Archive for Construção Poética

Rima Camoniana ou Oitava Camoniana?

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A maioria de nós já se deparou com a obra, Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões. Um épico, com cerca de nove mil e duzentos versos, que conta da expedição de Vasco da Gama às Indias Ocidentais contornando o continente africano.

A obra inteira foi escrita com as mesmas configurações poéticas:

- Estrofes Oitavas

- Versos Decassílabos Heróicos

- Rimas Graves, ou Femininas, dispostas em colocação Alternada nos seis primeiros versos e Paralela nos dois últimos das estrofes.

Nunca concordei com a expressão Rima Camoniana, usada pela Versificação ao longo dos anos, posto que não se configurava como uma simples espécie de Rima, mas sim a uma configuração específica de Colocação dela nas Estrofes Oitavas.

Como o último Tratado de Versificação, entre poetas e gramáticos, feito com maior seriedade, data do Parnasianismo, me vejo autorizado a usar, ao invés de Rimas Camonianas, a expressão Oitavas Camonianas, da mesma forma como se reconheceu o nome Décima Espinela, às estrofes Décimas que possuem uma configuração específica de rimas tentadas originalmente por Vicente Espinel entre os séculos XVI e XVII.

Vejam a primeira Estrofe do Primeiro Cântico dos Lusíadas:

As / ar / mas / e-os / ba / rões / as / si /na /la /dos,
Que / da-o / ci /den / tal / pra / ia / Lu / si / ta / na,
Por / ma  / res / nun / ca / dan / tes / na / ve / ga / dos,
Pas /sa / ram-a / in / da-a / lém / da / Ta / pro / ba / na,
Em / pe / ri / gos / e / guer / ras / es / for / ça / dos,
Mais / do / que / pro /me /ti / a-a  /for / ça-hu /ma / na,
E-en / tre / gen / te / re / mo / ta-e / di / fi / ca / ram
No / vo / Rei / no /, que / tan / to / su / bli / ma / ram;

Como a maioria dos poetas, de agora ou de outrora, Camões era um pouco exagerado nas exaltações, posto que, tanto Diogo Cão, quanto Bartolomeu Dias, já haviam navegado aqueles mesmos mares antes do Vasco da Gama, mas a disposição que deu às rimas nos versos da Oitava foi bem exclusiva, embora a construção inteira do épico ter ocorrido em Decassílabos Heróicos não fosse novidade desde a, também extensa, Divina Comédia, escrita por Dante Aliguieri durante o século XIV.

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Lição de Sílabas Poéticas e Escansão

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Dezenas de leitores têm encontrado dificuldades no entendimento de alguns ítens no Estudo da Versificação. Outros pretendem aprender a fazer poemas, mas não sabem como fazer versos.

Digo sempre que o poema nada mais é do que um texto corrido disposto em linhas de versos. Vejam isto:

Di / go / sem / pre / que-o / po / e / ma
Na / da / mais / é
Do / que-um / tex / to / cor / ri / do
Dis / pos / to-em / li / nhas / de / ver / sos.
Ve /jam / is / to:

Posso dizer que a dificuldade maior reside na complexidade do entendimento na formação da Sílaba Poética e a sua separação ao longo do verso, o que é chamado de Escansão, que determina os seus comprimentos, o que se chama Métrica.

Duas regras são necessárias para que se comece a analisar o verso:

1- A contagem das suas sílabas poéticas encerra na última sílaba tônica da última palavra pertencente a ele. Ex:

Vo / cês / são / a / lu / nos – verso co m 5 sílabas, pois a última sílaba tônica é a LU, de alunos..

2- O que separa a Poesia da Prosa é o total de 14 sílabas poéticas. Qualquer coisa aquém das 14 é poesia, e além, prosa. Ex:

Quan/ do-o / che /fe / da / qua / dri/ lha / de / cre/ tou / chan/ gê / de / da / me – 15 sílabas, invadiu a Prosa.

A /mu / lher / do / de / le / ga / do / ren / deu / o / ba / cha / rel – verso limite da poesia com 14 sílabas.

