Até Pensei-Análise de Texto
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No submundo do auto-exílio creio que a insegurança, batendo forte, tenha obrigado o Ser Interior a se transportar para uma outra época da vida do Chico, onde o urgente não compromisso o levou para a realidade do jovem de Até Pensei:
Junto à minha rua havia um bosque Que um muro alto proibia Lá todo balão caia Toda maçã nascia E o dono do bosque nem via Do lado de lá tanta aventura E eu a espreitar na noite escura A dedilhar essa modinha A felicidade morava tão vizinha Que de tolo Até pensei que fosse minha Junto a mim morava a minha amada Com olhos claros como o dia Lá o meu olhar vivia De sonho e fantasia E a dona dos olhos nem via Do lado de lá tanta ventura E eu a esperar pela ternura Que a enganar nunca me vinha Eu que andava pobre Tão pobre de carinho Que de tolo Até pensei que fosses minha Entoa os versos 6, 7 e 8 Toda a dor da vida Me ensinou essa modinha Que de tolo Até pensei que fosse minhaTalvez, lembrando de algum amor adolescente, Chico retrocedeu, ou progrediu, sabe-se lá, ao infante pulador de muro, que roubava frutas no bosque. Correr atrás de balão já era coisa de adolescente, os populares balões “caixa e almofada”, com 8 ou 16 folhas, eram os mais usados e valorizavam muito o heroísmo do feito. “Chinesinho” não contava.
A idade que ele abordou na composição é bem complexa, pois envolve sentimentos e atenções simultâneos e distintos. O olhar bonito de uma garota, também bonita, merecia, na realidade da época, a mesma atenção de um balão caindo nas proximidades, numa verdadeira batalha entre o enamorado e o herói na difícil guerra do crescimento, onde as vitórias, ou derrotas, dá no mesmo como impostoras, ocorrem em níveis extremos.
Outra curiosidade está no verso “Do lado de lá tanta (a)ventura”, pois a melodia, idêntica à do primeiro verso de Retrato em Branco e Preto, que pertence ao Tom Jobim, justifica o texto dos últimos quatro versos, provavelmente feitos pelo Chico no momento em que constatou estar plagiando o Tom, e tentou se desculpar saindo pela tangente no texto. Compare:
http://letras.terra.com.br/chico-buarque/86040/
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Alberto Sales said,
julho 2, 2009 @ 12:14 pm
Excelente a análise dessa extraordnária canção do Chico! Esse fato das melodias iguais, do Tom e dele, mostra, sim, a genialidade do Chico que consegue, dentro de duas letras, analísá-las em si mesmas! Muito bom!
admin said,
julho 2, 2009 @ 12:37 pm
Alberto.
A obra dele é cheia dessas particularidades. Típica situação de quem escreve por prazer. Goza de sí mesmo quando percebe a mancada. Acredito mesmo que a última estrofe tenha sido uma saída pela tangente.
Grato!