns desenhos e&#8230;</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Minha filha, já lhe disse para não me interromper. Diga ao Engenheiro Noé </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>que passe por aqui depois do almoço.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Pois é, amigo Jacó, preciso cercar-me de gente de confiança para o </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>sucesso do meu empreendimento.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Certo, chefe! Sabe que pode confiar em mim. Mas o armazenamento da </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>madeira necessita de um almoxarifado adequado e de um bom almoxarife. </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>Para o controle, necessitarei de arquivos, prateleiras e pessoal de apoio.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Justo, Jacó. Encomende as prateleiras na carpintaria da povoação e fale </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>com o Roboão para o recrutamento de pessoal necessário.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Neste momento entrou Cloé, a secretária do Presidente. Jacó afastou-se </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">discretamente.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> <em>- Senhor Presidente, o Engenheiro Noé telefonou novamente. Parece aflito </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>para a aprovação de alguns desenhos.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Ora, este Noé! Sempre querendo me confundir com minúcias sobre </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>densidade de madeiras e outras bobagens. Ele sabe que sozinho não posso </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>me responsabilizar pela aprovação desses desenhos. Diga-lhe que nomearei </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>um Grupo de Trabalho do Barco, o GT-BAR, para me dar o parecer. O </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>rapaz é bom em projetos, mas não entende nada de custos, de administração!</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Passaram-se quinze dias e o organograma proposto já estava na mesa do </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Presidente. Uma Diretoria das Coisas (DC), uma dos Investimentos (DI) e </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">uma do Barco (DB).</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">A Diretoria do Barco já tinha montado um laboratório especializado para a </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">medida de densidade de madeira e análise de fungos e caruncho.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">A Administração, em apenas quinze dias, já tinha elaborado as provas de </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">seleção para arquivistas de desenho naval, para a seleção do pessoal de </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">recrutamento e seleção de pessoal de apoio etc.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Naquela noite, Absalão estava cansado, mas não pôde esquivar-se de </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">receber Noé na sua residência.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> <em>- Senhor Presidente, desculpe-me ter vindo interromper o seu descanso, mas</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>o projeto está pronto e as pessoas do GT-BAR ainda não foram nomeadas. </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>O material já está especificado, porém o laboratório ainda não emitiu o laudo</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>de aprovação da madeira e não consegui os carpinteiros para o corte&#8230; Se o </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>senhor pudesse autorizar-me a trazer carpinteiros conhecidos da povoação&#8230;</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Não se preocupe, Noé. Falarei amanhã com a Diretoria do Barco e </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>apressarei a contratação do pessoal. Noé, apesar de ser o Presidente, não </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>posso mudar as normas da organização, autorizando diretamente os seus </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>carpinteiros. Não se preocupe que o empreendimento está nas mãos de </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>profissionais &#8211; os melhores! Boa noite, Noé&#8230;</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Noé afastou-se sem entender muito bem. Tinha sido convidado para construir</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">um barco. Agora está às voltas com normas, instruções, seleção etc&#8230;</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Vigésimo quinto dia &#8211; manhã linda. Cloé anuncia a chegada de Roboão.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> <em>- Entre, meu velho, sente-se. Aceita um leite de cabra?</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Sim, chefe, obrigado. Por falar nisso, mandei distribuir leite de cabra de</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>manhã e de tarde, para todos. Mas, para isso, foi necessário adquirir duzentas</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>cabras, alugar um pasto e contratar cinco pastores.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Você é um bicho na administração de pessoal, Roboão! Merece uma</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>promoção. Afinal, já temos quinhentas pessoas no efetivo e todas </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>passaram por você.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Roboão, não quero incomodá-lo e nem por sombra desfazer o belíssimo </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>trabalho da sua equipe, mas Noé disse-me que ainda não foram contratados </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>os carpinteiros para o corte&#8230;</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Ora, chefe, Noé é um sonhador. Só pensa nos seus desenhos. Já lhe</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>expliquei a complexidade da contratação. Por exemplo, já aumentamos a </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>oferta para seis dinheiros, mas todos os carpinteiros foram reprovados no </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>primeiro psicotécnico. Se não passam neste exame, imagine nos outros!</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Realmente, você tem razão, Roboão. Noé desconhece o que é uma boa</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>organização. Oriente as coisas como achar melhor. Se o contratei é porque </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>tenho total confiança no seu trabalho&#8230;</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Quadragésimo dia &#8211; finalmente a primeira reunião de Direção. Era o momento</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">solene das grandes decisões de cúpula do empreendimento. O Presidente,</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">satisfeito, relatava que o empreendimento era o orgulho da povoação. Havia </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">muito trabalho e emprego para todos.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">O Diretor do Barco ponderou que faltava papel para o desenho e que a </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">eficiência dos carpinteiros era baixa. Noé tentava suprir a falta desenhando</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">em folhas de bananeira e cortando as árvores à noite, após o expediente.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Quando o Diretor do Barco propôs aumentar o salário de Noé para quinze</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">dinheiros o Diretor das Coisas explodiu, seguido de perto pelo Diretor dos </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Investimentos.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> <em>- Estes técnicos não funcionam e ainda querem aumento!</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Sr. Presidente, sou de opinião que devemos aumentar a equipe de </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>recrutamento e apertar as provas de seleção.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Perdão &#8211; retrucou o Diretor do Barco &#8211; Acontece que não temos o apoio</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>necessário. O senhor está desviando recursos para a área de operação do </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>barco, recrutando timoneiros, veleiros etc.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Mas é lógico &#8211; interveio o Presidente &#8211; temos que agir com antecedência no</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>treinamento.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Octagésimo dia &#8211; Absalão passeava na ravina. Estava orgulhoso. Era </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Presidente de um empreendimento que contava com mil e duzentas pessoas.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">As preocupações de Noé eram infundadas. Não passava de um tecnocrata</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">pessimista. Felizmente já havia o Diretor do Barco para despachar com Noé -</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">menos um aborrecimento. Subitamente &#8211; PUFF &#8211; uma nuvem de fumaça!</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> <em>- O Arcanjo Gabriel! &#8211; exclamou Absalão, prostrando-se.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">&#8220;ABSALÃO! PÕE GENTE DE MAIS PESO NO TOPO, CASO</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">CONTRÁRIO O EMPREENDIMENTO AFUNDARÁ!&#8221;. &#8211; PUFF!</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Absalão correu à cabana de Noé.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> <em>- Noé, Noé, ponha um convés no alto do mastro. Vou colocar as pessoas </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>mais pesadas em cima!</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Mas, Presidente, isso é impossível!&#8230; O convés é sempre em baixo e o </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>mastro aponta para cima. Se aumentarmos a massa do topo, o barco vai </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>emborcar!</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Não discuta comigo, Noé. O Arcanjo mandou colocar homens pesados no</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>topo e é isso que vou fazer&#8230; e cumpra as minhas ordens!</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Noé não retrucou. O Presidente estava nervoso. Noé correu à Secretaria </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Geral, mas lá encontrou o Comandante de Operações do barco, que já o </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">esperava há duas horas.