Bom Tempo-Análise de Texto

Anterior – > http://mpbsapiens.com/benvinda-t/
    Vídeo de Tauil   

Ainda em 1968, Chico resolveu “dar um tempo” naquela guerra toda, do Ser Poético com o Parecer Social, e compôs Bom Tempo, criticada por ter um texto alienado, quando o momento social exigia todo um engajamento, no combate à força que supúnhamos dominante, a dos militares, que na realidade só faziam o papel de Bandido contra o conjunto Mocinho (imprensa e artistas); conforme o próprio Chico denunciara na peça Roda Viva.

Era claro que ele estava cansado de tanta cobrança de “Engajamento”, que já denunciara como falso na peça, persistindo em martelar na sua porta da Individualidade, como se não tivesse sido bastante claro nela.

Suspeito até que Bom Tempo tenha sido um dos arquétipos da futura composição Samba E Amor que, dentre outros pensamentos, diz o seguinte:      

…No colo da “benvinda” companheira
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação…

Chico estava à fim mesmo era de ficar na dele. Assim:         

Um marinheiro me contou
Que a boa brisa lhe soprou
Que vem aí bom tempo
O pescador me confirmou
Que-o passarinho lhe cantou
Que vem aí bom tempo
Dou duro toda a semana
Senão pergunte a Joana
Que não me deixa mentir
Mas finalmente é domingo
E naturalmente, me vingo
Eu vou me espalhar por aí
          
No compasso
Do samba eu disfarço o cansaço
Joana debaixo do braço
Carregadinha de amor
Vou que vou
Pela estrada
Que dá numa praia dourada
Que dá num tal de fazer nada
Como a natureza mandou
Vou
Satisfeito 
A alegria batendo no peito
O radinho contando direito
A vitória do meu tricolor
Vou que vou
Lá no alto
O sol quente me leva num salto
Pro lado contrário do asfalto
Pro lado contrário da dor.
          
Repete a primeira estrofe
          
Ando cansado da lida
Preocupada
Corrida, surrada, batida dos dias meus
Mais uma vez na vida
Eu vou viver a vida
Que eu pedi a Deus 

Os quarto e quinto Lps bagunçaram um pouco a cronologia da obra, pois contêm composições anteriores e posteriores à passagem do Chico pela Itália, além de outras feitas por lá.

Bom Tempo é um exemplo disso, pois foi gravada no quinto Lp, junto com Desencontro, composta em 67.

Já, Benvinda, não foi incluída em qualquer dos Lps oficiais, mas numa coletânea de sucessos. O quarto Lp trouxe Não Fala de Maria, mas a oficial Maria, que se evitou falar no quarto disco, só viria no quinto…     

Depois do descanso do Chico em Bom Tempo, ou mesmo do descaso da assessoria dele, com a história da sua obra no contexto da cultura nacional, assumo agora o papel de Anjo, transformo o Auto-Exílio Interior do Ser em Exterior do Parecer, já que o Chico nunca foi exilado oficialmente, e mando o autor para a Itália, aonde persistiria com o Auto-Exílio nos dois aspectos, Interior e Exterior, só que oficialmente.

Quem seria a tal da Joana Sovacal (debaixo do braço)? Na volta da Itália voltaremos ao assunto.  

- Extra! Extra! – O cantor Chico Buarque de Hollanda foi mandado embora do Brasil e viajou para a Itália junto com a amante, a atriz Marieta Severo! 

“Brasil, Ame-o ou Deixe-o”

                   
Próxima – > http://mpbsapiens.com/sabia-analise-de-texto/
                      
  del.icio.us isto!

2 Respostas até o momento »

  1. 1

    jeanete gouvea said,

    março 14, 2009 @ 1:01 am

    Será que Bom Tempo é tão alienada como se pensava? Não sei… agora fico em dúvida com esse anúncio de bom tempo que “vem aí.” Na época, as patrulhas ideológicas eram tão atuantes, marcavam tão de perto, que era difícil escapar de uma ou de outra. Pode apagar, escrevi porque me veio essa dúvida e, se quiser fazer algum reparo també…
    Bjs

  2. 2

    admin said,

    março 14, 2009 @ 7:37 am

    Jan!

    Nenhuma composição musical é alienada numa obra. Por mais que tentemos dar à ilha de um arquipélago uma identidade extraída das características visuais próprias, ela está ligada às demais por baixo d´água.
    Quem buscava a alienação era o Chico, que tinha na ocasião várias frentes credoras lhe cobrando adesão: De um lado os socialistas cobrando uma postura mais condizente com a do pai, do outro os nacionalistas orgulhosos do rótulo Unanimidade Nacional que a imprensa lhe dera em A Banda, e a própria imprensa pondo fogo pelos dois lados. Como se não bastasse isso, os credores europeus, na tentativa de recuperarem a praça comercial, cobravam-no uma adesão à ancestralidade, pois esses Buarques, tinham chegado ao Brasil na Primeira Invasão Holandesa, já como Buarques de Holanda; em conflito com os credores americanos do New York Times, que o bancavam até então pelo braço embrionário da RGE, cujo proprietário, Roberto Marinho, transformaria nesse imenso Oni Tentáculo que é a globo hoje. A continuidade da carreira mostrará tudo isso a partir do próximo post.

    Bjs.

Comentário RSS · TrackBack URI

Deixe um comentário