Então colocarei aqui um exercício de Escansão e Métrica alertando que todos os versos possuem 10 sílabas cada:

Ouviram do Ipiranga às margens plácidas

De um povo heróico o brado retumbante

E o sol da liberdade em raios fúlgidos

Brilhou no céu da pátria nesse instante

 

Creio que a maioria dos senhores conhece essa música, mas mesmo que não a conhecessem, com a informação de que cada um dos versos possui 10 sílabas, façam a escansão e comentem abaixo para que possamos conversar.

Boa sorte a todos.

Dalton.

ver também – http://mpbsapiens.com/escandir-escansao/
http://mpbsapiens.com/a-silaba-poetica-e-sua-metrica/

 

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Caetano e as Janelas Abertas do Simbolismo

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Continuando com o assunto, Simbolismo na MPB, em cuja postagem anterior citei a música, Janelas Abertas 2, de Caetano Veloso, procurarei mostrar como o poema da música atendeu às especificações do pensamento simbolista original.

 http://mpbsapiens.com/simbolismo/

 Essa composição foi escrita por Caetano numa época em que o mesmo recebia todo um assédio dos chamados poetas concretistas, derivados dos ancestrais Imagismo e Simbolismo, e liderados por alguns articulistas de um jornal de São Paulo.

Inclusive, tais jornalistas já haviam conseguido, pela oficial fofoca cotidiana de que dispunham, colocar o Tropicalismo de Caetano como adversário da postura tradicional do Chico Buarque, tanto quanto à Versificação como às bases melódicas dos versos.

Tal mal estar entre os artistas durou pouco tempo, tanto foi, que quem canta a composição do Caetano, no vídeo, é o próprio “rival”, o Chico, num show que fizeram juntos na Bahia, em 1973, creio.

Como levar a sério tudo aquilo vindo da “turminha da folha”?

Vídeo de sergiorodrigo

Sim, eu poderia abrir as portas que dão pra dentro
Percorrer, correndo, corredores em silêncio
Perder as paredes aparentes do edifício
Penetrar no labirinto
O labirinto de labirintos
Dentro do apartamento
        
Sim, eu poderia procurar por dentro a casa
Cruzar uma por uma as sete portas, as sete moradas
Na sala receber o beijo frio em minha boca
Beijo de uma deusa morta
Deus morto fêmea, língua gelada
Língua gelada como nada
        
Sim, eu poderia em cada quarto rever a mobília
Em cada um matar um membro da família
Até que a plenitude e a morte coincidissem um dia
O que aconteceria de qualquer jeito
          
Mas eu prefiro abrir as janelas
Pra que entrem todos os insetos

Tentarei mostrar como a letra da composição atendeu, ou não, às características filosóficas elementares do Simbolismo:

- o som natural do verso como música própria

- busca da Poesia Pura pela subjetividade de conceito e lógica

Qualquer desses dois primeiros elementos seria impossível de se notar, já que o poema não é declamado, mas construído sobre uma melodia na forma de composição musical. 

- uso formal de aliteração e assonância nas palavras do verso

Em termos de Aliteração, o som que imperou na letra inteira foi o da consoante R, que, por sinal, talvez seja a mais utilizada por poetas que busquem a tal efeito nas sonâncias dos versos.

Quanto à Assonância, Caetano usou muito o som nasal das vogais acompanhadas de N e M, com predominância do conjunto En.

Este elemento foi atingido por Caetano.

- negar qualquer lógica decorrente da aplicação do Racionalismo na realidade.

Creio que o Raciocínio acompanhe o Homem desde o seu surgimento, portanto, tudo o que nos cerca tem tal atributo, bom ou mau, à partir da própria Palavra Escrita, resultante da sedimentação de raciocínios vários durante milênios. Tem como fugir do Raciocínio, ou das marcas dele estampadas no cotidiano social?

Este elemento pode ser conseguido por qualquer um de nós, desde que não conte pra ninguém, na forma de texto ou de fala, logo, ao escrever e cantar o poema, Caetano não atendeu tal exigência.

- a metáfora e o símbolo norteando a razão

A letra inteira da composição é Metáfora, cujo significado implica numa organização própria, exclusiva e esdrúxula dos Símbolos comuns, logo, Caetano atendeu a tal quesito elementar.