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> <em>- Noé &#8211; disse o Comandante &#8211; o seu projeto não anda! Vou treinar os meus</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>homens sem barco? Vou pedir a aprovação do Presidente para adquirir um </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>simulador, caso contrário não me responsabilizo.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Noé balançou a cabeça e retirou-se. Realmente o que ele conseguira? Uma</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">meia dúzia de desenhos em folha de bananeira. Isto em oitenta dias. Estava</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">acabrunhado e sentia-se um incompetente. Mas o que estaria errado?</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">O Presidente entrou furioso desabafando com Cloé.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> <em>- Veja só! Faltam apenas quarenta dias e a Divisão de Importação diz que </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>há crise de transporte e a madeira só chegará no prazo médio de dez dias!</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Quero uma reunião de emergência com os diretores. Vou despedir o </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>carpinteiro e contratar outro. Se não fosse o Roboão com a equipe de </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>recrutamento, não sei o que seria&#8230;</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Mas, Presidente &#8211; perguntou Cloé &#8211; faltam quarenta dias para quê?</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Para o dilúvio, minha filha, para o dilúvio! Envie o seguinte fax:</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">De: Absalão</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Para: O Senhor</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>Solicito prorrogação prazo restante 40 dias. Dificuldades intransponíveis. </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>Crise internacional de madeira. Prostrações. Absalão</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">O ruído monótono do fax deixava Absalão ansioso, mas a resposta veio </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">finalmente:</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">De: Senhor</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Para: Absalão</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">CONCEDIDO PRAZO MAIS CINCO DIAS IMPRORROGÁVEIS, </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">ELEVAÇÃO DAS ÁGUAS EM ANDAMENTO.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Absalão desesperou-se e partiu para a reunião. Cloé, pelo telefone interno, </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">espalhou a história do dilúvio.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Octagésimo segundo dia.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> <em>- Cloé, ligue para Roboão.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Roboão? Aqui é o Presidente. Já recrutou os carpinteiros?</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Infelizmente não passam nos testes, meu chefe. Até já afrouxamos as </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>provas, mas o exame de reconhecimento de tipos genéticos de caruncho </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>reprova todos!</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Presidente &#8211; interrompeu Cloé &#8211; é urgente: há dois pastores na ante-sala e</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>dizem que há crise de leite nas cabras e não vai haver distribuição aos</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>funcionários durante uma semana &#8211; o suprimento não providenciou erva </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>durante a seca do pasto&#8230; Qual é a sua decisão?</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Centésimo dia.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> <em>- Sr. Presidente &#8211; disse o Diretor dos Investimentos &#8211; dentro de uma semana</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>vencem os nossos empréstimos internacionais, com as povoações vizinhas, e</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>o caixa não é suficiente. O nosso empreendimento economicamente vai muito</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>bem, mas financeiramente&#8230; estamos em crise. Sugiro uma redução de </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>pessoal&#8230;</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Sr. Presidente &#8211; tentou timidamente o Diretor do Barco &#8211; acho que o </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>Diretor dos Investimentos tem razão, mas não prometemos ao CRIADOR </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>que o barco estaria pronto em breve?</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Mas&#8230; sem material!</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Como posso fabricar madeira? &#8211; gritou o Diretor das Coisas &#8211; o seu</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>laboratório não acha a madeira local apropriada e há crise de transporte!</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Os carpinteiros são incompetentes&#8230; e esse tal Noé! Que fez ele até agora? </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>E ganha dez dinheiros&#8230;</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Senhores! &#8211; falou gravemente o Presidente. Todos o olharam esperançosos.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - A situação do empreendimento é razoável, mas temos que tomar uma </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>atitude mais séria quanto ao projeto do barco&#8230;</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Presidente, não quero interromper, mas nos nossos arquivos não constam </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>os exames de admissão de Noé e nem sabemos se ele é engenheiro naval!&#8230;</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Sim, a culpa é minha &#8211; falou o Presidente &#8211; mas quando convidei Noé ainda</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>não existiam as normas do empreendimento. Sou, portanto, obrigado a </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>despedi-lo. Queira providenciar através do Roboão.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Noé ficou realmente furioso com a notificação. Estava disposto a sair daquela</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">terra e o caminho mais fácil era pelo rio. Foi para a floresta e reuniu a família.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> <em>- Vamos cortar estas árvores, mesmo com bicho, construir um barco e sair </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>daqui!</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Mas, Noé, não somos carpinteiros, nem sabemos fazer barcos&#8230;</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Não importa. Eu ensino vocês a cortar a madeira e já tenho os desenhos. </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>Faremos um pixurum e construiremos um barco para tentar uma vida melhor </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>longe daqui! Levaremos uns animais a bordo para comer na viagem. Só falta </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>meter mãos à obra!</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">A madeira começou a ser cortada. As partes mais bichadas eram </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">descartadas. Em poucos dias o casco do barco já tomava forma.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Centésimo vigésimo quinto dia &#8211; O Presidente acordou preocupado. A </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">madeira tinha chegado, mas só havia três carpinteiros no setor de carpintaria. </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">A sua charrete seguiu o caminho mais rápido para o escritório, para evitar o </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">mau tempo. Nuvens pesadas cobriam os céus. Absalão dirigiu-se diretamente</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">ao fax, mas Cloé só chegava às dez horas. Absalão dirigiu-se ao Centro de </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Processamento de Dados.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> <em>- O que se passa aqui? Não começou o expediente? Quem é você?</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em> - Sou do &#8220;telemarketing&#8221;, senhor. Já faz dias que não há ninguém. Dizem que,</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>com esse plano de classificação de cargos e salários e com essa política de</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>promoções, não fica ninguém&#8230; Se for de seu desejo, eu vou estar localizando</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>a sua secretária&#8230;</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Por um breve momento Absalão esqueceu todos os seus problemas e falou </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">consigo mesmo: <em>- Que diabos de dialeto fala essa mulher? &#8220;telemarketing&#8230; </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>vou estar localizando&#8230;&#8221;? O que ela quer dizer com isso?</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Mas logo voltou à realidade e disparou para o escritório. No caminho</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">encontrou Roboão que lhe disse preocupado haver um zum-zum-zum acerca</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">de um tal Plúvio, que poderia ser um terrorista, mas que a sua equipe&#8230; </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Absalão ficou branco e correu em direção ao fax. Cloé já havia chegado, </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">finalmente.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> <em>- Cloé, rápido:</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">De: Absalão</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Para: O Senhor</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>Dificuldades com projetista atrasam empreendimento. Solicito prorrogação </em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><em>do prazo.</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">A resposta foi imediata:</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">De: Senhor</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Para: Absalão</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">PRORROGAÇÃO NEGADA.</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">E começou a chover&#8230;</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Absalão saiu correndo, seguido por Jacó. Derramava água. Ambos corriam </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">morro acima, com a água nos calcanhares. Em pouco tempo já estavam com</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">água pela cintura. Era cada um por si! Quando eles já se debatiam, com água </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">pelo pescoço, Jacó ainda teve tempo de gritar para o chefe, apontando para </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">a enxurrada:</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> <em>- Chefe, veja, há um barco vencendo as ondas! Veja na proa&#8230; está escrito&#8230;</em></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"><strong>A ARCA DE NOÉ!</strong></span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;">Conclusão:</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> &#8221;Quem sabe faz a hora. Não espera o VEJA BEM!&#8221;</span></td>
