a
“O Simbolismo está para a Poesia assim como o Rap está para a MPB, o Rock, o Jazz…”
Por menos que se goste de admitir, qualquer Presente é um resultado da sedimentação do Passado, onde o suposto Futuro será apenas as novas trajetórias que o Homem dará às interpretações do que já fez.
Assim ocorreu com a Versificação, também conhecida por Ciência Poética, que teve como base organizada o Classicismo. Esse foi o grande Movimento Literário, já que as demais manifestações posteriores foram apenas sub-movimentos, que concordando ou discordando dos parâmetros da base ancestral, se tornaram apenas rótulos de costumes em épocas distintas.
Qualquer descrição, escrita ou falada, é apenas um resultado próprio das interpretações que tenhamos sobre qualquer coisa. O estudo dessas descrições resultou tanto nas bases da Versificação quanto nas da Gramática.
Ambas, que originalmente apenas serviram para explicar o que fazíamos com as nossas descrições, ao longo dos anos foram adotadas como Código de Regras, mas não podemos nos esquecer que surgiram apenas como consequências, assim como qualquer Filosofia nasce de semelhantes idéias que um grupo social tenha sobre algo. São meros Resultados.
Desses sub-movimentos, dois foram mais significativos para a trajetória dos poemas, por terem resultado de entendimentos entre Poetas e Gramáticos: Trovadorismo e Parnasianismo.
Por terem ganho tal importância dentro da literatura, acabaram por se tornar bases semelhantes ao Classicismo, gerando novas interpretações concordantes e discordantes nos posteriores sub-sub-movimentos.
A proposta européia original do Parnasianismo era a do chamado Verso Livre, mas aqui no Brasil a idéia foi prudentemente mais ampla ainda, pois fez surgir o Poeta Livre, que podia fazer com o seu poema o que bem entendesse nos versos.
Embora os termos Prudência e Liberdade se afigurem como contrastantes, por aqui foi a forma mais sábia, vinda de novos entendimentos entre poetas e gramáticos regionais, bastantes a dividir os nossos poetas em dois tipos:
1- O poeta era livre para escrever o seu poema sem qualquer regra de Versificação ou Gramática.
2- O poeta era livre para construir o seu poema baseado em todas as regras negadas pelo primeiro tipo.
Essa prudência nos entendimentos foi a grande responsável pela continuidade do que a Ciência Poética observara no verso desde o seu surgimento, e com isso a nossa MPB pôde seguir o seu caminho mais próximo do entendimento popular ao fundir sensibilidade e objetividade nos poemas das músicas.
Todavia, o primeiro tipo de poetas persistiu, numa época em que o mundo começava a sofrer a manipulação artística, por conta da ação do sionismo nas divulgações da sua imprensa, o que resultou num novo sub-sub-movimento, só que desta vez pré-meditado, chamado Imagismo.
Esses novos Poetas Imagistas foram os responsáveis pelos posteriores caminhos do verso no Simbolismo, norteado, ou desnorteado, por algumas atitudes sugeridas, já que o termo Regra era proibitivo:
- negar qualquer lógica decorrente da aplicação do Racionalismo na realidade.
- valorizar o subjetivismo do poeta
- valorização do Eu sobre o Você, inexistindo o Nós
- o homem valendo mais pelo espírito do que pela existência física.
- sonho e loucura acima da razão
- evolução espiritual encontrada fora do planeta
- sendo o corpo uma espécie de prisão da alma, vale mais a morte
- a metáfora e o símbolo norteando a razão
-* uso formal de aliteração e assonância nas palavras do verso
-* o som natural do verso como música própria
- busca da Poesia Pura pela subjetividade de conceito e lógica
- mostrar a vida pelo seu lado degradante
-* - Aliteração e Assonância são truques sonoros usados pelos poetas desde antes de Cristo, portanto não era novidade alguma o seu uso.
-* - o Som Natural do Verso existe desde o dia em que o deus grego Apolo, numa das declamações dos seus poemas narcisistas, escutou um ouvinte batendo os pés de forma fraca ou forte, em comcordância com as sílabas átonas e tônicas das palavras declamadas, o que deu origem tanto ao Ritmo Poético quanto aos Pés de Verso nas bases Classicismo.
Só coloquei alguns dos elementos apenas supostos pelo sub-sub-movimento, no qual se percebe nitidamente a busca pela perda da razão responsável pela manutenção do Homem na forma de sociedade.
Embora tudo isso pareça loucura de bêbado, as razões para querer se dar à Poesia, que resulta em raíz cultural de qualquer povo, tais caminhos distantes da lógica social e cotidiana, por ter vindo de manipulação pré-meditada, acabou transformando, à partir do Simbolismo, todas as demais tentativas posteriores como sub-sub-sub-movimentos. Vejam porque:
“A fim de destruir todas as forças coletivas, exceto as nossas, supriremos as universidades, primeira etapa do coletivismo, e fundaremos outras com um novo espírito. Seus reitores e professores serão preparados secretamente para a sua tarefa por meio de programas de ação secretos e minuciosos, dos quais se não poderão afastar uma linha. Serão nomeados com uma prudência muito especial e serão inteiramente dependentes do governo.