- valorizar o subjetivismo do poeta

Idem anterior, já que todo Subjetivismo é Metafórico e vice-versa.

- mostrar a vida pelo seu lado degradante 

Como a letra da composição é subjetiva e tendente à Morte, sobrou pouco para tratar da Vida, ainda que degradante. Talvez, receber um “beijo de deusa morta, com língua gelada” seja algo que, embora improvável, tenha lá o seu tanto de degradável, ou mesmo, desagradável.

Acho que Caetano conseguiu mais um ponto neste quesito.

-  sonho e loucura acima da razão

Neste quesito, Caetano atingiu parcialmente o exigido, pois se o Poema foi um sucesso no tema, a Melodia, jogando contra, mostrou-se lógica e agradável.

- valorização do Eu sobre o Você, inexistindo o Nós

Sim, eu poderia em cada quarto rever a mobília
Em cada um matar um membro da família

Aqui, Caetano matou a família toda. Algo muito coerente, já que, na época em que foi escrita a composição, havia um grande interesse pelas religiões orientais, onde destaco um diálogo entre Krishna (Deus) e Arjuna (mortal). Arjuna conta a Krishna que se vê numa batalha, cujos inimigos são os seus familiares, e Krishna, “sentadinho no muro”, responde a ele que todo homem só cresce quando se livra das raízes. (Bhagavad Gitá).

-  sendo o corpo uma espécie de prisão da alma, vale mais a morte

Até que a plenitude e a morte coincidissem um dia
O que aconteceria de qualquer jeito

Mais um quesito alcançado pelo Caetano, ao coincidir Plenitude e Morte como consequência natural da vida.

Mas eu prefiro abrir as janelas
Pra que entrem todos os insetos 

 Esses versos finais creio terem sido reservados àquele povo jornalista que tanto lhe enchia o saco com Simbolismos e Concretismos:

Os insetos que cercavam a sua essência poética.

Muitos anos mais tarde, Chico descreveu a essa “abertura de janelas”, do Caetano, com a composição, A Bela e a Fera, do Grande Circo Místico, onde a Bela é a MPB e, a Fera, aqueles mesmos insetos querendo invadir os espaços dela, da Bela MPB:

…No bucho do analfabeto
Letras de macarrão
Letras de macarrão
Fazem Poema Concreto…
      
…Recebe o teu poeta, oh Bela
Abre o teu coração
Abre o teu coração
Ou eu arrombo a Janela.

Na próxima postagem tentarei mostrar como o Chico se virou para fazer os seus poemas simbolistas. 

 

 

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O Simbolismo e a Poesia

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“O Simbolismo está para a Poesia assim como o Rap está para a MPB, o Rock, o Jazz…”

Por menos que se goste de admitir, qualquer Presente é um resultado da sedimentação do Passado, onde o suposto Futuro será apenas as novas trajetórias que o Homem dará às interpretações do que já fez.

Assim ocorreu com a Versificação, também conhecida por Ciência Poética, que teve como base organizada o Classicismo. Esse foi o grande Movimento Literário, já que as demais manifestações posteriores foram apenas sub-movimentos, que concordando ou discordando dos parâmetros da base ancestral, se tornaram apenas rótulos de costumes em épocas distintas.

Qualquer descrição, escrita ou falada,  é apenas um resultado próprio das interpretações que tenhamos sobre qualquer coisa. O estudo dessas descrições resultou tanto nas bases da Versificação quanto nas da Gramática.

Ambas, que originalmente apenas serviram para explicar o que fazíamos com as nossas descrições, ao longo dos anos foram adotadas como Código de Regras, mas não podemos nos esquecer que surgiram apenas como consequências, assim como qualquer Filosofia nasce de semelhantes idéias que um grupo social tenha sobre algo. São meros Resultados.

Desses sub-movimentos, dois foram mais significativos para a trajetória dos poemas, por terem resultado de entendimentos entre Poetas e Gramáticos: Trovadorismo e Parnasianismo.

Por terem ganho tal importância dentro da literatura, acabaram por se tornar bases semelhantes ao Classicismo, gerando novas interpretações concordantes e discordantes nos posteriores sub-sub-movimentos.