</tr>
<tr height="26">
<td height="26"><span style="color: #008000;"> </span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="color: #008000;">                    .</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Chico, o INSS, a Galinha e Jung</title>
		<link>http://mpbsapiens.com/chico-o-inss-a-galinha-e-jung/</link>
		<comments>http://mpbsapiens.com/chico-o-inss-a-galinha-e-jung/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 27 Jun 2009 14:42:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Dalton]]></category>

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		<description><![CDATA[            &#8230;Talvez à noite Quase-palavra que um de nós murmura Que ela mistura as letras que eu invento Outras pronúncias do prazer, palavra&#8230; Esses versos do Chico, da composição Uma Palavra, servem bem para dar uma idéia do tanto que ele fotografou do cotidiano brasileiro, e independendo das ocasiões em que determinadas composições foram feitas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #008000;">            </span></p>
<address><span style="color: #008000;">&#8230;Talvez à noite</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Quase-palavra que um de nós murmura</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Que ela mistura as letras que eu invento</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Outras pronúncias do prazer, palavra&#8230;</span></address>
<p><span style="color: #008000;">Esses versos do Chico, da composição Uma Palavra, servem bem para dar uma idéia do tanto que ele fotografou do cotidiano brasileiro, e independendo das ocasiões em que determinadas composições foram feitas, as situações atuais se explicam pela junção dos seus fragmentos.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Há uns dias atrás fui ao Barbeiro dar um trato na crista. Lá chegando, enquanto aguardava a minha vez de ser atendido, vasculhei um bloco de revistas, já bem antigas, para encontrar alguma que me fizesse companhia na espera.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Todas com muitas fotografias de gente sorridente em reuniões. Algumas com o povo sorrindo na própria foto, outras com mulheres nuas, e o povo da barbearia sorrindo fora da foto. Foi quando encontrei, perdida lá no fundo da caixa, uma revista Seleções, muito antiga e ainda com a famosa pergunta: &#8211; Você Sabia?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Na hora lembrei da infância, quando o meu pai me arrastava até a barbearia para cortar o cabelo, e a Seleções era bem comum, dentre algumas revistas semelhantes, com muito mais informações do que fotos. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Junto com isso, já veio a primeira composição dele. Almanaque:</span></p>
<address><span style="color: #008000;">Oh menina vá ver nesse Almanaque como é que isso tudo começou</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Diz quem é que marcava o tique-tac e ampulheta do tempo disparou</span></address>
<p><span style="color: #008000;">Não demorou muito chegou a minha vez. Sentei na cadeira e ouvi a pergunta: </span><span style="color: #008000;">- O que vai patrão? No que respondi:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Máquina quatro no geral!</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Enquanto o profissional exercia o ofício e eu lia a minha revista, o ambiente apresentava um quase silêncio, aconchegante, alterado levemente pelo som das tesouras e das maquininhas elétricas, quando adentrou no recinto um senhor de pouca idade.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">O silêncio foi trocado por uma barulheira de vozes, de alguns dos habitantes até então silenciosos, acolhendo ao recém-chegado com efusivas saudações, e pensei:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- É impressionante como o homem, que em seu estado natural de solidão tende ao silêncio, muda rapidamente para a barulheira quando algum motivo o reúne em grupo.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">O assunto, atrás da cadeira, continuou com a seguinte pergunta:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- E aí, conseguiu a aposentadoria? No que veio a resposta:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Tive de encarar fila por alguns dias,&#8230; </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Foi quando lembrei da música &#8220;Vai Trabalhar Vagabundo&#8221;:</span></p>
<address><span style="color: #008000;">Vai trabalhar vagabundo</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Vai trabalhar criatura</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Deus permite a todo mundo</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Uma loucura&#8230;</span></address>
<address><span style="color: #008000;">&#8230;Vai terminar moribundo</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Com um pouco de paciência</span></address>
<address><span style="color: #008000;">No fim da fila do fundo</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Da Previdência&#8230;</span></address>
<p><span style="color: #008000;">&#8230; mas depois encontrei um velho conhecido, que me devia alguns favores. Deu &#8221;um jeitinho&#8221;  na papelada, para torná-la legal, e ainda&#8230;</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Foi quando voltei novamente aos tempos de criança e lembrei de uma Galinha, do musical infantil Os Saltimbancos:</span></p>
<address><span style="color: #008000;">&#8230;A escassa produção</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Alarma o patrão</span></address>
<address><span style="color: #008000;">As galinhas sérias</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Jamais tiram férias&#8230;</span></address>
<p><span style="color: #008000;">&#8230;por cima ele conseguiu aumentar o valor do meu Benefício, em troca de dez por cento ao mês por um ano. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Aí a galinha voltou furiosa:</span></p>
<address><span style="color: #008000;">&#8230;É esse o meu troco</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Por anos de choco</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Dei-lhe uma bicada</span></address>
<address><span style="color: #008000;">E fugi chocada</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Quero cantar na ronda</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Na crista da onda&#8230;</span></address>
<p><span style="color: #008000;">O papo continuou animado atrás da cadeira e terminou com a seguinte frase do jovem senhor:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Recebi o meu primeiro Benefício na semana passada! Todos riram alto, menos a galinha, que resignada cantou:</span></p>
<address><span style="color: #008000;">Pois um bico a mais</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Só faz mais feliz</span></address>
<address><span style="color: #008000;">A grande gaiola</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Do meu país</span></address>
<address><span style="color: #008000;">     </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Todo ovo</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Que eu choco</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Me toco</span></address>
<address><span style="color: #008000;">De novo&#8230;</span></address>
<p><span style="color: #008000;">O barbeiro tinha terminado o serviço, e enquanto me escovava o pescoço pude notar entre os meus pés, postados no apoio inferior da cadeira, o sugestivo nome: </span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">- FERRANTE !</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Terminei de ler rapidamente o artigo da revista, que dizia: </span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Você Sabia, que segundo a Sincronicidade de Jung, em algum lugar do planeta uma outra pessoa está tirando conclusões iguais às suas no mesmo momento?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">E fui embora cantando:</span></p>
<address><span style="color: #008000;">Agora já não é normal</span></address>
<address><span style="color: #008000;">O que dá de malandro regular, profissional&#8230;</span></address>
<p><span style="color: #008000;"> </span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Amarra Teu Arado A Uma Estrela-Conto</title>
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		<pubDate>Sun, 10 May 2009 19:21:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Dalton]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sei se ocorreu, está ocorrendo ou ocorrerá. A Estação de trem é a da Mooca. Há uma música saindo daqueles velhos alto-falantes: O Eterno Deus Mú Dança. Surge do nada um enorme trem chamado Expresso Einstein, com a seguinte propaganda:  &#8211; Viaje na Luz! Acho que entro nele, as portas fecham e só abrem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #008000;">Não sei se ocorreu, está ocorrendo ou ocorrerá.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">A Estação de trem é a da Mooca. Há uma música saindo daqueles velhos alto-falantes: O Eterno Deus Mú Dança. Surge do nada um enorme trem chamado Expresso Einstein, com a seguinte propaganda:  &#8211; Viaje na Luz!</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Acho que entro nele, as portas fecham e só abrem novamente horas após. Por sorte,  a marmita está bem guarnecida e posso dar um trato na fome, mas é estranho que as horas sejam tão rápidas quanto a fome súbita que me assola. De repente o trem para e as portas abrem.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">A estação tem um nome sinistro: Estação Erech. Desço e vejo que os moradores são bem diferentes, mas sou bem acolhido por um festivo povo. Todos com longas batas e eu com a minha roupa de trabalho: Agasalho de Ed. Física e tênis branco. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Conversam comigo por mímica e, bem perto, vejo o mesmo Deus Mú da estação dançando com o filho Damuzi e a rainha Inanna. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Já é primavera, ou será que já foi, pois quando embarquei há pouco na Mooca era outono. Agora o povo começa a saudar a chegada de um ídolo que viajara, talvez para longe em distância ou tempo.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Pelo que posso entender, seu nome é Gilgamesh. Quase que nem o ídolo que fez a música que escutei lá na Estação Mooca, o Gil.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Parece ser um grande artista, posto que já está todo cercado por repórteres, ávidos pelas narrativas da viagem em que enfrentou um Touro Sagrado de uma deusa chamada Ishtar. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Ele viajou com um amigo, o Enkidú, que o ajudou a fazer o churrasco com a carne do touro. Pelo que gesticula no momento, houve um outro episódio. Um combate onde o companheiro morreu. Agora explica que ouviu conselhos de um velho estaleiro&#8230;</span></p>