Excluimos do ensino o direito cívico, assim como tudo o que concerne às questões políticas. Essas matérias serão ensinadas a algumas dezenas de pessoas, escolhidas por suas faculdades eminentes. As universidades não devem deixar sair de seus muros fedelhos que formem projetos de constituição, como se compusessem comédias ou tragédias, e que se ocupem de questões políticas que os seus próprios pais nunca entenderam.
O mau conhecimento que a maioria dos homens têm das questões políticas faz deles utopistas e maus cidadãos; podeis verificar pessoalmente o que sua educação geral fez deles. Foi preciso que introduzíssemos em sua educação todos os princípios que tão brilhantemente enfraqueceram sua ordem social. Mas, quando estivermos no poder, afastaremos da educação todas as matérias de ensino que possam causar perturbação e faremos da mocidade crianças obedientes às autoridades, amando quem os governa, como um apoio e uma esperança de tranqüilidade e paz.
Substituiremos o CLASSICISMO, assim como todo o estudo da história antiga, que apresenta mais maus exemplos do que bons, pelo estudo do programa do futuro.
Riscaremos das memórias dos homens todos os fatos dos séculos passados que não forem agradáveis, somente conservando entre eles os que pintem os erros dos governos …
…Em uma palavra, sabendo, pela experiência de muitos séculos que os homens vivem e se dirigem pelas idéias, que essas idéias somente são inculcadas aos homens pela educação, ministrada com êxito igual em todas as idades por processos diferentes, bem entendido, absorveremos e adotaremos em nosso proveito, os derradeiros clarões da independência de pensamento, que de há muito já dirigimos para as matérias e idéias de que carecemos. O sistema de repressão do pensamento já está em vigor no método denominado do ensino pela IMAGEM, que deve transformar os homens em animais dóceis, que não pensam e esperam a representação das cousas e IMAGENS, a fim de compreendê-las… “.
Esse texto foi escrito, por volta de 1898, numa reunião ocorrida entre dois lados conflitantes do sionismo internacional: Europeu e Americano; num documento com 24 atas chamado Os Protocolos dos Sábios do Sião, cuja parte que destaquei consta na ata, ou capítulo XVI, especificado acima com os nomes:
“As universidades tornadas inofensivas - O classicismo substituído - A independência do pensamento. O ensino pela imagem“.
Esse povo, ou polvo, dócil que escreveu isso é o atual proprietário das agências internacionais de notícias, que possui tentáculos próprios em cada país em que atuam.
A manifestação literária, ocorrida no Brasil após essa do confronto entre o Parnasianismo e o Simbolismo, cujas origens suponho agora terem ficado mais claras, como derivação do Imagismo Programado; foi a da Semana Literária de 1922, efetuada em São Paulo, que recebeu também o apelido de Semana Modernista de 22.
Nela tivemos a presença de poetas já consagrados e ainda por se consagrar, dentre os quais destaco Manoel Bandeira, cujas obras anteriores já haviam mostrado uma realidade pré parnasiana; abraçando, sabe-se lá por quais motivos, às causas mais Imagistas para os caminhos do verso; noutro sub-sub-sub movimento literário chamado Modernismo.
Como, graças a Einstein, tudo é relativo, aquela reunião de literatos, quase todos portadores de “auto-estima com nervo exposto”, resultou também em poetas modernistas com valores inquestionáveis e benéficos para a nossa literatura posterior, onde Carlos Drummond de Andrade que, por sinal, nem participou pessoalmente daquela festa toda, é o melhor exemplo, conforme justificaria, posteriormente, na obra Claro Enigma; onde dividiu o poeta em Ser e Parecer, com o primeiro se referindo à essência poética do artista, e o segundo ao mesmo artista tendo que se virar para manter a obra viva.
Após essa Semana de 22 só voltamos a ter uma nova variação imagista na década de 50 do século passado, com a chegada do Concretismo, cujo nome mais forte era o de Ezra Loomis Pound, um remanescente da ancestral batalha Parnasianismo x Simbolismo, ou Imagismo, fica ao gosto do leitor.
Uma nova onda de “sabedoria poética” assolou os nossos meios literários até o final dos anos 60 do mesmo século. Na verdade, aquela sabedoria toda se resumia mais à ação do tablóide a folha de São Paulo, mas, como tudo ainda era relativo, o Concretismo foi capaz de inspirar um e, na minha visão, somente um, nome de real valor para a nossa literatura: Ferreira Gullar; mais especificamente na obra Traduzir-se.
Portanto, caros estudantes de Letras, esse é um outro lado desse Simbolismo sobre o qual têm me perguntado bastante nos últimos dias.
Como todas as regras da Versificação foram abolidas por ele, inclusive a das catorze sílabas poéticas como o limite entre a Poesia e a Prosa, se vocês estudarem um pouquinho de Aliteração, Assonância e Rimas na hora em que estiverem construindo o poema, esqueçam de Métrica, Ritmo Poético, Estrofação…
Se, por ventura, alguns de vocês gostarem de exemplos aproximados do Simbolismo na MPB, pesquisem as músicas Não Sonho Mais, Morro Dois Irmãos, A Ostra e o Vento, Sonhos, Sonhos São, todas do Chico Buarque, e Janelas Abertas 2, do Caetano Veloso; essas sim, compostas por poetas de reconhecido valor na literatura brasileira.
Boa Sorte. PLIM – PLIM!
a