A proposta européia original do Parnasianismo era a do chamado Verso Livre, mas aqui no Brasil a idéia foi prudentemente mais ampla ainda, pois fez surgir o Poeta Livre, que podia fazer com o seu poema o que bem entendesse nos versos.

Embora os termos Prudência e Liberdade se afigurem como contrastantes, por aqui foi a forma mais sábia, vinda de novos entendimentos entre poetas e gramáticos regionais, bastantes a dividir os nossos poetas em dois tipos:

1- O poeta era livre para escrever o seu poema sem qualquer regra de Versificação ou Gramática.

2- O poeta era livre para construir o seu poema baseado em todas as regras negadas pelo primeiro tipo.

Essa prudência nos entendimentos foi a grande responsável pela continuidade do que a Ciência Poética observara no verso desde o seu surgimento, e com isso a nossa MPB pôde seguir o seu caminho mais próximo do entendimento popular ao fundir sensibilidade e objetividade nos poemas das músicas.

Todavia, o primeiro tipo de poetas persistiu, numa época em que o mundo começava a sofrer a manipulação artística, por conta da ação do sionismo nas divulgações da sua imprensa, o que resultou num novo sub-sub-movimento, só que desta vez pré-meditado, chamado Imagismo.

Esses novos Poetas Imagistas foram os responsáveis pelos posteriores caminhos do verso no Simbolismo, norteado, ou desnorteado, por algumas atitudes sugeridas, já que o termo Regra era proibitivo:

 - negar qualquer lógica decorrente da aplicação do Racionalismo na realidade.

- valorizar o subjetivismo do poeta

- valorização do Eu sobre o Você, inexistindo o Nós

- o homem valendo mais pelo espírito do que pela existência física.

-  sonho e loucura acima da razão

-  evolução espiritual encontrada fora do planeta

-  sendo o corpo uma espécie de prisão da alma, vale mais a morte

- a metáfora e o símbolo norteando a razão

-* uso formal de aliteração e assonância nas palavras do verso

-* o som natural do verso como música própria

- busca da Poesia Pura pela subjetividade de conceito e lógica

- mostrar a vida pelo seu lado degradante

-* - Aliteração e Assonância são truques sonoros usados pelos poetas desde antes de Cristo, portanto não era novidade alguma o seu uso.

-* - o Som Natural do Verso existe desde o dia em que o deus grego Apolo, numa das declamações dos seus poemas narcisistas, escutou um ouvinte batendo os pés de forma fraca ou forte, em comcordância com as sílabas átonas e tônicas das palavras declamadas, o que deu origem tanto ao Ritmo Poético quanto aos Pés de Verso nas bases Classicismo.

Só coloquei alguns dos elementos apenas supostos pelo sub-sub-movimento, no qual se percebe nitidamente a busca pela perda da razão responsável pela manutenção do Homem na forma de sociedade.

Embora tudo isso pareça loucura de bêbado, as razões para querer se dar à Poesia, que resulta em raíz cultural de qualquer povo, tais caminhos distantes da lógica social e cotidiana, por ter vindo de manipulação pré-meditada, acabou transformando, à partir do Simbolismo, todas as demais tentativas posteriores como sub-sub-sub-movimentos. Vejam porque:

A fim de destruir todas as forças coletivas, exceto as nossas, supriremos as universidades, primeira etapa do coletivismo, e fundaremos outras com um novo espírito. Seus reitores e professores serão preparados secretamente para a sua tarefa por meio de programas de ação secretos e minuciosos, dos quais se não poderão afastar uma linha. Serão nomeados com uma prudência muito especial e serão inteiramente dependentes do governo.

Excluimos do ensino o direito cívico, assim como tudo o que concerne às questões políticas. Essas matérias serão ensinadas a algumas dezenas de pessoas, escolhidas por suas faculdades eminentes. As universidades não devem deixar sair de seus muros fedelhos que formem projetos de constituição, como se compusessem comédias ou tragédias, e que se ocupem de questões políticas que os seus próprios pais nunca entenderam.