<p><span style="color: #008000;"><span style="color: #008000;">Parece que tratou também com o amigo um Pacto dos Olhos, onde um deu ao outro, que estava em guarda, os próprios olhos enquanto dormisse para que tivesse vigilância dobrada.</span></span></p>
<p><span style="color: #008000;">Com Enkidú já morto, Gilgamesh teve que cruzar um Vale das Trevas e clamou: &#8211; Oh Enkidú, Te dei meus olhos pra tomares conta! Agora dai-me os teus! E com mais os dois olhos do amigo conseguiu cruzar o tenebroso vale.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Os repórteres anotam tudo numas placas de barro. Têm um Alfabeto parecido com o nosso, mas placas de barro, ao invés do papel, me confundem a cabeça. Não são repórteres os escreventes. Têm outro nome, Escribas. Será que vim parar no Egito? </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Virou noite de repente. No céu tem uma bola de fogo vindo em nossa direção. Pensei até em me mandar, mas como o povo não está nem aí pra bola, verei o que acontece. Agora a bola ficou mais nítida. É um esquisito carro de fogo, que mais parece um arado puxado por cavalo. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">O Gilgamesh está subindo nele todo contente. Outra bola de fogo se aproxima pelo céu. Parece uma pequena estrela, na qual atrelou aquele seu fulgurante arado de passeio. Estão agora subindo aos céus entre cores, brilhos e os Escribas repórteres rabiscando tudo nas tabuletas de barro. </span></p>
<p><span style="color: #008000;"><span style="color: #008000;">Escrevem a placa, guardam num escritório e voltam. O trem buzinou me chamando e embarco de novo. Dentro do vagão os alto-falantes anunciam: Deixando a Estação Erech. &#8211; Próxima estação, Mooca Mais Quarenta!</span></span></p>
<p><span style="color: #008000;">Desembarco rapidinho e percebo que a estação é a mesma da Mooca. Como a coisa está boa, comprarei alguns sanduíches e embarcarei novamente. Só que desta vez o trem, aumentando a velocidade, anda só alguns segundos e abre as portas. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Está escrito: Estação Iraque.  Está rasurado, pois há um nome por baixo, e é o da mesma Erech, só que mudou muito, o povo não parece tão festivo. De repente começa um bombardeio aéreo e percebo que o alvo é o tal escritório dos Escribas. Corro de volta para o trem e nos mandamos.</span></p>
<p><span style="color: #008000;"><span style="color: #008000;">Ele anda alguns segundos de ré e volta pra Mooca. Desembarco de novo e ele some. Olho no relógio e vejo que perdi a primeira aula. Embarco novamente num trem normal e vou trabalhar em Santo André. </span></span></p>
<p><span style="color: #008000;">Estamos no ano da graça de 1989. Na volta pra casa, dos mesmos alto-falantes da Estação Mooca, escuto outra música do Gil, que me faz lembrar do louco episódio vivido um pouco antes de ir dar as minhas aulas em Santo André. Amarra Teu Arado A Uma Estrela, que diz:</span></p>
<h5><span style="color: #008000;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=Tt7pcG03vfo">Vídeo de JulioRwoger</a></span></h5>
<address><span style="color: #008000;">Se os frutos produzidos pela terra</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Ainda não são </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Tão doces ou polpudos quanto as peras </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Da tua ilusão </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Amarra o teu arado a uma estrela </span></address>
<address><span style="color: #008000;">E os tempos darão </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Safras e safras de sonhos </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Quilos e quilos de amor</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Noutros planetas risonhos </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Outras espécies de dor </span></address>
<address><span style="color: #008000;">     </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Se os campos cultivados neste mundo </span></address>
<address><span style="color: #008000;">São duros demais </span></address>
<address><span style="color: #008000;">E os solos assolados pela guerra </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Não produzem a paz </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Amarra teu arado a uma estrela </span></address>
<address><span style="color: #008000;">E aí tu serás </span></address>
<address><span style="color: #008000;">O lavrador louco dos astros </span></address>
<address><span style="color: #008000;">O camponês solto nos céus </span></address>
<address><span style="color: #008000;">E quanto mais longe da terra </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Tanto mais longe de Deus&#8221;.</span></address>
<p><span style="color: #008000;">Em 1851 o arqueólogo francês, Oppert, fazia escavações próximas a Bagdá, quando de repente gritou: &#8211; Suméria! </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Quarenta anos depois, no mesmo local, o arqueólogo inglês, Smith, continuou as escavações de Oppert e f</span><span style="color: #008000;">oi aí que a História soube de uma civilização pré-diluviana, dona de escrita alfabética e ensino superior em Lexicografia Agrimensura e Contabilidade.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">As primeiras escavações já resultaram no primeiro épico que a humanidade conhecera até então: A Epopéia de Gilgamesh que, todavia, não tinha epílogo, logo, a Imortalidade que o herói buscava no começo da epopéia, não possuía um fim descrito nas tabuletas de barro onde havia sido registrada.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Para a nossa sorte histórica, o Hamurabi, rei dos primeiros povos semitas a tomarem a Mesopotâmia dos Sumérios, registrou toda a história deles em Escrita Cuneiforme Silábica, feita em tabuletas de barro duplas: Escrita em placa -&gt; cosimento -&gt; nova camada de barro com a mesma escrita &#8211; novo cosimento; inventando assim o ancestral Xerox Argiloso.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Todas as placas apresentavam duas escritas dispostas lateralmente. À esquerda, a Escrita Alfabética Sumeriana, e à direita uma tradução dela por uma escrita menos evoluída, a dos Cuneiformes Silábicos Semitas.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Em seguida vieram os povos Assírios, do semita Assur, e dentre eles, para a nossa segunda sorte histórica, o rei Assurbanipal, que reuniu todo o acervo do Hamurabi numa biblioteca construída em Ninive, cidade próxima à atual Bagdá, que ficou conhecida historicamente como a Biblioteca de Assurbanipal.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Como a Mesopotâmia &#8211; de Meso Pótamus (entre pântanos) &#8211; dos rios Tigre e Eufrates, após ser invadida diversas vezes por povos semitas e camitas inferiores, quando comparados aos ancestrais Sumérios, acabou ganhando uma famosa construção, que é bem um exemplo da inferioridade cultural dos povos invasores. A Torre de Babel.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Construída durante gerações, o principal objetivo dos construtores da Torre de Babel era o de conseguir um menor caminho para chegar a Deus.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Idéia semelhante aos dos nossos ancestrais, semi primatas, que buscando alcançar a Lua subiam  em árvores cada vez mais altas. O fato da região ter recebido a povos bárbaros, com distintas linguagens, acabou mudando a essência filosófica da torre.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Construída originalmente para facilitar o acesso a Deus, a torre acabou se tornando um símbolo do &#8220;Desentendimento entre os Homens&#8221;, já que cada andar dela pertencia a um grupo de invasores bárbaros, cujas escritas atrasadas e comportamentos retrocederam, progressivamente, o espaço original de um povo pacífico e culto, em várias  e breves tribos  guerreiras e ignorantes.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Babel deu à região o nome de Babilônia, que acabou ganhando o mesmo significado de desentendimento entre os homens. Mais ou menos como ocorre atualmente no Oriente Médio, que por sinal ainda é lá.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">A Biblioteca de Assurbanipal ficou sob a tutela do atual Iraque &#8211; de Erech (famosa capital da Suméria) &#8211; que ao contrário da maioria dos povos árabes e semitas, hoje habitantes da região, representa o último povo derivado dos ancestrais Sumérios, cuja posterior influência camita retrocedeu pela comum forma religiosa.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Do pouco que se sabe acerca da biblioteca, uma das informações diz que Saddam Hussein permitiu a uma equipe de antropólogos alemães que a estudasse e reorganizasse em outra localidade. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Em 1991, cem anos após as primeiras escavações de Smith, tivemos a Guerra do Golfo Pérsico, com intenso bombardeio a Bagdá e arredores, mostrando que o Efeito Babilônia poderia morar em qualquer lugar, pois cruzou continentes, mares e originou novas guerras, via USA.</span></p>
