Até Pensei-Análise de Texto

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        Vídeo de DivaFranco      

No submundo do auto-exílio creio que a insegurança, batendo forte, tenha obrigado o Ser Interior a se transportar para uma outra época da vida do Chico, onde o urgente não compromisso o levou para a realidade do jovem de Até Pensei: 

Junto à minha rua havia um bosque
Que um muro alto proibia
Lá todo balão caia
Toda maçã nascia
E o dono do bosque nem via
      
Do lado de lá tanta aventura
E eu a espreitar na noite escura
A dedilhar essa modinha
A felicidade morava tão vizinha
Que de tolo
Até pensei que fosse minha 
     
Junto a mim morava a minha amada
Com olhos claros como o dia
Lá o meu olhar vivia
De sonho e fantasia
E a dona dos olhos nem via
      
Do lado de lá tanta ventura
E eu a esperar pela ternura
Que a enganar nunca me vinha
Eu que andava pobre
Tão pobre de carinho
Que de tolo
Até pensei que fosses minha
      
Entoa os versos 6, 7 e 8
     
Toda a dor da vida
Me ensinou essa modinha
Que de tolo
Até pensei que fosse minha 

Talvez, lembrando de algum amor adolescente, Chico retrocedeu, ou progrediu, sabe-se lá, ao infante pulador de muro, que roubava frutas no bosque. Correr atrás de balão já era coisa de adolescente, os populares balões “caixa e almofada”, com 8 ou 16 folhas, eram os mais usados e valorizavam muito o heroísmo do feito. “Chinesinho” não contava.      

A idade que ele abordou na composição é bem complexa, pois envolve sentimentos e atenções simultâneos e distintos. O olhar bonito de uma garota, também bonita, merecia, na realidade da época, a mesma atenção de um balão caindo nas proximidades, numa verdadeira batalha entre o enamorado e o herói na difícil guerra do crescimento, onde as vitórias, ou derrotas, dá no mesmo como impostoras, ocorrem em níveis extremos. 

Outra curiosidade está no verso “Do lado de lá tanta (a)ventura”, pois a melodia, idêntica à do primeiro verso de Retrato em Branco e Preto, que pertence ao Tom Jobim, justifica o texto dos últimos quatro versos, provavelmente feitos pelo Chico no momento em que constatou  estar plagiando o Tom, e tentou se desculpar saindo pela tangente no texto.                  


   
   
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  del.icio.us isto!

2 Respostas até o momento »

  1. 1

    Alberto Sales said,

    julho 2, 2009 @ 12:14 pm

    Excelente a análise dessa extraordnária canção do Chico! Esse fato das melodias iguais, do Tom e dele, mostra, sim, a genialidade do Chico que consegue, dentro de duas letras, analísá-las em si mesmas! Muito bom!

  2. 2

    admin said,

    julho 2, 2009 @ 12:37 pm

    Alberto.

    A obra dele é cheia dessas particularidades. Típica situação de quem escreve por prazer. Goza de sí mesmo quando percebe a mancada. Acredito mesmo que a última estrofe tenha sido uma saída pela tangente.

    Grato!

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