 O mau conhecimento que a maioria dos homens têm das questões políticas faz deles utopistas e maus cidadãos; podeis verificar pessoalmente o que sua educação geral fez deles. Foi preciso que introduzíssemos em sua educação todos os princípios que tão brilhantemente enfraqueceram sua ordem social. Mas, quando estivermos no poder, afastaremos da educação todas as matérias de ensino que possam causar perturbação e faremos da mocidade crianças obedientes às autoridades, amando quem os governa, como um apoio e uma esperança de tranqüilidade e paz.

Substituiremos o CLASSICISMO, assim como todo o estudo da história antiga, que apresenta mais maus exemplos do que bons, pelo estudo do programa do futuro.

Riscaremos das memórias dos homens todos os fatos dos séculos passados que não forem agradáveis, somente conservando entre eles os que pintem os erros dos governos …

…Em uma palavra, sabendo, pela experiência de muitos séculos que os homens vivem e se dirigem pelas idéias, que essas idéias somente são inculcadas aos homens pela educação, ministrada com êxito igual em todas as idades por processos diferentes, bem entendido, absorveremos e adotaremos em nosso proveito, os derradeiros clarões da independência de pensamento, que de há muito já dirigimos para as matérias e idéias de que carecemos. O sistema de repressão do pensamento já está em vigor no método denominado do ensino pela IMAGEM, que deve transformar os homens em animais dóceis, que não pensam e esperam a representação das cousas e IMAGENS, a fim de compreendê-las… “.

 

Ver também: http://mpbsapiens.com/o-judeu-e-o-fariseu/

Esse texto foi escrito, por volta de 1898, numa reunião ocorrida entre dois lados conflitantes do sionismo internacional: Europeu e Americano; num documento com 24 atas chamado Os Protocolos dos Sábios do Sião, cuja parte que destaquei consta na ata, ou capítulo XVI, especificado acima com os nomes:

As universidades tornadas inofensivas - O classicismo substituído - A independência do pensamento. O ensino pela imagem“.

Esse povo, ou polvo, dócil que escreveu isso é o atual proprietário das agências internacionais de notícias, que possui tentáculos próprios em cada país em que atuam.

A manifestação literária, ocorrida no Brasil após essa do confronto entre o Parnasianismo e o Simbolismo, cujas origens suponho agora terem ficado mais claras, como derivação do Imagismo Programado; foi a da Semana Literária de 1922, efetuada em São Paulo, que recebeu também o apelido de Semana Modernista de 22.

Nela tivemos a presença de poetas já consagrados e ainda por se consagrar, dentre os quais destaco Manoel Bandeira, cujas obras anteriores já haviam mostrado uma realidade pré parnasiana; abraçando, sabe-se lá por quais motivos, às causas mais Imagistas para os caminhos do verso; noutro sub-sub-sub movimento literário chamado Modernismo.

Como, graças a Einstein, tudo é relativo, aquela reunião de literatos, quase todos portadores de “auto-estima com nervo exposto”, resultou também em poetas modernistas com valores inquestionáveis e benéficos para a nossa literatura posterior, onde Carlos Drummond de Andrade que, por sinal, nem participou pessoalmente daquela festa toda, é o melhor exemplo, conforme justificaria, posteriormente, na obra Claro Enigma; onde dividiu o poeta em Ser e Parecer, com o primeiro se referindo à essência poética do artista, e o segundo ao mesmo artista tendo que se virar para manter a obra viva.

http://mpbsapiens.com/roda-viva-disparada-um-claro-enigma/

Após essa Semana de 22 só voltamos a ter uma nova variação imagista na década de 50 do século passado, com a chegada do Concretismo, cujo nome mais forte era o de Ezra Loomis Pound, um remanescente da ancestral batalha Parnasianismo x Simbolismo, ou Imagismo, fica ao gosto do leitor.

Uma nova onda de “sabedoria poética” assolou os nossos meios literários até o final dos anos 60 do mesmo século. Na verdade, aquela sabedoria toda se resumia mais à ação do tablóide a folha de São Paulo, mas, como tudo ainda era relativo, o Concretismo foi capaz de inspirar um e, na minha visão, somente um, nome de real valor para a nossa literatura: Ferreira Gullar; mais especificamente na obra Traduzir-se.

http://mpbsapiens.com/traduzir-se/

Portanto, caros estudantes de Letras, esse é um outro lado desse Simbolismo sobre o qual têm me perguntado bastante nos últimos dias.