<p><span style="color: #008000;"> Logo em seguida aos bombardeios, Saddam chamou uma nova equipe de antropólogos alemães, que encontrou nas ruínas do que um dia fora a Biblioteca de Assurbanipal, algumas novas tabuletas de barro.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Eram os originais do epílogo da Epopéia de Gilgamesh, contando ter o heroi embarcado num Carro de Fogo com a sua ferramenta de arar e a sua espada, que atrelado a uma estrela partiu para a infinita vida celestial, ou seja: A Imortalidade.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">O Pacto dos Olhos &#8211; Te dei meus olhos pra tomares conta &#8211; tratado entre Gilgamesh e Enkidú, que acabou virando um ditado iraquiano, foi usado por Chico Buarque na composição Eu Te Amo, feita em parceria com Tom Jobim, com possível uso do épico resultante do trabalho de Smith em 1891, já que Sergio Buarque, pai do Chico, era historiador. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">As pesquisas históricas mais recentes vieram à tona só em 1993 e, curiosamente, Gilberto Gil gravou Amarra Teu Arado a Uma Estrela em 1989, ou seja, quatro anos antes da História saber como Gilgamesh alcançou a Imortalidade no epílogo da epopéia.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Quanto à minha louca viagem no Expresso Einstein, com todo esse Paradoxo no Tempo, a Equação da Contração do Tempo, do próprio  Einstein, sugere ser o meu sonho, ou o do Gil, bem possíveis:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Quanto mais perto da velocidade da luz for a do trem, maiores serão as diferenças nos tempos, do trem em que estamos, com o da estação em que nele embarcamos. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Por exemplo, se o trem viajar a uma velocidade diferente um micron dos 300 mil km/s da Luz, algumas horas de viagem nele equivalem a próximos, ou distantes, quatro mil anos de espera na estação. Se for menor ainda a diferença, bastam alguns momentos para distar milênios entre o trem e a estação.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Supondo que a nossa Luminescência, conhecida por Alma, conseguindo se livrar do lerdo corpo que a retarda, é bem possível que viaje quase à velocidade da luz. Se é difícil para os humanos normais, certamente é muito mais fácil para os poetas.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Será que o Ministro Relativista andou pegando um trem esquisito la na Mooca e escutado: &#8211; Próxima estação, Suméria Menos Quarenta Séculos?</span></p>
<address><span style="color: #008000;">Começou a circular o Expresso 2222</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Que parte direto de &#8220;Bom Sucesso Pra Depois&#8221;&#8230;</span></address>
<address><span style="color: #008000;">O trilho é feito um brilho que não tem fim&#8230;    (Expresso 2222)</span></address>
<address></address>
<address></address>
<address></address>
<address><span style="color: #008000;"></p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="474">
<colgroup span="1">
<col span="1" width="474"></col>
</colgroup>
<tbody>
<tr height="26">
<td width="474" height="26"><a href="http://mpbsapiens.com/expresso-2222/">http://mpbsapiens.com/expresso-2222/</a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p></span></address>
<address><span style="color: #008000;">          </span></address>
<address></address>
<address><span style="color: #008000;"><span style="color: #008000;">&#8220;De jangada leva uma eternidade</span></span></address>
<address><span style="color: #008000;"><span style="color: #008000;">De saveiro leva uma encarnação</span></span></address>
<address><span style="color: #008000;"><span style="color: #008000;">De avião o tempo de uma saudade</span></span></address>
<address><span style="color: #008000;"><span style="color: #008000;">Pela onda luminosa </span></span></address>
<address><span style="color: #008000;"><span style="color: #008000;">Leva o tempo de um raio&#8230;&#8221;   (Parabolicamará)</span></span></address>
<address><span style="color: #008000;"></span></address>
<address><span style="color: #008000;"><span style="color: #008000;"></p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="474">
<colgroup span="1">
<col span="1" width="474"></col>
</colgroup>
<tbody>
<tr height="26">
<td width="474" height="26"><a href="http://mpbsapiens.com/parabolicamara/">http://mpbsapiens.com/parabolicamara/</a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p></span></span></address>
<p><span style="color: #008000;">Óoooooooooh! Será que não?</span></p>
<p><span style="color: #008000;"><span style="color: #ff0000;">Obs.</span> Conto extraído do livro Tapete de Mitos, que escrevi após constatar na MPB muitos casos semelhantes ao deste conto, quando o poeta atira o verso em uma direção, que a sua consciência supõe, e acerta em alvos jamais imaginados, guardados na certeza do seu inconsciente.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">O meu &#8220;Bom Sucesso&#8221; é um trocadilho que fiz com o original Bonsucesso, que é um bairro do Rio de Janeiro.</span></p>
<h5><span style="color: #008000;"><span style="color: #008000;">     <span style="color: #ffffff;">a</span></span></span></h5>
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		<title>O Mestre-Sala Dos Mares-Conto</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Apr 2009 13:15:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Dalton]]></category>

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		<description><![CDATA[      a Faz muito tempo. Fui procurar um amigo na Galeria Pajé &#8211; SP. Vendo que a sua antiga sala virara um escuro estúdio fotográfico, temeroso adentrei à procura do Ramirez, mas só encontrei um fotógrafo russo com estranhas roupas da década de 40. Perguntei pelo amigo Ramirez e o estranho fotógrafo pediu-me uma foto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #008000;">      <span style="color: #ffffff;">a</span></span></p>
<p><span style="color: #008000;">Faz muito tempo. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Fui procurar um amigo na Galeria Pajé &#8211; SP. Vendo que a sua antiga sala virara um escuro estúdio fotográfico, temeroso adentrei à procura do Ramirez, mas só encontrei um fotógrafo russo com estranhas roupas da década de 40. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Perguntei pelo amigo Ramirez e o estranho fotógrafo pediu-me uma foto dele. Não a tendo, pois ninguém costuma andar com fotos de amigos na carteira, insisti e o russo me mostrou algumas abreugrafias para tentar reconhecê-lo pelos pulmões. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Reparei também que havia sobre a mesa um velho gibi do Tio Patinhas: O Holandês Voador; largando então a simpática chapa dos pulmões e me apossando do gibi.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">De súbito, uma câmera disparou um flash vermelho duplo: Um em minha direção e outro na do gibi. O russo pegou o filme e preocupou com o resultado: Eu e o Tio Patinhas dentro do navio Holandês. As últimas palavras que lembro foram dele gritando: &#8211; Você antrou no Univerrso Parralelo! </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Ao dar por mim, estava no passadiço de um Navio Negreiro, com minha roupa de moto, diante de um velho Comandante dando as suas últimas instruções, em vida, ao seu Imediato, um homem negro.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">O navio era uma corveta chamada Dianna, pertencente ao Comandante José Marques de Sant´ Anna. Foi quando o negro virou pra mim e disse: &#8211; Innocêncio Marques de Sant´ Anna a seu dispor, e o senhor? </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Ainda sem entender o que se passava, tentei um salvador &#8220;Veja Bem&#8221;, ele balançou a cabeça e mandou que o seguisse. Pendurei o capacete no timão do navio e fui atrás em direção ao tombadilho.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Estávamos num porto e pela quantidade de homens negros com poucas vestimentas suspeitei se tratar da África remota. Entramos num forte chamado São Jorge. Innocêncio conversou algo com um rei chamado Adandozan, saiu junto com dois outros negros trajados com roupas multicoloridas. Depois vim a saber que eram embaixadores; voltamos ao navio já carregado com escravos e zarpamos.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Tudo acontecia muito rápido, já que depois de instantes chegávamos a Salvador, que se encontrava bem agitada por um levante de escravos Malés. Os embaixadores eram conhecidos deles, logo, seriam bem impopulares em terra firme. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Demos um tempo de alguns segundos, anoiteceu subitamente, o porto esvaziou, Innocêncio escondeu-nos na casa da viúva do Comandante José de Sant´Anna, saiu e voltou logo em seguida. Embarcou-nos novamente e zarpamos. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Depois de constatar que o capacete permanecera aonde o deixara, sem que o timão se movesse, subitamente percebi que estávamos adentrando em novo porto. Pelo sotaque dos estranhíssimos transeuntes do cais, suspeitei estarmos em alguma localidade portuguesa.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Em seguida, Innocêncio nos levou a uma espécie de palácio, que depois descobri ser o Palácio Real de Lisboa,  onde só os três conversaram com um rei, cuja fisionomia não me era estranha, mas ainda indecifrável. A dúvida durou até o momento em que Marieta Severo, vestida a caráter, passou rapidamente ao meu lado e foi em direção a eles.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Encontrando alguém mais contemporâneo, e carente de maiores informações acerca de tudo aquilo, tentei me aproximar dela na esperança de que se lembrasse da ocasião em que me pagou um sorvete no Festival da Canção de 1966. Infelizmente fui contido por um grupo de polidos eunucos.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Pelas vestimentas de Marieta pude me localizar melhor no espaço e no tempo. Era a Carlota Joaquina no Palácio Real de Lisboa, logo, o rei só poderia ser o D. João VI.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Já um pouco mais aliviado pela descoberta, andei pelos arredores notando que a minha roupa de moto causava grande interesse nos fidalgos transeuntes. Pensei no Ramirez vendendo suas coisas do Paraguai pós guerra numa corte em tempo de pré guerra.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Embora a Pré Guerra fosse em relação à que o Brasil teve com os vizinhos paraguáios, se encaixava também naquele instante, pois Lisboa estava prestes a ser invadida pelas tropas de Napoleão Bonaparte.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Terminada a conversa, D.João carregou alguns barcos com as coisas da esposa Carlota Marieta, pegou o cofre, pôs Innocêncio na Comissão de Frente da esquadra e rapidamente zarpamos todos em direção a algum lugar possível e inimaginável.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Depois de minutos descobri por um dos dóceis eunucos que estávamos chegando à Ilha de Cabo Verde, aonde nos separamos. A esquadra do D. João veio para o Brasil e nós fomos com o Dianna para aquele forte aonde tudo começou.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Deixamos os embaixadores por lá, Innocêncio embarcou 0mais um cento de escravos e notei, pelas características das águas, que seguíamos para Salvador. Ao chegar, Innocêncio ficou bravo, pois D. João já se mandara para a capitania de São Tomé, cujo belo porto chamava Rio de Janeiro, e o combinado não fora bem aquele.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Não deu outra. Conferi a situação do meu capacete e fomos atrás.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Tinha muito tempo que Innocêncio não negociava por lá. Apesar de curta, a viagem foi agradável, pois pude identificar, em algumas encostas, escarpas falésias com várias imagens esculpidas dos meus futuros ídolos de uma MPB que estaria ainda por vir.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Chegando ao porto do Rio de Janeiro, Innocêncio descarregou o seu produto vital na Rua da Alfândega, leiloou, pegou a grana e voltamos para Salvador em nova e agradável viagem, desta feita com um número bem maior de ídolos esculpidos nas falésias. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Lá chegando, fomos até a casa da viúva, que aparentava estar aflita por novas notícias e finanças. Innocêncio tranquilizou-a com boa soma de dinheiro em espécie e jurou-lhe fidelidade igual fê-lo a José, quando entrei na história.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Comprou mais um barco, que batizou como Dragão, ficando a corveta Dianna a cargo de um outro negro, Manuel Luis, que se tornara imediato da Dianna após a graduação do Innocêncio. Apanhei o capacete,  fomos para o Dragão e pendurei-o no novo timão, confeccionado em marfim e localizado num tombadilho muito mais confortável do que o anterior. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Fizemos viagens à África. Na primeira, a carga foi destinada a São Tomé e depois ficamos um bom tempo descarregando apenas em Salvador. Na última, o forte São Jorge havia mudado de dono. Parece que o rei Adandozan vendera a própria mãe, Ná Agotimé, como escrava. Seu irmão caçula, Guezo, o matara e tomara o poder na região, cujo nome era Daomé, e se tornara proprietário do forte.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Ao voltarmos dessa viagem, o Brasil se tornara independente e já tinha o rei Pedro I. O jovem rei Guezo veio junto conosco e trouxe um presente para o nosso, também jovem, rei. O trono da Dinastia Vodun  Daometana ocupado pelo Adandozan em seus últimos dias como monarca.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Chegando a São Tomé, Innocêncio foi para a Alfândega leiloar, Guezo foi pro palácio formalizar o presente real e eu fiquei no Dragão apreciando o timão de marfim verdadeiro e cuidando do capacete.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Pensava sobre elefantes e já íamos zarpar novamente para Salvador, onde Guezo começaria as suas buscas visando encontrar a rainha Ná Agotimé, sua mãe, mas dei de cara novamente com o fotógrafo russo segurando o gibi do Tio Patinhas, o Ramirez segurando a Abreugrafia e eu, no espelho ao lado, segurando o Capacete.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Estranhei o silêncio que imperava na primeiro andar da Galeria Pajé, normalmente barulhenta. Por um breve instante nos olhamos e subitamente surgiu a voz do João Bosco cantando:</span></p>
<address><span style="color: #008000;">Jeje minha sede é dos rios</span></address>
<address><span style="color: #008000;">A minha cor é o arco-íris </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Minha fome é tanta</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Planta flor irmã da bandeira&#8230;</span></address>
<address><span style="color: #008000;">                   </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Há muito tempo nas águas da Guanabara<br />
O dragão do mar reapareceu<br />
Na figura de um bravo feiticeiro<br />
A quem a história não esqueceu</span></address>
<address><span style="color: #008000;"><br />
Conhecido como o navegante negro<br />
Tinha a dignidade de um mestre-sala<br />
E ao acenar pelo mar na alegria das regatas<br />
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas<br />
Jovens polacas e por batalhões de mulatas</p>
<p>Rubras cascatas<br />
Jorravam das costas dos <span style="color: #ff0000;">centos </span></span></address>
<address><span style="color: #008000;">Entre cantos e chibatas<br />
Inundando o coração </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Do pessoal do porão<br />
Que, a exemplo do feiticeiro, gritava então:</p>
<p>- Glória aos piratas<br />
Às mulatas, às sereias!</p>
<p>- Glória à farofa<br />
à cachaça, às baleias!</p>
<p>Glória </span></address>
<address><span style="color: #008000;">A todas as lutas inglórias<br />
Que através da nossa história </span></address>
<address><span style="color: #008000;">Não esquecemos jamais<br />
Salve </span></address>
<address><span style="color: #008000;">O navegante negro<br />
Que tem por monumento </span></address>
<address><span style="color: #008000;">As pedras pisadas do cais</p>
<p>Mas faz muito tempo&#8230;</span></address>
<h5><span style="color: #008000;">                 </span></h5>
<p><span style="color: #008000;">Escutamos a composição em silêncio, olhei pro Ramirez e disse:</span></p>
<p><span style="color: #008000;"> - Por falar em pirata, conheci um lugar onde você faria a festa&#8230; ! Depois a gente conversa, tô atrasado, fui&#8230;&#8230;.!</span></p>
<p><span style="color: #008000;">O pior é que os demais personagens, além de mim, existiram, conforme Pierre Verger citou no livro Libertos, Sete Caminhos na Liberdade&#8230;; e Robert E. Conrad idem no livro Tumbeiros. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Pelo que pude apurar, o trono de Adandozan andou pela Biblioteca Nacional &#8211; RJ. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">A rainha Ná Agotimé, esposa do rei Agonglo, foi adquirida como escrava por fazendeiros do Maranhão, sendo mais tarde responsável pelo surgimento, em São Luis, da primeira casa do Candomblé Jêje no Brasil, conhecida como Casa Das Minas, frequentada, originalmente, só por mulheres e posteriormente por ambos os sexos. &#8211; Por que será? </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Os povos Jêjes constituem o que se chamou por Nação Daomé, de Daho Mi (justiça em mim), em homenagem ao primeiro rei da dinastia Vodun, Dadaho, também conhecido por Dadá e por Daho, cujo cetro era um Oxé, símbolo místico atribuido ao orixá Xangô, responsável pela Justiça.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Guezo foi um dos últimos soberanos Voduns, estando o antigo Daomé hoje representado mais fortemente pelos países Nigéria, Gana e Burundi, cujos historiadores se recusaram a me fornecer maiores informações sobre o rei Adandozan, que pelo visto foi apagado das respectivas Histórias.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Ainda sobre Ná Agotimé, a rainha acabou virando enredo de uma escola de samba, Mocidade Independente de Padre Miguel, creio.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">No filme Amistad, do Spielberg, pude identificar alguns cantos fúnebres voduns, além da destruição do forte, descoberto pelo navegador português Diogo Cão, a serviço da França, em 23 de Abril de 1482, sendo batizado por ele como Forte São Jorge D´Ajuda, posteriormente rebatizado como São Jorge das Minas, de onde saiu a maioria das remessas de escravos chegadas ao Brasil.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Há uma outra versão, também histórica, que associa O Mestre-Sala Dos Mares a João Candido no episódio conhecido como Revolta Da Chibata, que por ter ocorrido por volta de 1910 foge um pouco da letra da composição, que contém muito mais de festa com dor presente do que de batalhas imaginárias em guerras ausentes.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Embora conste nas letras apresentadas pela internet, o texto: Jorravam das costas dos &#8220;santos&#8221;&#8230;; fui informado que o original diz: Jorravam das costas dos &#8220;centos&#8221; &#8211; Centos de Escravos. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Este Conto começou com essa descoberta, pois além de também cantar de forma errada, o termo <span style="color: #0000ff;">Santos</span> era totalmente justificado pela rima com o <span style="color: #0000ff;">Cantos</span> do verso posterior. O termo <span style="color: #ff0000;">Centos</span> levou a interpretação do texto para bem mais longe da simples associação com a imagem de São Sebastião que imaginava até então.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Marieta Severo, dentre outros méritos, ficou famosa como protagonista do filme Carlota Joaquina, esposa de D. João VI.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">O Levante dos Malés, em Salvador, faz parte da História do Brasil, que também registra o Comerciante de Escravos José Marques de Sant´Anna, cujo sobrenome herdou do ancestral Marquês de Santana, e possuía um fiel escravo chamado Innocêncio, que além do sobrenome herdou do dono os negócios de navios negreiros, como era comum ocorrer na ocasião com proprietários de escravos fiéis após libertos: Fulano &#8220;De Tal&#8221;. O Manoel Luis também ganhou o sobrenome na ocasião.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Daí o orgulho do Innocêncio ao se apresentar a mim, pois acabara de ganhar o sobrenome naquela hora com a morte do seu dono.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Uma Holografia resulta do envio de único raio laser, que dividido em dois é focalizado em dois pontos: Um para o que se quer holografar e outro para o filme em que ficará impressa.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">O Holandês Voador, no gibi do Tio Patinhas, existiu, assim como o Ramirez da Pajé.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Embora haja diversas origens para as Fotografias Espirituais, na década de setenta a revista Planeta trouxe em um dos seus exemplares as experiências de um fotógrafo russo, nos anos 40, que por um engano na montagem da máquina, quando buscava a um flash eletrônico e automático, acabou nas revelações obtendo fotos de pessoas determinadas com outras imagens, bem definidas, de outras pessoas além das fotografadas. Só não lembro do nome do cara.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Curiosamente, a maioria dos sites sobre a obra do Aldir Blanc não trás a letra da composição dentre as tantas feitas por ele. Qual será o motivo?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Neste meu Sonho Holográfico de Ectoplasma, só procurei tornar uma História Verdadeira em algo menos triste, além de comprovar que um poeta pode até mirar a sua letra num alvo fixo, mas a Composição Artística sempre faz com que também acerte em alvos nunca previstos.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Mas faz muito tempo:</span></p>
<h5><span style="color: #008000;"> </span></h5>
<address><span style="color: #008000;">Apadê</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Olonan ê</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Mojubá odjixé</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Awá-axé awô</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Awá-axé awô</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Awá-axé awô</span></address>
<address><span style="color: #008000;">Mojubá odjixé&#8230;</span></address>
<h5><span style="color: #008000;"> </span></h5>
<h5><span style="color: #008000;">           <span style="color: #ffffff;">a</span></span></h5>
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		<title>Chico, a Viúva e as Partituras-Conto</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Apr 2009 09:29:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Dalton]]></category>