Como todas as regras da Versificação foram abolidas por ele, inclusive a das catorze sílabas poéticas como o limite entre a Poesia e a Prosa, se vocês estudarem um pouquinho de Aliteração, Assonância e Rimas na hora em que estiverem construindo o poema, esqueçam de Métrica, Ritmo Poético, Estrofação…

http://mpbsapiens.com/aliteraçao/
http://mpbsapiens.com/assonancia/
http://mpbsapiens.com/as-rimas/

 

Se, por ventura, alguns de vocês gostarem de exemplos aproximados do Simbolismo na MPB, pesquisem as músicas Não Sonho Mais, Morro Dois Irmãos, A Ostra e o Vento, Sonhos, Sonhos São, todas do Chico Buarque, e Janelas Abertas 2, do Caetano Veloso; essas sim, compostas por poetas de reconhecido valor na literatura brasileira.

http://mpbsapiens.com/caetano-janelas-abertas/ 

 

Boa Sorte.  PLIM – PLIM!

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Aprender A Fazer Poemas 2

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http://mpbsapiens.com/aprender-a-fazer-poemas/

O MPB Sapiens nasceu da minha vontade de escrever um livro sobre a obra do compositor Chico Buarque. Depois, pela grana que se gastava para fazer o livro, pelos problemas legais que o mesmo poderia me causar e pela facilidade que um blog, ou site, oferecia; optei pelo site.

Por ser uma obra com textos escritos em versos, vi a necessidade de colocar no site postagens ilustrativas dos elementos da Ciência Poética, para que os leitores pudessem ganhar um alcance melhor dos textos dele.

Passado um tempo, percebi que a carência maior dos estudantes estava mais voltada para a Versificação do que para a obra propriamente dita. Foi quando postei o Aprender A Fazer Poemas e, logo depois, o Como Fazer Um Poema Com Rimas.

http://mpbsapiens.com/como-fazer-poema-com-rimas/

Em ambas as postagens, vocês, leitores mais assíduos, geralmente têm os mesmos problemas para começarem a fazer os seus poemas. Resolvi então colocar as minhas últimas correspondências com vocês aqui, como postagem do site, para que possam, à partir delas, começarem a tirar as suas primeiras dúvidas que, como já disse, são comuns à maioria dos leitores.

Faço isso por dois motivos:

1- Preciso continuar com a idéia inicial, que é a de contar uma breve história da obra do Chico Buarque e, por extensão, a da MPB que a cerca.

2- Como sou um profissional autônomo, tenho de trabalhar para defender o leite das crianças e o cigarro do marmanjo.

Dá para perceber que o nosso problema maior é o meu tempo, que tem de ser suficiente para atender ao número crescente de interessados no aprendizado de poemas, de continuar com as demais postagens sobre MPB, e trabalhar para o sustento próprio.

Uma das soluções para isso seria conseguir parceiros comerciais. Tive alguns interessados em parcerias, mas brecamos no mesmo problema:

O espaço destinado ao aprendizado, ficando cheio de botões de propaganda ao redor, acaba fazendo com que o aluno, numa vacilada qualquer do mouse, vá para outra página e se distraia da atenção principal, que é a do aprendizado.

Esse é o maior problema da internet: a Dispersão, que acaba sempre dando à pesquisa do assunto uma idéia superficial e ninguém aprende a coisa direito.

Este site tem como objetivo maior a Cultura e a Educação, não o Comércio. Cultura e Educação não se vende ou se compra. Se dá gratuitamente ou, quando muito, se troca na forma de aluno e professor!

Portanto continuarei por aqui, informando-os com o tempo que me reste, mas também posso fazê-lo numa Cooperativa Da Poesia, que seria uma espécie de blog próprio, aberto e administrado por qualquer um ou mais  leitores que, juntos, estejam dispostos a me pagar um Salário Mínimo; o que me permitiria não ter de usar parte do tempo como profissional autônomo em outro local.