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		<description><![CDATA[    a Estávamos em Março de 1964. Chico, com 19 anos resolveu ir encontrar os amigos num local em que costumavam se ver em Sampa: Esquina das ruas Maria Antônia e Dr. Vila Nova. Ao chegar por lá observou uma confusão numa casa vizinha à Sapataria do Pepe, com caminhão do exército e tudo. Várias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #008000;">    <span style="color: #ffffff;">a</span></span></p>
<p><span style="color: #008000;">Estávamos em Março de 1964. Chico, com 19 anos resolveu ir encontrar os amigos num local em que costumavam se ver em Sampa: Esquina das ruas Maria Antônia e Dr. Vila Nova.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Ao chegar por lá observou uma confusão numa casa vizinha à Sapataria do Pepe, com caminhão do exército e tudo. Várias vezes ele tinha parado em frente a ela curioso, por causa de alguns solos de violão vindos do seu interior, porém, nunca se propusera a desvendar o enigma que tanto o cativava.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Havia cinco soldados do exército, uma viúva e três amigos dele a conversar em alto e bom tom.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">O finado marido violonista morrera pisoteado numa greve e os soldados estavam lá para comunicar à viúva o falecimento do instrumentista. A viúva, atendendo a um velho desejo do marido, lia a uma espécie de Testamento dele que regia:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">-Imediatamente após a minha morte, todas as minhas Partituras de Melodias Inéditas deverão ser entregues aos três primeiros violonistas que se aproximarem, com as seguintes condições:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">1 &#8211; O primeiro violonista que se aproximar deverá receber, do total das partituras, o mesmo que o som de três cordas representam para o meu violão.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">2 &#8211; Ao segundo violonista caberá uma quantidade de partituras proporcional aos sons emitidos por duas cordas do mesmo violão.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">3 &#8211; Por fim, ao terceiro violonista caberá, do total das partituras, o equivalente ao som de duas cordas, do mesmo violão, num total dos sons emitidos por três violões.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">A confusão causada pelo Testamento do Violonista era evidente entre a viúva, os violonistas e também os soldados, curiosos pelo desfecho do episódio. Foi quando o Chico pediu licença e interviu:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- O som de três cordas é meio violão. O das duas cordas dele é o mesmo que um dos três violões de vocês. O som das duas cordas de um dos três violões de vocês é o mesmo que um terço de terço, logo: Metade, um terço e um nono!</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Determinadas as parcelas da partilha das partituras, Chico perguntou à viúva:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Quantas são as partituras, minha interessante senhora?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Setenta e uma! Disse ela.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Nova confusão ficou estabelecida, pois metade das setenta e uma partituras seria trinta e cinco partituras e meia. Um terço delas seria vinte e três partituras e meia mais um Refrão. Um nono das setenta e uma partituras seria sete inteiras, meia partitura, um Refrão e mais uma Quadra.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Chico interviu novamente:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Tirei ontem à noite num bar esta música inédita, que escrevi neste guardanapo. Não está tão bem escrita quanto nessas partituras, meio amassada e cheirando a cachaça, mas também é inédita e acho que se eu der ela a vocês todos ficaremos felizes!</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Ficaram todos sem entender qual era a do Chico, dando uma música inédita de presente para resolver um problema alheio. Tá certo que ele vivia bêbado, mas àquela hora da manhã?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Em seguida, Chico pegou o bloco de partituras, embrulhou num jornal e disse aos amigos:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Temos agora setenta e duas canções a serem divididas entre vocês três!</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- O primeiro, que iria receber trinta e cinco, mais meia partitura, irá receber trinta e seis. Aceita?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Claro! Respondeu o primeiro.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Você, segundo, que iria receber vinte e três partituras e meia, mais um Refrão, ficará com vinte e quatro. Ficou bom assim?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Ótimo! Respondeu o segundo.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- O terceiro, que iria receber sete partituras e meia, mais um Refrão e uma Quadra, irá ganhar oito. Topa isso?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Claro que topo, Meu Herói! Exclamou o terceiro.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Chico abriu o embrulho de jornal, deu a cada amigo o número de partituras que lhe cabia, fechou rapidinho o embrulho, colocou debaixo do braço e foi embora feliz assobiando um samba antigo.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Os amigos pasmaram com aquela aparente idiotice dele:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- É nisso que dá beber logo cedo. Perde uma música e ainda vai embora feliz!</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Nenhum deles percebera que não tinha recebido a música do Chico, escrita num guardanapo amassado. O que teria acontecido naquele episódio ocorrido em Março de 1964?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Chico acabara de ganhar algumas melodias para sonhar com um LP completo, pois todos ficaram tão satisfeitos com as proporções lógicas apresentadas por ele, que não se deram ao trabalho de Somar às quantidades de cada um dos três herdeiros: 36 + 24 + 8 = 68.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Além de ficar com a que tinha escrito, Chico saiu com mais três melodias inéditas no lucro. Esse foi o motivo dele ter fechado rapidamente o embrulho de jornal e saido logo em seguida desbaratinando ao som de um samba antigo assobiado:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">&#8230;Um pescador me confirmou</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Que um passarinho lhe cantou&#8230;</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Chico não costuma falar sobre as coisas que fez naquele período da vida, mas tem um senhor, chamado João, que vive andando lá pelos arredores da Consolação em Sampa&#8230;</span></p>
<p><span style="color: #008000;">     <span style="color: #ffffff;">a</span></span></p>
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		<title>Profecia Palíndroma-Conto</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Apr 2009 16:03:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Dalton]]></category>

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		<description><![CDATA[A Busca do Mestre Buscando encontrar à paz interior, fora dos campos de batalha que o assolavam por aqui, o Mestre, ainda jovem, fez uma peregrinação à Terra Santa do Vaticano tentando encontrar o Sabiá Dourado. Devidamente alojado nos seus humildes aposentos, o Mestre, a esposa e o fiel escudeiro se submetiam às esperadas penitências, necessárias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4><span style="color: #0000ff;">A Busca do Mestre</span></h4>
<p><span style="color: #008000;">Buscando encontrar à paz interior, fora dos campos de batalha que o assolavam por aqui, o Mestre, ainda jovem, fez uma peregrinação à Terra Santa do Vaticano tentando encontrar o Sabiá Dourado.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Devidamente alojado nos seus humildes aposentos, o Mestre, a esposa e o fiel escudeiro se submetiam às esperadas penitências, necessárias a qualquer Ressurreição Espiritual, quando, ao ver uma pequena caixa que guardava o seu Jogo de Botões, lembrou de todo o sofrimento que deixara por aqui ao partir, e chorou por sete dias e sete noites.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">No oitavo dia, todas as lágrimas secaram, todas as dores se acalmaram, qual prece de caretas. Ele chamou à esposa e ao escudeiro, pois pretendia admoestá-los Sobre Todas As Coisas, e ao final da admoestação proferiu:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Pelo amor de Deus, preciso de forças para ir!</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Temerosos, a esposa e o escudeiro, respeitosamente, interrogaram-no:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Ir aonde Mestre?</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Ele foi à janela, e contemplando o final do infinito, afirmou convicto:</span></p>
<p><span style="color: #008000;"> - À Capela Sistina!</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Prontamente, o fiel escudeiro saiu em busca do transporte bastante a levá-los a mais um importante Calvário Redentor, enquanto a prestativa esposa cuidava de toda a roupagem e víveres alimentícios, suficientes a outra exaustiva jornada. Com tudo pronto, e munido do Jogo de Botões, o Mestre disse:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Agora podemos ir, pois é chegada a hora de não prestar atenção, não gostar, nem dizer que não é inútil!</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Depois de muita labuta chegaram no local predestinado ao Grande Encontro dos Mestres: A Sistina!</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Ao adentrar no recinto sacro, que se encontrava desprovido de animais, irracionais ou não, o Mestre mirou fixamente ao seu redor, sentindo um conflitante ambiente de sentimentos e falas. Viu amores e escândalos, medos e tragédias, fisionomias pálidas sem choro e socorro.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Olhou o teto em forma de abóbada, elevou humildemente a mão que portava o Jogo de Botões, aguardou a resposta, que veio na forma de um silencioso raio de luz, sorriu e sumiu.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Viajou léguas e léguas por Mares que só Ele sabia, cruzou céus que só Ele futuramente imaginaria e parou sobre a Montanha Prometida, que abrigava o Silêncio Absoluto. Sem qualquer ruido, o seu Jogo de Botões se espalhou docemente sobre um Silencioso Monólito Plano, onde qualquer Reta nunca poderia se admitir como Curva de Raio Infinito, numa superfície mais lisa do que um gelo.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Contemplando simultaneamente o horizonte e os botões, percebeu que o primeiro se enchera de palavras que iam e vinham, sempre iguais e em qualquer direção. Nuvens de Versos em movimento se agrupavam Estróficas, e os botões as obedeciam, com novas estratégias inimagináveis de jogo, qual estrelas percorrendo um firmamento em Carrossel Holandês. </span></p>