Essa Cooperativa Da Poesia poderia, ao contrário daqui, ter ao redor a propaganda comercial que a sustentasse, ou mesmo ser um clube com associados.

A sugestão está dada. Qualquer dos leitores que se interesse, para simplesmente aprender em conjunto, ou mesmo ganhar dinheiro com ela, e leve a idéia da cooperativa adiante, que me procure.

Vamos às correspondências:

 Assunto 1:

eu preciso de um comentário menos culto para um trabalho!!!Mas esse comentário ta mto bom!!!

Resposta:

Sugiro que você copie a postagem daqui num arquivo de texto seu, classifique os assuntos que considere menos cultos e reescrêva-os com as próprias palavras.

Dessa forma você fixa mais a interpretação do texto original, ao mesmo tempo em que dá a ele uma essência descritiva mais apropriada à escola.

Não conte a ninguém e colha os bons resultados. Juro que esse papo morre por aqui.

Vai firme! Grato pela visita e volte sempre.
Dalton.

Assunto 2:

 eu queria saber como eu faço um poema..
poorq eu naum consigo liberar oq sinto pra escreve um poema

Resposta 1:

Vou sugerir a você o mesmo que já sugeri a outros leitores anteriores:

Todo poema é um texto normal ajustado para versos. O importante é começar escrevendo textos curtos e exercitar a transformação deles em poemas.

Escreva aqui algo que esteja precisando pôr pra fora, e tentarei ajudá-lo a transformar o texto em poema.

Grato pela confiança e volte. Estarei esperando.
Dalton.

Assunto 2 – Continuação:

Obrigado amigo,,..
aki esta um mini texto issu foi oq eu consegui falla
que eu so um garoto muito indeciso, sei qual e o certo e o errado mesmo assim eu erro,, amo quem naum deveria amr e as pessoas eu deveria amr eu naum consigo ama las da maneira correta.

Resposta 2: 

Em primeiro lugar, o texto tem de ser escrito corretamente. Não com essa grafia de internet, herdada de uma época (uns 20 anos atrás) em que, pela falta dos sinais de acentuação, se usavam recursos como EH para escrever É, ou NAUM para escrever NÃO, ou mesmo PQ. para PORQUE e VC. para VOCÊ.

Eu entendo que a “moda” pegou, mas perca esse vício e veja como esse seu último recado deveria ter sido escrito:

Obrigado amigo.
Aqui está um mini texto. Isso foi o que eu consegui falar (escrever):
Que eu sou um garoto muito indeciso, sei qual é o certo e o errado, mas mesmo assim eu erro.

Amo quem não deveria amar, e as pessoas que eu deveria amar eu não consigo amá-las da maneira correta.

Corrigindo isso a coisa fica muito mais fácil.

Creio que na história da MPB os compositores já tenham tratado da maioria dos assuntos pessoais,  como esse seu, de insegurança amorosa. Veja:

Mágoa, mágoa
Meu coração está magoado
Pois quem eu quero não me quer
Amar!
E quem me quer eu não mereço
Magoar!

Esses versos pertencem a uma música cantada pelos The Golden Boys há uns 45 anos atrás. Procure lá no yotube que você deverá achar.

Leia atentamente a letra e tente escrevê-la, a seu modo, numa espécie de paródia. Exercite isso e depois volte aqui para me contar. Estarei esperando.

Grato pela confiança e volte.

Dalton.

 

Como vocês podem reparar, eu não tenho qualquer trava de cópias no site. Todos podem copiar as postagens e usá-las como bem entender. A única coisa que peço, como já pedi numa postagem anterior,

http://mpbsapiens.com/aos-navegantes-do-mpb-sapiens/

e na resposta do Assunto 1, é que reescrevam os textos com as próprias palavras antes de editá-lo, pois incomoda ver um texto meu, com outro nome embaixo, e ainda por cima ganhando com ele uma grana vinda de um monte de parceiros comerciais. Apenas isso.

Paralelamente a essa atividade toda descrita, há um futuro Dicionário de Rimas sendo feito, e que, uma vez terminado, também virá para o site para melhor ilustrá-los.

Grato pela atenção.

Dalton.

 

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