<p><span style="color: #008000;">Foi quando sentiu o dedo de Michelângelo no jogo, a mão dele no seu ombro e, contemplando, agora com imensidão, novamente ao horizonte, agora finito, alcançou à eternidade momentânea no firmamento DELE.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">De volta ao interior da Sistina, notou que nem a serviçal esposa, nem o fiel escudeiro haviam percebido que viajara durante tanto tempo e, desconfiando do silêncio, austeramente bradou a eles:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">- Vou voltar!</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Retornando à humilde estalagem que os abrigava, o Mestre se deitou e sonhou por sete dias e sete noites, só que desta feita acordou calmo e sereno. Sabendo que iria voltar para o seu lugar, que era ainda lá, chamou novamente à esposa e ao escudeiro para dizer-lhes algo.</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Ambos se surpreenderam com o pouco que lhes foi dito. Sequer sabiam do que ocorreria com as multidões de numerosos povos indo e vindo, qual sonido de muitas águas em inundação, após a curta, mas definitiva, Profecia do Mestre:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">&#8220;Até Reagan sibarita tira bisnaga ereta!&#8221;</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Sambistas do mundo inteiro vararam dias e noites a fio, peregrinando em busca do Samba Prometido, e ele veio como recompensa por toda a entrega do Samba àquela União Penitenciária dos Povos:</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Ao Palíndromo do Mestre</span></p>
<h5><span style="color: #008000;">     </span></h5>
<address><span style="color: #008000;">Alo Bola<br />
Eva asse essa ave<br />
Após a sopa<br />
Assim Marias sairam missa<br />
Anotaram a data da maratona<br />
A torre da derrota<br />
    <br />
Luz azul<br />
A diva em Argel alegra-me a vida<br />
Luza Rocelina, a namorada do Manuel, leu na moda da romana: Anil é cor azul<br />
    <br />
Até o poeta<br />
Oto come mocotó<br />
Roma me tem amor<br />
Saíram Marias<br />
Socorram-me subi no ônibus em Marrocos<br />
Sá da tapas e sapatadas<br />
   <br />
Zé de Lima, rua Laura, mil e dez<br />
Viu o vôo do ovo Uiv<br />
O caso da droga da gorda do saco<br />
Saíram o tio e oito Marias<br />
Com ódio do doido Moc:<br />
Morram após a sopa marrom!<br />
    <br />
A babá baba<br />
A cera causa sua careca<br />
O dedo<br />
O céu sueco<br />
    <br />
Oto:<br />
Ame o poema<br />
O Galo no Lago<br />
A Mala Nada na Lama<br />
    <br />
Amor a Roma<br />
Roma é amor<br />
Aula é a Lua<br />
Reviver<br />
Rir, o breve verbo rir<br />
    <br />
Até Reagan sibarita tira bisnaga ereta!</span></address>
<p>    <br />
<span style="color: #008000;">O MITO É ÓTIMO!</span></p>
<p><span style="color: #008000;"><span style="color: #ff0000;">     </span></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><span style="color: #ff0000;">Nota:</span> Esse samba foi construído em Versos Corrente, cuja disposição  pode ser alterada ao gosto do sentimento usuário, mas não admitem o tratamento pelo nome Elos de Ligação, já que qualquer corrente, por ser ditatorial, impede a qualquer elo de não sê-lo.</span></p>
<p><span style="color: #008000;"><span style="color: #ff0000;">Obs.</span> Quanto ao Sabiá Dourado, só Antonio Carlos Jobim soube do seu final, mas qualquer dia, na Montanha Prometida, o Silêncio Desconfiável fale por ele&#8230;</span></p>
<p><span style="color: #008000;">      <span style="color: #ffffff;">a</span></span></p>
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		<title>Ulisses O Original-Análise de Texto</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Feb 2008 22:15:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Dalton]]></category>

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		<description><![CDATA[Anterior &#8211; &#62; http://mpbsapiens.com/conto-x-obra/                           Extraído da Odisséia de Homero, o conto é uma versão nacional da passagem de Odisseus (Ulisses) na Grécia mitológica, cuja astúcia foi capaz de dar uma dificílima vitória a Atenas sobre os intransponíveis muros de Tróia, graças à construção do famoso cavalo.             A astúcia de Ulisses precedeu e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table style="width: 314pt; border-collapse: collapse;" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="419">
<colgroup span="1">
<col style="width: 48pt;" span="1" width="64"></col>
<col style="width: 266pt; mso-width-source: userset; mso-width-alt: 12982;" span="1" width="355"></col>
</colgroup>
<tbody>
<tr style="height: 12.75pt;" height="17">
<td class="xl24" style="background-color: transparent; width: 48pt; height: 12.75pt; border: #ece9d8;" width="64" height="17"><span style="font-size: x-small; color: #99cc00; font-family: Times New Roman;">Anterior &#8211; &gt;</span></td>
<td class="xl25" style="background-color: transparent; width: 266pt; border: #ece9d8;" width="355"><a href="http://mpbsapiens.com/conto-x-obra/"><span style="font-size: 8pt; color: #99cc00; font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif; mso-font-charset: 0;">http://mpbsapiens.com/conto-x-obra/</span></a></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="color: #008000;"></p>
<h5><span style="color: #008000;">              </span></h5>
<h4><span style="color: #008000;">            Extraído da Odisséia de Homero, o conto é uma versão nacional da passagem de Odisseus (Ulisses) na Grécia mitológica, cuja astúcia foi capaz de dar uma dificílima vitória a Atenas sobre os intransponíveis muros de Tróia, graças à construção do famoso cavalo.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">            A astúcia de Ulisses precedeu e sucedeu à Odisséia. Para evitar a viagem a Tróia tentou enganar a deusa Atenas fingindo-se de louco. Não conseguindo, foi procurar Aquiles, que informaram estar aposentado e disfarçado de mulher em certo botequim&#8230; Ulisses foi até lá, usou o mesmo disfarce e conseguiu localizá-lo com um truque de armas. </span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">            Em seguida roubou o Odre de Eólo (deus dos ventos) para viajar com segurança.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">            A obra de Homero trata da viagem de volta de Ulisses à terra natal, Ítaca, que registra uma série de disputas, dentre elas, uma com um Ciclope, que apresentava um só olho no centro da testa, filho de Posseidon e cujo nome era Polífemo.      </span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">            Ulisses é aprisionado por Polífemo em sua caverna e este lhe pergunta o nome, no que Ulisses diz se chamar Ninguém. Em seguida, Polífemo se interessa pelos vinhos que Ulisses carregava em sua sacola. Experimenta, gosta, toma todos e dorme. No que o herói aproveita para furar seu olho único. Quando urra de dor, outros monstros comparsas perguntam quem estava lá dentro com ele, e escutam: Ninguém! Eles o deixam sem perguntar novamente. </span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">            Noutro episódio, os companheiros de Ulisses, suspeitando que o mesmo transportasse ouro naquele estranho e inseparável odre, resolveram xeretar e abriram. Os ventos saíram imediatamente e voltaram ao deus Eólo, que pôde sacanear um pouquinho as rotas da embarcação que voltava a Ítaca, tornando-a errante por 10 anos.            </span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">            Até ai ele já havia enganado os deuses Atenas, Eólo e enfurecido Posseidon com a cegueira de Polífemo. Eólo também vingava por outros deuses sem esquecermos que Posseidon dominava os mares.             </span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">            Para conseguir casar com Penélope, Ulisses já fora obrigado a usar toda uma sorte de estratagemas, ardis e fofocas na luta contra os pretendentes, com os quais pactuou antes da disputa, que o vencedor teria sempre a ajuda dos demais quando solicitada. Foi o que Ulisses fez para viajar a Tróia, pois ao mesmo tempo em que os tinha como tripulantes, não deixava rivais em Ítaca dando em cima da Penélope.      </span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">            Durante a viagem de Ulisses, Penélope ficou tricoteando um manto que seria dado a ele em seu retorno. Quando o manto já tinha alcançado um tamanho bastante a envolver uma tripulação inteira, ela desistiu e submeteu sua mão a novo concurso, que consistia numa competição de arco e flecha usando um complicado arco que Ulisses ganhara anteriormente de Êurito.         </span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">            Dos competidores, só um velho mendigo conseguiu curvar o arco e terminar a tarefa. Apesar da aparência, Penélope foi fiel às regras e aceitou casar com ele. Era o Ulisses em mais um de seus muitos disfarces.       </span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">            Posteriormente, Ulisses e Penélope tiveram um filho chamado Telêmaco. A paz voltou a Ítaca, mas não a Penélope, pois o marido acabou fazendo muitas outras viagens, menos importantes, mas semelhantes.            </span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">            Quando criança, o órfão Ulisses foi tutelado pelo velho sábio Mêntor, de quem adquiriu a Astúcia geral e aprendeu muitos ardis.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">             Dá pra perceber qual foi o herói grego no qual Chico baseou muito da sua conduta. Mêntor, por exemplo, era o Vinícius. Os truques e pseudônimos, que virão adiante, nada mais foram do que os mesmos do seu herói de então.</span></h4>
<h4><span style="color: #008000;">            Suspeito que outra relação Ulisses-Mêntor deva ter ajudado a cabeça de Chico a se engajar no movimento das Diretas Já em 1983, cujo Mentor se chamava Ulisses Guimarães.</span></h4>
<h4>           </h4>
<p></span></p>
<table style="width: 314pt; border-collapse: collapse;" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="419">
<colgroup span="1">
<col style="width: 48pt;" span="1" width="64"></col>
<col style="width: 266pt; mso-width-source: userset; mso-width-alt: 12982;" span="1" width="355"></col>
</colgroup>
<tbody>
<tr style="height: 12.75pt;" height="17">
<td class="xl24" style="background-color: transparent; width: 48pt; height: 12.75pt; border: #ece9d8;" width="64" height="17"><span style="font-size: x-small; color: #99cc00; font-family: Times New Roman;">Próxima &#8211; &gt;</span></td>
<td class="xl25" style="background-color: transparent; width: 266pt; border: #ece9d8;" width="355"><a href="http://mpbsapiens.com/lua-cheia/"><span style="font-size: 8pt; color: #99cc00; font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif; mso-font-charset: 0;">http://mpbsapiens.com/lua-cheia-analise-de-texto/</span></a></td>
</tr>
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